e-dito Boletim Travessias #003

Camila Popadiuk (EBP/AMP)
Imagem: Pixabay
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No terceiro número deste Boletim, os leitores encontrarão novos pontos de ancoragem para prosseguir em suas travessias. De início, os flashes da Comissão de orientação lançam rápidos clarões sobre alguns destes pontos: a diferença entre a passagem ao ato e o ato analítico pela perspectiva da subversão do sujeito, o caráter de surpresa da interpretação e sua dimensão temporal e a posição herética do analista sustentado em uma ética que inclui a política.

Além disto, os textos apresentados na última atividade preparatória para as X Jornadas “Psicanálise em ato” (1/9/2021) encontram-se aqui disponíveis para leitura e cumprem a função que lhes foi atribuída: enquanto eixos, orientam a investigação em torno da temática das X Jornadas a partir de novos desdobramentos sobre o “Ato analítico e civilização” e o “Ato analítico e política do sintoma”.

Como textos preparatórios, Ana Martha Wilson Maia e Camila Colás abordam a temática do final de análise, seja através da articulação do neologismo criado por Lacan, lalíngua, seja pela perspectiva dos restos sintomáticos. Ana Martha sublinha que no último ensino de Lacan, a interpretação não repousa mais na decifração do sentido, mas sim no esvaziamento da significação, apontando o fora do sentido, já que a linguagem passa a ser tomada como um aparelho de gozo. Ela diz: “…na passagem de analisante à psicanalista, o parlêtre relata como lê seu percurso. E em sua leitura, em sua interpretação, vemos que “ele se encontra no lugar do sinthoma.” (Laurent, 2010)”. É justamente a partir deste ponto que Camila Colás sustenta, com Lacan, que a dimensão política da psicanálise consiste em tomar o psicanalista como um sinthoma, pois é a partir dele que o analista opera em seu ato. Diante disto, ela lança a seguinte pergunta: “sustentar uma psicanálise orientada pelo real e pelo sinthoma seria a condição para sua sobrevivência?”

Em seu texto “O ato retira o envoltório”, Eduardo Suarez destaca que, na época atual, a evaporação do pai produz novos modos de identificações a partir dos quais os indivíduos se coletivizam em torno de um modo de gozo e que, é justamente isto que faz emergir “os novos populismos e os “crescentes movimentos identitários”. “A recusa da extimidade do gozo, retorna na figura do inimigo odiado”, eis porque “urge conversar sobre o ato analítico”.

Rodrigo Camargo lança seus dados, ao apostar na hipótese de que os seminários de Lacan, proferidos no período de 1965 a 1967, não foram publicados por Jacques-Alain Miller não por uma questão aleatória, mas sim porque estes seminários “indicam uma tremenda reviravolta na recepção de seu ensino [de Lacan] e nas gerações vindouras”.

Com a finalidade de nos desconectarmos um pouco da tela, dos fones e dos aparatos tecnológicos, Conexões com a cidade selecionou algumas atividades culturais que acontecem neste momento na cidade de São Paulo. Confiram lá! Mas lembrem-se: os protocolos sanitários devem continuar sendo respeitados!

Novas bibliografias foram acrescentadas pela Comissão de orientação e, certamente, elas servirão como embasamento epistêmico para a escrita de um trabalho para as mesas simultâneas. Para aqueles que têm interesse, ainda é tempo de iniciar um trabalho em cartel sobre a temática das X Jornadas. Mais informações na rubrica 4+ 1 Cartéis.

Se você ainda não se inscreveu em nossas Jornadas, não deixe de fazê-lo: basta clicar no ícone Inscrições (ao final da página do Boletim TRAVESSIAS) para garantir sua vaga!

Uma boa leitura!