{"id":5210,"date":"2024-09-24T07:29:45","date_gmt":"2024-09-24T10:29:45","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=5210"},"modified":"2024-09-24T07:29:45","modified_gmt":"2024-09-24T10:29:45","slug":"que-invencao-genial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/que-invencao-genial\/","title":{"rendered":"\u201cQue inven\u00e7\u00e3o genial!\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Maria Luiza Rovaris Cidade<br \/>\nAdriana Rodrigues<\/p>\n<figure id=\"attachment_5195\" aria-describedby=\"caption-attachment-5195\" style=\"width: 383px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5195\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/modos_de_usar_005_006-230x300.jpg\" alt=\"\" width=\"383\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/modos_de_usar_005_006-230x300.jpg 230w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/modos_de_usar_005_006.jpg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 383px) 100vw, 383px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5195\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Jaider Esbell<\/figcaption><\/figure>\n<p>Se em \u201cO cartel no centro de uma Escola de psican\u00e1lise\u201d<sup>[1]<\/sup>, Miller denuncia uma certa deser\u00e7\u00e3o do cartel no in\u00edcio dos anos 1990, podemos pensar, a partir do que temos recolhido em nossa experi\u00eancia na EBP-Se\u00e7\u00e3o Sul que, nesse momento p\u00f3s-pand\u00eamico e com novas formas de mal-estar, o Cartel tem sido retomado como dispositivo e modo de trabalho privilegiado na forma\u00e7\u00e3o do analista na Escola.<\/p>\n<p>Foi o que presenciamos, mais uma vez, no dia 20 de mar\u00e7o, quando realizamos, como primeira atividade do ano, o \u201cProcuram-se Cart\u00e9is\u201d. Foi uma noite marcada por uma demonstra\u00e7\u00e3o viva pelo desejo de Escola, expresso nas conversas que se fizeram e na forma\u00e7\u00e3o de quase uma dezena de cart\u00e9is, a partir de um encontro online que reuniu participantes de diversas localidades da regi\u00e3o Sul do Brasil. Fato esse que nos traz um desafio: como manter abertas as portas da Escola para aqueles que as atravessam pela primeira vez, capturados por um tra\u00e7o singular da orienta\u00e7\u00e3o lacaniana? Parece que a\u00ed a Escola tem tamb\u00e9m seu lugar e responsabilidade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do cartel, o interc\u00e2mbio se mostrou n\u00e3o apenas como resist\u00eancia ao mal-estar, tal como propusemos em nosso projeto de trabalho<sup>[2]<\/sup>, mas tamb\u00e9m como uma forma de estarmos atentos \u00e0 cidade, \u00e0 cultura e \u00e0 vida. Nem sempre um interc\u00e2mbio acontece de fato. Nohemi Brown afirma que: \u201cmais do que extrair um saber de outra disciplina ou oferecer o nosso, \u00e9 poss\u00edvel localizar o limite do saber e, a partir dessa troca, abrir brechas que, n\u00e3o sem surpresa, for\u00e7am ao bem-dizer ou a um forma, por vezes, in\u00e9dita de considerar uma quest\u00e3o\u201d <sup>[3]<\/sup>.<\/p>\n<p>\u201cDas outras formas de pensar o sonho: a experi\u00eancia on\u00edrica para os Ava Guaranis\u201d, foi o tema da Noite de Interc\u00e2mbio que realizamos em 22 de maio, onde foi poss\u00edvel o encontro de diferentes saberes, mesmo a partir da hi\u00e2ncia entre eles: Antropologia e Psican\u00e1lise postas \u00e0 prova em uma composi\u00e7\u00e3o singular sobre os sonhos para o povo Guarani e para a pr\u00e1tica da Psican\u00e1lise. Junto com a Antropologia e a convidada Denize Refatti, em sua fun\u00e7\u00e3o de \u201cbem-dizer os Ava Guaranis\u201d, foi poss\u00edvel pensar a morte e as feridas hist\u00f3ricas dos povos ind\u00edgenas e um mais-al\u00e9m: a afirma\u00e7\u00e3o da vida e dos sonhos como formas de resist\u00eancia ao mal-estar colonial.