{"id":5214,"date":"2024-09-24T07:32:10","date_gmt":"2024-09-24T10:32:10","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=5214"},"modified":"2024-09-24T07:32:10","modified_gmt":"2024-09-24T10:32:10","slug":"o-efeito-de-form-acao-da-experiencia-de-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/o-efeito-de-form-acao-da-experiencia-de-escola\/","title":{"rendered":"O efeito de form-a\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia de Escola"},"content":{"rendered":"<h6>Ver\u00f4nica Paola Montenegro<\/h6>\n<figure id=\"attachment_5197\" aria-describedby=\"caption-attachment-5197\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5197\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/modos_de_usar_005_004-300x273.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/modos_de_usar_005_004-300x273.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/modos_de_usar_005_004.jpg 437w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5197\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Jaider Esbell<\/figcaption><\/figure>\n<p>O primeiro ponto que reverberou em rela\u00e7\u00e3o ao significante <em>experi\u00eancia<\/em> foi que, quando se trata de apostar em transmitir algo dela, tenta-se faz\u00ea-lo desde uma posi\u00e7\u00e3o singular, o que me leva a recortar tr\u00eas momentos que dividem um tempo l\u00f3gico, sobre os efeitos de form-a\u00e7\u00e3o na experi\u00eancia de Escola. O primeiro momento \u00e9 o tempo de forma\u00e7\u00e3o percorrido em Buenos Aires, participando de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, mas de nenhuma em particular; o segundo momento \u00e9 a porta de entrada da Escola com o primeiro cartel na EBP, \u00e0 \u00e9poca na se\u00e7\u00e3o SC; e o terceiro momento \u00e9 no ano passado, com o envio da carta de inten\u00e7\u00e3o para a Diretoria da EBP \u2014 este envio, gra\u00e7as a um ato do analista, me leva ao momento de concluir, e ent\u00e3o algo cai.<\/p>\n<p>Existiu um trecho do percurso onde a forma\u00e7\u00e3o aconteceu por fora da Escola, uma forma\u00e7\u00e3o mais do lado da aprendizagem<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, mas h\u00e1 uma diferen\u00e7a radical desde o momento em que a Escola faz parte, e entendo que se trata de duas coisas: o lugar do Outro da Escola, que aparece com um outro tom, \u201cum lugar al\u00e9m do Outro\u201d, maneira de nomear que irrompe na an\u00e1lise, permitindo o movimento a partir do furo no saber e, ent\u00e3o, abrindo um desejo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 psican\u00e1lise desde outro lugar; e o outro ponto s\u00e3o os outros das transfer\u00eancias de trabalho, mas n\u00e3o s\u00f3 \u2014 os outros que tamb\u00e9m viram amigos, efeitos nos la\u00e7os que produzem marcas indel\u00e9veis. Estes dois pontos trazem uma orienta\u00e7\u00e3o e um contorno \u00e0 solid\u00e3o da causa anal\u00edtica que fizeram uma diferen\u00e7a radical na forma\u00e7\u00e3o, irrompem um compromisso em rela\u00e7\u00e3o ao desejo de Escola que anima e vai al\u00e9m de nomea\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias, trata-se de um lugar que vai se modelando como consequ\u00eancia do esvaziamento de alguns pontos de gozo. Um lugar que, desde o in\u00edcio, n\u00e3o tinha uma forma particular, e que vai, com o tempo, de-formando uma form-a\u00e7\u00e3o singular. Trata-se de \u201cforma\u201d no sentido de algo que se constr\u00f3i; de \u201cdeforma\u00e7\u00e3o\u201d no sentido de esvaziar o imagin\u00e1rio; e de \u201ca\u00e7\u00e3o\u201d no sentido tanto do movimento quanto do compromisso em rela\u00e7\u00e3o ao Desejo de Escola.<\/p>\n<p>Mauricio Tarrab (2023) traz uma precis\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao lugar dos outros se referindo \u00e0 apologia dos prisioneiros e trazendo a frase de Lacan (1945 [1998], p. 212): \u201cE tamb\u00e9m que se, nessa corrida para a verdade, \u00e9 apenas sozinho, n\u00e3o sendo todos, que se atinge o verdadeiro, ningu\u00e9m o atinge, no entanto, a n\u00e3o ser atrav\u00e9s dos outros\u201d. A l\u00f3gica do coletivo na Escola de Lacan n\u00e3o \u00e9 a de um grupo, n\u00e3o se trata da soma das suas individualidades, \u201c\u00e9 [&#8230;] o sujeito do individual\u201d (LACAN, 1945 [1998], p. 213, nota 6), o que nos traz o paradoxo de que estar na Escola n\u00e3o significa deixar de estar s\u00f3. H\u00e1 uma tens\u00e3o que se sustenta, de maneira singular, entre a solid\u00e3o da causa e os la\u00e7os com alguns outros. Seguindo com a apologia e apontando a orienta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica lacaniana, Tarrab (2023) menciona que estarmos na Escola como analisantes \u00e9 n\u00e3o saber a cor do disco que temos nas costas, mas \u00e9 com os outros que temos a op\u00e7\u00e3o de nos orientar \u2014 este texto se intitula, em tradu\u00e7\u00e3o livre, \u201cSozinho, com os outros\u201d, uma v\u00edrgula que demonstra que h\u00e1 um espa\u00e7o entre a solid\u00e3o da causa, sempre singular, mas que, para se sustentar em uma orienta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem como ser sem os outros. Poder\u00edamos pensar que o que movimenta a causa de cada um tem um ponto de real e que, ent\u00e3o, \u00e9 por isso que n\u00e3o temos como saber qual \u00e9 o disco que temos nas nossas costas? Se soub\u00e9ssemos, seria psican\u00e1lise? Se assim fosse, pareceria apontar a um saber que \u00e9 poss\u00edvel de entender, assimilar e ent\u00e3o aplicar; a orienta\u00e7\u00e3o lacaniana n\u00e3o se desloca como uma flecha, diz Tarrab (2023), s\u00f3 se consideramos a flecha zen, ali ent\u00e3o est\u00e1, al\u00e9m do imposs\u00edvel, a conting\u00eancia.