{"id":5153,"date":"2024-09-18T06:21:24","date_gmt":"2024-09-18T09:21:24","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=5153"},"modified":"2024-09-18T13:30:52","modified_gmt":"2024-09-18T16:30:52","slug":"acolher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/acolher\/","title":{"rendered":"Acolher"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>Maria Luiza Rovaris Cidade<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><em>Porvires<\/em><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_5154\" aria-describedby=\"caption-attachment-5154\" style=\"width: 980px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5154\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/corpografias-004-011-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"980\" height=\"654\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/corpografias-004-011-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/corpografias-004-011-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/corpografias-004-011-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/corpografias-004-011-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/corpografias-004-011-1-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5154\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9ditos: Foto Lina Sumizono &#8211; Mostra Cura &#8211; 2022 Curitiba<\/figcaption><\/figure>\n<p>Habitar uma Comiss\u00e3o de Acolhimento em tempos de individualismos \u00e9 tarefa, no m\u00ednimo, inquietante. Falamos tanto no <em>radical da singularidade<\/em> do que diz um analisante e no <em>trabalho solit\u00e1rio<\/em> do analista que, quando somos convocadas a um trabalho de acolhimento, perguntamo-nos: seria um trabalho coletivo? Como afirmou Lacan: \u201cEu poderia dizer que continuei a abra\u00e7ar esse imposs\u00edvel no qual se re\u00fane o que \u00e9 para n\u00f3s, no discurso anal\u00edtico, fundament\u00e1vel como real\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Levamos alguns trope\u00e7os com imposs\u00edveis, cada uma a seu modo \u2013 n\u00f3s da Comiss\u00e3o de Acolhimento da 5a Jornada da EBP-Se\u00e7\u00e3o Sul. Sabemos, com Lacan, que o que \u00e9 da ordem do real pode ser abra\u00e7ado, pode ser caminhado. S\u00f3 se abra\u00e7a e caminha com um corpo.<\/p>\n<p>Afinal, uma jornada \u00e9 um trajeto que se percorre.<\/p>\n<p>Segundo o dicion\u00e1rio, acolher \u00e9:<\/p>\n<ol>\n<li>oferecer ou obter ref\u00fagio, prote\u00e7\u00e3o ou conforto f\u00edsico; abrigar(-se), amparar(-se).<\/li>\n<li>dar ou receber hospitalidade; hospedar(-se), alojar(-se).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Em psican\u00e1lise, sabemos que a prote\u00e7\u00e3o \u00e9 um ideal perdido; o conforto f\u00edsico \u00e9 da ordem do imposs\u00edvel, se pensado como um todo; o ref\u00fagio, abrigo e amparo precisam ser inventados, um por um. J\u00e1 o significante-hospitalidade pode nos evocar um efeito paradoxal: buscando nos afastar da assepsia <em>hospitalar<\/em>, propomos uma aproxima\u00e7\u00e3o com a poss\u00edvel gentileza e amabilidade do <em>hospedar<\/em>. \u201cSeja como for o amor ainda me faz bastante fome\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma an\u00e1lise sem la\u00e7o; n\u00e3o h\u00e1 Escola sem transfer\u00eancia de trabalho; e n\u00e3o h\u00e1 transfer\u00eancia sem amor. Podemos dizer, ent\u00e3o, que a acolhida tem essa dimens\u00e3o de enla\u00e7ar nossos corpos e experi\u00eancias, mesmo que algo falte ou reste. Um amor n\u00e3o absoluto ou avassalador, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o convoque apenas a um trabalho. Um amor que enla\u00e7a porvires.