<\/p>\n<p>Por fim, a Jornada de Cart\u00e9is encerrou o primeiro semestre de 2024 com potentes encontros de corpos, ideias e novos interesses de pesquisa. Com o tema \u201cA centralidade do cartel na forma\u00e7\u00e3o do analista\u201d, a Jornada, realizada nos dias 28 e 29 de junho, reuniu vinte e um trabalhos desenvolvidos em sete cart\u00e9is que, atravessados por esse momento efervescente de constru\u00e7\u00e3o e trocas, fizeram sua dissolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As convidadas Gabriela Grinbaum (EOL-AMP) e Marilsa Basso (EBP-AMP e atual Diretora de Cart\u00e9is e Interc\u00e2mbio da EBP) captaram e transmitiram muito bem o tom do que se produziu nesse encontro, nos trazendo suas contribui\u00e7\u00f5es de um lugar de muito entusiasmo com o dispositivo, a Escola e com as surpresas do momento que est\u00e1vamos construindo ali. Gabriela destacou a ideia de que \u201ccada encontro de cartel \u00e9 uma conversa\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise (&#8230;) uma conversa\u00e7\u00e3o impulsionada pelo desejo\u201d. \u00c9 o que explica que um dispositivo que privilegia e escancara o furo no saber se sustente e impulsione uma produ\u00e7\u00e3o em contraposi\u00e7\u00e3o a uma inibi\u00e7\u00e3o. Gabriela chama a aten\u00e7\u00e3o para um outro ponto fundamental que \u00e9 a proximidade entre o Mais-um e o feminino, j\u00e1 que \u00e9 somente a partir de uma \u201cposi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o saber\u201d que essa fun\u00e7\u00e3o pode ser exercida de modo a sustentar um cartel. \u201cQue inven\u00e7\u00e3o genial!\u201d, nos disse Gabriela, e compartilhamos do mesmo sentimento.<\/p>\n<p>Trabalhando na perspectiva de que \u201co cartel \u00e9 uma experi\u00eancia que comporta o real\u201d, Marilsa Basso trouxe suas contribui\u00e7\u00f5es enfatizando o cartel com seus dois lugares de funcionamento fundamentais: como porta de entrada para a Escola e como meio para realizar o trabalho de Escola. \u201cO cartel \u00e9 um poss\u00edvel n\u00f3 que vem amarrar as pe\u00e7as soltas\u201d para que algo possa se produzir na intersec\u00e7\u00e3o entre as tantas diferen\u00e7as, atravessamentos e o tra\u00e7o de cada um. Para al\u00e9m de ser a porta de entrada para a Escola, \u00e9 tamb\u00e9m um lugar de onde se pode interpretar a Escola, \u201c\u00e9 um lugar de la\u00e7o que tamb\u00e9m desenla\u00e7a\u201d, permitindo assim que, nessa experi\u00eancia que se faz num movimento cont\u00ednuo, a psican\u00e1lise continue afinando e afiando sua l\u00e2mina cortante e sua presen\u00e7a no mundo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><sup>[1]<\/sup> MILLER, J. A. O cartel no centro de uma Escola de psican\u00e1lise. In: BROWN, N. (Org.). Cartel, novas leituras. S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2021. p. 19-29.<\/h6>\n<h6><sup>[2]<\/sup> O cartel como forma de resist\u00eancia ao mal-estar na cultura e a forma\u00e7\u00e3o do analista. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ebp.org.br\/sul\/carteis-e-intercambio\/<\/h6>\n<h6><sup>[3]<\/sup> BROWN, Nohemi. <em>Momentos de Inter-c\u00e2mbio &#8211; Apresenta\u00e7\u00e3o<\/em>. Correio Express, 2019. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.ebp.org.br\/correio_express\/2019\/09\/11\/momentos-de-inter-cambio-apresentacao\/&gt;.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Luiza Rovaris Cidade Adriana Rodrigues Se em \u201cO cartel no centro de uma Escola de psican\u00e1lise\u201d[1], Miller denuncia uma certa deser\u00e7\u00e3o do cartel no in\u00edcio dos anos 1990, podemos pensar, a partir do que temos recolhido em nossa experi\u00eancia na EBP-Se\u00e7\u00e3o Sul que, nesse momento p\u00f3s-pand\u00eamico e com novas formas de mal-estar, o Cartel&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-5210","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-boletim-modos-de-usar","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5210"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5210\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5211,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5210\/revisions\/5211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5210"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}