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#Orientação – Amor e Verdade Mentirosa: Uma conjectura sobre Eros e Psiquê

by secao_sp in Biblioteca Seção São Paulo

Psiche sorprende Amore, dipinto di Giovanni Francesco Zucchi conservato alla Galleria Borghese di Roma Credito fotografico obbligatorio: Archivi Alinari, Firenze

A verdade mentirosa foi formulada por Lacan no Prefácio à Edição Inglesa do Seminário 11.[1] Ele começa seu escrito enfatizando a relação entre verdade e mentira, “não há verdade que, ao passar pela atenção, não minta”[2], para depois discorrer sobre analisantes e analistas desde Freud, colocar nisso sua “pitada de sal”, a histoeria (história/histeria) e, sobretudo, falar do passe como estando à disposição “daqueles que se arriscam a testemunhar da melhor maneira possível sobre a verdade mentirosa.”[3] Ou seja, chegar ao final da análise e ser capaz de historisterizar a si mesmo, substituindo a crença na verdade de sua história pela constatação de que se trata de uma verdade mentirosa. A histeria aparece no neologismo histoeria por ser a “grande língua” da neurose (a neurose obsessiva é apenas o seu dialeto, como diz Freud em “O Homem dos Ratos”) e, também, pela posição do discurso histérico no giro dos quatro discursos, como o mais próximo do discurso analítico, transformação discursiva, portanto, a ser alcançada nas proximidades do final da análise.

Tomando por essa vertente, a “tragédia” de Eros e Psiquê pode ser uma boa metáfora do nó estabelecido no final da análise entre verdade, mentira, histeria e, por conseguinte, verdade mentirosa. Uma elucubração relacionada ao Recenseamento do Campo Freudiano, terceira Seção estabelecida por Lacan no Ato de Fundação[4], destinada a aproximar a psicanálise das ciências conjecturais, como a antropologia estrutural, a história, a filosofia, a lógica, a música, a arte.

Lacan deteve-se longamente sobre o mito de Eros e Psiquê no Seminário 8.[5]

Interessou-lhe precisamente a relação entre Psiquê e o complexo de castração, discussão à qual dedica todo um capítulo do Seminário, e bem representada no quadro Psiche sorprende Amore, de Jacopo Zucchi (1589), pintor maneirista. O quadro, citado por Lacan no Seminário[6] e reproduzido acima, fixa na pintura o momento exato no qual Psiquê quebra o pacto que havia celebrado com Eros: ela jamais o veria, a não ser na mais completa escuridão. Ao iluminar o amado com uma lamparina de azeite e se embevecer ao deparar-se com sua beleza divina, deixa cair uma gota do azeite em seu dorso. Na outra mão, uma adaga, um trinchante. Um objeto pronto para cortar, castrar. Eros, machucado, assustado e surpreso, foge…[7]

Lacan analisa o quadro de Zucchi chamando atenção para o buquê de flores no primeiro plano: “Sua presença [do buquê] serve para recobrir o que é para se recobrir e que era menos o falo ameaçado de Eros […] do que o ponto preciso de uma presença ausente, uma ausência presentificada.”[8] Portanto, ao recobrir o falo de Eros, o buquê acaba por marcá-lo pela ausência, pois, por trás das flores não há nada. O que Psiquê estaria a ponto de cortar já desapareceu, pois o órgão só pode ser abordado se transformado em significante. E, nessa transformação, o órgão desaparece, e sua ausência-presença como falo representa, justamente, o significante da falta.

Assim, o encontro faltoso entre Eros (o Amor) e Psiquê, apresentado no quadro, pode ilustrar tanto o objeto do desejo como a dialética da castração e seu paradoxo (como só o significante pode abordar e trazer o órgão, e considerando que a palavra mata a coisa, não há nada a ser castrado).

O ato de Psiquê faz com que ela ganhe corpo, nasça, mostre-se fálica em sua histeria, e, ao mesmo tempo, no instante seguinte, esse ato faz desaparecer o que ela quis revelar e capturar, ou seja, o objeto de seu desejo: apenas por um átimo pode realizar o desejo de ver, o desejo de saber. Mesmo advertida pelas irmãs para não desvelar o amado, levou esse desejo de saber às últimas consequências, sendo depois submetida à vingança de Afrodite, mãe de Eros.

“Psiquê estava muito feliz numa relação com aquilo que não era, absolutamente, um significante, mas a realidade de seu amor por Eros. Mas, como é Psiquê, ela quer saber. Ela se coloca a questão porque a linguagem já existe e não se passa a vida apenas fazendo amor, mas também papeando com as irmãs. […] Ela quer possuir sua felicidade e isso não é simples […] possuir sua felicidade é poder mostrá-la, dar conta dela, arrumar suas flores, igualar-se às irmãs mostrando que tem coisa melhor do que elas. E é por isso que Psiquê surge na noite com sua luz e também com seu pequeno trinchante.” [9]

