O Laço Social e o gozo autoerótico
No último ensino de Lacan, onde não há mais preponderância do simbólico, a referência ao Outro modifica-se pelo Um da existência e do gozo. “Existe apenas o Um”, diz Lacan no Seminário 19, ou pior. Se frente ao real só há o laço social, como podemos ligá-lo ao Um? Ao gozo autoerótico? Qual a possibilidade para o amor e o sexo? Como se sustentaria a afirmação de Lacan no Seminário 17: “Amar é dar o que não se tem”?
Tempos de (des)conexão
Há razões para ligarmos a (des)conexão aos nossos dias? Isso não é evidente. Resta demonstrá-lo pela clínica. A ultrapassagem do gozo fálico como orientador da sexualidade abre para outros regimes de gozo. O axioma lacaniano “não há relação sexual” instiga a examinar o lugar do amor ◊ sexo na contemporaneidade. Novas parcerias, sexo virtual, aplicativos de encontros, pornografia, desvario pulsional, solidão, sex toys seriam algumas das formas de conexão?
Transferência: (des)conexão?
O laço social surge de maneira privilegiada no discurso analítico através do que Lacan chamou “a presença do analista”, no Seminário 11. O analista, ao dirigir o tratamento e atento ao engodo da lógica fálica, propicia algo novo, uma invenção singular que torna suportável o real em jogo em uma parceria sintomática. A prática psicanalítica muda. Então, como pensar a transferência em tempos de (des)conexão?
