Família Holófrase1
Boa tarde, agradeço a Andrea Eulálio o convite para participar das atividades do Núcleo Pererê e acompanhar de forma mais próxima a pesquisa que realiza. Um Núcleo muito trabalhador, do qual frequentemente temos textos na Folha dos Núcleos.
Andrea me propôs trabalhar o sintagma Família Holófrase que é retomado por Daniel Roy no texto que nos serve de orientação à nossa pesquisa neste momento.
Nosso tema de trabalho atual é Sobre a Sexuação: a criança e seus pais. Se começamos com o tema da Diferença sexual e dele nos deslocamos para nos aprofundarmos na pesquisa sobre a sexuação nas crianças, tem sua razão de ser. Inicialmente, no tema da Diferença sexual, foi necessário realizar um primeiro movimento para não confundir diversidade sexual com diferença sexual, no campo da criança no discurso analítico. Pelo menos não considera-los como equivalentes. Também foi fundamental separar Diferença e Sexual como tendo estatutos diferentes. O termo diferença, como já falei em outro momento, remete ao registro do simbólico, da linguagem. É no discurso que se estabelece a diferença. E o sexual da ordem do traumático, do real. Do que faz furo, do trou-matisme. Em outras palavras, destacar essa articulação sempre problemática entre a linguagem e o corpo. Implica como isso que é da ordem do singular, do real, do corpo, do gozo, pode chegar a se inscrever em um dizer, em um discurso, em um sintoma ou em uma ficção.
Desde este lugar, a formulação de Lacan com relação à sexuação se torna um orientador importante, pois vai além da identificação sexual, situa como a criança inventa seus modos de tratar o impacto da língua sobre o corpo, com os recursos que tem disponíveis, e o que do regime do encontro faz função fálica.
Como apontou recentemente Jesus Santiago: “se a inexistência da relação sexual remete à ancoragem do sexual no vazio irredutível do gozo pulsional, e se o significante tampouco é capaz de tratar esse vazio, permanece, para nós, a questão sobre o recurso aos conectores e grampos disponíveis à pragmática analítica”[2]. Nesse sentido, a sexuação torna-se um campo conceitual fértil para o trabalho cotidiano do analista com os sintomas que envolvem o real do gozo.
Então, a orientação que a proposta de Lacan sobre a Sexuação nos permite ter, nos aprofunda na clínica com a criança e seus pais. Mas a quem chamamos de pais? A quem a criança situa como seus pais? Podemos dizer, isso não está dado de entrada de forma tão clara.
A criança e seus pais: a família holófrase
Como é uma pesquisa em andamento, é desejável que tenha esse valor. Vou trazer algumas notas com relação a este tema. Um tema no qual é importante ir avançando.
A ideia da família holófrase parte desse lugar; não se sabe muito bem o que é pai, mãe. Já Brousse no texto sobre o Buraco Negro da diferença sexual, o tinha indicado com o termo parentalidade. Daniel Roy retoma o sintagma “Família holófrase”, não é a holófrase da criança, é a família mesma como holófrase. Ele a toma da conferencia de Éric Laurent de 1991 Instituição da fantasia, fantasias da instituição[3].
Ao que se refere Éric Laurent ao fazer esta afirmação?
Laurent se dirige aos analistas que tiveram a tendência a pensar a família como reduzida ao pai e a mãe. Ele vê nisso um problema. O que vai destacar é o caráter opaco da família. Isto é, se hoje o que não fica tão evidente é quem é o pai e mãe, há um problema em reduzi-la a pai e mãe. Dar por suposto isso é muito problemático.
Eric Laurent faz uma afirmação um tanto taxativa: “A família moderna é uma holófrase.” Com esta afirmação lhe interessa destacar o caráter “extremadamente opaco e misterioso” do que se chama família. E é a esse ponto de opacidade onde deve se dirigir nosso olhar, situar o que está em jogo.
