skip to Main Content

Paola Salinas (EBP/AMP)

O tabu da virgindade é abordado e justificado devido à hostilidade e ao desejo de vingança que o defloramento provocaria. Ao desenvolver correlações sobre o tema, Freud destaca a frigidez como aspecto importante na vida sexual da mulher, articulando ao Édipo e ao complexo de castração. Associa tal hostilidade, na base do tabu, à inveja do pênis e ao protesto de masculinidade.

A valorização da virgindade seria a extensão do direito de propriedade à mulher, incluindo seu passado, o que é natural e indiscutível para o homem da época; daí a incompreensibilidade do tabu presente nos povos primitivos, os quais, para evitar a hostilidade do defloramento, o fariam em rituais antes do casamento.

Tal valorização se associa à servidão sexual, dependência de uma pessoa com quem há envolvimento sexual, base do matrimônio, explicada em função da repressão sexual feminina, chegando ao sacrifício dos interesses pessoais.

Contudo, tal valorização também ocorre nos povos primitivos, ao ponto do defloramento ter se tornado tabu, proibição de cunho religioso frente à presença de um perigo, ainda que psicológico, segundo a definição freudiana.

Freud toma o horror à efusão de sangue e a angústia frente a todo ato primeiro, como possíveis motivos para o tabu. Contudo, destaca a importância do defloramento em relação à resistência sexual vencida e o fato de ocorrer apenas uma vez. Estamos diante de um acontecimento intenso e único, que tem o peso de um ato.

Este ato traz uma nova significação pelo furo no saber que engendra, presença de algo incompreensível e inquietante, por vezes tratado em rituais de passagem.

Crawley fala da abrangência do tabu em quase toda a vida sexual: “quase poderia se dizer que a mulher é um tabu em sua totalidade. Não somente em situações derivadas da sua vida sexual, menstruação, gravidez, parto e puerpério”2, exemplificando pela necessidade de afastamento das mulheres, em alguns povos, na época de caça, guerra ou colheita.

Verificamos nesse afastamento um temor fundamental à mulher. Esta ocupa o lugar de enigma, e algo disso persiste. A mulher encarna tal diferença em seu corpo.

Neste ponto, Freud fala do narcisismo das pequenas diferenças: “cada indivíduo se diferencia dos demais por um tabu de isolamento pessoal que constitui as pequenas diferenças entre as pessoas, que quanto ao restante são semelhantes, e constituem a base dos sentimentos de estranheza e hostilidade entre eles”3. Poderíamos hipotetizar a repulsa narcisista à mulher.

Embora Freud diga que o tabu com a mulher em geral não esclarece o tabu da virgindade, abre uma questão sobre o lugar do feminino.

Os motivos levantados não explicam o tabu, a intenção de negar ou evitar ao marido algo que seria inseparável do primeiro ato sexual, mesmo que dali surja uma ligação intensa da mulher com o marido.

A gênese do tabu tem uma ambivalência original, que podemos articular à alteridade que a mulher representa. A relação entre o primeiro coito e a frigidez, estaria de pleno acordo com o perigo psíquico que o defloramento traz à tona. O gozo, pelo avesso, a frigidez, marca um funcionamento pulsional outro, articulado à proibição frente à sexualidade feminina.

Freud destaca a ofensa narcísica que o coito pode assumir pela destruição do órgão (hímen) e pela perda do valor sexual da mulher dele decorrente. Com maior importância fala do poder da distribuição inicial da libido, a fixação intensa da libido em desejos sexuais infantis. Nas mulheres, a libido estaria ligada ao pai ou ao irmão, sendo o marido sempre um substituto.

Destaca a inveja do pênis anterior à fase da escolha do objeto amoroso, mais próxima do narcisismo primitivo do que do objeto de amor. Haveria, portanto, algo do narcisismo feminino em jogo nesta hostilidade, hipótese que podemos aprofundar.