A celebração do pacto é, do lado de Psiquê, mentirosa a princípio, pois a histérica não poria em risco a descoberta da verdade em função de qualquer pacto significante – “o sujeito só afirma a dimensão da verdade como original no momento em que se serve do significante para mentir.”[10] Porém, ilustra bem a realização de uma verdade mentirosa, uma verdade que não subsiste a qualquer tipo de confronto com a realidade. Estamos aqui com Lacan em maio de 1976, quando escreveu o Prefácio, portanto em seu ultimíssimo ensino. Se a verdade mentirosa não se sustenta na realidade, sustenta-se no real, pois somente esse registro pode cernir a passagem da histeria, que tem a verdade como causa de desejo, à histoeria e sua verdade mentirosa. Neste ponto, Lacan trata o inconsciente como real, caso se acredite nele. E o real funciona como tampão da verdade mentirosa: “a falta da falta constitui o real, que só sai assim, como tampão. Tampão que é sustentado pelo termo impossível, do qual o pouco que sabemos em matéria de real mostra a antinomia com qualquer verossimilhança.”[11]

O trinchante na mão direita de Psiquê poderia indicar, além do desejo de contemplar o corpo interditado de Eros, além de saber sobre o sexo, que ela gostaria de ter o órgão encoberto pelas flores? O desejo sempre insatisfeito da histérica e seu complexo de castração teriam aí uma resolução, uma possibilidade de satisfação? Estaria, pois, ameaçado o suposto falo de Eros? Não, pois a causa do desejo de Psiquê, isto é, daquilo que falta, o objeto a, vincula-se ao olhar. “A miragem da verdade, da qual só se pode esperar a mentira, […] não tem outro limite senão a satisfação que marca o fim da análise.”[12] Psiquê pagou caro, mas experimentou seu pequeno quinhão de satisfação.

O olhar de Psiquê, causa de seu desejo, despertou Eros e, sobretudo, podemos conjecturar, “despertou” o real. Nesse momento, sob o impacto do encontro com o que não cessa de não se inscrever, sob o impacto do encontro com a falta, a histeria de Psiquê poderia ter se transformado em histoeria, como em uma análise vertiginosa e fulgurante.

Faltaria o passe para dar testemunho de sua verdade mentirosa.

 

Maria do Carmo Dias Batista

 


 

[1] LACAN, J. “Prefácio à edição inglesa do Seminário 11”. In: Outros Escritos. Rio de Janeiro, JZE, 2003, p. 567/569.
[2] Idem, p. 567.
[3] Idem, ibidem, p. 569.
[4] LACAN, J. “Ato de Fundação”. In: Outros Escritos. Op. Cit., p. 237.
[5] LACAN, J. O Seminário – livro 8 – A Transferência. Rio de Janeiro, JZE, 1992, p. 220/236.
[6] Idem, p. 220.
[7] As desventuras de Psiquê foram retratadas pelo barroco Peter Paul Rubens, meio século depois (1636), com o mesmo tema, recortando o mesmo instante, assim como Rafael o faz no teto e nos muros do palácio Farnesina, em Roma, apoiado no texto de Apuleio sobre o mito. LACAN, J. Op. Cit., p. 224.
[8] LACAN, J. O Seminário – livro 8. Op. Cit., p. 235.
[9] LACAN, J. O Seminário – livro 8. Op. Cit., p. 241.
[10] LACAN, J. O Seminário – livro 8. Op. Cit., p. 230.
[11] LACAN, J. “Prefácio à edição inglesa do Seminário 11”. Op. Cit., p. 569.
[12] LACAN, J. “Prefácio à edição inglesa do Seminário 11”. Op. Cit., p. 568.
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Publicado na CSP online Ano II – Nº 6

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Acervo

O acervo da Biblioteca da EBP-SP está em constante crescimento, graças ao trabalho de intercâmbio com o Campo Freudiano e diversas universidades de nosso país. Nossas publicações também são disponibilizadas às entidades com as quais mantemos intercâmbio.

– Recebemos da EBP doação do livro recém-publicado “Autismo(s) e Atualidade: Uma Leitura Lacaniana”, organizado por Alberto Murta, Analicea Calmon e Márcia Rosa.

_________________________

Seminário da Biblioteca

Referências Bibliográficas do Curso da Orientação Lacaniana

de Jacques-Alain Miller

Quarta-feira, dia 23 de maio de 2012, das 19H30 às 20H45.

Rua João Moura, 627, 19º andar—Conjunto 193— Pinheiros, SP.

ENTRADA ABERTA

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______________________PUBLICAÇÕES ONLINE DA EBP

No site da EBP-SP podem ser encontradas as publicações digitais do Campo Freudiano no Brasil: Biblioteca> Links> Publicações online do Campo Freudiano e vá ao link desejado. Opções:

Opção Lacaniana Online – Revista Brasileira Internacional de Psicanálise

Latusa Digital – Revista digital da EBP-Rio

Agente Digital – Revista digital da EBP-Bahia

MOTe Digital – Revista digital da Delegação RN

Almanaque On-line – Revista digital do IPSM-MG

CSP-ONLINE – Revista digital da EBP-SP

___________________OUTRAS PUBLICAÇÕES DO CAMPO FREUDIANO

Além das publicações acima, podem ser consultadas as publicações digitais do Campo Freudiano no resto do mundo.