Sabemos que Lacan usa o termo holófrase em diferentes momentos de seu ensino. No Seminário 1, com relação a um questionamento sobre a origem da linguagem, no seminário 6, sobre a função da holófrase, e seminário 11 sobre a questão do não intervalo entre os significantes para que eles operem. Lacan diz que:
“quando não há intervalo entre S1 e S2, quando a primeira dupla de significantes se solidifica, se holófraseia, temos uma série de casos – ainda que, em cada um, o sujeito não ocupe o mesmo lugar”[4].
Laurent aponta este último quando situa que Lacan se referiu à holófrase na psicose do Um sozinho, do FPS e da debilidade mental. Mas ele retorna a ideia de holófrase do fenômeno isolado pelos linguistas como Guillaume, linguista e filólogo francês, que consiste em que todas as funções sintáticas podem ser encarnadas em uma palavra só.
Alexandre Stevens[5] trabalha detalhadamente a questão da holófrase e nos dá alguns elementos para pensar. Há as línguas holofrásicas: por aglutinação ou por incorporação. A aglutinação se refere à estrutura das palavras, nas quais os prefixos e sufixos se ligam à raiz para formar novos termos, lexicalizados muito complexos. O próprio Stevens nos dá um exemplo: a palavra francesa: injustifiable – aglutina prefixos e sufixos de forma complexa, e eles só podem ser apreendidos, separados, pelo uso do hífen: in-just-if-i-able. O hífen introduz a separação e destaca os elementos em jogo e sua articulação.
Sobre as línguas holofrásicas por incorporação, se refere à estrutura da frase na qual as funções gramaticais e semânticas se condensam. O exemplo que o próprio Stevens dá é recolhido do trabalho de Von Humbolt a partir de sua viagem ao Brasil. Ele recolhe a palavra Tuba que pode indicar seu pai, ele tem um pai ou para pai no geral.
É a esta segunda via que Laurent retoma de Guillaume, mas a ideia de aglutinação também transmite a ideia de elementos não separados, articulados em uma palavra só. Elementos que só podem ser situados com o uso do hífen.
Entendo que Laurent faz esta proposta para sustentar que de fato a criança não está sozinha. Que se vira com os elementos que tem em jogo e depende deles as modalidades de que algo possa se instituir, inscrever. Por isso ele vai dizer: não há criança sem instituição, não há criança sozinha, apesar de que se deseje como um ideal do capitalismo.
A família neste sentido é uma instituição, e há que estar atento a se não há uma idealização de suas formas. Por isso, vai recolher como orientador os elementos em jogo em Nota sobre a criança. Dando um lugar cuidadoso à sua função, à falta em jogo e ao nome. Situa, neste ponto, a família em sua função de humanizar a lei do desejo; em outras palavras, que possa encarnar ou não um modo de tratamento efetivo do gozo. Por isso, vai de Nota ao seminário 22.
Então, se trata de ler a família a partir do real do gozo em jogo e de abrir um espaço para o irredutível do desejo. Não o gozo reabsorvível no grupo familiar. Quando ele situa a perspectiva da família holófrase, a situa como a condensação de funções complexas em um só elemento, sem espaço para a “particularidade residual” como ele diz.
Por isso, a família holófrase implica que não há intervalos; os significantes pai e mãe, e criança não operam em sua função. Se retomamos um dos esquemas que Roy propõe, ele situa justamente como dois círculos. Em um, os significantes pai-mãe, e no outro criança. Na interseção o desejo, o vazio, o traço de união-separação que o sintoma vem alojar. Desde aí acompanho a afirmação de Laurent no final do seu texto: “a família propriamente falando só é digna e respeitável se pode ser um lugar onde cada um possa encontrar um espaço para sua particularidade residual”.
É desde aí que Roy o retoma?
Roy, assim como Laurent situa que não é tão claro o que é família. E ele vai retomar que “família” não é mais um significante dado de antemão como inscrito no simbólico, seja por filiação ou por aliança. Não que não exista, mas que não é um significante dado de antemão. Não porque há adultos e crianças, quer dizer que há família no sentido que nos interessa.