__________________________ 1 FREUD, S. “O tabu da virgindade (Contribuições à psicologia do amor III) (1918 [1917]). In: Edição Standard. Vol. XI, Imago: Rio de Janeiro. 1970. 2 _______. Op. Cit. P. 183. N.A.: Freud refere-se à Crawley (1902), Ploss and Bartels (1891), Frazer (1911) e Havelock Ellis [1913]. 3 _______. Op. Cit. P. 184.

Proposta de trabalho da Diretoria da EBP-SP – Biênio 2023-2025

 Nossa proposição epistêmica e clínica para o biênio 2023-2025 versará sobre o Estatuto do objeto a na clínica hoje. O objeto a é um resto, “o que sobra da incidência da linguagem e da cultura sobre as dimensões da satisfação, da natureza e dos corpos”[1]. É “o que resta de irredutível na operação total do advento do sujeito no lugar do Outro, e é a partir daí que ele assume sua função (…). É a sobra da operação subjetiva”[2], diz-nos Lacan no Seminário 10.

Miller nos diz que objeto a “é esse pedaço (…) uma parte de si mesmo que é presa na máquina (formal), ficando para sempre irrecuperável”[3]. Freud o chamou de “objeto perdido”, “objeto da pulsão” e “objeto real da libido”; Melanie Klein abordou o tema pela via do “seio mau” e “seio bom”; Winnicott o chamou de “objeto transicional”. “Operar a partir e com esse objeto na clínica oferecem ao analista uma orientação, cuja ausência, sobretudo antes de Lacan, fez com que a psicanálise muitas vezes se visse confundida com outros procedimentos psicoterapêuticos ou mesmo com iniciativas meramente pedagógicas de intervenção sobre o mal-estar na cultura”[4].

Optamos pela escolha de um tema de trabalho que foi apontado pelo próprio Lacan, na aula de 9 de abril de 1974 do Seminário 21: Les non-dupes errent, como sua invenção[5] mais original.

Nesta lição, Lacan nos mostra como o objeto a perpassa os diferentes momentos do seu ensino, como no Grafo do desejo e no matema do Fantasma fundamental, no Esquema L, na maquinaria discursiva, nas Fórmulas quânticas da sexuação e, posteriormente, na Clínica borromeana: “o objeto a, é lá que isso se enoda”[6], diz-nos Lacan. No esteio dos objetos freudianos, Lacan acrescenta a voz, o olhar e o nada. Ainda na referida lição do Seminário 21, Lacan diz: “Há no objeto a uma face que é tão real quanto resulte possível, só pelo fato de que se escreve. Vejam o que estou tentando fazer: tento situar o escrito (…) como essa borda do real, situá-lo sobre essa borda”[7].

Revisitar a episteme e os usos da invenção lacaniana do objeto a visa, em nossa concepção, levar às últimas consequências o que o ensino de Lacan subsidia para o exercício da psicanálise em nossos dias, tanto no que diz respeito à clínica propriamente dita quanto ao que concerne à formação e ao desejo do psicanalista. “Pois não há nada mais no mundo além de um objeto a (…). Para fazer semblante dele é preciso talento”[8], conta-nos Lacan, em “A terceira”.

O tema de trabalho “Todo mundo é louco”, proposto pela Associação Mundial de Psicanálise para o Congresso Mundial de 2024, nos coloca diante de nossa prática e nos convoca à pergunta sobre o que fazemos com o ensino de Lacan. Qual o lugar do objeto se tomamos como paradigma a clínica borromeana e a referência “Todo mundo é louco”? A angústia, que como Lacan nos mostrou, não é sem o objeto, afeta os seres falantes nas diferentes estruturas clínicas e é cada vez mais incidente na civilização; como nos orientarmos por esse indicador clínico fundamental em nossos tempos? Como incide a “lógica encarnada dos objetos a[9] nos chamados sintomas contemporâneos, sendo a toxicomania, os amores fluidos e as questões trans exemplos paradigmáticos? Como podemos ler os modos compulsivos de aquisição e acúmulo dos objetos na cultura do streaming, marcada pelo imperativo do tudo ver, tudo ler, tudo ouvir, tudo consumir?  Quais as implicações das mudanças evidenciadas no objeto agalma – suposição de saber dirigida ao analista e ao inconsciente? E a função de objeto-causa, como fazemos uso dela nos diferentes momentos de uma análise? E os objetos da sublimação em nossa cultura, “aqueles que podem vir no lugar do objeto perdido”[10]? Estas são algumas perguntas com as quais nossa diretoria tem se ocupado e que pretendemos dar consequências ao longo desse biênio.

