{"id":5692,"date":"2026-04-07T07:31:35","date_gmt":"2026-04-07T10:31:35","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=5692"},"modified":"2026-04-07T14:54:34","modified_gmt":"2026-04-07T17:54:34","slug":"ressonancias-sobre-a-atividade-da-biblioteca-da-secao-sul-com-domenico-cosenza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/ressonancias-sobre-a-atividade-da-biblioteca-da-secao-sul-com-domenico-cosenza\/","title":{"rendered":"Resson\u00e2ncias sobre a atividade da Biblioteca da Se\u00e7\u00e3o Sul com Domenico Cosenza"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Cynthia Gon\u00e7alves Gindro<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-5680\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/modos_de_usar_008_004-223x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"538\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/modos_de_usar_008_004-223x300.jpeg 223w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/modos_de_usar_008_004-761x1024.jpeg 761w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/modos_de_usar_008_004-768x1034.jpeg 768w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/modos_de_usar_008_004.jpeg 951w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p>A atividade da Biblioteca da Se\u00e7\u00e3o Sul sobre o livro de Domenico Cosenza: Cl\u00ednica do Excesso \u2013 derivas pulsionais e solu\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas na psicopatologia contempor\u00e2nea, chamou minha aten\u00e7\u00e3o pelo tema dos sintomas contempor\u00e2neos, pela sua incid\u00eancia na cl\u00ednica hoje e suas consequ\u00eancias no mal-estar da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A conversa\u00e7\u00e3o na atividade foi esclarecendo e precipitando quest\u00f5es em torno da cl\u00ednica e dos casos, principalmente de adolescentes que chegam ao Hospital-Dia em que trabalho em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O significante excesso aparece como central nessas solu\u00e7\u00f5es encontradas para o gozo, como destaca Domenico Cosenza, sendo encontrado nas interven\u00e7\u00f5es um limite em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra, o que torna ainda mais dif\u00edcil a pr\u00e1tica e a transfer\u00eancia nesses casos. Al\u00e9m de n\u00e3o ser facilitado pelo atravessamento do discurso capitalista e sua parceria com o discurso da ci\u00eancia moderna, no qual tamb\u00e9m se faz presente o excesso, quando colocado sempre \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da ilus\u00e3o de uma solu\u00e7\u00e3o, em que n\u00e3o se perde nada e se resolve tudo. Domenico Cosenza, sobre esse ponto, afirma no seu livro: \u201conde se assiste, como escreve Lacan em <em>Radiofonia<\/em>, de 1970, a \u2018ascens\u00e3o ao z\u00eanite social do objeto que chamo de pequeno <em>a<\/em>\u2019. No discurso capitalista, assistimos a um cont\u00ednuo movimento circular de reciclagem do gozo, em que o sujeito adia infinitamente seu encontro com a castra\u00e7\u00e3o [&#8230;]\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Ou seja, trata-se de um impasse que se faz presente, na cl\u00ednica hoje, de diversas maneiras.<\/p>\n<p>E, para mim, insiste a pergunta, j\u00e1 que os casos chegam ao consult\u00f3rio e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es: ainda h\u00e1 um sofrimento; ent\u00e3o, qual seria o lugar do analista?<\/p>\n<p>Gustavo Ramos lan\u00e7a uma pergunta sobre a fun\u00e7\u00e3o do analista para a qual, a partir do que Domenico Cosenza diz na atividade, encontro um esclarecimento sobre o lugar do analista como \u201cuma presen\u00e7a viva\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. O que tamb\u00e9m me leva a pensar justamente no que parece central nesses sintomas: uma recusa, que \u00e9 esse \u201cgozo, levado \u00e0 sua m\u00e1xima pot\u00eancia [&#8230;] coincide com a puls\u00e3o de morte\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Devendo, ent\u00e3o, essa solu\u00e7\u00e3o diante do gozo, ser escutada com aten\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que \u00e9 uma maneira encontrada pelo sujeito para agir, mesmo podendo levar \u00e0 morte. Sendo uma solu\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica de uma resposta \u00e0 irrup\u00e7\u00e3o da ang\u00fastia, mesmo de uma maneira autodestrutiva, como encontramos nos casos de toxicomanias, de cortes, da anorexia, bulimia etc.