Mas o que destaca é que há que ver o que faz inscrição. Por isso, é interessante que vai situar outro esquema. Dois círculos entre-cruzados. De um lado dois falasseres, do outro a criança, e no meio o que se imprime, o que se inscreve. Como se esse fosse o desafio ao qual precisamos estar atentos.
Esta inscrição é a parte que retorna a cada um dos falasseres, na medida em que eles fazem – ou não – existir a função significante da família. Roy leva a suas últimas consequências a proposta de Laurent, partindo da opacidade. Não só situar a função, senão partir da opacidade por estrutura e de um gozo que se fixa.
Neste ponto posso situar: se Laurent partiu da família moderna, Roy traz a família pós- moderna, marcada por essa inconsistência da inscrição. Eles são dois falasseres que fazem funcionar ou não o significante família. Mas a função de gozo vem em primeiro plano.
Laurent situava a problemática da idealização das instituições, dentre elas a família. Inclusive a família que basta a si mesma, a família do um sozinho como um empuxo do discurso capitalista. Roy introduz a ideia de que é justamente pela via da inconsistência da família pós-moderna que penetram os discursos de ajuda aos pais, outra forma de idealização, de como deveriam ser um padre, uma madre e por tanto também para as crianças. Gosto como ele o diz: é por essa inconsistência que os discursos de ajuda penetram, se precipitam (s’engouffrent). É mais sutil, não se impõem, se apressam em entrar, entrando como sem opção.
É dali que decanta o sintagma “Criança perfeita” versus “criança terrível”. A oposição excludente do lugar da criança falo e a criança objeto, ser de gozo. Mas sabemos, com Lacan e, especialmente, a partir do seu último ensino, a importância desse lugar da criança marcada por um modo de gozo. A sexuação tem no seu seio esta questão.
E isto reverbera no homem e na mulher, quando eles se tornam pais: “Essa divisão marca uma mulher ou um homem quando eles se tornam “pai” ou “mãe”. Ela vem “exasperar” em cada um deles, a tensão entre a mais-valia que conta com o acesso a esses significantes mestres e o efeito de castração que, por sua vez, é registrado como perda, não como falta”.
Essa divisão precisa ser tomada em um “dizer singular”, isso que é sentido como insuportável e “projetado sobre a criança que assume os traços de um ser enganador e cuja presença custa tempo, energia, dinheiro etc.”
Neste sentido, não há lugar para um intervalo. Ser tomada, quando possível, em um “dizer singular” já a situa como causa de desejo e resto de gozo.
Desde aí, entendo, Roy propõe o hífen no título de “Pais exasperados-crianças terríveis” para introduzir esse traço de união-separação que possibilite o sintoma e a abertura ao inconsciente a partir do qual se opera. Que tome em conta o mal-entendido que Lacan situa do qual nascemos. Nascemos mal-entendidos.
Assim, se radicaliza: a família já é um modo de tratamento do gozo dos corpos falantes presentes, que não responde a nenhum ideal, mas que é, antes, da ordem de uma “religião privada”. Também quero destacar este termo que Roy nos oferece, pois me parece um verdadeiro orientador. Pensar a família, a língua que fala, como religião privada marca a posição do analista. Trata-se de uma língua estranha. Como diz Roy, da qual ignoramos tudo quando encontramos pais e filhos e da qual temos tudo a aprender sobre as regras que ali se aplicam, os ritos que ali se celebram, os pequenos deuses que ali reinam.
É interessante, nesta via, pensar que cada um na família fala uma língua, e constitui uma “religião privada” como uma instituição. Mas, fundamentalmente, temos que aprender a língua que ali é falada, sua gramática, seu vocabulário, marcado pelas algaravias do mal-entendido.
