LACAN NA ACADEMIA – ECOLOGIA LACANIANA
Coordenação: Yolanda Vilela (EBP-MG)
Equipe:
- Lilany Pacheco (EBP-MG)
- Marina Baltazar (UFMG)
- Paula Pimenta (EBP-MG)

“É preciso olhar mil vezes para uma mesma planta, deixar
ressoar em ti o nome da coisa para que a coisa comece a ser a coisa em si – dizia minha mãe –
nomear cada criatura é um exercício ecológico:
somos seres gregários, meu filho, destinados
a habitar a paisagem que por sua vez nos habita
e nos nomeia:
carvalho, pereira, silva, oliveira, pinheiro
– são nossa linhagem […]”
(Prisca Agustoni)
Em 2025, abordamos o tema da “ecologia lacaniana”, tendo como bússola a pergunta formulada por J. Lacan acerca das consequências do discurso da ciência sobre nossa capacidade de garantir condições de vida aceitáveis, e mesmo possíveis, à espécie humana e às demais espécies – pergunta que ele enuncia nestes termos: “será que transpusemos a linha?”.
Em 2026, vamos explorar o sintagma “ecologia lacaniana” pelo viés daquilo que germina, urde e urge em tudo o que é vivo. A libido escorre no poema, assim como o floema corre no vegetal. No avesso da palavra, a libido; no avesso do floema, do líber que escoa na árvore, a entrecasca, a casca, o papel, o escrito, o livro.
No tensionamento dessa dupla face, o discurso da psicanálise faz, desde Freud, contraponto ao discurso do mestre, concebido como seu avesso. O discurso do capitalista, por sua vez, modifica o discurso do mestre, ao preconizar o consumo sem limites, impondo, assim, sua face hegemônica. Nesse caso, como pensar o avesso disso que se apresenta como não tendo avesso?
Para trazer à tona e desdobrar essas e outras questões – o avesso da palavra, da trama, do bordado, da paisagem – vamos dialogar com a poesia de Prisca Agustoni que, ao aceitar nosso convite, nos lembra que a psicanálise e a poesia compartilham o mesmo espanto diante do vivo.
A convidada, Prisca Agustoni, é escritora, poeta e tradutora. De origem suíça, vive no Brasil há mais de vinte anos. É doutora em Literatura Comparada pela PUC-MG e professora titular de língua e literatura italiana na Universidade Federal de Juiz de Fora. Uma das dimensões centrais de sua produção literária é a tradução de poesia brasileira contemporânea e de autores suíços de língua italiana. Prisca escreve e se autotraduz em francês, português e italiano.
Em 2023, foi agraciada com o Prêmio Oceanos de Poesia pelo livro O gosto amargo dos metais. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Suíço de Literatura por Verso la ruggine. Entre suas obras, destacam-se: Quimera (Círculo de Poemas, 2025); O gosto amargo dos metais (7Letras, 2022); O mundo mutilado (Quelônio, 2020); L’animal extrême (Nossa Éditions, 2025).
Programação
Atividade: O avesso das coisas
- Coordenação: Yolanda Vilela
- Convidado: Prisca Agustoni
- Data: 10/06/2026
- Horário: 20h
- Local: Academia Mineira de Letras – R. da Bahia, 1466 – Centro, Belo Horizonte – MG
- Modalidade: Presencial, aberto ao público, sem inscrição prévia.