Entre em Biblioteca >Links > Publicações online do Campo Freudiano e depois acesse os Links das publicações do Campo Freudiano disponíveis atualmente.

Lacan Cotidiano

Publicação diária da Orientação Lacaniana: nossas mídias veiculam as traduções feitas por psicanalistas brasileiros sob a coordenação de Maria do Carmo Dias Batista e Cristina Maia. Os últimos números trazem discussões e articulações fundamentais para a compreensão do Autismo

Aqueles que desejarem ler no original francês entrem no site http://www.lacanquotidien.fr/blog/

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Publicado na CSP online Ano II – Nº 4

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Acervo

O acervo da Biblioteca da EBP-SP está em constante crescimento, graças ao trabalho de intercâmbio com o Campo Freudiano e diversas universidades de nosso país.

Publicações Recebidas:

– da EBP, a Correio/70

– Revista da Escola Brasileira de Psicanálise. – do Instituto Sedes Sapientiae, Boletim Formação em Psicanálise, Ano XIX – Vol. 19 – Nº 1, 2011.

Seminário da Biblioteca

A Biblioteca oferece um Seminário sobre as “Referências Bibliográficas do Curso da Orientação Lacaniana – Jacques-Alain Miller” quartas-feiras a cada quinze dias. O próximo acontecerá no dia 4 de abril de 2012, das 19H30 às 20H45, na Rua João Moura, 627, 19º andar—Conjunto 193— Pinheiros, SP.

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“Lacan Cotidiano” é uma publicação diária da Orientação Lacaniana: nossas mídias veiculam as traduções feitas por psicanalistas brasileiros sob a coordenação de Maria do Carmo Dias Batista e Cristina Maia.

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Publicado na CSP online Ano II – Nº 3

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Acervo

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Recebemos o CD com os primeiros 55 números da Revue de la Cause Freudienne e outro CD do 1 ao 81 da Revue de la Cause Freudienne-Quarto, encaminhados por Cristina Drummond, Lilany Pacheco e Ondina Machado, a quem agradecemos.

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SEMINÁRIO DA BIBLIOTECA

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CURSO DE ORIENTAÇÃO LACANIANA
JACQUES-ALAIN MILLER

Realização: COMISSÃO DE BIBLIOTECA

Coordenação: Bernadette Pitteri

Quinzenal, quartas-feiras: Início 21 de Março
Das 19H30 às 20H45.
Rua João Moura, 627, 19º andar—Conjunto 193— Pinheiros, SP

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___________________________________________________Lançamento

Ao escrever “Inconsciente e Responsabilidade”, Jorge Forbes fez seus colegas se sentirem menos sós.

Os que apostavam na possibilidade de instalar a experiência analítica em sociedades horizontais, mas não sabiam qual direção clínica adotar, encontraram alento e esperança ao ler o manuscrito. O que fazer para tratar pacientes sem queixa nem culpa? O que fazer com as legiões de apáticos que sofrem da falta de alegria de viver, mas não encontram ânimo para alterar sua vida? De modo claro e convincente, Forbes expôs os princípios de uma Psicanálise que, honrando a herança de Jacques Lacan, leva cada um de nós a encontrar, na vergonha, seu ponto de ancoragem. Visitando a clínica, a escola, a família, o direito e a empresa mostrou que, paradoxalmente, a vida nasce do encontro com a morte. Levou o leitor a perceber que a responsabilidade psicanalítica pode ser instalada quando, para além da famosa luta pela sobrevivência, o sujeito se depara com algo pelo qual valeria a pena perder a vida. Um livro de cabeceira.

Cláudia Riolfi

_________________________________ PUBLICAÇÕES ONLINE DA EBP

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OUTRAS PUBLICAÇÕES DO CAMPO FREUDIANO

Além das publicações listadas acima, você pode consultar as publicações digitais do Campo Freudiano no resto do mundo.

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“Lacan Cotidiano” é uma publicação diária da Orientação Lacaniana: nossas mídias veiculam as traduções feitas por psicanalistas brasileiros sob a coordenação de Maria do Carmo Dias Batista e Cristina Maia. Atualmente os debates estão centrados em torno do autismo. Vale a pena conferir.

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Publicado na CSP online Ano II – Nº 2

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ACERVO 
O acervo da Biblioteca da EBP-SP está em constante crescimento, graças ao trabalho de intercâmbio com o Campo Freudiano e diversas universidades de nosso país.
***** Recebemos da EBP-Bahia

Motta, Carlos Gustavo. Psicoanálisis Y Sida.

***** Wellerson Alkmin as “Novas Conferências de CarlosViganó e presenteou a Biblioteca com um exemplar.

Vigano, Carlos. Novas Conferências. Belo Horizonte: Scriptum livros, 2010

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_____________________________________________________ LANÇAMENTO

Jorge Forbes lança mais um livro: INCONSCIENTE E RESPONSABILIDADE – Psicanálise do Século XXI e gentilmente autorizou a publicação da quarta capa de seu livro, assinada por ele.

