Breve comentário tecido, a convite da Diretoria da Seção-Rio, sobre os textos de Romildo do…
Ecos de ZADIG no Rio
Por Marina Morena Torres
O Fórum Lei e Violência teve seu tema decidido após a Conversação “Psicanálise e Democracia” ocorrida em Outubro do ano passado na Seção Rio. A onda judicializante da política já estava movendo a nós, interessados por política, para esse caminho de estudo. No cenário brasileiro, em poucos meses ficou ainda mais claro que articular lei, política e psicanálise só poderia trazer também a questão da violência para a pauta. Entendendo que a vigência do regime democrático de direito é condição fundamental para a existência da prática psicanalítica, o cenário político convoca a todos os analistas e cidadãos a um posicionamento a respeito da conjuntura atual. Revoltar-se, da boa maneira [1], indicação importante de Miller, veio à tona em meus pensamentos ao longo do Fórum.
O Fórum se iniciou por duas falas de abertura, seguidas da primeira mesa sobre torções da lei, passando pela mesa sobre tiranias contemporâneas, a ciência e o ceticismo, para então os convidados falarem da questão da segregação, violência e extermínio e, por fim, a fala de encerramento retomando a função dos fóruns. Tudo isso aconteceu em um salão onde havia uma dramática escultura retratando a Justiça – historicamente representada vendada para demonstrar sua imparcialidade – contrastando diretamente com as falas dos participantes. A escolha do local, a combativa e histórica Faculdade Nacional de Direito (UFRJ), compôs o cenário, contribuindo para o tom potente do encontro.
O Fórum teve um formato diferente onde as mesas, compostas por pessoas de outras áreas do conhecimento, coordenadas e comentadas por psicanalistas, encaminharam o necessário diálogo na interface da psicanálise com outros saberes. Dessa interface extraímos ensinamentos sobre política e sobre o desafiador lugar dos psicanalistas na política. Com o sentimento de que avançamos no debate político, também seguem reverberando questões sobre como tomar partido e posicionar-se como psicanalistas[2] nesse difícil momento que estamos vivendo no país.
Fico com a aposta de que o “espírito ZADIG” nos inspire daqui para frente a encontrarmos mais pontos de abertura com outros saberes e mais espaços de respiro em meio ao caos.
