
N. 08 – Abril 2026

Gustavo Ramos (EBP/AMP) – Diretor de Biblioteca da Seção Sul da EBP
A atual gestão da Diretoria de Biblioteca assumiu os trabalhos em abril de 2025 com uma equipe composta por Ana Maria Alves de Souza, Andréa Tochetto, Cauana Mestre, Juan Galigniana, Licene Garcia, Paula Nocquet, Priscila de Sá Santos, Rafael Marques Longo e Victor Hugo Vieira. Durante aquele ano, tivemos a ideia de tornar o boletim um lugar vivo de produção e não somente de reprodução das atividades ocorridas no âmbito da Seção Sul. A biblioteca pode sim ser um lugar de circulação, de leitura, de contatos…

Shame – Evaporação da vergonha?
Niraldo de Oliveira Santos (Membro da EBP e da AMP )
Shame (vergonha) é um filme britânico do gênero drama, lançado em 2012, coescrito e dirigido por Steve McQueen, com Michael Fassbender (Brandon) e Carey Mulligan (Sissy). Brandon é um publicitário na faixa dos trinta anos, bem-sucedido profissionalmente, solteirão, solitário, bonito, que vive e trabalha em Nova York. Distante de sua irmã e aparentemente sem amigos próximos, Brandon secretamente busca compulsivamente o sexual: seja pelo consumo de pornografia no computador – pessoal e do trabalho; seja contratando prostitutas ou em encontros pontuais em bares visando o sexo, até terminar por entrar em um dark room…

A evaporação do pai
Camila Popadiuk (Membro da EBP e da AMP)
“Isso que não desaparece e continua produzindo efeitos” é uma maneira de expressar o que Lacan anunciou em 1968 como “a cicatriz da evaporação do pai”, algo que, em última instância, recebe o nome de segregação. Sabemos que o enfraquecimento da função paterna, característica da sociedade contemporânea, é consequência do discurso da ciência e de sua aliança com o capital. Claramente, Miller indica em seu texto “O pai tornado vapor” a relação direta entre o declínio do pai e a crescente força do capitalismo, ao afirmar que “o capitalismo superou o patriarcado, ou que, pelo menos, iniciou seu declínio.”

Ressonâncias sobre a atividade da Biblioteca da Seção Sul com Domenico Cosenza
Cynthia Gonçalves Gindro
A atividade da Biblioteca da Seção Sul sobre o livro de Domenico Cosenza: Clínica do Excesso – derivas pulsionais e soluções sintomáticas na psicopatologia contemporânea, chamou minha atenção pelo tema dos sintomas contemporâneos, pela sua incidência na clínica hoje e suas consequências no mal-estar da civilização.
A conversação na atividade foi esclarecendo e precipitando questões em torno da clínica e dos casos, principalmente de adolescentes que chegam ao Hospital-Dia em que trabalho em São Paulo.

Que partenaire hoje?
Paula Nathalie Nocquet
Uma pergunta me retornou ao participar da tarde de Biblioteca com Domenico Cosenza sobre seu livro, a Clínica do Excesso, uma pergunta que costumo me fazer em supervisão com inícios de tratamento é: que partenaire possível para cada paciente? Quer dizer, com quem jogamos a partida numa análise?
Cosenza, longe de qualquer discurso saudosista ou fatalista, mas com entusiasmo, nos transmite a necessidade de o analista estar mais vivo hoje na clínica. Se todos estamos casados com algo, é preciso buscar com o quê; buscar o partenaire.

