{"id":5053,"date":"2024-08-12T06:18:46","date_gmt":"2024-08-12T09:18:46","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=5053"},"modified":"2024-08-12T06:19:05","modified_gmt":"2024-08-12T09:19:05","slug":"costuras-litoraneas-poesia-e-psicanalise-na-escrita-dos-corpos-e-seus-restos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/costuras-litoraneas-poesia-e-psicanalise-na-escrita-dos-corpos-e-seus-restos\/","title":{"rendered":"Costuras litor\u00e2neas: poesia e psican\u00e1lise na escrita dos corpos e seus restos"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Mariana Queiroz<\/strong><\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_5055\" aria-describedby=\"caption-attachment-5055\" style=\"width: 683px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5055 size-large\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_011-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_011-683x1024.jpg 683w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_011-200x300.jpg 200w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_011-768x1152.jpg 768w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_011-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Boletim_003_011.jpg 1365w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5055\" class=\"wp-caption-text\">[Foto de Leonardo Lima &#8211; Vera Mantero &#8211; Festival de Curitiba, 2017]<\/figcaption><\/figure>\n<ol>\n<li>Tropecei em um poema\/ensaio de Ricardo Aleixo<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> no qual ele destrincha seu trabalho perform\u00e1tico Poemanto<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, produzido com um pano (preto), sobre seu corpo (negro), escrito com tinta (branca). Fazendo refer\u00eancia aos parangol\u00e9s de Oiticica, aos mantos de Bispo do Ros\u00e1rio, Aleixo denomina corpografia, seu ato perform\u00e1tico, sendo esta uma forma de escrita. Desfazer-se dos mortos, em seu tecido inscrito de significantes, \u201cno limiar da legibilidade\u201d, na colis\u00e3o de temporalidades, em um of\u00edcio de \u201cobras permanentemente em obras\u201d. O poeta\/performer faz um borramento litor\u00e2neo no suas tor\u00e7\u00f5es da linguagem: corpo, escrita, cena, imagem s\u00e3o reconfigurados. \u201cEscutar a letra e escrever a voz\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> \u00e9 uma das defini\u00e7\u00f5es que ele d\u00e1 para seu processo criativo. