e-dito #07

O esp de um ato

Niraldo de Oliveira Santos (EBP/AMP)
Imagem: Pixabay

Chegamos ao último Boletim Travessias. A programação das X Jornadas da EBP-SP já está pronta e já avistamos no horizonte as nossas Jornadas. Antes dela, temos ainda esta coletânea que aqui apresento a vocês. Nossos argonautas da Comissão de Boletim conseguiram provocar e convocar colegas de 4 Escolas da Associação Mundial de Psicanálise (AMP) para a escrita em torno do tema “Psicanálise em ato”: New Lacanian School (NLS), Escola Brasileira de Psicanálise (EBP), Nueva Escuela Lacaniana (NEL) e Escuela de la Orientación Lacaniana (EOL).

Thomas Svolos (NLS) destaca três dimensões do ato e os articula a três diferentes momentos da civilização, mostrando como a psicanálise acompanha (ou se antecipa), com seu ato, a cada um destes momentos, chegando ao que ele propõe como uma era pós-interpretativa, que visa o real e que acompanha a pós-modernidade.

As dimensões clínica e política do ato foram o mote da entrevista que Mirmila Musse (EBP) fez com Luis Francisco Camargo (EBP), a partir de trechos do argumento das nossas X Jornadas. Nesta instigante conversa, as vertentes política e clínica do ato se conectam por meio do sintoma, impossível de eliminar em nosso (i)mundo.

Ao articular ato analítico e supervisão, Sofia Guaraguara (NEL/NLS) sublinha a importância de se deixar ensinar e, mais do que isso, ao se submeter a uma supervisão, o analista praticante consente com ela, em ato, fazendo dela uma supervisão desejada.

Ao recobrar o nó entre o tempo e o ato, Rômulo Ferreira da Silva (EBP) indica, por meio do sofisma lacaniano dos três prisioneiros, que o saber sem o autorizar-se de si mesmo não leva à enunciação da conclusão. Esta enunciação, em ato, é “um acontecimento no puro espaço de tempo”.

“Como o analista deve proceder diante dessa coisa infernal que é o gozo?”. Cleyton Andrade (EBP) retoma os princípios do koan, do zazen e do satori e sua aplicação, com Lacan, na experiência psicanalítica, para evidenciar a íntima articulação – ou poderíamos dizer curto-circuito – entre o ato e o tempo: “Seja pela via do S1 isolado sem sentido, de uma jaculatória, ou de um pontapé, o ato se inscreve aí como princípio que coloca o tempo entre aspas”. Nesta via, Cleyton nos mostra que o analista intervém em uma temporalidade cuja marca é o corte e o instante, não a duração. Trata-se do ato como fundamento do tempo.

É também no sulco daquilo que uma análise permite fazer com o gozo, com esse real do sintoma, que Mauricio Tarrab (EOL) localiza em seu texto uma operação que vai além da interpretação e do deciframento. O analisante diz mais do que quer dizer. Sendo assim, cabe ao analista localizar, sinalizar, cingir, circunscrever, isolar, capturar, cortar. Para Tarrab, Lacan ensaia uma resolução ligada ao ato analítico quando se interroga sobre o que pode ser tocado nisso a que o sintoma foi reduzido. Seguindo a trilha do último ensino de Lacan, vemos em seu texto que, frente ao gozo opaco do sintoma, trata-se de “amansá-lo até que a linguagem faça com isso equívoco”. Para essa empreitada Tarrab circunscreve, em decorrência da leitura do sintoma, o ato do lado do analista que leva, por sua vez, a um outro ato – àquele do lado do analisante.

É sobre este ato de passagem do lado do analisante que versa o 7º ATO do nosso podcast ATOalidades analíticas, uma entrevista feita por Camila Popadiuk (EBP) a Tânia Abreu (AE da Escola Una, membro da EBP e da AMP). Ouvi-lo é uma oportunidade ímpar para acompanharmos a vereda singular trilhada por Tânia em torno deste ato e aguçar nossa expectativa para seu testemunho em nossas Jornadas.

Em “Caixa de Entrada”, recolhemos comentários precisos feitos por Cynthia Gonçalves Gindro (associada ao CLIN-a) e Teresinha do Prado (EBP), no chat da última atividade preparatória para as X Jornadas: “A passagem de psicanalisante a psicanalista”.

Por fim, nossa nau também indica, em “Conexões com a cidade”, diversos eventos e lugares na cidade de São Paulo nos quais você pode conferir atos criativos como só os artistas são capazes de nos mostrar.

Esperamos que a leitura desse nosso último Boletim Travessias possa entusiasmar você e nossa comunidade, assim como estamos todos, na Comissão Organizadora, animados e contando as horas para nossas X Jornadas. Boa leitura/escuta e até lá!