Niraldo de Oliveira Santos ( Membro da EBP e da AMP) O filme Shame (vergonha)…
Editorial Boletim Modos de Usar #08
Gustavo Ramos (EBP/AMP) – Diretor de Biblioteca da Seção Sul da EBP

A atual gestão da Diretoria de Biblioteca assumiu os trabalhos em abril de 2025 com uma equipe composta por Ana Maria Alves de Souza, Andréa Tochetto, Cauana Mestre, Juan Galigniana, Licene Garcia, Paula Nocquet, Priscila de Sá Santos, Rafael Marques Longo e Victor Hugo Vieira. Durante aquele ano, tivemos a ideia de tornar o boletim um lugar vivo de produção e não somente de reprodução das atividades ocorridas no âmbito da Seção Sul. A biblioteca pode sim ser um lugar de circulação, de leitura, de contatos, de trocas e de desejo. Com isso em mente, decidimos convidar pessoas de outras seções da Escola, membros e não membros, para contribuírem com suas produções no boletim.
O que orientou nosso trabalho de pesquisa foi o tema da VI Jornada da Seção Sul da Escola Brasileira de Psicanálise: “Cadê o gozo? O que diz a clínica e a época”, realizada em Curitiba com a presença da Marina Recalde (AME EOL/AMP) e Ondina Machado (AE EBP/AMP).
O primeiro convite foi para Camila Popadiuk, membro da EBP/AMP, que toca em um ponto nevrálgico de nosso contemporâneo, partindo da intervenção de J.-A. Miller no Pipol XI, de 2023, cujo título “O pai tornado vapor” já nos indica algo bastante relevante: o pai não desapareceu, ele se transformou em vapor e, como tal, permanece no ar com suas gotículas de água vaporizadas. Isso significa que em psicanálise o que está desaparecido pode ainda produzir efeitos, como bem apregoa Lacan retomado por Popadiuk. O texto de Miller supracitado termina com uma provocação: se o pai se vaporizou, a consequência direta disso será a própria vaporização da mãe. O que pensar disso fica a cargo de cada um de nós.
Niraldo de Oliveira Santos, membro da EBP/AMP, nosso convidado para uma atividade da Biblioteca em conexão com o Cinema, trouxe à tona o texto “Nota sobre a vergonha”, de J.-A. Miller, à luz do filme “Shame” (2012), de Steve McQueen. O gozo em excesso de Brandon, personagem de Michael Fassbender, colocou em cena uma questão decantada de Popadiuk: a vergonha pode ser evaporada? A partir de quatro cenas do filme, Niraldo nos propõe uma chave de leitura para analisar a vergonha em cada um dos momentos escolhidos.
Cynthia Gindro e Paula Nocquet produziram seus textos a partir dos efeitos que repercutiram nelas depois de uma atividade da Diretoria de Biblioteca sobre o livro de Domenico Cosenza em que ele trabalha o excesso. Gindro lembrou de um caso que atende no Hospital-Dia, no qual trabalha a partir da questão de que lugar o analista poderia ocupar quando não é possível dar um lugar no desejo do Outro. Já Paula Nocquet foi pela via do parceiro ao se perguntar qual o partenaire em jogo inclusivo do lado do analista.
Por fim, as ilustrações do boletim são de autoria de Ana Maria Alves de Souza, integrante da Comissão de Biblioteca que gentilmente nos cedeu essas belas imagens.
