{"id":5690,"date":"2026-04-07T07:30:54","date_gmt":"2026-04-07T10:30:54","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=5690"},"modified":"2026-04-07T14:54:36","modified_gmt":"2026-04-07T17:54:36","slug":"que-partenaire-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/que-partenaire-hoje\/","title":{"rendered":"Que <em>partenaire<\/em> hoje?"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"font-size: 13px;\">Paula Nathalie Nocquet<\/span><\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-5684\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/modos_de_usar_008_005-226x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/modos_de_usar_008_005-226x300.jpeg 226w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/modos_de_usar_008_005-771x1024.jpeg 771w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/modos_de_usar_008_005-768x1021.jpeg 768w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/modos_de_usar_008_005-300x400.jpeg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/modos_de_usar_008_005-1156x1536.jpeg 1156w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/modos_de_usar_008_005.jpeg 1204w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p>Uma pergunta me retornou ao participar da tarde de Biblioteca com Domenico Cosenza sobre seu livro, a Cl\u00ednica do Excesso, uma pergunta que costumo me fazer em supervis\u00e3o com in\u00edcios de tratamento \u00e9: que <em>partenaire <\/em>poss\u00edvel para cada paciente? Quer dizer, com quem jogamos a partida numa an\u00e1lise?<\/p>\n<p>Cosenza, longe de qualquer discurso saudosista ou fatalista, mas com entusiasmo, nos transmite a necessidade de o analista estar mais vivo hoje na cl\u00ednica. Se todos estamos casados com algo, \u00e9 preciso buscar com o qu\u00ea; buscar o <em>partenaire<\/em>.<\/p>\n<p>Revisitar um texto, por vezes permite rel\u00ea-lo com novos matizes. Ocorreu-me recentemente com Lacan, em <em>A dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup><strong>[1]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>, que em certa medida, podemos dizer que traz uma perspectiva da a\u00e7\u00e3o do analista, e das decis\u00f5es que o analista precisa tomar na dire\u00e7\u00e3o da cura. O que faz um analista? Nesse texto, contesta um livro que compilava diversos trabalhos de seus colegas da IPA sobre a psican\u00e1lise daquele per\u00edodo, diferencia entre o exerc\u00edcio de um poder e o de sustentar uma pr\u00e1tica, assim como n\u00e3o se trata de dirigir um paciente, mas sim de dirigir a cura.<\/p>\n<p>O analisante se p\u00f5e a trabalho, mas o analista dirige a cura, faz o ato anal\u00edtico e \u00e9 disso que ele \u00e9 respons\u00e1vel. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 apenas o analisante que paga, o analista tamb\u00e9m tem que pagar. Paga com suas palavras devido ao efeito que pode haver de interpreta\u00e7\u00e3o destas quando proferidas, paga com sua pessoa e com o ju\u00edzo mais \u00edntimo de seu ser.<\/p>\n<p>Para isso, podemos dizer que o analista tamb\u00e9m precisa consentir num in\u00edcio de tratamento. A que ele consente? \u00c0 transfer\u00eancia, a ser tomado como objeto \u2013 na melhor das hip\u00f3teses hoje em dia, em que \u00e0s vezes \u00e9 preciso fazer um esfor\u00e7o a mais para isso. Se seguimos as distintas formula\u00e7\u00f5es durante o ensino de Lacan em rela\u00e7\u00e3o ao analista, \u00e9 poss\u00edvel ler que h\u00e1 um vaso conector desde a via do <em>tao<\/em>, do jogo de <em>bridge<\/em>, dos discursos &#8211; para citar alguns &#8211; e que o analista n\u00e3o \u00e9 um sujeito, mas isso n\u00e3o quer dizer que nada faz.<\/p>\n<p>Ao analista n\u00e3o lhe cabe dirigir-se \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o da realidade dizendo, por exemplo <em>n\u00e3o, eu n\u00e3o sou seu pai, voc\u00ea est\u00e1 me colocando como tal<\/em>, mas de consentir a esse lugar e depois na dire\u00e7\u00e3o da cura ser\u00e1 quest\u00e3o de ver como manobrar com isso. Por isso coloca a transfer\u00eancia como uma estrat\u00e9gia na qual o analista n\u00e3o \u00e9 muito livre, devido ao lugar que o analisante lhe confere. A partir disso se joga a partida, ali localiza-se a a\u00e7\u00e3o do analista.<\/p>\n<p>Miller elucida que recorrer ao analista \u00e9 de certa maneira \u201cintroduzir um <em>partenaire <\/em>suplement\u00e1rio na partida que joga o sujeito com um <em>partenaire<\/em>, at\u00e9 tal ponto que poder\u00edamos dizer, ainda que \u00e9 mais complexo, que o que chamamos a cl\u00ednica, seria o <em>partenaire<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> E, talvez, possamos inverter a quest\u00e3o, como traz Graciela Brodsky<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>: quem \u00e9 o<em> partenaire <\/em>do analista? A quem dirigimos a interpreta\u00e7\u00e3o? Seria o eu? O desejo? O sujeito? Ainda que dependa do momento do ensino de Lacan que falamos, responde que, no \u00faltimo ensino, o <em>partenaire <\/em>do analista deixa de ser o sujeito para ent\u00e3o ser o gozo.<\/p>\n<p>A cl\u00ednica do <em>partenaire, <\/em>em que o gozo se apresenta como sintoma, abre um espa\u00e7o para elabora\u00e7\u00e3o, para pensar a cl\u00ednica, como no semin\u00e1rio 23, em termos de suturas, emendas e arranjos?<\/p>\n<p>Deslizo minha pergunta inicial a uma outra quest\u00e3o, uma de Lacan, do texto acima mencionado; <em>quem analisa hoje? <\/em>Talvez possamos tom\u00e1-la como um convite para traz\u00ea-la em discuss\u00e3o, em um relevo distinto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> LACAN, J. A dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder (1958). Em: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 1998, pp.591-652.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> MILLER, J-A. El Otro que no existe y sus comit\u00e9s de \u00e9tica. con la colaboraci\u00f3n de \u00c9ric Laurent. Texto establecido por Graciela Brodsky. Ciudad Aut\u00f3noma de Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2018, p.283.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> BRODSKY, G. La t\u00e1ctica de la interpretaci\u00f3n. Em: La Cura Psicoanal\u00edtica: su L\u00f3gica y su Direcci\u00f3n. GLM. Buenos Aires: Grama, 2015.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paula Nathalie Nocquet Uma pergunta me retornou ao participar da tarde de Biblioteca com Domenico Cosenza sobre seu livro, a Cl\u00ednica do Excesso, uma pergunta que costumo me fazer em supervis\u00e3o com in\u00edcios de tratamento \u00e9: que partenaire poss\u00edvel para cada paciente? 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