[…] O inconsciente do qual vamos tratar é aquele que leva o ser falante a responsabilizar-se pela invenção de seu estilo singular de usufruir de seu corpo e de sua vida. No discurso da psicanálise difundida nos meios de comunicação, responsabilidade e inconsciente não são termos que aparecem conjugados, chegando a ser considerados excludentes. Assim, a responsabilidade estaria associada à consciência plena e onde houvesse inconsciência não poderia haver responsabilidade. Diante de um ato que cometeu – voluntária ou involuntariamente – e sobre o qual estranha a própria participação, é comum a pessoa dizer: ‘Só se foi o meu inconsciente’. No século XXI, o psicanalista que acredita no inconsciente irresponsável não trata o sintoma e não cura. É urgente considerar a responsabilidade pelo que é inconsciente, pois já não podemos mais contar com as ficções – tais como a do mito paterno – que, até o século passado, nos permitiam escapar, dizendo: ‘Foi por causa de papai’. Também a clínica psicanalítica, por essas mesmas razões, atravessa um novo momento. […]”

(Quarta capa do livro INCONSCIENTE E RESPONSABILIDADE – Psicanálise do Século XXI, Jorge Forbes , Ed. Manole)

_____________________________________ PUBLICAÇÕES ONLINE DA EBP

No site da EBP-SP podem ser encontradas as diferentes publicações digitais do Campo Freudiano no Brasil.

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Opção Lacaniana Online – Revista Brasileira Internacional de Psicanálise

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_______________________OUTRAS PUBLICAÇÕES DO CAMPO FREUDIANO

Além das publicações listadas acima, vocês pode consultar as publicações digitais do Campo freudiano no resto do mundo.

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____________________________________________LACAN COTIDIANO 
“Lacan Cotidiano” é uma publicação diária da Orientação Lacaniana: nossas mídias veiculam as traduções feitas por psicanalistas brasileiros sob a coordenação de Maria do Carmo Dias Batista e Cristina Maia.

As discussões sobre o autismo continuam: leiam, em especial, o artigo de Eric Laurent publicado no nº 164.

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Publicado na CSP online Ano II – Nº 1

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___________________________________ Acervo – Novidades  
A Biblioteca da EBP-SP recebeu no mês de janeiro novas publicações, disponíveis para consulta:

Miller, Jacques-Alain. El banquete de los analistas. Buenos Aires: Paidós, 2010. (aquisição)

Curinga – v.32 . Confins do Simbólico. Belo Horizonte: Escola Brasileira de Psicanálise – Seção Minas Gerais, junho de 2011.

Latusa 16 – Sexo e Morte. Rio de Janeiro: Escola Brasileira de Psicanálise, Seção Rio de Janeiro , 2011.

Correio 68. São Paulo: Escola Brasileira de Psicanálise, 2011.

Correio 69. Belo Horizonte: Escola Brasileira de Psicanálise, 2011.

Tempopsicanálitico – O amor e seus Transtornos – V. 43.1. Rio de Janeiro: Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle, 2011.

Psicologia USP/ Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo – V. 22 . São Paulo, USP-IP, 2011.

Bergasse 19 – v. 3. Clinica Psicanalítica e Arte. Rio de Janeiro: Escola Lacaniana de Psicanálise, 2011.

Mezêncio, Márcia de Souza. Clínica Psicanalítica das psicoses: o impasse da transferência. Belo Horizonte: Coopmed, 2011.

Revista Mal-estar e Subjetividade. Fortaleza: Fundação Edson Queiroz, Universidade de Fortaleza, 2009.

– Volume IX Nº 1 – março de 2009;

Volume IX Nº 2 – junho de 2009;

Volume IX Nº 3 – setembro de 2009;

Volume IX nº 4 – dezembro de 2009.

Revista Brasileira de Orientação Profissional. ABOP – Associação Brasileira de Orientadores Profissionais – V. 12, Nº 2. Universidade de São Paulo – Campus de Ribeirão Preto, 2011.

PUBLICAÇÕES ONLINE DA EBP

No site da EBP-SP podem ser encontradas as diferentes publicações digitais do Campo Freudiano no Brasil.

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Opção Lacaniana Online – Revista Brasileira Internacional de Psicanálise

Latusa Digital – Revista digital da EBP-Rio de Janeiro

Agente Digital – Revista digital da EBP-Bahia

MOTe Digital – Revista digital da DELEGAÇÃO Rio Grande do Norte

Almanaque On-line – Revista digital do IPSM-Minas Gerais

OUTRAS PUBLICAÇÕES DO CAMPO FREUDIANO 
Além das publicações listadas acima, você pode consultar as publicações digitais do Campo Freudiano no resto do mundo.

Entre em Biblioteca >Links > Publicações online do Campo Freudiano e depois acesse Links das publicações do CF disponíveis atualmente.

“Lacan Cotidiano” é uma publicação diária da Orientação Lacaniana: nossas mídias veiculam as traduções feitas por psicanalistas brasileiros sob a coordenação de Maria do Carmo Dias Batista e Cristina Maia. A diretora da EBP Cristina Drummond enviou uma carta solicitando aos analistas da comunidade que colaborem com o trabalho, propiciando a discussão que abrange e concerne a toda a AMP.