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 nesse sentido que dificulta o la\u00e7o, inclusive com o analista e o tratamento nesses casos. Existe um recha\u00e7o do Outro nessas solu\u00e7\u00f5es, uma dificuldade em suportar o limite do gozo que se encontra no la\u00e7o; \u00e9 uma modalidade de gozo que oferece algo irresist\u00edvel, de \u201cum prazer pleno e sem limites\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Domenico Cosenza afirma: \u201cSomente se o sujeito concordar em perder o gozo ele poder\u00e1 encontrar um lugar no la\u00e7o social [&#8230;] da cess\u00e3o do objeto <em>a<\/em> ao campo do Outro [&#8230;] \u00e9 justamente uma cl\u00ednica do impasse desse processo de cess\u00e3o constitutiva\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Considerando esse impasse, existiria uma abertura poss\u00edvel?<\/p>\n<p>Na atividade da Biblioteca, Domenico diz que, nesses casos, de um certo modo, podemos dizer que a vertente do amor \u00e9 mais importante na presen\u00e7a do analista, indicando para uma presen\u00e7a que se refere a uma presen\u00e7a real do analista, diferente da vertente do sujeito suposto saber. E parece muito interessante quando diz de uma \u201cprova de fogo\u201d, que se coloca ao analista, para verificar se tem ou n\u00e3o lugar no desejo do Outro. Seria, ent\u00e3o, essa a abertura por onde o analista pode entrar para uma transfer\u00eancia ser poss\u00edvel?<\/p>\n<p>Muitos casos, principalmente de jovens, me parecem evidenciar essa cl\u00ednica do excesso. Mas, um caso de um adolescente, que chega ao Hospital-Dia, coloca algumas dificuldades nesse sentido. Ele faz uso abusivo de subst\u00e2ncias e j\u00e1 esteve internado muitas vezes. O lugar que aparece e dificulta os la\u00e7os \u00e9 do \u201cdelinquente\u201d, do \u201cruim\u201d etc., ficando muitas vezes exclu\u00eddo, por se colocar nesse lugar e agir a partir dele, chegando at\u00e9 a dormir na rua. Ao frequentar o Hospital-Dia, tem momentos dif\u00edceis com outros pacientes, na institui\u00e7\u00e3o e com a fam\u00edlia. Em um desses momentos dif\u00edceis de brigas entre ele e a m\u00e3e, a praticante liga para ele e faz uma interven\u00e7\u00e3o para que ele consiga voltar para a casa da m\u00e3e e dormir l\u00e1, com o combinado de n\u00e3o usar droga, n\u00e3o brigar e ir ao Hospital-Dia nos dias seguintes. Algo parece mudar na transfer\u00eancia depois disso; ele mesmo se surpreende com a liga\u00e7\u00e3o e expressa com agradecimento. Assim, outras possibilidades para ele come\u00e7am a surgir no tratamento sob transfer\u00eancias: vai frequentemente \u00e0s terapias e come\u00e7a a aceitar uma medica\u00e7\u00e3o para a redu\u00e7\u00e3o do uso de droga.<\/p>\n<p>Este caso mostra como a toxicomania pode ser uma solu\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica encontrada pelo sujeito para n\u00e3o ceder sua posi\u00e7\u00e3o de gozo, ficando mais uma vez no lugar do \u201cdelinquente\u201d, que n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o. Localizar essa resposta sintom\u00e1tica, mostra a import\u00e2ncia da posi\u00e7\u00e3o do analista como vivo, para intervir sob esse gozo, para que o paciente possa consentir com a sua presen\u00e7a e ceder, sob transfer\u00eancia algo do seu gozo. Como em se surpreender com algo que n\u00e3o esperava da analista &#8211; como uma liga\u00e7\u00e3o em um momento dif\u00edcil de briga com a m\u00e3e, o remete tamb\u00e9m a uma surpresa de si mesmo, e assim, cedendo esse gozo ao consentir em ir ao tratamento e diminuir o uso de drogas, apresenta um ind\u00edcio de como a partir de uma abertura promovida pela presen\u00e7a do analista, se possa promover uma reconfigura\u00e7\u00e3o no seu sofrimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> COSENZA, D., Cl\u00ednica do excesso: derivas pulsionais e solu\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas na psicopatologia contempor\u00e2nea. Tradu\u00e7\u00e3o: Cinthia Oliveira Demaria. Belo Horizonte. Scriptum, 2024., p. 92.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Ibid., p. 78.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Ibid., p. 71.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Ibid., p. 67.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Ibid., p. 65.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cynthia Gon\u00e7alves Gindro &nbsp; A atividade da Biblioteca da Se\u00e7\u00e3o Sul sobre o livro de Domenico Cosenza: Cl\u00ednica do Excesso \u2013 derivas pulsionais e solu\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas na psicopatologia contempor\u00e2nea, chamou minha aten\u00e7\u00e3o pelo tema dos sintomas contempor\u00e2neos, pela sua incid\u00eancia na cl\u00ednica hoje e suas consequ\u00eancias no mal-estar da civiliza\u00e7\u00e3o. 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