Roy coloca aqui a posição do analista como mais próxima da criança, buscando decifrar os enigmas, dar conta do valor de gozo das palavras, dos atos e dos objetos que circulam, e dar a cada um a parte que lhe cabe. É algo que se diz rapidamente, mas é o nosso desafio a cada sessão. E o interessante é que neste ponto Roy introduz a família holófrase. Trata-se de descompactar “a família holófrase” sem uma grade de avaliação ou um modelo ideal.
Ali ele nos dá outra orientação. Implica abrir espaço, mas também poder ler a língua que é falada. Poder extrair os significantes particularizados que se transmitem na língua falada nesse tal grupo familiar. O trabalho de decifrar os enigmas em jogo nessa língua e do gozo que se cifrou.
Vinheta
Estela Solano[6] tem um caso que nos permite pensar esta ideia da família holófrase proposta por Laurent. Uma família onde, no próprio trabalho com a criança a questão do intervalo é problemático.
E de uma forma muito linda e cuidadosa situa como foi possível operar, visando abrir um intervalo e cifrar a língua que ali se fala, marcado pelas algaravias do mal-entendido do qual se nasce. Tanto para a criança como para os pais. O caso tem muitos detalhes, mas só vou situar até esse ponto.
Antônio é um menino de 7 anos que chegou a ela porque tem uma fala confusa, e escreve de forma invertida. Um menino muito angustiado que se mexe o tempo todo e não suporta os silêncios.
É um menino que desenha e conta histórias ininteligíveis com relação à morte, doenças e catástrofes. Em certo momento, no início do tratamento, tenta escrever seu nome, mas não consegue e fica muito angustiado. E pergunta para a analista: será a minha irmã que está falando? A irmã estava fora da sala. Diante disso, Estela responde que não é a irmã que está com ela, é ele, e que ele tinha tentado escrever o seu nome. Ele acrescenta que foi a irmã que o ensinou a falar. Ele tem um irmão adolescente e uma irmã mais nova, de 6 anos. Ele pergunta para a analista a idade dele e tenta escrever a idade. Porém, escreve de forma invertida o número 13. Então, ela lhe propõe escrever o número 13 certinho e lhe indica que o número 13 é o resultado de uma soma. Da idade dele e da idade da irmã, 6 + 7 = 13.
O que está em jogo ali? Seu lugar na fratria, seu lugar junto à sua irmã e, mais particularmente, seu lugar em relação ao desejo da mãe. Estela indica que 6+7 vale para ele como um. Para Antônio, o intervalo entre 1 e 2 foi anulado. Então, há apenas um que conta, em espelho. A proposta de uma escrita por parte da analista é a aposta de introduzir uma outra escrita n + 1. É a forma de encontrar os meios simbólicos a fim de chegar a uma construção lógica que permita encontrar o lugar que ele tem como menino, diferente da irmã.
Depois deste momento começa o período das histórias de terror, histórias de morte. E traz uma caixa de gizes, mas em francês é craies. O menino é de origem espanhola e tinha vivido em vários países. A analista lhe indica que o nome na caixa indica um anagrama da palavra espanhola raices (raízes). Ele responde que vai contar uma história que vem de seus avós, e acrescenta “eu te garanto que é uma história de terror e você vai ficar com muito medo”…“eu sempre conto histórias assim, é mais forte do que eu, não posso me impedir de pensar em coisas horríveis, às vezes eu conto na minha cabeça para evitar as ideias horríveis. Antes de dormir tenho ideias horríveis que me dão muito medo e não me deixam dormir. Eu penso, penso e quanto mais penso mais o sono não vem”. Com sutileza Estela indica que ali está a chave do seu sintoma. Ele sofre de pensamento ao ponto de impedi-lo de dormir e uma forma de tratar algo. E os temas são entorno do que Freud nos ensinou com relação à neurose obsessiva, da paternidade, da vida e da morte.
