{"id":5655,"date":"2025-11-04T10:53:39","date_gmt":"2025-11-04T13:53:39","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=5655"},"modified":"2025-11-04T10:53:39","modified_gmt":"2025-11-04T13:53:39","slug":"ecos-e-perspectivas1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/ecos-e-perspectivas1\/","title":{"rendered":"Ecos e perspectivas<sup>[1]<\/sup>"},"content":{"rendered":"<p><em><strong><span style=\"font-size: 13px;\">Nohem\u00ed Brown (EBP\/AMP)<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p>Vou recolher o que ficou ecoando em mim de algumas enuncia\u00e7\u00f5es que irromperam ao longo desta VI Jornada da EBP-Se\u00e7\u00e3o Sul. Mas, antes, vale a pena nos perguntarmos: por que uma Jornada de Se\u00e7\u00e3o? Por que os eventos da EBP e AMP? Por que o tema escolhido para esta Jornada?<\/p>\n<p>Parece-me que, em ato, essas perguntas foram respondidas em cada uma das mesas, confer\u00eancias, perguntas, apontamentos, especialmente nas enuncia\u00e7\u00f5es. Para isso, contamos com a conting\u00eancia.<\/p>\n<p>Em uma Escola de analistas-analisantes, a transfer\u00eancia de trabalho nos convoca com aquilo que nos inquieta, que nos perturba a um esfor\u00e7o de elabora\u00e7\u00e3o e elucida\u00e7\u00e3o daquilo que se abre como interroga\u00e7\u00e3o em cada um, a partir da provoca\u00e7\u00e3o de um tema que nos cutuca. Cutucar \u00e9 um verbo em portugu\u00eas de que gosto pela sutileza que implica, de incomodar o suficiente para procurar elaborar uma resposta que pelo momento nos permita pontuar essa inquieta\u00e7\u00e3o, seja epist\u00eamica, cl\u00ednica ou pol\u00edtica. Respostas que enla\u00e7am o trip\u00e9 da forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde a primeira mesa foi colocado o tema do pr\u00f3ximo congresso da AMP \u2013 <em>N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o<\/em>. Foi o ponto de partida do qual se decantou o tema desta Jornada: se <em>N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual<\/em>, ent\u00e3o h\u00e1 algo, <em>h\u00e1 o gozo<\/em>. A n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 o pano de fundo deste tema. Onde <em>n\u00e3o h\u00e1<\/em>, partimos do que h\u00e1: h\u00e1 gozo. Contudo, o h\u00e1, n\u00e3o necessariamente se sabe onde est\u00e1. Portanto, como foi bem pontuado, esta Jornada foi formulada sob a forma de pergunta: \u201cCad\u00ea o gozo?\u201d, um convite a localiz\u00e1-lo, precis\u00e1-lo. N\u00e3o \u00e9 o mesmo que se perguntar \u201co que \u00e9 o gozo?\u201d, que apela a uma defini\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a sua localiza\u00e7\u00e3o no caso a caso, como foi afinado e esclarecido a partir de cada uma das apresenta\u00e7\u00f5es dos recortes cl\u00ednicos.<\/p>\n<p>Essa pergunta, aprendemos hoje, j\u00e1 se constitui em uma b\u00fassola que orienta, localizando e destacando o tratamento dado ao gozo em diferentes momentos de uma an\u00e1lise. H\u00e1 gozo \u2013 primeiro, h\u00e1 que o localizar nas vicissitudes de como ele se apresenta nas entradas em an\u00e1lise e nos destinos que vai tomando nas an\u00e1lises que duram. \u00c9 necess\u00e1rio localizar o gozo, para que algo dele possa ser cedido. Pode se fazer at\u00e9 um invent\u00e1rio, do que foi falado na Jornada, sobre essas formas de localiz\u00e1-lo. Cad\u00ea o gozo? \u00c9 se perguntar sobre o sintoma tamb\u00e9m. Em uma cura, localizar o gozo e o trabalho sobre ele implica \u201cpaci\u00eancia\u201d \u2013 dez anos para trabalhar um ponto, outros dez anos para outro ponto, como belamente nos ensinou a AE. Localiz\u00e1-lo para fazer outro uso do gozo; poder distinguir o gozo que mortifica do gozo que vivifica.<\/p>\n<p>Mas se o aforismo de Lacan <em>N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual<\/em> esteve como pano de fundo, recolhi desde o in\u00edcio alguns momentos em que foi mencionado em trabalhos ou coment\u00e1rios:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de coletivos de Uns sozinhos;<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o h\u00e1 comunica\u00e7\u00e3o no n\u00edvel do gozo;<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o h\u00e1 identifica\u00e7\u00e3o sexual, h\u00e1 opacidade do gozo;<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, h\u00e1 rela\u00e7\u00f5es contingentes entre os seres que falam;<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o entre significante e gozo;<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o entre significante e significado;<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual entre homem e mulher.<\/p>\n<p><em>N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual<\/em> pode ficar como um \u201cjarg\u00e3o\u201d ou podemos coloc\u00e1-lo a trabalho para poder elucidar as consequ\u00eancias epist\u00eamicas, cl\u00ednicas e at\u00e9 pol\u00edticas, para nos servirmos deste aforismo como uma b\u00fassola que nos oriente em nossa posi\u00e7\u00e3o nos tratamentos que dirigimos nestes tempos que correm.<\/p>\n<p>At\u00e9 abril, teremos a oportunidade de trabalh\u00e1-lo no Congresso da AMP, que ser\u00e1 realizado de 30 de abril a 3 de maio de 2026, em Paris, no formato h\u00edbrido.<\/p>\n<p>A imagem escolhida para o cartaz e v\u00eddeo que vamos ver retoma uma refer\u00eancia de Freud \u2013 o urso polar e a baleia. Justamente uma refer\u00eancia de Freud para trabalhar um aforismo de Lacan! Veremos o que podemos extrair desse trabalho.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Mesa \u201cEcos da Jornada e eventos da AMP e EBP\u201d, na VI Jornada da EBP-Sul, nos dias 24 e 25 de outubro.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nohem\u00ed Brown (EBP\/AMP) Vou recolher o que ficou ecoando em mim de algumas enuncia\u00e7\u00f5es que irromperam ao longo desta VI Jornada da EBP-Se\u00e7\u00e3o Sul. Mas, antes, vale a pena nos perguntarmos: por que uma Jornada de Se\u00e7\u00e3o? Por que os eventos da EBP e AMP? Por que o tema escolhido para esta Jornada? 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