{"id":5057,"date":"2024-08-12T06:21:06","date_gmt":"2024-08-12T09:21:06","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=5057"},"modified":"2024-08-12T06:27:55","modified_gmt":"2024-08-12T09:27:55","slug":"o-corpo-como-limite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/o-corpo-como-limite\/","title":{"rendered":"O corpo como limite"},"content":{"rendered":"<p><strong>Mauro Agosti<br \/>\n<\/strong>Participante da Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas da 5\u00b0Jornada da EBP-Sul.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5050\" aria-describedby=\"caption-attachment-5050\" style=\"width: 683px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5050 size-large\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_010-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_010-683x1024.jpg 683w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_010-200x300.jpg 200w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_010-768x1152.jpg 768w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_010-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_010.jpg 1365w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5050\" class=\"wp-caption-text\">[ Foto de Leonardo Lima &#8211; Vera Mantero &#8211; Festival de Curitiba, 2017]<\/figcaption><\/figure>Tomei como ponto de partida o significante<strong><em> Corpo<\/em><\/strong> do t\u00edtulo desta 5<sup>a <\/sup>Jornada da EBP Sul e, partindo da orienta\u00e7\u00e3o de Lacan onde, os discursos organizam um modo de fazer la\u00e7os a partir da impossibilidade da linguagem cobrir o real, me parece interessante pensarmos numa articula\u00e7\u00e3o com as apresenta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas barulhentas, desarticuladas, empobrecidas de elabora\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas, muitas vezes acompanhadas por diferentes tipos de excessos (drogas, \u00e1lcool, compras, jogos, trabalho etc.) e que t\u00eam como protagonista o corpo. Esta tentativa de articula\u00e7\u00e3o tem como finalidade despertar a curiosidade e convidar a receber as suas elabora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Do corpo afetado ao corpo como limite, qual tor\u00e7\u00e3o a\u00ed?<\/p>\n<p>Inicialmente me orientei pelo impacto dos discursos nos corpos, mas a posteriori, uma nova dire\u00e7\u00e3o se me apresentou para acrescent\u00e1-la: os modos de habitar os discursos e sua rela\u00e7\u00e3o com os limites. Esta possibilidade veio a partir de um encontro com um texto cujo t\u00edtulo me causou \u201cCeder el goce o ceder al goce: discurso capitalista y acto anal\u00edtico\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> e do qual fa\u00e7o a seguinte extra\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cSe hace lazo cuando se cede goce: por respeto, por amor, por saber, por deseo\u2026 Concretamente, los discursos organizan modos de ceder el goce. Los distintos\u00a0 modos de resolver\u00a0 la imposibilidad configuran distintas maneras de aceptar los l\u00edmites del lenguaje. El agente del discurso comanda el modo de ceder goce, modo por el que se permite que el discurso contin\u00fae. [&#8230;] Pero en el discurso capitalista \u2013 y en el cient\u00edfico cuando se al\u00eda con \u00e9l \u2013\u00a0 no hay posibilidad de discurso porque no se pide ceder el goce sino ceder al goce. Se promete que no es preciso un menos de goce para resolver, que no hay que perder nada, al contrario, se promete una ganancia de goce. Se trata al goce con m\u00e1s goce. El mercado provee los objetos \u2013 y as\u00ed pasan a ser objetos de consumo el saber, el amor y la pol\u00edtica, por ejemplo \u2013. El goce as\u00ed entendido supone una satisfacci\u00f3n para todos igual, no se trata del goce singular como lo entiende el psicoan\u00e1lisis. La experiencia de aceleraci\u00f3n y excitaci\u00f3n creciente de nuestro tiempo es fruto de esta imposibilidad de discurso: el circuito de satisfacci\u00f3n es cont\u00ednuo y la tensi\u00f3n no se descarga m\u00e1s que por llegar al l\u00edmite del cuerpo, incluyendo la posibilidad de morir\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Esta refer\u00eancia permite avan\u00e7ar que estamos perante um \u201cn\u00e3o-discurso, um anti-discurso\u201d que nega a perda, como