{"id":5075,"date":"2024-08-12T06:42:11","date_gmt":"2024-08-12T09:42:11","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=5075"},"modified":"2024-08-12T06:42:11","modified_gmt":"2024-08-12T09:42:11","slug":"sobre-algum-valor-de-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/sobre-algum-valor-de-verdade\/","title":{"rendered":"Sobre algum valor de verdade"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Diego Cervelin<\/strong><\/em><br \/>\n<em>Cartel Fulgurante \/ Eixo 2 \u2013 Estar \u00e0 altura do acontecimento imprevisto<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_5045\" aria-describedby=\"caption-attachment-5045\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5045\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_002-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_002-300x200.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_002-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_002-768x512.jpg 768w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_002-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_002.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5045\" class=\"wp-caption-text\">[Foto de Lina Sumizono &#8211; Cura &#8211; Festival de Curitiba, 2022]<\/figcaption><\/figure>Ainda no come\u00e7o do eixo, Fl\u00e1via C\u00eara refere-se ao papel do analista em fazer do inconsciente um acontecimento. Parto da\u00ed. Essa, ali\u00e1s, talvez seja uma daquelas quest\u00f5es que acompanham os praticantes desde as entrevistas preliminares, assumindo aqui e ali tonalidades diferentes. Nos atendimentos, tem sido relativamente f\u00e1cil escutar enunciados que nem sempre singularizam uma posi\u00e7\u00e3o subjetiva mais clara \u2013 ao menos, n\u00e3o de primeira. Eles se apresentam, por exemplo, atrav\u00e9s da f\u00f3rmula \u201ceu sou o que digo que sou\u201d ou mesmo quando nos deparamos com constata\u00e7\u00f5es do tipo \u201cvivo um relacionamento t\u00f3xico\u201d. Mas, afinal, quem fala a\u00ed? T\u00f3xico&#8230;\u00a0 como? Ainda que esses significantes do momento nem sempre sejam efetivamente capazes de comportar uma gram\u00e1tica pulsional, eles nos permitem perceber que h\u00e1 um corpo socializado \u2013 um corpo que testemunha como os discursos se inscrevem sobre ele<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Nessa cl\u00ednica, as in\u00fameras declina\u00e7\u00f5es do <em>moi<\/em> se apresentam entremeadas tanto ao imperativo \u201cGoza!\u201d quanto \u00e0s demandas por previsibilidade. Diante disso, analista e paciente est\u00e3o longe de bem-dizer aquele eu [<em>Je<\/em>] que escapa e comporta restos, equivocidades. Se, do lado do paciente, surge a demanda pelo desaparecimento do mal-estar, que caminho se abre ao praticante? Como fazer com que algo da dignidade do resto possa entrar na cena? Como o corte poderia criar um intervalo na demanda pela satisfa\u00e7\u00e3o taxativa? Aqui talvez j\u00e1 n\u00e3o falamos de decifra\u00e7\u00e3o, mas antes de localiza\u00e7\u00e3o e indica\u00e7\u00e3o de um funcionamento que segue ignorado. Afinal, se h\u00e1 desabonados do inconsciente, isso tampouco significa que eles sejam desabonados do acontecimento de corpo<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. Ser\u00e1 que esse funcionamento n\u00e3o poderia trazer algo de surpreendente? Por que n\u00e3o conferir um \u201cvalor de verdade\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> ao gozo que irrompe<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> para tom\u00e1-lo como um referente pass\u00edvel de ser utilizado pelo analista e pelo paciente na localiza\u00e7\u00e3o tanto do n\u00facleo do mal-estar quanto da possibilidade inaudita de lidar com ele? Qualquer gozo poderia se transformar em referente? Tamb\u00e9m o gozo entremeado ao sentido? E, nesse ponto, caberia ao analista fazer uma interven\u00e7\u00e3o ou eventualmente uma contraposi\u00e7\u00e3o t\u00e3o direta quando os sentidos parecem l\u00edquidos e certos? Se nem sempre, quando sim? E, na sess\u00e3o, como fazer emergir o tempo libidinal \u2013 com suas ambiguidades \u2013 quando os segundos parecem ser medidos por bin\u00e1rios como \u201csucesso <em>x<\/em> fracasso\u201d? Isso j\u00e1 n\u00e3o seria um acontecimento?<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Laurent, E. <em>O avesso da biopol\u00edtica. Uma escrita para o gozo.<\/em> Rio de Janeiro: Contra Capa, 2016, p. 213.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Cf. Tudanca, L. <em>Abonados e desabonados.<\/em> Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/enapol.com\/xi\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/ENAPOL-Luis-Tudanca-PT.pdf&gt;.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Cf. Lacan, J. \u201cDa incompreens\u00e3o e outros temas\u201d. <em>Estou falando com as paredes.<\/em> Rio de Janeiro: Zahar, 2011, pp. 45-47.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Laurent, E. Disrup\u00e7\u00e3o do gozo nas loucuras sob transfer\u00eancia. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana \u2013 Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise.<\/em> S\u00e3o Paulo: E\u00f3lia, n. 79, jul. 2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Cervelin Cartel Fulgurante \/ Eixo 2 \u2013 Estar \u00e0 altura do acontecimento imprevisto Ainda no come\u00e7o do eixo, Fl\u00e1via C\u00eara refere-se ao papel do analista em fazer do inconsciente um acontecimento. Parto da\u00ed. 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