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Dizeres de Freud em relampejos
Delírio e Interpretação
“A terapia analítica, por sua vez, não quer aplicar nada, não quer introduzir algo novo, mas quer tirar, extrair, e para esse fim ela se ocupa da gênese dos sintomas da doença e do contexto psíquico da idéia patogênica, cuja eliminação é o seu objetivo”.
(FREUD, S. (1905) Sobre a psicoterapia. In: FREUD, Sigmund. Fundamentos da clínica psicanalítica. Tradução de Claudia Dornbusch. Belo Horizonte: Autêntica, 2017. p.47. (Obras Incompletas de Sigmund Freud).
“O médico deve ser opaco aos seus pacientes e, como um espelho, não mostrar-lhes nada, exceto o que lhe é mostrado.” (p.157)
FREUD, Sigmund. (1912) RECOMENDAÇÕES AOS MÉDICOS QUE EXERCEM A PSICANÁLISE. In: FREUD, Sigmund. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
“O delírio se apresenta como um remendo colocado onde originariamente havia surgido uma fissura na relação do Eu com o mundo exterior.”
FREUD, S. (1924). “Neurose e psicose”. In: Neurose, psicose e perversão. (Obras Incompletas de Sigmund Freud). BH: Autêntica, 2024. p. 273
“Os sonhos e os delírios surgem de uma mesma fonte – do que é reprimido. Poderíamos dizer que os sonhos são os delírios fisiológicos das pessoas normais.” p. 61
FREUD, S. (1905b) Sobre a psicoterapia. Fundamentos da clínica psicanalítica. Tradução de Claudia Dornbusch. Belo Horizonte: Autêntica, 2017. p.47. (Obras Incompletas de Sigmund Freud, v. ).
“Mesmo nos estádios posteriores da análise, tem-se de ter cuidado em não fornecer ao paciente a solução de um sintoma ou a tradução de um desejo até que ele esteja tão próximo delas que só tenha de dar mais um passo para conseguir a explicação por si próprio.” (p.183)
FREUD, Sigmund. (1913) Sobre o início de tratamento (Novas recomendações sobre a técnica da psicanálise I). In: FREUD, Sigmund. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
“Se considerarmos a humanidade como um todo e a pusermos no lugar do indivíduo humano, veremos que também ela desenvolveu formações delirantes inacessíveis à crítica lógica e contrárias à realidade.” p. 343
FREUD, S. (1937b) Construções na análise. In: FREUD, S. Obras completas, volume 19 : Moisés e o monoteísmo, Compêndio de psicanálise e outros textos (1937-1939). Tradução de Paulo César de Souza. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
“Na interpretação, tomamos a liberdade de ignorar a negação e extrair o conteúdo puro da ideia que ocorreu.” (p. 305)
FREUD, S. (1925b). A negação. In: FREUD, S. Neurose, psicose e perversão. (Obras Incompletas de Sigmund Freud). BH: Autêntica, 2024.
“Se, nas exposições sobre a técnica analítica, escuta-se pouco a palavra ‘construções’ […] em vez dela, fala-se de ‘interpretações’ e de seus efeitos. Mas penso que construção é a denominação mais adequada. Interpretação diz respeito àquilo que se faz com um elemento do material, com uma associação, um lapso etc.” (p. 333)
FREUD, S. (1937b) Construções na análise. In: FREUD, S. Obras completas, volume 19 : Moisés e o monoteísmo, Compêndio de psicanálise e outros textos (1937-1939). Tradução de Paulo César de Souza. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
Dizeres de Lacan em relampejos
Delírio e Interpretação
A interpretação não é aberta a todos os sentidos. […]. É uma interpretação significativa, e que não deve faltar. Isso não impede que não seja essa significação que é, para o advento do sujeito, essencial. O que é essencial é que ele veja, para além dessa significação, a qual significante – não-senso, irredutível, traumático – ele está, como sujeito, assujeitado. (243)
LACAN, Jacques. Da interpretação à transferência. O Seminário livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise (1964). In. ________; texto estabelecido por Jacques Alain Miller; tradução M. D. Magno. 2º ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008. P. 237-254.