Uma das histórias de terror é: tinha um homem indo de taxi. O homem sai do taxi e sofre um acidente. O homem morre. Ele tinha 5 filhos. “Nós somos 5: minha mãe, meu pai, meu irmão, minha irmã e eu. Depois todos morrem. É um filme de terror, as crianças que chegarem depois vão ficar com muito medo”. É a história de terror, e nela a criança dá a pista da morte, da morte de um homem por um acidente. Estela sabia, a partir das entrevistas com a mãe dessa morte que fazia parte da história familiar. Uma morte inscrita nas raízes da criança. Mas, o interessante é que, como ela nos apresenta o caso, é da morte tal como se apresentou no relato da criança entanto falasser. Essa morte do homem é ao mesmo tempo sentença de morte para todos aqueles que vem da linhagem para os descendentes. Como a criança relata: “ele tem 5 filhos” e anuncia “meu pai, minha mãe, meu irmão, minha irmã e eu”. Há alguma coisa que não vai bem por ali, não há intervalo, coloca os filhos e os pais na mesma categoria de filhos do homem que morreu. Quer dizer, para essa criança, a possibilidade de ordenar lugares, espaços, gerações lhe traz dificuldades.
E suas histórias indicam que a morte está no comando. Que depois da introdução da morte não há mais nada.
É pela via do mal-entendido, do equívoco da língua que impacta o corpo, que a questão da morte se mostra articulada ao desejo da mãe e ao do casal parental. Neste sentido, posso situar, nos interessam palavras que deixaram no corpo um vestígio de afeto, determinando um modo singular de gozo. O sintoma através da sua interpretação intervém no circuito de repetição que o impacto da língua materna traçou sobre o corpo.
Volto a Antônio. Ele é uma criança que fala em espanhol e em francês e em determinado momento fala em espanhol em uma de suas histórias que o amo (o senhor) está morto. E a vaca chora a morte do amo. O amo é um mago (mágico). Ele fala do amo, do amor da vaca pelo seu amo, que em francês ressoa com la mort. O amor e a morte são homofónicos. Assim como amor e amo (senhor). Isso está encadeado em sua história e configura os dados estruturais presentes antes da sua vinda ao mundo. O pai da mãe de Antônio ficou doente de câncer de estomago. Estela ressalta o mago do estomago. Por causa da doença do pai, a mãe se dedica a ele durante um ano até a sua morte. Ela diz que se o pai tivesse vivido mais tempo, ela teria morrido de esgotamento, pois chegou ao ponto de não comer como ele. Quando o pai morre, a filha fica grávida. Diante disso ela diz: “Foi um acidente”… “Não pude separar a tristeza pela morte do pai e a alegria de ter outro filho”…
Deixo até aqui o caso, mas me parece interessante situar o valor de holófrase do desejo- gozo, ali onde não se introduziu o hífen. O trabalho de Antônio visa esse decifrar seu lugar como causa do desejo e resto de um gozo. Não corrigir uma história, mas que a partir das histórias que ele traz, dar um espaço para um dizer singular, para sua particularidade residual.
Termino com uma referência a um trabalho de Patricia Bozquin-Caroz[7], que a Cristina Drummond me indicou, e que me parece muito importante: Ela diz que, de fato, quando se fala da mãe numa psicanálise ou de quem a substituiu, de certa forma, faz dela irrealista, faz dela um significante que a anula na sua realidade quotidiana como mãe. Para o analista, assume o valor de um símbolo – um símbolo de amor, de desejo, de ódio, de deixar ir… Para Lacan, afastar a psicanálise da biografia consiste, em última análise, em dar todo o alcance ao valor das palavras, aos significantes na medida em que determinam lugares ou funções, mas também na medida em que afetam o corpo. A atenção do psicanalista, com Lacan, concentra-se no lugar que um sujeito ocupou no desejo da sua mãe, mas também nas palavras que lhe foram ditas ou que lhe foram esquecidas e que o afetaram.
Parece que esta afirmação vem a dar mais peso ao que Roy formulou como os significantes particularizados que se transmitem na língua falada nesse tal grupo familiar. Trata-se de dar todo seu alcance ao valor das palavras, aos significantes na medida que determinam funções ou lugares, mas que afetam o corpo no trabalho com a criança.