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Teria o pequeno príncipe comido ginga com tapioca e tomado banho na redinha?

Nos aproximamos do nosso encontro na VI Jornada da Seção Nordeste da Escola Brasileira de Psicanálise, que esse ano acontece em Natal, no Rio Grande do Norte. Nessas praias banhadas pelo rio Potengi, vamos poder conversar sobre o título da nossa jornada “Delírio e interpretação”. Então, para aquecermos os motores e animarmos para esse encontro, por que não conhecer os cartões-postais que participam da lenda delirante local sobre a passagem de Antoine de Saint-Exupéry, autor d’O Pequeno Príncipe, e a marca indelével que a cidade deixou sobre esse homem e que aparece na sua obra?

Nos anos 30, Natal foi um dos pontos de aterrissagem dos aviões do correio postal francês. Nessa mesma época, Antoine de Saint-Exupéry foi piloto dessa mesma companhia e trabalhou fazendo trajetos por toda a América do Sul. Essa experiência ficou eternizada  nas imagens e cenários que foram utilizados na sua obra O Pequeno Príncipe. O pôr-do-sol visto nas dunas da praia de Genipabu não seria o mesmo visto dezenas de vezes no planeta do pequeno príncipe? As dunas e falésias das praias de Tabatinga e Pirangi não dão o mesmo contorno como o deserto arábico em que o aviador cai? A estrela cadente e os astros celestes não ressoam os signos da cidade como o forte dos reis magos? O baobá encrustado no coração da cidade parece trágico como o citado no livro.

Há uma discussão se essa passagem é factível ou não; não há documentos comprobatórios da passagem de Antoine, e o nexo entre os elementos da cidade e os elementos da história não é uma exclusividade, os mesmos podem ser encontrados em tantos outros lugares pelos quais o escritor passou em suas viagens. O que sustenta esse delírio local, além da forte impressão que esses lugares tão belos deixam em quem os visita, são as crônicas e relatos de pessoas que se lembram de um tal piloto chamado Antoine, que costumava frequentar um restaurante na Ribeira dedicado aos pilotos franceses e marinheiros africanos de passagem pela cidade. De Exupery temos uma única linha em um diário póstumo: “Dakar é bem feia, mas o resto da linha, uma maravilha”. O resto da linha começava em Natal!

Júlio Garcia

Natal é terra do povo potiguar que, em língua indígena, significa comedor de camarão.

Apresenta em sua história algumas peculiaridades: nasceu no dia 25 de dezembro, em meados do século XVI e foi fruto de disputa de interesses entre línguas distintas: portugueses, franceses e holandeses. Por um breve período, foi chamada de Nova Amsterdã, quando se deu a ocupação holandesa. Acrescentou-se a esse encontro de línguas estranhas a presença dos indígenas, que aqui habitavam, e de africanos trazidos pelo regime da escravidão. E não esqueçamos da presença dos americanos e aliados, que aqui estiveram durante a Segunda Guerra Mundial.

Pensemos: como conciliar, o barulho dessas línguas? Que interpretação podemos dar a esse encontro? Há, no interior e exterior desta cidade, sinais dessas línguas, que em sua cultura se apresentam.

Em meio a essa diversidade, as danças que embalam os potiguares são distintas: Há um Carnaval fora de época, Carnatal, que consegue abrigar ritmos diversos em sua programação e arrasta natalenses e pessoas de diversos locais do país para a folia. Registramos também um antigo bloco carnavalesco que se chama ” bloco dos cão”, na praia da Redinha que compõe com atrações variadas a programação de um carnaval multicultural.

Conta ainda com um tradicional festival de quadrilhas que remonta as nossas raízes, unindo agricultura e a alegria da colheita do milho. Homenageando os Santos (João e Pedro) celebramos a fartura e a preservação de nossas tradições.

Tendo em sua origem línguas distintas, Natal parece, em alguns momentos, guardar, reter aquelas marcas que no encontro do corpo com a linguagem interpretam um gozo que fica e determina o que se segue preservando em meio a essa diversidade.

As danças que embalam os potiguares são distintas e parece convidar o corpo para se fazer vivo: Forró, xote, baião, reggae, arrocha, dentre outros. A dança do boi de reis também conhecida como bumba meu boi, mistura o teatro popular português e as culturas indígena e africana, contando a história do roubo, morte e ressureição de um boi. Conta a lenda, que um vaqueiro escravizado, chamado pai Francisco, para satisfazer os desejos da sua esposa escrava grávida, Catirina, que queria comer a língua do animal, sacrifica o boi mais bonito do rebanho. O dono da fazenda enfurecido persegue ao casal para mata-los. O drama se resolve quando curandeiros e o padre são chamados para intervir e conseguem a ressureição do boi.