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o real, o imposs\u00edvel e a conting\u00eancia \u2014 poder\u00edamos pensar que s\u00e3o quest\u00f5es em comum na Escola? \u00c9 poss\u00edvel pensar em algum lugar em comum na Escola sem cair numa identifica\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria de grupo? Tarrab (2023, p. 39, tradu\u00e7\u00e3o nossa) traz duas perguntas apuradas para ajudar a pensar essas quest\u00f5es: \u201cA que damos consentimento neste la\u00e7o peculiar que \u00e9 a Escola? A que consentimos em identificar na nossa comunidade da Escola?\u201d. Ele contorna estas perguntas apontando que se trataria de compartilhar o dever mas tamb\u00e9m o desejo de subjetivar o que encontra de cada um na sua pr\u00f3pria an\u00e1lise como sua causa singular, e apostar em um bem dizer sobre este ponto. Este bem dizer, j\u00e1 nos inspirando no tema das jornadas, tem a ver com a diferen\u00e7a, refere o autor: \u201cO dizer na Escola d\u00e1 conta desse consentimento que deve ser o de cada um [&#8230;] Ser\u00e1 um bem dizer se faz a diferen\u00e7a, se respeita seu fora da norma [&#8230;]\u201d (TARRAB, 2023, p. 39, tradu\u00e7\u00e3o nossa). Ent\u00e3o, ser\u00e1 que o lugar em comum que temos na Escola \u00e9 o singular da causa que escancara, ao mesmo tempo, o fora do comum? Parece ser fora do comum estarmos advertidos de que n\u00e3o se trata de evitar o Um da solid\u00e3o, e ao mesmo tempo se pode apostar no consentimento dos la\u00e7os com alguns outros para dar um contorno.<\/p>\n<p>Afinal, o paradoxo \u00e9 essa tens\u00e3o que se sustenta entre a solid\u00e3o e os outros, entre a causa e o consentimento, entre o coletivo que se constr\u00f3i habitando a Escola, mas tamb\u00e9m o trabalho anal\u00edtico em torno da pr\u00f3pria solid\u00e3o da causa que nos move e da \u00e9tica que orienta o desejo de cada um. Miller (2023, p. 227, tradu\u00e7\u00e3o nossa) nos esclarece: \u201cSomente se pode sustentar a psican\u00e1lise \u2014 se \u00e9 que isto \u00e9 poss\u00edvel \u2014 colocando em quest\u00e3o o ser do analista\u201d \u2014 o analista \u00e9 produto da sua an\u00e1lise, e n\u00e3o do exerc\u00edcio da sua pr\u00e1tica, o que pode nos orientar de que a maneira de habitar a Escola \u00e9 como analisantes, causados, motorizados pelo n\u00e3o saber, apostando no trabalho incessante de estarmos advertidos do real que a orienta\u00e7\u00e3o lacaniana prop\u00f5e: um real que insiste na an\u00e1lise, na forma\u00e7\u00e3o e na experi\u00eancia de Escola.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>BARROS, Romildo do R\u00eago. Confer\u00eancia I \u2014 \u201cA forma\u00e7\u00e3o do analista\u201d. <strong>Sabi\u00e1<\/strong> &#8211; Revista de Psican\u00e1lise da Se\u00e7\u00e3o Leste-Oeste &#8211; Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, S\u00e3o Paulo, ano 0, v. I, p. 60-71, mar. 2021.<\/h6>\n<h6>LACAN, Jacques. O tempo l\u00f3gico e a asser\u00e7\u00e3o da certeza antecipada (1945). In: LACAN, Jacques. <strong>Escritos<\/strong>. Rio de Janeiro: Zahar, 1998. p. 197-213.<\/h6>\n<h6>MILLER, Jacques-Alain. El concepto de Escuela. In: MILLER, Jacques-Alain. <strong>El nacimiento del Campo Freudiano<\/strong>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2023. p. 219-235.<\/h6>\n<h6>TARRAB, Mauricio. Solo, con los otros. In: TARRAB, Mauricio. <strong>El decir y lo real<\/strong>: hacer escuchar lo que est\u00e1 escrito. Buenos Aires: Grama, 2023. p. 31-41.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Barros (2021, p. 67) menciona: \u201cA forma\u00e7\u00e3o que vale sempre come\u00e7a depois, a aprendizagem n\u00e3o \u00e9 forma\u00e7\u00e3o. A aprendizagem sempre precede a forma\u00e7\u00e3o\u201d.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ver\u00f4nica Paola Montenegro O primeiro ponto que reverberou em rela\u00e7\u00e3o ao significante experi\u00eancia foi que, quando se trata de apostar em transmitir algo dela, tenta-se faz\u00ea-lo desde uma posi\u00e7\u00e3o singular, o que me leva a recortar tr\u00eas momentos que dividem um tempo l\u00f3gico, sobre os efeitos de form-a\u00e7\u00e3o na experi\u00eancia de Escola. 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