{"id":5079,"date":"2024-08-12T06:45:31","date_gmt":"2024-08-12T09:45:31","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=5079"},"modified":"2024-08-12T06:58:29","modified_gmt":"2024-08-12T09:58:29","slug":"editorial-boletim-corpografias-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/editorial-boletim-corpografias-3\/","title":{"rendered":"Editorial &#8211; Boletim Corpografias #3"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_5040\" aria-describedby=\"caption-attachment-5040\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5040\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_000-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_000-300x200.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_000-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_000-768x512.jpg 768w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_000-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_000.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5040\" class=\"wp-caption-text\">[Foto de Lina Sumizono &#8211; Cura &#8211; Festival de Curitiba, 2022]<\/figcaption><\/figure>Como um analista pode estar \u00e0 altura do acontecimento imprevisto? A indaga\u00e7\u00e3o posta por Fl\u00e1via C\u00eara na segunda preparat\u00f3ria \u00e0 5\u00aa Jornada de Psican\u00e1lise da EBP-Se\u00e7\u00e3o Sul, \u00e0 luz do tema <em>Discursos e corpos: a causa do dizer<\/em>, suscitou quest\u00f5es sobre o ato anal\u00edtico e a pol\u00edtica lacaniana. Nesta edi\u00e7\u00e3o #3 do boletim Corpografias, voc\u00ea vai encontrar a \u00edntegra do texto de apresenta\u00e7\u00e3o do Eixo 2 e algumas de suas resson\u00e2ncias na conversa\u00e7\u00e3o de 31 de julho e na escrita de outros analistas.<\/p>\n<p>Desde o t\u00edtulo, o eixo recoloca em quest\u00e3o qual a fun\u00e7\u00e3o do analista na cl\u00ednica, hoje, e desde qual posi\u00e7\u00e3o ele sustenta sua pr\u00e1tica, considerando que a orienta\u00e7\u00e3o pelo real requer a abertura ao imprevisto, \u00e0 conting\u00eancia. Jussara Jovita, em seu coment\u00e1rio, faz um acr\u00e9scimo \u00e0 pergunta que explicita sua n\u00f3doa: \u201cComo cada analista pode estar \u00e0 altura do acontecimento imprevisto, j\u00e1 que \u00e9 imprevisto?\u201d, e convoca a considerar no\u00e7\u00f5es de indetermina\u00e7\u00e3o e ingovernabilidade.<\/p>\n<p>Para estar \u00e0 altura, caberia ao analista, em um primeiro tempo marcado por Helenice de Castro, sensibilizar o analisante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria fala, para que ent\u00e3o, tal como observado por Nohem\u00ed Brown, possa dar outro estatuto ao acontecimento que estava fora do discurso? Estar \u00e0 altura de um dizer? Com essas contribui\u00e7\u00f5es que ecoaram na preparat\u00f3ria, o tema da Jornada mostra a implica\u00e7\u00e3o de corpos e discursos na causa do dizer n\u00e3o como opostos excludentes, mas em jun\u00e7\u00e3o e disjun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Da\u00ed emerge a necessidade de discernir o dizer, o discurso e a linguagem, em suas distintas maneiras de se enla\u00e7ar ao corpo. \u201cIsso que acontece no corpo est\u00e1 fora do discurso ou aprisionado por ele? Como distinguir esses pontos e no que eles orientam o trabalho na cl\u00ednica?\u201d, insiste Fl\u00e1via em seu texto.<\/p>\n<p>Mais-Um do cartel fulgurante endere\u00e7ado \u00e0 jornada, Helenice prop\u00f5e em seu coment\u00e1rio, publicado neste boletim, que a pergunta relan\u00e7a essas no\u00e7\u00f5es em termos de uma pol\u00edtica da psican\u00e1lise que permita \u201cdesfazer a captura pelo sentido produzido pelo discurso ao fazer ressoar no corpo o que resta fora da linguagem\u201d. Em sua participa\u00e7\u00e3o na preparat\u00f3ria, ela precisa que tal pol\u00edtica, frente \u00e0 \u201cincid\u00eancia da l\u00edngua que segrega algo do gozo do corpo, n\u00e3o visa a eliminar ou dominar o ponto de segrega\u00e7\u00e3o inerente ao ser falante\u201d.