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Love Rat, de Banksy – sobre a imagem do cartaz das Jornadas

BANKSY – Because I’m Worthless (Placard Rat)

Banksy, artista anônimo britânico[1], que assim como o rato do cartaz das VIII Jornadas da Seção S. Paulo, se lança na arte a partir do que faz furo na cidade, estilhaçando a ideia de intervenção artística e estabelecendo novas conexões e desconexões a partir da pintura do grafite.

No lugar da moldura, enquadramento do ideal romântico que vela o objeto e que almeja fazer suplência à não existência da relação sexual, o grafite de Banksy invade os (a)muros e brechas da cidade, fazendo sua arte existir em qualquer parte sem permissão, sem uma ordem ou norma estabelecida. Suas intervenções expõem e interpretam os furos da cidade, da política, das relações e do laço, sendo esses o seu suporte, sua “moldura”. A partir desse enquadre sem tela, suas obras mostram e criam novas e antigas conexões e desconexões que, ao serem interpretadas, reinventam a cidade e o laço.

Love rat, que ilustra o cartaz das Jornadas, faz parte de uma série. Banksy espalhou seus rats por várias cidades por mais de três anos, tocando em múltiplas questões desconcertantes e instigantes. Em uma declaração sobre os rats publicada no livro “Guerra e Spray”, Banksy sentencia: “Eles existem sem permissão. São odiados, caçados e perseguidos. Vivem no lixo em um desespero silencioso. E, mesmo assim, são capazes de fazer com que civilizações inteiras caiam de joelhos”[2]. A partir deste ponto de causa, ele faz explodir seu rat(anagrama de art) pela cidade em cenas, temas, questões e lugares que desalojam e despacificam os olhares e os corpos.

Os rats encarnam algo daquilo que não se escreve, mas que se apresenta como um índice (cifra) do retorno de um real, que, ao mesmo tempo em que incomoda e desconserta, expõe e agalmatiza o objeto em jogo nas mentes e nos corpos dos falasseres contemporâneos, que se procuram, se perdem, se encontram e se desencontram em seus (a)muros/amores.

 

Fabiola Ramon (correspondente da Seção S Paulo)
[1] Banksy é o pseudônimo do(s) artista(s?) que desde o final dos anos 80 inscreve sua arte pelos muros das cidades, principalmente no Reino Unido. Sua assinatura, seu traço e os temas abordados compõem sua linguagem artística. Muito se especula sobre sua identidade, uma das hipóteses é que Banksy é um grupo e não apenas uma pessoa…. No ano passado um jornal escocês publicou que Banksy seria Robert Del Naja, um veterano grafiteiro, vocalista da banda Massive Attack.
[2] Banksy- Guerra e Spray. Tradução Rogério Durst. Rio de Janeiro: Ed Intrínseca, 2012.
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