2012 na França discute-se o Autismo. Lacan Cotidiano está publicando artigos e casos clínicos sobre o tema. Confira os números abaixo:

LC127 – Luciana Passinay apresenta um caso clínico Um Elétron Livre.

LC130 – Armelle Gaydon escreve Senhoras e Senhores.

LC132 – No verbete “Momentos Clínicos”, Dia de Sorte no Hospital Dia.

LC138 – Hélène Detombe escreve O Autismo Exclui o Encontro?

LC141 – Comunicado da Agência France: um filme sobre o autismo é proibido.

LC142 – Eric Laurent, Storytelling e Julgamento.

LC143 – Relato por uma deputada do debate entre os deputados de Paris sobre a legislação que regula o tratamento dado aos chamados autistas.

LC148 – Texto elaborado pelo Instituto Psicanalítico da criança: Autismo e Psicanálise: Nossas Convicções.

LC151 – Mariana Alba de Luna, História da Pequena Pedra.

Aqueles que desejarem ler no original francês entrem no site http://www.lacanquotidien.fr/blog/

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Publicado na CSP online – Nº 11

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Mídias

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Acervo
A Biblioteca da EBP-SP conta em seu acervo com as publicações abaixo, disponíveis para consulta:

OPÇÃO LACANIANA – Revista Brasileira Internacional de Psicanálise – Número 60 – Setembro de 2011.

CORREIO – Revista da Escola Brasileira de Psicanálise – Número 68 – Abril de 2011.

CORREIO – Revista da Escola Brasileira de Psicanálise – Número 69 – Setembro de 2011.

MILLER, Jacques-Alain. Matemas II. Buenos Aires: Manantial, 2008.

MILLER, Jacques-Alain. El banquete de los analistas. Buenos Aires: Paidos, 2010.

PUBLICAÇÕES ONLINE DA EBP

No site da EBP-SP podem ser buscadas as diferentes publicações digitais do Campo Freudiano no Brasil.

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Opção Lacaniana Online – Revista Brasileira Internacional de Psicanálise

Latusa Digital – Revista digital da EBP-Rio

Agente Digital – Revista digital da EBP-Bahia

MOTe Digital – Revista digital da DELEGAÇÃO – RN

Almanaque On-line – Revista digital do IPSM-MG

OUTRAS PUBLICAÇÕES DO CAMPO FREUDIANO
Além das publicações listadas acima, vocês pode consultar as publicações digitais do Campo Freudiano no resto do mundo.

Entre em Biblioteca >Links > Publicações online do Campo Freudiano e depois acesse Links das publicações do CF disponíveis atualmente.

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Publicado na CSP online – Nº 10

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VISITEM NOSSAS MÍDIAS

INTERCÂMBIO ENTRE BIBLIOTECAS

A biblioteca da EBP-SP agradece as publicações recebidas e coloca-as à disposição dos usuários.

CliniCAPS – Wellweson Durães de Alkmim
Viganò, Carlo. Novas Conferências. (Alkmim, Wellerson Durães org.) Belo Horizonte: Scriptum Livros, 2010

UNIPAC – Universidade Presidente Antonio Carlos
MENTAL: Revista de Saúde Mental e Subjetividade da UNIPAC – Universidade Presidente Antonio Carlos – v.9, n. 16, junho de 2011. Minas Gerais, Barbacena: UNIPAC, 2003.

Instituto de Psicologia da USP
Psicologia USP. Volume 22 número 2. São Paulo: abril/junho, 2011.

Conselho Federal de Psicologia
Jacó-Vilela, Ana Maria (Org). Dicionário Histórico de Instituições de Psicologia no Brasil. Rio de Janeiro: Imago; Brasília, CFP, 2011.

Escola Brasileira de Psicanálise – Paraná
ALEPH – Revista da Delegação Paraná da Escola Brasileira de Psicanálise. A psicanálise: Sua Ação e sua Eficácia – Nº 02 . Paraná: Seção Paraná da Escola Brasileira de Psicanálise, Agosto de 2011

Escola Brasileira de Psicanálise – Rio de Janeiro
ARQUIVOS DE BIBLIOTECA – 5 . Rio de Janeiro: Seção Rio da Escola Brasileira de Psicanálise, junho, 2008.

Escola Brasileira de Psicanálise Santa Catarina
ARTEIRA- Revista de Psicanálise – n º 3. Santa Catarina, Florianópolis: Seção Santa Catarina da Escola Brasileira de Psicanálise, outubro, 2010.

ARTEIRA- Revista de Psicanálise – n º 4. Santa Catarina, Florianópolis: Seção Santa Catarina da Escola Brasileira de Psicanálise, outubro, 2011.

A Comissão de Biblioteca da EBP-SP está traduzindo textos do Colofon e à medida que passarem por revisão serão publicados na CSP-ONLINE.

Em seguida, mais uma resenha, trabalho contínuo dos colaboradores da Seção São Paulo da EBP.