Nossa programação não se centrará em um único Seminário de Lacan. Ela será desenvolvida percorrendo diversos momentos de seu ensino, onde escolheremos textos de referência que sirvam de estofo para as discussões em nossas reuniões das quartas-feiras. A programação alternará discussões que ora privilegiarão a clínica, ora a episteme e em outros momentos a política lacaniana do sintoma em suas conexões com a civilização e os demais discursos.

Ampliaremos o convite ao maior número possível dos membros da nossa Escola, o que certamente aponta para uma aposta na pluralidade da enunciação e na singularidade do estilo de cada um em nosso meio. Para tanto, enfatizamos o que Jacques-Alain Miller recentemente expôs na “Conversação entre Buenos Aires e Paris em torno de Lacan Hispano” a respeito do trabalho em nossa comunidade: “Longe de se contentar em repetir as teorias e fórmulas de Lacan, (devemos encontrar) uma inspiração para colocá-las a trabalho”[11]. E recomenda: “Não ousemos avaliar pelos critérios de nossa época o que Lacan formulou nos anos 1950”[12]. Tomemos isso como uma orientação! Isso certamente nos convoca a reavivar, rejuvenescer discursivamente e fazer avançar o Ensino de Lacan para manter em nossa época a corajosa via de enfrentar o real, sem depor as armas, pois disto depende a maneira como faremos existir a psicanálise no mundo. Dito isto, convidaremos nossa comunidade para uma enunciação que inclua o “hoje” da clínica na teoria, revigorando-a.

Para subsidiar as discussões e atividades envolvendo a continuidade lógica da entre a clínica estruturalista e a clínica borromeana, realizaremos a aquisição de materiais que ajudarão na criação de uma Oficina de topologia, a ser lançado no Bloomsday deste ano, no dia 16/06. Com isso, pretendemos realizar, periodicamente, discussões e reuniões em torno do tema, bem como fornecer um espaço para que os encontros de carteis possam acontecer nas dependências da Seção São Paulo.

As XII Jornadas serão dedicadas ao tema do “R.I.S.o” e acontecerão nos dias 27 e 28 de outubro deste ano. A Coordenação Geral fica a cargo de Gustavo Menezes, a coordenação da Comissão de Orientação sob a responsabilidade de Rômulo Ferreira da Silva e o nosso convidado internacional será Gustavo Stiglitz. O lançamento das Jornadas, ocasião na qual apresentaremos o argumento, eixos temáticos e as demais informações, ocorrerá no dia 19 de abril.

Agradecemos àqueles que se dispuserem a seguir conosco neste plano de estudo e trabalho, bem como as equipes de trabalho que integram nossas diretorias. Trata-se, verdadeiramente, de um trabalho feito por muitos.

Em nome da diretoria que se inicia, convido vocês a estarem presentes conosco aqui na sede da Seção São Paulo, e a cederem a voz, tomando a palavra.