Destacamos que viveu em Natal Câmara Cascudo, mestre que em seu legado, pesquisou sobre o folclore. Pensemos neste campo como uma das tentativas do homem buscar nomear e interpretar aquilo que atravessa a sua vida, envolvendo a origem, o amor, o ódio, a morte e demais acontecimentos que afetando ao falasser, o põe a tecer interpretações sobre o que o habita e o constitui.

Natal, com seus encantos e histórias nos convida a fazermos barulho e interpretá-lo.

Ana Aparecida Rocha

Natal,  a nossa querida “Cidade do Sol”, também ganhou fama mundial como a cidade com o ar mais puro das Américas. Por sua posição estratégica, está localizada na pontinha  do continente, os ventos sopram do mar e afastam o ar poluído. Essa circulação natural do vento traz  uma brisa suave e constante, que torna o clima um convite para você vir e sentir também o “clima”  nossa VI Jornada.

Mais do que paisagens lindas e muita história, nossa capital te convida a viver momentos inesquecíveis: seja dando uma boa caminhada à beira-mar, se aventurando em passeios emocionantes (cuidado com a emoção!) ou saboreando o melhor da nossa gastronomia (estaremos bem perto dos restaurantes gostosos!).

Apresentamos agora alguns dos nossos pontos de interesse:

Morro do Careca

Nossa Jornada acontecerá num hotel na linda Praia de Ponta Negra, bem de cara com esta  bela duna dourada cuja vegetação nativa que a rodeia faz lembrar uma careca. Nas proximidades do Morro do Careca, as águas são calmas e perfeitas para um banho de mar numa temperatura super agradável. Que tal se juntar a nós e dar um mergulho inesquecível por lá?

Forte dos Reis Magos

Para ficar mais perto da nossa história passada, que tal tirar um tempinho para conhecer o Forte dos Reis Magos?  Berço de Natal,  ele começou a ser desenhado no dia de Reis (6 de janeiro de 1598) e, por isso, ganhou esse nome. A fundação oficial da nossa cidade aconteceu um ano depois, em um dia de Natal, em 25 de dezembro de 1599. Para chegar até lá, o caminho já é um presente: você que está em Ponta Negra pode ir pela Via Costeira, curtindo um visual lindo à beira-mar. O acesso ao Forte é feito por por uma passarela na foz do Rio Potengi. Lá dentro, além de mergulhar nas nossas raízes, você vai se encantar com uma das vistas mais bonitas da cidade: o abraço do Rio Potengi com o mar e a imponente Ponte Newton Navarro.

Complexo Cultural da Rampa

O Complexo Cultural Rampa — ou carinhosamente Museu da Rampa — é um daqueles cantinhos mágicos em Natal que guardam nossa história às margens do Rio Potengi, bem ali em Santos Reis. Mais do que um ponto turístico, ele é o cenário perfeito para contemplar um dos entardeceres mais bonitos da nossa capital, com uma vista privilegiada da Ponte Newton Navarro. O espaço, que na Segunda Guerra Mundial acolhia hidroaviões e deu a Natal o título de “Trampolim da Vitória”, hoje reúne o Complexo que inclui o Museu da Rampa, o Memorial do Aviador e o Grêmio da Rampa em um ambiente vivo, cheio de eventos, exposições, cursos e oficinas. É um convite para passear pelo tempo, mergulhando em fotos, memórias e objetos militares de uma época em que nossa cidade foi o coração estratégico do mundo.

Museu Câmara Cascudo

Mais do que o maior museu do Rio Grande do Norte, o Museu Câmara Cascudo (MCC) é um espaço vivo de encontro e descobertas. Carinhoso guardião da nossa história, ele fica do bairro Tirol, e pertence à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Além de guardar peças preciosas, o museu interage com a comunidade, despertando a curiosidade de quem chega,  compartilhando conhecimento com todo mundo.

Parque Dom Nivaldo Monte

O Parque da Cidade é uma área de preservação dentro da cidade. Ele preserva 154 hectares de dunas, Mata Atlântica e Caatinga, sendo o habitat de mais de 370 espécies de plantas e animais — como a rara Orquídea Catleia. Inaugurado em 2008, o espaço homenageia um grande amante da natureza e traz a assinatura do arquiteto Oscar Niemeyer, que projetou uma torre de 45 metros e no seu topo tem uma estrutura arrojada que lembra um olho humano.  O famoso “olho” de Niemeyer garante uma das vistas panorâmicas mais bonitas do Natal.   É um bom espaço  para você caminhar por trilhas pavimentadas (são 6,5 km!) e, se tiver disposição…praticar esportes.

Ainda dá tempo de se inscrever em nossa jornada e desfrutar de nossos encantos.

Juliana Castro

Natal em cena

Fotos: Glauber Dantas

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