Publicações do Campo Freudiano
Opção Lacaniana Online – nova série, nº 6.

Acabou de sair: aproveite e visite a revista no site abaixo. http://www.opcaolacaniana.com.br

Caso queira publicar seus trabalhos consulte as “normas de publicação” da revista no site.

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Publicado na CSP online – Nº 9

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Mídias

A Comissão de Biblioteca da EBP-SP está traduzindo textos do Colofon os quais, à medida que passarem por revisão serão publicados na CSP-ONLINE. No Editorial de Colofon 30 Feminidades, “A Diversas voces”- assinado por Judith Miller, Adriana Testa, Jesús Ambel – lemos que o plural “Feminilidades” é inevitável, pois “trata-se da questão do sexo sempre Outro que faz com que, estruturalmente, não haja homossexualidade possível para uma mulher” e cabe aos psicanalistas “…ocupar o lugar que lhes corresponde nos debates da cidade”, valorizando “…a singularidade do ser falante que escolhe” colocar-se “… do lado feminino da diferença dos sexos.” Entre os textos que privilegiam o feminino, temos O Riso de Helena de Gisèle Ringuelet, Helena o modelo de todas as mulheres, cuja tradução vem em seguida.

O Riso de Helena

Gisèle Ringuelet

Sabemos que Freud era leitor principalmente de Goethe, mas também de Nietzsche. Partindo da ideia de que ambos os escritores traziam a Freud um saber que se articulava à sua própria busca e interrogações, interessa-me considerar um sintagma que Freud não desconhecia e que ambos os autores utilizaram: Helena o modelo de todas as mulheres. O propósito é tentar cernir o uso que cada um dos três escritores formulou sobre o mesmo.

No livro de Goethe, o personagem principal descrê de todo o saber constituído. E é, com uma posição pessimista frente ao mundo, que vê em um espelho, como envolta em neblina, a mais formosa miragem de mulher!

Mas é Mefistófeles, o diabo, quem – depois do pacto que faz com Fausto – diz: com essa bebida no corpo, presto, verás uma Helena em cada mulher.

Na primeira parte do livro, o amor de Fausto fixa-se na personagem de Margarida, e a tragédia se desenrola produzindo em seu decorrer diversos valores que a nomeiam (de bela mulher a prostituta). Pouco instruída e criatura muito inocente precipita o desejo de Fausto que, dirigindo-se a Mefistófeles de modo imperativo, diz: … se esta doce jovem não repousar hoje em meus braços, quando chegar a meia-noite, tudo fica desfeito entre nós.

Podemos afirmar, como o faz Germán García (sobre a distinção amor/sexualidade) , que um homem ou uma mulher que ama relaciona-se com o amor, e o sexo de uma pessoa a põe em relação com o sexual. Então, Fausto se dirige ao amor, mas o que há de Helena em Margarida?

Será Lacan a estabelecer uma lógica da vida amorosa ao ler Freud e desmistificar a pergunta formulada por este sobre o querer da mulher. O objeto a converte-se, para Lacan, na causa do desejo e do amor, sendo este objeto o que o substitui o -φ que Margarida encarna, o véu que mascara a própria falta.

Nietzsche em seu livro O Nascimento da Tragédia, coloca um novo pensamento trágico que comporta a existência de duas tendências opostas: o apolíneo e o dionisíaco. Nesta obra, embora o autor se remeta à cultura grega, articula em sua escritura uma visão particular de mundo, que se opõe a um pensamento religioso (moral que relega a mentira) e cientificista (medo ao pessimismo).

Nietzsche escreve, referindo-se aos gregos, que estes se chocavam a cada vez que olhavam, com o riso de Helena, imagem etérea e sensual de uma existência ideal. O riso de Helena é visto por homens que sabem gozar da vida, espetáculo que deixa sem palavras a sua testemunha-espectador. Para Nietzsche o riso não tenta contra-argumentar, mas propõe-se a parodiar e dessacralizar.

Lacan no Seminário V As Formações do Inconsciente [2], ao falar do riso, diz que “se trata sempre de uma liberação da imagem e que a gargalhada concerne a tudo o que é imitação, dublagem, sósia, máscara, e se o observamos atentamente, não se trata só da máscara, mas do desmascaramento…”.

Os homens que Nietzsche menciona aparecem como homens privilegiados que, diferente da maioria dos ocidentais, desacreditam de raciocínios religiosos, de princípios universais e sabem algo dos semblantes que governam a sociedade. Mas é justamente o riso de Helena, modelo de mulher o que desmascara, o que libera de uma imagem na qual muitas pessoas ficam aprisionadas.

Se nos remetermos à mítica Helena de Troia, esta mulher que, pela sedução e beleza, causa uma guerra, encontramo-nos em um contexto onde – diferente das atuais guerras anônimas – quem luta conhece seu adversário, conhece seus nomes. Na antiguidade, como o indica Jacques-Alain Miller [3], a lógica do “para todos” não estava constituída, porque havia senhores e escravos e a moralidade era uma moralidade dirigida pelos senhores e para eles próprios, e não para os escravos. Mas Helena atravessa os tempos e inscreve-se na sociedade dos fins do século XVIII (Goethe) e XIX (Nietzsche), para ser mencionada logo depois por Freud no começo do século XX, época na qual a ciência moderna impõe o “para todos”.