Niraldo de Oliveira Santos
Diretor Geral da EBP-SP 2023-2025

[1] Sérgio LAIA. “Quatro registros do objeto a: um roteiro de trabalho”. Correio – Revista da Escola Brasileira de Psicanálise, nº 58, s/d, p. 23.
[2] Jacques LACAN. J. O seminário, livro 10: a angústia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005, p. 179.
[3] Jacques-Alain MILLER. “AMP 2008 – Os objetos a na experiência psicanalítica”. Opção Lacaniana, nº 46, outubro de 2006, p. 31.
[4] Ibid., p. 25.
[5] J. LACAN. Les non-dupes errent. Lição de 09 de abril de 1974 (inédito).
[6] Ibid.
[7] Ibid.
[8] J. LACAN. A terceira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2022, p. 49.
[9] J.-A. MILLER. “AMP 2008 – Os objetos a na experiência psicanalítica”. Op. cit., p. 32.
[10] Ibid., p. 34.
[11] Miller, J-A. Conversação entre Buenos Aires e Paris em torno de Lacan Hispano. In: Revista Opção Lacaniana, n. 85, p. 29.
[12] Idem, p. 35.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

Proposta de trabalho da Diretoria de Cartéis e Intercâmbio (Biênio 2023-2025)

É com grande satisfação e alegria que apresentamos as atividades pensadas pela Diretoria de cartéis e intercâmbio da EBP-SP!

Tais atividades se darão por meio do trabalho em cartel, o que se mostrou ser fundamental para o bom andamento dos trabalhos e incentivo aos cartéis nas diretorias anteriores da EBP-SP, notadamente a última.

Depois de termos enfrentado os anos pandêmicos, agora é hora de voltarmos ao corpo presente. O trabalho de cartéis bem soube fazer com a questão do online e pudemos assistir um aumento significativo destes trabalhos nestes últimos anos. Com isso, além do ‘corpo presente’, nos serviremos do ‘corpo virtual’ para a continuidade das atividades que iremos propor a partir de agora.

Lacan enfatiza o cartel como o órgão de base da Escola e podemos dizer que, enquanto analistas-praticantes, contando com a transferência de trabalho, somos cartelizantes, sempre, no percurso da formação analítica na Escola de Lacan.

O cartel é um laço especial de trabalho que se apresenta de maneira lógica e própria, reproduzindo, como uma célula mínima, o trabalho coletivo na Escola, como um “gnômon”, para nos servir de uma referência proposta por Luís Francisco da EBP-Sul, numa das atividades de cartéis da EBP-SP em 2022. Há sempre o destaque deste dispositivo como “porta de entrada” para a Escola mas, como sabemos, ele também funciona em nossos trabalhos cotidianos e é um dispositivo de verificação/nomeação do Analista de Escola, ao final de uma experiência analítica. Talvez possamos tomar esta “porta de entrada” como uma certa ironia, pois o cartel está presente do início ao fim do trabalho na Escola. Porém, longe de uma perspectiva desenvolvimentista, digamos, este dispositivo de trabalho alimenta o saber da Escola e também seu fazer e, paradoxalmente, é o lugar para o questionamento contínuo, tomando como princípio a pergunta que subjaz no coração de nossa instituição acerca do que é um analista. Assim, “Nenhum progresso é esperado senão o de uma exposição periódica, a céu aberto, dos resultados assim como das crises de trabalho”, como nos diz Lacan em “D´Écolage”[1].

Diversas atividades propostas continuarão na boa direção já empreendida anteriormente, onde teremos o “Fazer cartel”, que congrega o “Procura-se cartel” e “Manhã de cartéis” da gestão anterior, onde os participantes da Comissão serão convidados a apresentar um trabalho, seu “grão de sal”, através de uma questão norteadora sobre sua participação no âmbito deste trabalho, além do incentivo a formação de novos cartéis. Também continuaremos com o acompanhamento dos cartéis declarados, o auxílio àqueles que se aproximam deste dispositivo e da Escola, além de outras atividades temáticas específicas dos cartéis. Teremos, ainda, como sempre fizemos, os cartéis dirigidos para as Jornadas da Seção SP, para os eventos do Campo freudiano, e, por fim, o momento privilegiado para recolher os produtos dos cartelizantes em nossa Jornada de cartéis que voltará a ocorrer no primeiro semestre de 2024, em Abril, logo após o Congresso da AMP, distinguindo-se das Jornadas da Seção e de outras atividades do Campo Freudiano que costumam ocorrer no final do ano. A questão do intercâmbio também terá seu lugar, seja em parceria com a Diretoria de Biblioteca ou mesmo como momento específico desta diretoria.