<\/p>\n<p>Para abordar a presen\u00e7a do analista diante do inconsciente real, Nancy Greca, por sua vez, retoma a afirma\u00e7\u00e3o de Miller de que \u201co analista \u00e9 um lugar onde se deposita um resto e neste lugar se estabelece um la\u00e7o com o objeto a, um la\u00e7o poss\u00edvel com a psican\u00e1lise\u201d. A partir do mesmo cartel, Mariana Dias situa o ato anal\u00edtico na fratura da verdade e o equivale a um ato pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Diego Cervelin, ent\u00e3o, testemunha sobre uma cl\u00ednica em que os enunciados \u201cnem sempre singularizam uma posi\u00e7\u00e3o subjetiva mais clara\u201d e se indaga sobre o manejo do analista: \u201cComo fazer com que algo da dignidade do resto possa entrar na cena? Como o corte poderia criar um intervalo na demanda pela satisfa\u00e7\u00e3o taxativa? [&#8230;] E, nesse ponto, caberia ao analista fazer uma interven\u00e7\u00e3o ou eventualmente uma contraposi\u00e7\u00e3o t\u00e3o direta quando os sentidos parecem l\u00edquidos e certos? Se nem sempre, quando sim?\u201d<\/p>\n<p>Ainda sobre a pr\u00e1tica na atualidade, Mauro Agosti faz uma escans\u00e3o do artigo \u201cCeder el goce o ceder al goce\u201d, de Araceli Teixid\u00f3, partindo do significante \u201ccorpo\u201d para uma tor\u00e7\u00e3o \u201cdo corpo afetado ao corpo como limite\u201d. Ao constatar o recha\u00e7o \u00e0 cess\u00e3o de gozo como isso que impossibilita o la\u00e7o social, ele questiona a fun\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia diante do problema do gozo. J\u00e1 no texto de Marcia Stival, encontramos outras articula\u00e7\u00f5es entre a dificuldade de ceder o gozo no discurso capitalista, o verdadeiro que se autoperfura e o ato anal\u00edtico.<\/p>\n<p>O corpo \u00e9 posto em debate tamb\u00e9m nos artigos de Rafael Longo, que se serve das an\u00e1lises de Herv\u00e9 Castanet com homonalisantes para tratar da vivifica\u00e7\u00e3o do corpo quando identificado ao falo morto; e de Andr\u00e9a Tochetto, sugerindo a analogia com um cabideiro que, em vez de recoberto pelas parafern\u00e1lias do discurso, pudesse ocupar sua fun\u00e7\u00e3o de suporte (da subst\u00e2ncia gozante).<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o de acolhimento, por sua parte, compartilha algumas \u201ccosturas litor\u00e2neas\u201d entre corpo e escrita que se alinhavam \u00e0 \u201ccorpografia\u201d do poeta Ricardo Aleixo. Nas palavras dele:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEntendo a escrita da poesia e a corpografia, que \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o que dou \u00e0 forma particular pela qual pratico e penso a performance, como formas de leitura. Insisto na ideia de que o ato da leitura \u00e9, tamb\u00e9m, um gesto performativo [&#8230;] \u2013 lembrando que performar significa, no meu projeto po\u00e9tico, uma forma de dar a ler, em perspectiva ampliada (verbivocovisual, diriam James Joyce e os concretos), elementos j\u00e1 virtualmente presentes no texto escrito que s\u00f3 por meio da a\u00e7\u00e3o do corpo e da voz (que tamb\u00e9m \u00e9 corpo) podem ser de fato materializados\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Finalmente, assim como nas edi\u00e7\u00f5es anteriores, o boletim ganha vida com a presen\u00e7a de uma obra do artista visual Francisco Faria, desta vez o quadro Laminares III.<\/p>\n<p>Encerramos esse editorial com um convite ao envio de textos para a Jornada que est\u00e1 por vir!<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> MEDEIROS, S\u00e9rgio. Poesia e performance: Uma\u00a0 entrevista\u00a0 com\u00a0 Ricardo\u00a0 Aleixo. RevistaQorpus, edi\u00e7\u00e3o\u00a0 n\u00ba\u00a0 003,\u00a0 Florian\u00f3polis,\u00a0 novembro\u00a0 de\u00a0 2011.\u00a0 Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/qorpus.paginas.ufsc.br\/%E2%80%9C-a-procura-de-autor%E2%80%9D\/edicao-n-003\/entrevista-ricardo\/&gt; acesso em 09 ago. 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como um analista pode estar \u00e0 altura do acontecimento imprevisto? A indaga\u00e7\u00e3o posta por Fl\u00e1via C\u00eara na segunda preparat\u00f3ria \u00e0 5\u00aa Jornada de Psican\u00e1lise da EBP-Se\u00e7\u00e3o Sul, \u00e0 luz do tema Discursos e corpos: a causa do dizer, suscitou quest\u00f5es sobre o ato anal\u00edtico e a pol\u00edtica lacaniana. 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