skip to Main Content

Diante d’A mulher que não existe: fazer do parceiro um sintoma… ou pior!

Henrique Lopes
(62)985569326
henriqueal4@hotmail.com

No Boletim 1, Elisa Alvarenga (2025) comenta um conto que “contradiz a teoria analítica” das clássicas repartições sexuais: a mulher-sintoma e o homem-devastação. Nos tempos do Outro que não existe, a devastação é democratizada a todo gênero e o gozo dito feminino é generalizado a todo ser falante. Cabe a cada um se haver com ele! Segundo Miller (2013), diferentemente dos planetas, os corpos falantes não sabem que distância manter entre si no registro da gravitação sexual. Ou como Marcelo Veras disse em certa ocasião: não é que os homens sejam de marte e as mulheres de vênus, somos todos marcianos diante de uma vênus inacessível.

A inexistência do significante d’A mulher, por sua vez, é um dado estrutural do inconsciente e, portanto, independe do sexo biológico do parceiro. Isso quer dizer que, mesmo nas parcerias entre dois homens, onde não há uma mulher do sexo biológico, a inexistência desse significante terá consequências clínicas. No melhor dos casos, há o consentimento de que Ⱥ mulher não existe e com isso a abertura para se fazer do parceiro um sintoma. No pior dos casos, há uma tentativa de fazê-la existir. Já sabemos a diferença entre os tipos clínicos (obsessão e histeria) nessa tentativa neurótica de fazer existir Ⱥ mulher, mas também haveria diferenças no nível da eleição de objeto? Como seriam as manifestações clínicas da tentativa de fazer existir Ⱥ mulher numa parceria entre dois homens? Levando em conta que não é a mesma coisa tomar fantasmaticamente um parceiro que fazer dele seu sintoma, quais diferenças poderíamos pensar para o amor pela via da resignação na regularidade do fantasma para o amor pela via do sintoma? O que nossa clínica pode transmitir sobre tais questões?

REFERÊNCIAS
ALVARENGA, E. Parceiro-sintoma ou parceiro-devastação? (Des)equilíbrio, Boletim 1 das VI jornadas SLO, 2025.
MILLER, J. A. Piezas sueltas. Buenos Aires: Paidós, 2013.

Back To Top