Para a composição da Comissão, consideramos algumas regiões do Estado de São Paulo, onde pretendemos incentivar as atividades voltadas aos cartéis, fortalecendo os laços transferenciais com a EBP-SP. Neste sentido, os participantes desta Comissão promoverão atividades em suas cidades, o “Fazer cartel”, e poderão expor suas questões sobre o trabalho com cartéis na Escola, com questões teóricas, políticas e clínicas. Além disso, poderão promover o laço entre as cidades, acolhendo e esclarecendo os interessados quanto à formação de cartéis e outras atividades fora da capital.

Além destas questões mais gerais sobre a política do trabalho com cartéis nesta diretoria, detalho as atividades apresentadas, visando velar o funcionamento dos cartéis no âmbito da EBP-SP:

  • Fazer cartel: será realizado semestralmente com o intuito de reunir interessados em formar cartéis, sendo uma atividade essencial também para se ter um contato mais direto com quem se aproxima da Escola, tendo como perspectiva o “dentro e o fora”, a função dobradiça do cartel e teremos os participantes da Comissão apresentando suas questões ao público ao mesmo tempo em que facilitaremos o “fazer cartel” junto ao público participante;
  • Atualização do catálogo e acompanhamento estatístico: continuaremos com o trabalho de recenseamento dos cartéis declarados à EBP-SP, sendo os cartéis declarados enviados diretamente para à Diretoria de cartéis da EBP, porém, quando um cartel é dissolvido, a função é da diretoria da seção, que avisará ao responsável do catálogo. Além desse acompanhamento, faremos regularmente um balanço do número de cartéis inscritos, seus temas, bem como o número de membros participantes. Tal trabalho visa subsidiar o quanto a comunidade da Escola tem se dedicado aos cartéis ao longo do tempo;
  • Acompanhamento dos cartéis em andamento nas cidades: os membros da Comissão auxiliarão no acompanhamento dos diversos cartéis formados, além de servirem como interlocutores para aqueles que desejam se aproximar dos trabalhos da Seção e, ainda, promoverão atividades como o “Fazer cartel” em suas respectivas cidades;
  • Atividades sobre o tema do cartel nas Noites da Seção: pretendemos incentivar as atividades pontuais para discutir com a comunidade da Seção SP as questões relativas ao cartel (a política, o cartel, a garantia, o passe, a função do mais-um, etc), numa das quartas feiras já consagradas ao trabalho da EBP-SP, como a noite de cartéis, prevista para ocorrer em 20/09/2023;
  • Cartéis “fulgurantes”: também pretendemos sustentar esta atividade, como estratégia direcionada a algum evento, como as Jornadas da EBP-SP que se anunciam. Esta atividade consiste na escolha de um texto relacionado a um tema escolhido que, após uma breve apresentação sobre o que é o cartel e sobre o tema, são formados cartéis “relâmpagos”, que se dissolvem no mesmo dia, a fim de trabalhar o texto e fomentar trabalhos;
  • Atividades de intercâmbios: A Comissão será instigada também a proceder uma investigação em torno do tema intercâmbios, bem como propor e realizar
  • Jornada de Cartéis da EBP-SP em 2024: Ainda sob os efeitos da Jornada Nacional de Cartéis da EBP, ocorrida em março de 2023, com expressivo número de trabalhos, pretendemos dar destaque a este espaço, que é o ponto alto do trabalho com cartéis na Seção, o “céu aberto”, onde recolhemos o produto próprio dos cartelizantes e pretendemos realizá-la em Abril de 2024, num momento mais propício ao testemunho dos trabalhos realizados durante o ano da gestão que se inicia;
  • Jornada da EBP-SP: Como já é usual, o trabalho da Diretoria de cartéis é fundamental na organização e execução das Jornadas da Seção e esta diretoria, com o apoio da Comissão, pretende viabilizar a montagem de cartéis em torno do tema de nossas Jornadas em 2023, uma vez que tais jornadas são o ponto alto das transferências de trabalho ao redor da Seção, enlaçando também a comunidade mais ampla que orbita ao redor dela;
  • Outros eventos do Campo Freudiano: Também estaremos envolvidos no estímulo e apoio para os trabalhos com cartéis nas demais atividades do Campo freudiano, pois o cartel é um importante instrumento de fortalecimento da transferência de trabalho da comunidade de analistas e não analistas na Escola;
  • Publicações: Como dito anteriormente, consideramos a publicação em torno do trabalho em cartéis, assim como o que é produzido a partir de intercâmbios, como função profícua da diretoria, uma vez que a função do escrito contribui para o braço epistêmico da formação do Com a proposta de publicar o produto dos cartelizantes ligados à Seção SP, destacamos o espaço da Carta de São Paulo, a cargo da Diretoria da EBP-SP, além dos boletins das Jornadas da Seção. Com isso queremos destacar, ainda mais, a importância que vem tendo as produções escritas dos cartéis, o que anima e convoca esta Comissão a se ocupar também deste importante testemunho, que dura e pode escrever sobre os diversos pontos produzidos numa experiência singular de trabalho. Ao trabalho!