enuncia a autora. Sabemos que estando na linguagem, algo sempre se perde e, portanto, inevitavelmente aparecer\u00e1 o resto, aquilo que n\u00e3o pode ser transformado retornando ent\u00e3o no real. Desde os tratamentos do gozo que produz a ci\u00eancia aliada ao capital, se exclui a dimens\u00e3o do gozo singular e da transfer\u00eancia, sendo esta a que pode fazer de limite no marco de um discurso qualquer. Ent\u00e3o, sem perda, sem la\u00e7o, sem palavra, o corpo passaria ao primeiro plano como limite? Neste anti-discurso capitalista, ao recha\u00e7ar a cess\u00e3o de gozo, se perde a possibilidade de responder tanto por parte do agente como pelo sujeito, se perde assim o sujeito?<\/p>\n<p>O discurso anal\u00edtico, via a transfer\u00eancia, visa a pensar em modos de que a perda seja reintroduzida e apaziguada. Ele se oferece para elevar \u00e0 dignidade de um sintoma, aquilo que empurra o corpo e assume v\u00e1rias formas que perturbam o funcionamento deste. Ser\u00e1 ent\u00e3o interessante pensarmos que o ato sob transfer\u00eancia poderia ser uma das respostas da psican\u00e1lise ao limite da capacidade do simb\u00f3lico, ao problema do gozo?<\/p>\n<hr \/>\n<h5><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> \u201cCeder Gozo ou ceder ao gozo. Discurso capitalista e ato anal\u00edtico\u201d<\/h5>\n<h5><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> TEIXID\u00d3, Araceli. Ceder el goce o ceder al goce: discurso capitalista y acto anal\u00edtico. Revista Enlaces An\u0308o 24, N\u00b0 28, septiembre 2022. p. 196.<\/h5>\n<h5>\u201cFaz-se la\u00e7o quando se cede o gozo: por respeito, por amor, por saber, por desejo&#8230; Concretamente, os discursos organizam modos de ceder o gozo. Os diferentes modos de resolver a impossibilidade configuram diferentes maneiras de aceitar os limites da linguagem. O agente do discurso comanda o modo de ceder o gozo, o modo pelo qual se permite que o discurso continue. [&#8230;] Mas no discurso capitalista \u2013 e no discurso cient\u00edfico quando aliado a ele \u2013 n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de discurso porque n\u00e3o se pede para ceder o gozo, mas para ceder ao gozo. Promete-se que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter um menos gozo para resolver, que n\u00e3o h\u00e1 nada a perder, pelo contr\u00e1rio, promete-se um ganho de gozo. Trata-se o gozo com mais gozo. O mercado fornece os objetos \u2013 e assim o saber, o amor e a pol\u00edtica, por exemplo, tornam-se objetos de consumo. O gozo entendido desta forma pressup\u00f5e uma satisfa\u00e7\u00e3o igual para todos; n\u00e3o se trata de um gozo singular, tal como a psican\u00e1lise o entende. A experi\u00eancia de acelera\u00e7\u00e3o e excita\u00e7\u00e3o crescente do nosso tempo \u00e9 fruto desta impossibilidade de discurso: o circuito de satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 cont\u00ednuo e a tens\u00e3o s\u00f3 \u00e9 descarregada ao atingir os limites do corpo, incluindo a possibilidade de morrer\u201d. (Tradu\u00e7\u00e3o livre da Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias da 5\u00b0 Jornada).<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mauro Agosti Participante da Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas da 5\u00b0Jornada da EBP-Sul. Tomei como ponto de partida o significante Corpo do t\u00edtulo desta 5a Jornada da EBP Sul e, partindo da orienta\u00e7\u00e3o de Lacan onde, os discursos organizam um modo de fazer la\u00e7os a partir da impossibilidade da linguagem cobrir o real, me parece interessante&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-5057","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-boletim-corpografias","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5057","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5057"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5057\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5060,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5057\/revisions\/5060"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5057"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5057"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5057"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5057"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}