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 Eixo1

— CLÍNICA —

Denizye ZachariasEBP/AMP

 Freud põe em evidência a decifração das formações do Inconsciente através da fala, pois nos sintomas, nos atos falhos e nos relatos dos sonhos, algo se lê no dizer do sujeito que é tecido com os fios das palavras associadas livremente. O Discurso do Inconsciente sustenta que as redes de sua trama no circuito do desejo são desconhecidas, negadas ou recalcadas para o sujeito; por isso, a busca de sentido. Entretanto, há outro elemento nesta jogada – o objeto perdido, chave do mito freudiano da pulsão. Assim, será no manejo da transferência, no corte da sessão, no ato analítico e na interpretação que o analista opera com a experiência para incidir no circuito pulsional, circunscrevendo a falta estrutural.

Lacan avança ao trazer o conceito de falasser como fruto do encontro contingente da linguagem com o corpo. A partir daí, cada um terá que enfrentar um problema e um mistério diante da falta de saber no real, suas construções singulares.A relação com o real e com o sentido é a consequência de que não há outro do outro. Essa oposição não é possível de ultrapassar. Lacan nos orienta que, como consequência dessa oposição, há o sintoma. Assim, a clínica psicanalítica, mais do que utilizar o mal-entendido, o aproveita para colocar a palavra em funcionamento do analisante, para provocar um equívoco apontando ao inconsciente o mal-entendido. Portanto,aguardamos, a partir de casos clínicos, um modo de fazer de cada analista diante dos impasses e desafios que a clínica psicanalítica nos convoca a cada sessão.


Eixo 2

 — ENSINO —

Alberto Murta – EBP/AMP

Coordenação da Comissão Científica das IV Jornadas EBP-LO

O desafio psicanalítico, nas IV Jornadas, é o de balizar a questão do ensino com este paradoxo, nos legado por Lacan na sua defesa do Departamento de Psicanálise: “Como fazer para ensinar o que não se ensina?” Todos nós sabemos que a Psicanálise não se ensina. Ela não pode ser ensinada como uma disciplina numa universidade. Logo, o discurso psicanalítico não pode ser ensinado já que ele é ecoado como não universal. Como abordar o ensino analítico face ao tema das jornadas: “Que loucura é essa?”


Eixo 3

 — ARTE —

Ary Farias – EBP/AMP

Jacques Lacan sempre fez questão de afirmar que seu ensino seguia em direção de um retorno a Freud.

Esse processo, como se viu, sempre ocorreu sob a égide da boa confluência e das dissonâncias necessárias. Na esfera das confluências, ambos tomaram a arte (principalmente a literatura) e, por efeito, o artista, como um precursor insabido da psicanálise.

A arte tem um viés bem explorado pela psicanálise. Sua perspectiva mais explorada é na vertente sublimatória, ou seja, como expressão transformada de um motivo primitivo à um patamar mais aceitável, mais elevado, já pasteurizado e, portanto, mais condizente ao contrato social. De algum modo, um recurso civilizatório indispensável.

No entanto, numa outra perspectiva, pode-se interpretar a arte em suas modalidades visual, literária ou performática como um endereço importante para o acolhimento dos excessos de gozo do falasser. Nesse sentido, a expressão artística opera como continente ao desregramento lógico e as veemências simbólico-imaginárias experimentadas no ato da criação artística.

Logo, é admissível, que o verdadeiro artista (não o replicador, o fordista excêntrico) tenha como matéria-prima uma substância qualquer de loucura. Seu mérito, seu savoir-faire é enlaçar a desmesura à sedução estética. Ao colocar método aos seus delírios e alucinações, o artista é um mercador de gozo. Transfere ao falasser uma possibilidade de transgressão, sem, contudo, expô-lo ao risco do desregramento.

Por fim, o artista é aquele que se sacia do que, geralmente, o neurótico jejua mal: gozo.

Afinal, que loucura é essa?


Eixo 4

 — POLÍTICA —

Renato Carlos Vieira – EBP/AMP

Loucura ou insensatez na política pública contemporânea?

O texto argumentativo das IV jornadas da Seção Leste Oeste da EBP – SLO aponta para o “exagero e radicalismo, fenômenos contemporâneos …, que levam a cenas de barbárie. Cenas “loucas” que assistimos pelo mundo globalizado.” Este cenário nos conduz ao seguinte desafio: como um psicanalista se faz presente, … na cidade, (e) no campo político”?

A partir daí, chegamos à questão crucial desse eixo das IV jornadas da SLO:  será que a insensatez e o desatino dos fanáticos e dos políticos reacionários e ultradireitistas podem ser interpretados pela perspectiva de um delírio, tal como formulado por Lacan em seu aforismo “Todo mundo é louco, isto é, delirante”?

Se não é isso, podemos avançar com a seguinte indagação: nesse contexto da política atual, que modalidade de “loucura” é essa? Em outras palavras, que “loucura” é essa que induz ao rompimento do pacto social e promove a devastação?

Sendo assim, abre-se um campo de investigação para as IV Jornadas da EBP-LO onde, a partir da proposição lacaniana “o inconsciente é a política”, a psicanálise nos orienta e nos permite estabelecer uma contraposição à atual tendência política disruptiva que, em nome de “Deus, Pátria e Família”, evoca um imperativo categórico capaz de produzir e ressoar o ódio para convocar a massa a aderir a um projeto pautado pela insanidade, pela intolerância e passar ao ato destrutivo da coisa pública.

Portanto, aguardamos o envio dos trabalhos para seguirmos o debate e avançar na contraposição política fomentada pela Orientação Lacaniana e pela rede política lacaniana mundial – Zadig (Zero abjectiondemocraticinternationalgroup), que faz parte do Campo Freudiano e conta com apoio das Escolas filiadas à Associação Mundial de Psicanálise – AMP ao empuxo disruptivo da subjetividade política de nossa época.

Eis aí nossa escolha forçada – fundamentada na escolha lacaniana, onde a heresia prevalece sobre a ortodoxia, como nos indica Miller em “Campo Freudiano, Ano Zero” (2017).

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