Eduardo Cesar Benedicto – Diretor de Cartéis e Intercâmbio EBP-SP 2023-2025

Comissão de Cartéis e Intercâmbio EBP-SP 2023-25:

  • Ana Paula Borges
  • Cassia Gonçalves Gindro
  • Débora Garcia
  • Eduardo Camargo Bueno
  • Emmanuel Nunes de Mello
  • Fábio Luis Saad
  • Flávia dos Santos Corpas
  • Gabriela Pontes Rodrigues
  • Janaína de Paula Costa Veríssimo
  • Maria de Lourdes Mattos
  • Patrícia Ferranti Bichara
  • Vagner Augusto Takahashi Arakawa

E-mail para contato: cartelebpsp@gmail.com


[1] Jacques Lacan. « D’écolage ». In: Manual de carteis. Belo Horizonte: EBP-MG, Livraria e Editora Scriptum, 2010, p.13. Tradução Alessandra Thomaz Rocha, revisão Yolanda Villela.

Proposta de trabalho da Diretoria de Biblioteca (Biênio 2023-2025)

Na ocasião da abertura do primeiro Ateliê Lacan na Rússia (2010), Jacques-Alain Miller inicia sua fala dizendo: “Uma biblioteca é um templo do significante. Ali, o significante existe de uma forma material, visível […]. Uma biblioteca não é a mesma coisa que um armazém de livros. Em uma biblioteca um espaço é liberado para que nossos corpos venham, ainda vivos, nossos corpos falantes, que é outro modo do significante do que o significante escrito”[1].

Em meados de 2019, a Diretoria Geral do biênio 2019-2021 alugou um novo espaço para a sede da Seção SP, contando com um ambiente integrado e acolhedor para sua biblioteca. Contudo, devido à eclosão da pandemia, esse espaço foi muito pouco ou quase nada frequentado. Hoje, o momento é favorável para a retomada dos encontros presenciais, bem como para a apropriação e circulação desse espaço, moradia de nosso acervo de livros, revistas e conteúdos digitais. Por ser um lugar de consulta, leituras, estudos e reuniões, a biblioteca se constitui como um lugar oportuno para a realização das pesquisas de cada um, sobretudo quando o interesse maior repousa sobre a descoberta freudiana, o ensino de Lacan e a Orientação lacaniana.