A citação de Freud, “ver Helena em cada mulher”, intervém, como indica Bárbara Cassin [4] em uma carta de Freud a Jung, datada de abril de 1909. Helena é o nome que indica para Freud, o trabalho de interpretação de seu próprio inconsciente. O inquietante (real) para o mestre vienense causa a produção de um delírio singular que leva o nome de mulher. Método que se opõe à hipótese de causalidade eficiente que Jung estabelece entre ocultismo e Psicanálise.

Então, por que esses três autores que atravessam conhecimentos instituídos, em sua busca por desvelar zonas desconhecidas, nomeiam como Helena, o nome de cada mulher?

Goethe

Na primeira parte do livro, Goethe fala do amor de Fausto por Margarida, amor que é substituído na segunda parte, por Helena. Ambas funcionam como semblantes que velam um nada. Mas é na segunda parte, que se coloca em evidência que o que existe são os objetos agalmáticos e o discurso, o dizer (até mesmo sem falar). Uma presença na ausência que se opõe a uma existência tangível, a uma essência.

Averiguamos, como nos indica Letícia Garcia [5], que no amor está em jogo o não-saber: o amante não sabe o que lhe falta e o amado não sabe o que tem. O amante é o que, carecendo de algo, pode desejar um objeto precioso, o agalma.

O desconhecimento de Fausto opõe-se ao saber de Mefistófeles sobre as palavras . O diabo, denominado pelo próprio Fausto como um sofista, provoca e ironiza o personagem enamorado, que busca numa mulher algo inapreensível.

O paradoxo de Zenon de Eleiaa, utilizado por Lacan no Seminário 20, demonstra que Aquiles pode ultrapassar a tartaruga, mas não alcançá-la, ela é não-toda sua.

Quer dizer, não alcançamos o Outro – não há Outro gozo a não ser no infinito [7], de maneira que o espaço entre os sexos requer certas invenções do amor, para fazer possível a suplementaridade entre os sexos.

Nietzsche

Seguindo uma lógica similar, Nietzsche fala do riso de Helena como um signo que desprestigia o discurso totalizante, mas que, no entanto, é efeito da articulação significante e como tal provoca o desejo e um saber sobre o gozo. E ao incluir o apolíneo e o dionisíaco como “tendência para…” a possibilidade de criar (algo novo) introduz os paradoxos como constitutivos de todo ser que fala. Falando em outros termos, este autor sabe algo sobre o paradoxo do mentiroso que Lacan utiliza no Seminário 23 O Sinthoma, quando se pergunta:O que pode haver de mais verdadeiro do que a enunciação ‘eu minto’? E continuando, interroga-se: Quem não sabe que, ao dizer ‘eu não minto’ não se está em absoluto a salvo de sustentar algo falso? Eu é para Lacan, um significante no qual se evidencia o semblante constitutivo de todo discurso.

Freud

Coloca, por seu lado, um inconsciente até então desconhecido, um inconsciente variável, que é inseparável da noção de transferência (sujeito suposto saber). Já não se trata de um princípio religioso, nem de uma chave universal. Senão que, como coloca Lacan, é um saber ligado ao objeto causa, um saber ligado ao desejo, ao objeto perdido de Freud. O delírio de interpretação, tal como o denomina Freud, implica a novidade pela qual um significante articulado com outros (s) faz surgir uma significação até o momento não sabida. Para Freud, a ideia de modelo está inscrita em um modo de funcionamento (pulsional); mas é só no momento em que (como Freud mesmo se localizou) o sujeito se pergunta sobre a causa de si, que aparece o desejo (sua divisão). Surge, como indica Miller [8], um semblante, um semblante operativo, cujo saber se marca no ato mesmo, mas não se consegue capturar, apreender, como acontece com um conhecimento universitário. Ele escapa como uma mulher, à qual é impossível alcançar em sua totalidade. Podemos concluir, que tanto para Goethe quanto para Nietzsche, uma bebida mágica funciona como pharmacon – remédio/veneno [9], e por consequência, modifica aos que falam e aos que calam. Quer dizer, ambos incursionam sobre como opera a linguagem, como a linguagem pode transformar ao outro e a si próprio [10] e não apenas comunicar ou informar, demonstrando, como posteriormente o explicita Lacan, que o ser é efeito do dizer. Helena opera como metáfora de todo objeto cobiçado que precipita para a guerra e para o amor. Mas também – como os três autores o indicam – Helena nomeia o objeto de desejo, o gozo falido, e é por isso mesmo que causa àqueles que a percebem, que a escutam, ainda em sua ausência.

*Publicado com a amável autorização da autora.

Tradução: Maria Bernadette Soares de Sant´AnaPitteri

Revisão: Marcela Antelo.