A interpretação não é submetida à prova de uma verdade que se decida po um sim ou não, mas desencadeia a verdade como tal. Só é verdadeira na medida em que é verdadeiramente seguida. (13)
LACAN, Jacques. Introdução ao título deste seminário. O Seminário livro 18: de um discurso que não fosse semblante (1971). In. ________; texto estabelecido por Jacques Alain Miller; versão final Nora Pessoa Gonçalves; preparação de texto André Telles; tradução Vera Ribeiro. 1º ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005. P. 9-21
É com o aparecimento da linguagem que emerge a dimensão da verdade. (529)
LACAN, Jaques. A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud. In: LACAN. Escritos. Tradução Vera Ribeiro. 1ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1998. p. 496-536.
Nossa doutrina do significante é, para começar, disciplina na aqueles a quem formamos se exercitam nos modos de efeito de significante no advento do significado, única via para conceber que, ao se inscrever aí, a interpretação possa produzir algo novo. (600)
LACAN, Jaques. A direção do tratamento e os princípios de seu poder. Escritos. In: ______. Tradução Vera Ribeiro. 1ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1998. p. 591-652.
Cuando el esp de un laps, o sea, dado que sólo escribo en francés [es también válido para el castellano]: el espacio de un lapsus, ya no tiene ningún alcance de sentido (o interpretación), tan sólo entonces puede uno estar seguro de que está en el inconsciente. Uno lo sabe, uno mismo [soi]. (01)
LACAN, Jacques. Prefacio a la edición inglesa del Seminario XI [1976]. Disponível em: https://entrelibroseol.com/entretextos/politicos/lacan-jacques_prefacio-a-la-edicion-inglesa-del-seminario.pdf
”É na medida em que o analista faz silenciar em si o discurso intermediário, para se abrir para a cadeia das falas verdadeiras, que ele pode instaurar sua interpretação reveladora.” P.355.
LACAN, Jacques. Variantes do tratamento-padrão (1955). In: _______. Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. P. 325-364.
LACAN, Jacques. Do inconsciente ao real (1976). In: _______. O Seminário: livro 23, o sintoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007. P. 125-135.
”o que significa que uma interpretação só pode ser exata se for… uma interpretação.”p.607
”Ouvir não me força a compreender.”p.623
”O inconsciente é inteiramente redutível a um saber. É o mínimo que supõe o fato de ele poder ser interpretado.” P.127
”Com efeito, é unicamente pelo equívoco que a interpretação opera.” P.18
LACAN, Jacques. Do uso lógico do sinthoma ou Freud com Joyce. In: _______. O Seminário: livro 23, o sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007. P. 11-26.
“Em relação à cadeia do delírio, se assim se pode dizer, o sujeito nos parece ao mesmo tempo agente e paciente. O delírio é tanto mais sofrido por ele quanto mais ele não o organiza.” (p. 249)
LACAN, Jacques. Metáfora e metonímia (I): “As gerbe n’était point avare, ni haineuse”. In: Do significante e do significado. O Seminário, livro 3: As psicoses [1955-1956]. Versão brasileira de Aluísio de Menezes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda, 1985. P.183-277
“O delírio não é deduzido, ele reproduz a sua própria força constituinte, é, ele também, um fenômeno elementar. Isso quer dizer que a noção de elemento não deve ser tomada aí de modo diferente da de estrutura, estrutura diferenciada, irredutível a outra coisa que não ela mesma.” (p.28)
LACAN, Jacques. A significação do delírio [1955]. In: Introdução à questão das psicoses. O Seminário, livro 3: As psicoses [1955-1956]. Versão brasileira de Aluísio de Menezes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda, 1985. p. 09-69.
“Eu homologo o acting-out como equivalente a um fenômeno alucinatório do tipo delirante que se produz quando vocês simbolizam prematuramente, quando abordam alguma coisa na ordem da realidade e não no interior do registro simbólico.” (p.96)
LACAN, Jacques. O fenômeno do psicótico e seu mecanismo [1956]. In: Temática e estrutura do fenômeno psicótico. O Seminário, livro 3: As psicoses [1955-1956]. Versão brasileira de Aluísio de Menezes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda, 1985. p.71-181.
