{"id":5586,"date":"2025-09-19T09:43:28","date_gmt":"2025-09-19T12:43:28","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=5586"},"modified":"2025-09-19T09:43:28","modified_gmt":"2025-09-19T12:43:28","slug":"uma-analise-que-dura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/uma-analise-que-dura\/","title":{"rendered":"Uma an\u00e1lise que dura"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em><strong>Gresiela Nunes da Rosa (EBP\/AMP)<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Quanto tempo precisa se passar para que possamos dizer que uma an\u00e1lise dura? Seria esse um tempo cronol\u00f3gico? Com Lacan aprendemos a \u201ccalcular\u201d o tempo em outra dimens\u00e3o que n\u00e3o a cronol\u00f3gica. Falamos de um tempo l\u00f3gico. O tempo seria ent\u00e3o marcado por um tipo de sucess\u00e3o de acontecimentos que implicam uma consequ\u00eancia. Mas como pensar essa \u201csucess\u00e3o\u201d?<\/p>\n<p>Assim como n\u00e3o falamos de um desenvolvimento infantil que pressup\u00f5e um tempo cronol\u00f3gico e nem uma consecu\u00e7\u00e3o est\u00e1tica de acontecimentos, tamb\u00e9m podemos pensar o percurso de uma an\u00e1lise na mesma condi\u00e7\u00e3o. \u00c9 certo que podemos pensar a\u00ed em alguns elementos comuns \u00e0s an\u00e1lises que duram, mas podemos pensar que estes elementos se disp\u00f5em numa esp\u00e9cie de topologia em que qualquer disposi\u00e7\u00e3o organizada seria apenas uma tentativa did\u00e1tica de demonstra\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Nesta tentativa did\u00e1tica podemos conceber alguns elementos temporais em uma an\u00e1lise que dura. O primeiro deles seria ent\u00e3o o pr\u00f3prio momento que compreendemos como entrada em an\u00e1lise, onde o analisante pergunta-se por sua parte na desordem de que se queixa. O momento de implica\u00e7\u00e3o subjetiva com aquilo que lhe aparecia como alheio, o que lhe faz sofrer. Perguntar qual \u00e9 a sua parte na tal desordem, significa pensar em que posi\u00e7\u00e3o se encontra nisso, e porque n\u00e3o dizer, em que ponto se satisfaz com isso. Est\u00e1 a\u00ed uma pergunta que visa a localiza\u00e7\u00e3o do gozo.<\/p>\n<p>Nos dispositivos anal\u00edticos cl\u00e1ssicos, esta pergunta inicial leva a um querer saber o que o sintoma significa, coloca-se ent\u00e3o \u00e0 trabalho a cadeia significante. O que <em>isso<\/em> quer dizer? \u00e9 o trabalho consequente de uma an\u00e1lise que come\u00e7a. Sabemos que come\u00e7ar uma an\u00e1lise implica consequ\u00eancias anal\u00edticas e terap\u00eauticas. A vivifica\u00e7\u00e3o que \u00e9 o encontro com a possibilidade de dizer, com a possibilidade de endere\u00e7amento da pr\u00f3pria fala \u00e0 Outro que escuta, carrega em si efeitos terap\u00eauticos muito importantes, inclusive, \u00e0s vezes, um verdadeiro maravilhamento com a experi\u00eancia.<\/p>\n<p>No entanto, se an\u00e1lise pode n\u00e3o se satisfazer a\u00ed com essa possibilidade de dizer, ela leva ao encontro com aquilo que se repete, e que n\u00e3o se deixa apreender na cadeia significante. Talvez possamos dizer que a\u00ed est\u00e1 a possibilidade de pensarmos uma an\u00e1lise que dura. Aquela que diante da impossibilidade da solu\u00e7\u00e3o pela via da significa\u00e7\u00e3o, diante do que se apresenta como opaco \u00e0 cadeia significante, pode n\u00e3o recuar.<\/p>\n<p>A repeti\u00e7\u00e3o pode ser pensada ent\u00e3o como uma maneira de dizer \u201cisso n\u00e3o para de gozar\u201d. E o pr\u00f3prio dizer na an\u00e1lise pode ser convocado ent\u00e3o para outra posi\u00e7\u00e3o ante o dito. De \u201co que Isso quer dizer?\u201d ao \u201cO que, ao dizer, isso quer?\u201d. A resposta que vir\u00e1 ser\u00e1 ent\u00e3o: \u201cIsso quer gozar\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gresiela Nunes da Rosa (EBP\/AMP) Quanto tempo precisa se passar para que possamos dizer que uma an\u00e1lise dura? Seria esse um tempo cronol\u00f3gico? Com Lacan aprendemos a \u201ccalcular\u201d o tempo em outra dimens\u00e3o que n\u00e3o a cronol\u00f3gica. Falamos de um tempo l\u00f3gico. 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