“…revela saber sem mim aquilo que ensino”<sup.[1]

Imagem: http://www.rosanapaulino.com.br/
Imagem: http://www.rosanapaulino.com.br/
Blanca Musachi (EBP-AMP)

Parabéns à organização, que convidou à artista visual Rosana Paulino. Conhecia um pouco a obra da artista, mas a potência de como transmite seu saber fazer artístico foi comovente. Como diz a Marguerite Duras, com frequência há relatos. Com muita pouca frequência, escritura. Essa artista, no tratamento do trauma, produz uma escritura pela via das costuras, das suturas, não sem resto, como ela mesma diz, pois, as suturas marcam o lugar da ferida, que nunca fecha absolutamente. Escreve um nome para sua arte: Refazimento. Que podemos ler como um nome para o sinthome. Com detalhes ela nos contou do seu interesse por uma historização, por contar histórias, por nomear o trabalho que faz, e o trauma da escravidão na sua história-Brasil é costurada, suturada, escrita, de diversas formas e sobre diversos suportes. Também apresenta um interessante trabalho sobre o feminino que a habita, a través do corpo da mulher marcado pelo trauma, onde se interessa pelas fissuras, mas sem (se/nos) poupar do lado obscuro do feminino que mostra nas esculturas; mostra também as transformações constantes para o advir de um corpo de mulher, que passa, como ser de outra espécie, por fases de aranha, abelha, borboleta, até criar asas e se separar do casulo em que estava presa.  Rosana Paulino é isso e muito mais! Parabéns de novo à organização das jornadas por permitir deixar-nos ensinar por ela.

http://www.rosanapaulino.com.br/

[1] Lacan, J.: Homenagem a Marguerite Duras; Outros Escritos.