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II Jornada de Cartéis e Intercâmbio da Seção Nordeste EBP-NE

Data: 24 de agosto de 2024

O produto do cartel: seu escrito, um estilo

CONVIDADAS:
Marilsa Basso – EBP/AMP – Diretora de cartéis E intercâmbio da EBP
Cassandra Dias – EBP/AMP – Diretora GERAL da Seção NE

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ARGUMENTO

Eliane Baptista e Karynna Nóbrega
(Coordenação da comissão científica)

O produto do cartel: sua escrita, um estilo – tema da jornada de cartéis da Seção Nordeste – problematiza o efeito de cartel em seus participantes, um a um, provocados pelo trabalho de pesquisa, escrita e tessitura de um estilo.

Órgão de base da escola, o cartel promove a organização e o funcionamento voltados para a transferência de trabalho a partir do desejo de cada um. Tem como princípio o discurso do analista, a dimensão do real e o saber não todo, para que possa precipitar algo novo no entorno das questões.  Brown,[1] retomando Lacan e Miller, esclarece que, além da própria análise e supervisão, o cartel tem efeito de formação, e é condição de pertencimento à Escola.

Partindo desses marcadores, o produto do cartel deve ser singular, atrelado que está à forma como cada falasser trata os próprios impasses na experiência analítica e corresponde ao efeito do não-saber naquele que escreve. O saber que se depura de um processo analítico tem como efeito o que Lacan chamou de estilo. O trabalho em torno do objeto faltante, o objeto a.

Lacan abre a coletânea dos seus Escritos com o conhecido enunciado de Buffon: “O estilo é o próprio homem”,[2] para dele tomar distância ao dizer que, a partir da descoberta do inconsciente, o homem não é mais uma referência segura.  À fórmula inicial de Buffon, Lacan acrescenta, para tratar de estilo, a dimensão do endereçamento, incluindo nessa problemática o interlocutor, e o objeto, para sair da dualidade entre o sujeito e o Outro. O objeto é causa e o estilo é seu efeito, ou seja, é a relação de cada um com o objeto o que define um estilo.

Se o estilo é o objeto, ou melhor, a queda desse objeto, “o estilo seria o impronunciável que atravessa o texto, a causa que desliza entre linhas, o indecifrável que corre entre as palavras”.[3]

Assim, os cartéis seriam a forma privilegiada para fazer a transmissão desse estilo, pois sua estrutura está montada sobre o conceito de falta. Os cartéis podem ser um dispositivo que leva seus participantes a tirar consequências de que eles precisam colocar algo de si no seu produto.

A Jornada de Cartéis aposta na oferta de uma tessitura da escrita, para que cada cartelizante possa dizer sobre o percurso e a experiência singular dos efeitos de cartel: a formação, a escrita e a transmissão de um estilo, um saber sobre a falta. Com isso, abre a possibilidade para que cada um dê o testemunho, enuncie e ensine aquilo que não se ensina- um estilo.[4]

 


[1]  BROWN, Noemi. O lugar do cartel na formação do analista. Correio Express, Revista online da EBP, n. 5, set. 2018.

[2]  LACAN, Jacques. Abertura desta coletânea. In: LACAN, Jacques. Escritos. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1981. p. 9.

[3]  MILLER, Jacques-Alain; JIMENEZ, Stella. O cartel. In: O cartel: conceito e funcionamento na Escola de Lacan. Rio de Janeiro: Campus, 1994. p. 29. 

[4]  BRODSKY, G. Los psicanalistas y el deseo de enseñar 1ª ed. Olivos: Gama Ediciones, 2024. Libro digital, EPUB. (Tradução nossa).

PROGRAMA

Manhã

9:00 às 9:30 – Recepção dos participantes

9h30m-10h – Abertura

Convidada:

  • Marilsa Basso (EBP/AMP-Diretora de cartéis e intercâmbio da EBP)
  • Coord: Liège Uchôa (Diretora de Cartéis e Intercâmbio da Seção NE)

10:00 -10:40 – Mesa 1: Psicanálise e Autismos

    • Coord: Anamaria Vasconcelos
  • Cartelizantes:     Jeannine Narciso- A presença do Outro no mundo do autista
  • Maria Verônica-Qual o uso do corpo do analista no manejo da transferência com autistas?
  • Regina Cheli- A constituição do falasser autista: um esforço de mostração

10:40 -11:20 – Mesa 2: A infância, o pai, os novos sintomas

    • Coord: Sandra Conrado
  • Cartelizantes:     José Ronaldo de Paulo-Quanto menos tempo o tempo menos tem? Infâncias
  • Antônio Júlio Garcia -A quem serve o pai?
  • Raisa Trajano -O gozo e os novos sintomas: o caso clínico de Demítria

11:20 – 11:30 – Intervalo

11:30 – 12:10 – Mesa 3: Psicanálise na Instituição

    • Coord: Vania Ferreira
  • Cartelizantes:     Karynna Nóbrega – Entre a agulha e a linha a tessitura de um lugar para o falasser na instituição
  • Samuel Nantes- Existe psicanálise na instituição?
  • Pauleska- Nóbrega Com que escrita se escreve um testemunho?

12:10 – 12:50 – Mesa 4: Psicose ordinária, arte e clínica na atualidade

    • Coord: Késia Ramos
  • Carlange de Castro- O olhar na arte fotográfica
  • Sarah Ruth- Reflexões sobre a psicose ordinária: da clínica
  • descontinuísta à clínica dos nós
  • Liège Uchôa – A psicose ordinária: seu estudo em um cartel

12:50 – 14:30 – Almoço

Tarde

14:30 15:00

Convidada:

  • Cassandra Dias (EBP/AMP-Diretora Geral da Seção NE)
    • Coord: Érick Leonardo

15:00 – 15:40 – Mesa 1: Psicanálise, amor e direção do tratamento

    • Coord: Eliane Dias Batista
  • Cartelizantes:     Marina Luna- Uma questão para Levi: existe amor em São Paulo?
  • Socorro Soares -O feminino infamiliar e os destinos do amor
  • Marina Fragoso- Histeria Masculina? Considerações sobre a direção do tratamento

15:40 – 16:20 – Mesa 2: Alienação e separação: A transferência

    • Coord: Lídia Pessoa
  • Cartelizantes:     Deise Mélo- O significante da transferência é um ponto de
  • partida para a construção do sintoma analítico?
  • Tatianne Torres-Mais que dois um: transferência e interpretação no Banquete
  • Anícia Ewerton- Entre o vel e o véu da alienação

16:30 – 17:10 – Mesa 3: Os conceitos fundamentais da Psicanálise

    • Coord: Karynna Nóbrega
  • Cartelizantes:     Rosemarie Mooneyhan – Os conceitos fundamentais da psicanálise e a formação do analista
  • Thailla Franco – Repetição, angústia e desejo
  • Neide Medeiros – O inconsciente e a repetição à luz de Freud e Lacan

17:10 – 17:50 – Mesa 4: A Escola e a escrita do real

    • Coord: Cleide Monteiro
  • Cartelizantes:     Nelson Matheus – Os jovens e o saber: uma porta
  • Cláudia Formiga – Real, Grupo e Escola
  • José Augusto Rocha – Os abonados do inconsciente e seus grampos

18:00    Encerramento:

Liège Uchôa

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