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Fracasso entre produtividade e produto

Diego Cervelin (EBP / AMP)

No momento da inscrição de um cartel, cada cartelizante apresenta uma questão de trabalho. Ela raramente se apresenta como tal logo nas primeiras reuniões e requer que, cada um, se empenhe em encontrar um ponto de interesse singular, algo seu e que resta além da delimitação do tema. Uma questão, sob essa perspectiva, parece ser importante para orientar não apenas um percurso de leituras, mas também aquilo que vai vir como produto do cartelizante – uma elaboração que, em vez de se restringir ao saber da resposta, também permite ressoar um tanto do vivo de cada um.

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Cartel
Dispositivo que contempla o não-saber?

Marcia Stival (EBP / AMP)

Agradeço o convite de Maria Teresa, diretora de Cartéis da Seção Sul, para participar da atividade chamada “Procura-se Cartel”. Ela já existe há tempos, mas o tom proposto tem me levado a questionar: qual dimensão pode ter a expressão “Procura-se Cartel”?

Coloquei a pergunta porque o formato desta atividade não tem se restringido somente a reunir pessoas interessadas em montar cartéis. Sim, pessoas podem se conhecer, verificar quem tem interesses semelhantes e este movimento pode ser o início da inscrição de cartéis. Mas me parece que há um passo a mais. A cada encontro do “Procura-se Cartel”, convidados trazem alguns pontos para abrir a conversa com os interessados neste dispositivo proposto por Jacques Lacan. Isto me leva a apostar que tem se inscrito um lugar de investigação sobre o cartel.

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Considerações sobre o cartel e seus possíveis efeitos de formação

Valéria Beatriz Araujo 

“Assim, de supetão, qualquer recém-chegado pode fazer avançar a psicanálise? Sim, é essa a aposta inicial da Escola, quando não se define como uma ‘escola de psicanalistas e candidatos’, mas de trabalhadores.”

Trabalhadores, a que se refere este termo? É o que pede Lacan em 1964, no Ato de Fundação de sua Escola: “Não necessito uma lista numerosa, mas de trabalhadores decididos”. Ele está apontando aí, não ao amor ao saber, mas ao desejo de saber. Trabalhadores, na perspectiva de que vão contra a ignorância, no sentido da repressão, do horror ao saber. Aliás, não há analista, a não ser que este desejo de saber surja, como nos lembra Miller em El banquete de los analistas.   Portanto, a posição de trabalhadores não é uma posição sacrificial, mas, sim, um lugar de satisfação. Uma experiência de Escola.         

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Cartéis também fazem redes

Priscila S. de Sá Santos

A imagem de divulgação escolhida para esta noite do Procura-se Cartel foi a de uma rede. A ideia da rede surgiu a partir da fala de Beatriz Udênio na primeira Noite de Cartéis deste ano. Conversávamos sobre as ofertas de formação nas redes sociais e sobre como, em um cartel, o saber ocupava um outro lugar. “Cartéis também fazem redes”, Beatrix nos disse.

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Cartel: elaboração sustentada num pequeno grupo

Maria Teresa Wendhausen (Membro EBP/AMP)

Recentemente, em 11/6, tivemos uma atividade de “Noite de cartéis”, com Beatriz Udenio, da Escuela de la Orientacion Lacaniana (EOL). Ela deu ao título de sua fala “O cartel e seus possíveis efeitos de formação”.

Dentre tantos pontos fundamentais que trouxe nesta conversa que tivemos, que me tocaram, elegi um deles para trazer hoje nesta atividade de procura-se cartéis, pois a meu ver é um convite ao trabalho e me pareceu transmitir um ponto crucial a respeito deste subversivo dispositivo criado por Lacan e que ele considerava o órgão de base para o trabalho a ser executado em sua Escola, o cartel. Vamos encontrar este lugar do cartel no “Ato de fundação da Escola”, que é de 1964.

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Empenhar a própria pele

Paula Nathalie Nocquet

Queria compartilhar hoje algumas considerações em torno do saber na experiência do cartel. E primeiramente ressoa já há algum tempo para mim uma frase de Jacques Lacan[1], ao dizer que: “o saber é custoso ou gustoso, pelo que é preciso, para tê-lo, empenhar a própria pele”.  O que quer dizer que o saber implica empenhar a própria pele?

Para continuar a tentar responder isso, me apoio num texto de Mauricio Tarrab, cujo título é bastante curioso: No cartel se pode obter um camelo[2]. Ali, retoma uma história do livro O homem que calculava, de Malba Tahan.

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