Em sua apresentação da Federação Internacional das Bibliotecas de Orientação lacaniana – FIBOL -, Judith Miller sublinha que uma biblioteca, “assim como uma Escola, não abre suas portas somente para especialistas: ela acolhe tanto os analistas quanto os não analistas”[2]. Aproveito, portanto, a ocasião, para anunciar formalmente que as portas da Biblioteca da Seção SP estão abertas para todos aqueles se sentem tocados pela descoberta freudiana, analistas e não analistas. E com o propósito de facilitar e auxiliar a consulta de nosso acervo, estabeleceu-se junto ao Bibliotecário Felipe Salles Silva um horário de atendimento para essa consulta local: terças-feiras das 13h às 17h.

Seguindo a orientação política da FIBOL, a Biblioteca da Seção SP tem o dever de assegurar e preservar a atualização do estudo da psicanálise por meio da “circulação das publicações internacionais do Campo freudiano e da AMP”[3]. Pretende-se, desse modo, que a atualização constante de nosso acervo siga o curso já existente tanto do intercâmbio entre as bibliotecas da EBP, quanto da aquisição de novos títulos, preferencialmente, das publicações recentes do Campo freudiano e das novas traduções da obra de Freud, sem, no entanto, que a Biblioteca se torne um acúmulo infértil de literatura analítica.

No que concerne a agenda da Diretoria de Biblioteca, daremos continuidade ao trabalho que já vem sendo empreendido pelas gestões anteriores, mantendo suas duas principais atividades. São elas:

– Noite da Biblioteca, atividade que tem o compromisso de manter a transmissão da psicanálise seja por meio de um debate ou conversação em torno do lançamento de um livro de autores do Campo freudiano, seja pela “interlocução com disciplinas conexas”[4], tais como literatura, arte, cinema, teatro. Neste primeiro ano de 2023, a Noite da Biblioteca acontecerá na quarta-feira, 30/08/2023, com tema ainda a ser definido juntamente com a Comissão da Diretoria de Biblioteca e com a Diretoria Geral.

Leituras da Biblioteca que terá início no mês de junho de 2023, sexta-feira, ainda com data de início e horário a serem definidos. A frequência será mensal e o número de encontros ainda está em aberto. A fim de manter o estudo e uma investigação em paralelo com o tema de trabalho epistêmico da Diretoria Geral da Seção SP, “O estatuto do objeto a na clínica hoje”, a comissão da Diretoria de Biblioteca optou pela escolha do texto freudiano “Uma introdução ao narcisismo”. Trata-se, por um lado, de localizar a noção de objeto em Freud a partir de seu desenvolvimento sobre a libido do corpo deslocada para o objeto e, por outro lado, de extrair suas consequências para a atualidade da prática psicanalítica.

Como uma biblioteca é também um lugar de conservação, daremos início à documentação e ao arquivamento de relatórios e outros documentos das diretorias precedentes; também daremos um destino para as gravações das atividades online. A finalidade é que esses registros não se tornem arquivos mortos, mas, pelo contrário, adquiram um valor histórico e se tornem um patrimônio da Escola.

A edição da Revista Carta de São Paulo ficará sob minha responsabilidade e terá a participação das colegas Cristiana Gallo, Eliana Machado Figueiredo e Valéria Ferranti como integrantes do Conselho Editorial e Angelina Harari como consultora.


Camila Popadiuk – Diretora de Biblioteca EBP-SP 2023-2025

Comissão de Biblioteca EBP-SP 2023-2025:

  • Camila Colás
  • Cynthia Gindro
  • Eduardo Vallejos
  • Eliana Machado Figueiredo
  • Elida Biasoli
  • Felipe Bier
  • Felipe Salles Silva (Bibliotecário)
  • Jovita Carneiro de Lima
  • Maria Veridiana Paes de Barros
  • Paula C. V. Caio de Carvalho
  • Siglia Leão
  • Silvana Sbravati

Email para contato: ebpsaopaulo@gmail.com


[1] « L´expérience d´une analyse ». Disponível em : L’expérience d’une analyse. Jacques-Alain Miller. 30-09-2010. – YouTube
[2] Asociación Mundial de Psicoanálisis (wapol.org)
[3] Ibid.
[4] Ibid.
Back To Top