“Que o véu levantado não mostre nada, eis o princípio da iniciação...” Lacan, 1974,…
PALAVRAS DA DIRETORIA
Desafios e Formação de ser Diretora de uma nova Seção da Nova Geografia
Vou usar desse espaço no nosso Boletim Litorâneo para compartilhar com os colegas que fazem parte de nossa Seção Nordeste, e, com aqueles que dela participam, a experiência que venho adquirindo na Diretoria de uma nova Seção e de uma nova Geografia. Essa não é a primeira Diretoria após a criação da Seção Nordeste, é a terceira, e talvez o número três seja significativo para colher os efeitos de uma Nova Seção. Dois, um número par, e mais-um o três, algo se descompleta. Penso que estamos colhendo os desdobramentos de 2+1. Cito alguns: o número reduzido de membros que dificulta a permutação necessária ao funcionamento, a chegada de alguns novos membros dispostos a fazer parte do aggiornamento institucional, mesmo ainda sem as marcas de uma política de Escola, uma nova geopolítica com a criação de um Instituto, o que exigiu certamente uma nova política financeira e, novas maneiras de se fazer laço… Enfim, ser a Terceira Diretoria talvez delegue a nós que a compomos o dever de extrair os efeitos cumulativos da qualidade do Novo – Seção e Geografia – efeitos certamente de formação.
Para aqueles pouco familiarizados com a Política Lacaniana, talvez soe estranho pensar que esses elementos citados possam trazer efeitos de formação ao analista, mas é exatamente isso que venho extraindo dessa experiência que compartilho com Sandra Conrado, Diretora de Biblioteca, Karynna Nóbrega, Diretora de Cartéis e Intercâmbio, Maria Lídia Pessoa, Diretora Financeira. Em cada encontro nosso surge, sem que esteja na pauta, um avanço epistêmico e político na elaboração de uma atividade para cada pasta, seja o que tratar, ou de que forma, ou como tal atividade se articula ao que a EBP e a AMP tem oferecido na orientação teórica, clínica e política, e, que contribua para a formação de um analista antenado com sua época.
Sem falar no desafio financeiro que atravessamos para oferecer a cada local dessa nova geografia condições para acolher aqueles que se interessam pela nossa transmissão. Quem pensa que o financeiro é mera questão de contas se engana, na Escola se exige uma politica delicada que estamos aprendendo a fazer.
Dessa forma gostaria de transmitir aqui, com o corpo de cada uma de nós, o prazer que recolhemos após cada atividade, após avaliarmos os ganhos e o que deixamos de ganhar em cada uma delas. Essa tem sido uma prática de valor enorme para nossa formação, pois o analista é aquele que faz um acontecimento de cada crise que surja. É aquele que faz um coletivo a partir de cada sintoma.
Uma nova frente de trabalho está em construção: nossa V Jornada foi lançada e ocorrerá nos dias 5 e 6 de dezembro próximo, abordando um tema provocante e atual: Trauma, com a presença de um querido colega da EBP/AMP, Marcus André Vieira.
A Escola se faz na solidão do Um sem fazer dessa solidão um isolamento, mas que seu Um sozinho se dirija à Escola fazendo laço com outros uns. Essa é a formação que resulta do funcionamento de Escola, e que levamos certamente para nossa prática clínica.
Cito Clara M. Holguin (AME NEL- Bogotá/AMP): Como fazer laço com outros sem eliminar as diferenças, admitindo as discórdias?
“A psicanálise permite construir uma solidão que não suponha a exclusão do Outro – o invés ao único e ao isolamento. É o que Lacan faz “em ato” na fundação de sua Escola: “Mas se de fato estive só, sozinho ao fundar a Escola […], ter-me-ei nisso acreditado o único? […] Não existe homossemia entre o ‘único’ [le seul] e ‘sozinho’ [seul]. Minha solidão foi justamente aquilo a que renunciei ao fundar a Escola, e que tem ela a ver com aquela em que se sustenta o ato psicanalítico senão poder dispor de sua relação com esse ato?”
Por Margarida Assad EBP/AMP
Diretora Geral
O trabalho da diretoria financeira tem como propósito sustentar a política econômica da jovem Seção Nordeste bastante impactada financeiramente com a nova geografia da Escola. Fazer escolhas e definir investimentos que são adotados mensalmente, um trabalho coletivo com a Diretoria Geral, e que são dirigidos ao empenho de manter a direção da formação do analista, as discussões clínicas e no alcance da psicanálise na cidade.
Enfim, na frente de todos os movimentos financeiros de contas e mais contas existe a constituição da política Lacaniana na Escola do Campo Freudiano.
Por Mara Lídia Pessoa EBP/AMP
Diretora Secretária e Finanças
Seguimos apostando no cartel como órgão de base e porta de entrada da Escola, tal como formulado por Lacan em D’Écolage. Esses princípios seguem norteando nosso trabalho, que toma o cartel como um dos pilares fundamentais da Escola — seja no ensino, na transmissão ou na formação do analista.
Nosso fazer se estrutura em três eixos principais: a Noite de Cartéis, o Procura-se Cartéis e as atividades de Intercâmbio. Todas essas ações ocorrem por meio da plataforma Zoom, sempre nas segundas terças-feiras de cada mês, com exceção do Procura-se Cartéis, que acontece aos sábados pela manhã.
Na Noite de Cartéis nos deixamos ensinar pela experiência dos mais-um e dos cartelizastes a partir de um tema escolhido. Já nas atividades de Intercâmbio, buscamos promover articulações da psicanálise com outros campos do saber. No Procura-se Cartéis, apresentamos as plataformas digitais, orientamos sobre como inscrever um cartel e acompanhamos o processo de sua formalização.
Por Karynna Nóbrega EBP/AMP
Diretora de Cartéis e Intercâmbio
A diretoria de biblioteca se destina à política do acervo e documentos da Seção Nordeste. Estende seu trabalho também para questões epistêmicas e tem a transmissão como base do ensino e da leitura do que está ativo na cultura. A marca de seu trabalho se dá através das “Noites de Biblioteca” rubrica designada ao espaço dedicado ao diálogo da psicanálise com outros saberes que acenam para as subjetividades: literatura, jornalismo, teatro, cinema e a arte em geral. Assim, é um espaço que se lê as letras, mas também as formas de sintomatizar um tempo que demanda de nós um dizer sempre a mais. E quando possível, sempre melhor.
Por Sandra Conrado
Diretora de Biblioteca