<\/p>\n<p><strong><em> Caminhar junto<\/em><\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cimagine isto, ter que contar os meus <em>problemas<br \/>\n<\/em>cada vez que algu\u00e9m me perguntar por eles<br \/>\nao mesmo tempo que n\u00e3o resisto<br \/>\nquando sou abordada assim, com algum afeto<br \/>\nd\u00e1 vontade de<br \/>\nabrir<br \/>\no z\u00edper da pele, derramar meus cacos, veja: esta sou eu\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>Para que n\u00e3o seja apenas fome, pensamos na dimens\u00e3o da arte como borda do imposs\u00edvel em nossa Jornada. Abrir o z\u00edper da pele; confronta\u00e7\u00e3o de corpos<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Escrevemos, comentamos, pulsamos em nossos encontros da Comiss\u00e3o de Acolhimento. Elaboramos playlists: Em uma delas, Cidade Negra j\u00e1 dizia: \u201cestamos afim de saber, afim de saber\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Sobre a verdade, sabemos que ela j\u00e1 implica o discurso. \u201cO que \u00e9 dito n\u00e3o est\u00e1 noutro lugar sen\u00e3o no que se ouve\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. O que estamos afim de saber nessa Jornada?<\/p>\n<p>Que essa Jornada possa nos proporcionar mais que o individualismo imagin\u00e1rio de uma verdade pr\u00f3pria. Encontros podem nos evocar o mais-al\u00e9m de uma verdade, de um discurso que aprisiona. Se uma jornada \u00e9 um trajeto que se percorre, que possamos tamb\u00e9m caminhar juntos.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cPara onde v\u00e3o os trens meu pai?<br \/>\nPara Mahal, Tam\u00ed, para Camir\u00ed, espa\u00e7os<br \/>\nno mapa, e depois o pai ria: tamb\u00e9m<br \/>\npra lugar algum meu filho, tu podes<br \/>\nir e ainda que se mova o trem<br \/>\ntu n\u00e3o te moves de ti\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Comiss\u00e3o de Acolhimento:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Andrea Tochetto<\/li>\n<li>Cauana Mestre<\/li>\n<li>Juliana Rego Silva (coord.)<\/li>\n<li>Maria Luiza Rovaris Cidade<\/li>\n<li>Mariana Queiroz<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Links para a playlist:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/playlist\/4enxW5lBYiTxnDwksQjJxk?si=tAZQzlsHTDG2DEN_PFwcDQ&amp;pi=u-32e50pTxRg-a\">https:\/\/open.spotify.com\/playlist\/4enxW5lBYiTxnDwksQjJxk?si=tAZQzlsHTDG2DEN_PFwcDQ&amp;pi=u-32e50pTxRg-a<\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/playlist\/0TukyUhDrHxcS8EsrPw6yC?si=zHhVZZe2S3irThm3HWAGnw\">https:\/\/open.spotify.com\/playlist\/0TukyUhDrHxcS8EsrPw6yC?si=zHhVZZe2S3irThm3HWAGnw<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> LACAN, Jacques. <em>O semin\u00e1rio, livro 19<\/em>: \u2026 ou pior. Rio de Janeiro: Zahar, 2012. p. 213.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> CAMPILHO, Matilde. O amor faz-me fome. In: CAMPILHO, Matilde. <em>J\u00f3quei<\/em>. Lisboa: Tinta-da-China, 2018. p. 117.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> BEI, Aline. <em>Pequena coreografia do adeus<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras. 2021.p. 192. Grifos da autora.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> LACAN, Jacques<em>. O semin\u00e1rio, livro 19<\/em>: \u2026 ou pior. Rio de Janeiro: Zahar, 2012. p. 220.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Cidade Negra. Falar a verdade. \u00c1lbum de 1991: \u201cLute para viver\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> LACAN, Jacques. <em>O semin\u00e1rio, livro 19<\/em>: \u2026 ou pior. Rio de Janeiro: Zahar, 2012. p. 221.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> HILST, Hilda. <em>Tu n\u00e3o te moves de ti<\/em>. S\u00e3o Paulo: Globo, 2004.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Luiza Rovaris Cidade Porvires Habitar uma Comiss\u00e3o de Acolhimento em tempos de individualismos \u00e9 tarefa, no m\u00ednimo, inquietante. Falamos tanto no radical da singularidade do que diz um analisante e no trabalho solit\u00e1rio do analista que, quando somos convocadas a um trabalho de acolhimento, perguntamo-nos: seria um trabalho coletivo? 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