XII ENAPOL O XII ENAPOL acontecerá nos dias 05, 06 e 07 de setembro, em…
CORTES – NOITES DA BIBLIOTECA
“Que o véu levantado não mostre nada, eis o princípio da iniciação…”
Lacan, 1974, Prefácio a O despertar da primavera, Outro Escritos, 2003, p. 558
Com o convidado Marcelo Veras conversamos sobre a adolescência e a série homônima que tem gerado diversos debates e inquietações por quem a assiste.
Durante sua apresentação, Marcelo nos levou a refletir sobre a adolescência na nossa época, lembrando que não há um discurso da adolescência, ou seja, embora se fale da adolescência com mais frequência, há pouca ênfase no que os adolescentes falam de si mesmos.
Em “A terceira” Lacan já indicava que o gadget é um sintoma. Assim, diante dos excessos da contemporaneidade, incluindo o uso excessivo dos gadgets e da Internet, o que os adolescentes podem nos ensinar sobre a nossa época? Como esse gadget-sintoma tem se apresentado na clínica com adolescentes e na sociedade? Que leituras podemos fazer dos atos de violência na adolescência hoje?
A conversa com Marcelo nos deu algumas pistas para discutirmos essas questões, bem como levantou outras que ressoarão em futuras conversas sobre a adolescência.
Por Wilson Lima
A função do controle é controlar o sujeito cujo ato o ultrapassa”
Lacan, 1970, apud, Laurent, 2013, p.25
Uma animada conversa aconteceu entre as convidadas Margarida Assad, Diretora da Seção e Paula Borsoi, da Seção Rio, com o tema: Por que falar de supervisão?
No Ato de Fundação, Lacan nos diz que “é constante que a psicanálise tenha efeitos sobre toda e qualquer prática do sujeito que nela se engaja. Quando essa prática provém, por pouco que seja, de efeitos psicanalíticos, ele se descobre a gerá-los no lugar em que espera que os reconheça”[1], é nesse momento, segundo ele, que a supervisão se impõe.
Supervisão é tema presente no singular da formação, mas também, para além da análise, no campo institucional. Segundo Paula Borsoi, “no que se refere à psicanálise em extensão, cada vez mais ela precisa estar articulada à psicanálise em intensão e à formação do analista. Nesse sentido, cada vez que um supervisor ocupa essa função nas instituições, ele deve ter essa questão no seu horizonte”
Por Tatiana Shefer
“e se os exilados decidissem, por sua vez, considerar como positiva a sua condição de exilados?”
Julio Crtazar, apud Serge Cottet, 2007, p. 760
Foi a proposta de trabalharmos numa Biblioteca orientada para o Despertar que nos convocou ao tema da tradução em Psicanálise. Na Noite da Biblioteca da Seção Nordeste de julho de 2025, recebemos Marcela Antelo, AME da AMP e da EBP, que intitulou a atividade “Migrações da Tradução”, com Gisela Sette na conversação. A partir de uma citação de Cortázar, extraída de Serge Cottet, Antelo desloca o exílio da condição geográfica à relação com a língua. A tradução, como nos ensinou essa noite, está por toda parte na Psicanálise: do saber ler nas entrelinhas, como aponta Miller, ao esforço de dizer o intraduzível. Fazer análise noutra língua pode permitir tocar algo do gozo, menos barrado pela língua materna. Antelo, assim, nos convidou a tomar a tradução como experiência de feminização. Traduzir: do texto escrito por um outro às marcas do texto que cada traz advindas de seu próprio enredo com o Outro. Litoral onde se faz poesia, ali onde não há relação sexual. Porque traduzir é interpretar.
Por Nelson Matheus Silva, Participante da NPJ EBP