*Investigação iniciada no módulo do Centro Descartes: “Sofistiquería, entre sofisma e sofisticación”,cuja responsável é Graciela Musachi.

Bibliografia: Colofón Nº 30, Boletín de la Federación Internacional de Bibliotecas de la Orientación lacaniana, Novembro 2010, Edição España-Argentina (p. 10-12)

[1]García, Germán. Em torno de las Identificaciones, chave para la clínica. Otium Editiones 2.009. Tucumán, Argentina pag.21.

[2] Lacan¸ Jacques Seminário V – Las formaciones del Inconciente (1967-1958) Paidós. Bs As. Argentina Págs. 256-257.

[3] Miller, Jacques-Alain. “Uma charla sobre el amor” (1988) in Conferencias portenhas. Bs. As. Argentina Págs. 256-257.

[4] Cassin, Bárbara “L’inconscient, qui voit Hélène em toute femme” em Voir Hélène em toute femme. Collection: Les empecheurs de penser em sond. Paris.

[5] García, Letícia. “Causa y Agalma” em las revista Las paradojas del objeto em psiconálisis. Edulp. Año 2007. La Plata-Argentina.

[6] Musachi, Graciela “Una mujeres um aglomerado de albuminóides”, em revista de psicoanálisis, Dispar 2010. Editorial Três Haches, Bs.As, Argentina.

[7] Acuña, Enrique. “H, soledad Del sintoma”. Resonancia y silencio. Edulp. Año 2009. La Plata-Argentina.

[8] Miller, “De mujeres y semblante”. Cuademos Del pasador. Año 1993. BsAs. Argentina, p.16.

[9] Testa, Adriana. “Como fue posible que la adiccion diera com la droga?” in revista Conceptual N7. Publicación de la APLP. Año 2006. La Plata-Argentina.

[10] Nota 10: Cassin, Bárbara “Lacan y lasofistiea: Aun, aun Helena” , El efecto sofistico. Fondo de Cultura Econômica. Año 2008. Bs.As. Argentina.

Publicações do Campo Freudiano
Scilicet – A Ordem simbólica não é mais o que era – quais as consequências para o tratamento? Preparando o VIII Congresso da AMP a edição em português é uma publicação do Campo Freudiano organizada por Angelina Harari e Vera Avellar Ribeiro, editada pela Scriptum/EBP. Pode-se adquirir Scilicet na Livraria das Jornadas da EBP-SP nos dias 25 e 26 de novembro, ou pedir diretamente aos distribuidores: E-mails: editora@scriptum.com.br / scriptum@scriptum.com.br Facebook: Livraria e Editora Scriptum e Livraria Scriptum

Opção Lacaniana 60 – setembro de 2011 também poderá ser adquirida na Livraria das Jornadas EBP-SP, além de alguns números anteriores.

Correio 69 – setembro de 2011. Revista da Escola Brasileira de Psicanálise, poderá ser adquirida na Livraria das Jornadas: temos ainda alguns números anteriores que estarão à disposição.

Opção Lacaniana online – nova série – Ano II – novembro de 2011 – nº 6 acaba de ser publicada e pode ser acessada pelo site: http://www.opcaolacaniana.com.br/

Os números 5 e 6 trazem o texto Intuições Milanesas I e II de Jacques-Alain Miller, que demonstra como as modificações de nossa clínica na época da globalização se relacionam com a máquina do não-todo.

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Publicado na CSP online – Nº 8

by secao_sp in Biblioteca Seção São Paulo

INTERCÂMBIO ENTRE BIBLIOTECAS

Recebemos material de diferentes Bibliotecas com as quais mantemos intercâmbio e às quais agradecemos. Assim que devidamente registrado, o material estará à disposição dos usuários. Confira abaixo:

ABOP Associação Brasileira de Orientadores Profissionais: Revista Brasileira de Orientação Profissional jan-jun. 2011, Vol.12, Nº 1.

FENPB – Fórum de Entidade Nacional da Psicologia Brasileira. BVS-PSI: 10 anos Divulgando a Psicologia – 1ª Edição: Brasília, DF: 06/09/2011

UNIPAC – Universidade Presidente Antônio Carlos, Barbacena:

Mental – Revista de Saúde Mental e Subjetividade da UNIPAC. Ano VIII – n.14: Janeiro/Junho 2010.

Mental – Revista de Saúde Mental e Subjetividade da UNIPAC. Ano VIII – n.15: Dezembro de 2010.

Fundação Edson Queiroz Universidade de Fortaleza:

Revista Mal-Estar e Subjetividade (Journal of discontents and Subjectivity).

Volume IX – Número 1: março de 2009.

Volume IX – Número 2: junho de 2009.

Volume IX – Número 3: setembro de 2009.

Volume IX – Número 4: dezembro de 2009.

Volume X – Número 1: março de 2010.

Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo:

Livro Comemorativo aos “40 Anos do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo”.

TRADUÇÕES

Continuamos traduzindo textos do Colofon 30 Feminidades, que serão publicados na CSP- ONLINE à medida que forem revisados. Neste número, há um artigo de Graciela Musachi, que enriquece a bibliografia sobre o feminino.

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