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Considerações sobre o cartel e seus possíveis efeitos de formação

Valéria Beatriz Araujo 

“Assim, de supetão, qualquer recém-chegado pode fazer avançar a psicanálise? Sim, é essa a aposta inicial da Escola, quando não se define como uma ‘escola de psicanalistas e candidatos’, mas de trabalhadores.”

Trabalhadores, a que se refere este termo? É o que pede Lacan em 1964, no Ato de Fundação de sua Escola: “Não necessito uma lista numerosa, mas de trabalhadores decididos”. Ele está apontando aí, não ao amor ao saber, mas ao desejo de saber. Trabalhadores, na perspectiva de que vão contra a ignorância, no sentido da repressão, do horror ao saber. Aliás, não há analista, a não ser que este desejo de saber surja, como nos lembra Miller em El banquete de los analistas.   Portanto, a posição de trabalhadores não é uma posição sacrificial, mas, sim, um lugar de satisfação. Uma experiência de Escola.         

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Cartéis também fazem redes

Priscila S. de Sá Santos

A imagem de divulgação escolhida para esta noite do Procura-se Cartel foi a de uma rede. A ideia da rede surgiu a partir da fala de Beatriz Udênio na primeira Noite de Cartéis deste ano. Conversávamos sobre as ofertas de formação nas redes sociais e sobre como, em um cartel, o saber ocupava um outro lugar. “Cartéis também fazem redes”, Beatrix nos disse.

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Cartel: elaboração sustentada num pequeno grupo

Maria Teresa Wendhausen (Membro EBP/AMP)

Recentemente, em 11/6, tivemos uma atividade de “Noite de cartéis”, com Beatriz Udenio, da Escuela de la Orientacion Lacaniana (EOL). Ela deu ao título de sua fala “O cartel e seus possíveis efeitos de formação”.

Dentre tantos pontos fundamentais que trouxe nesta conversa que tivemos, que me tocaram, elegi um deles para trazer hoje nesta atividade de procura-se cartéis, pois a meu ver é um convite ao trabalho e me pareceu transmitir um ponto crucial a respeito deste subversivo dispositivo criado por Lacan e que ele considerava o órgão de base para o trabalho a ser executado em sua Escola, o cartel. Vamos encontrar este lugar do cartel no “Ato de fundação da Escola”, que é de 1964.

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Empenhar a própria pele

Paula Nathalie Nocquet

Queria compartilhar hoje algumas considerações em torno do saber na experiência do cartel. E primeiramente ressoa já há algum tempo para mim uma frase de Jacques Lacan[1], ao dizer que: “o saber é custoso ou gustoso, pelo que é preciso, para tê-lo, empenhar a própria pele”.  O que quer dizer que o saber implica empenhar a própria pele?

Para continuar a tentar responder isso, me apoio num texto de Mauricio Tarrab, cujo título é bastante curioso: No cartel se pode obter um camelo[2]. Ali, retoma uma história do livro O homem que calculava, de Malba Tahan.

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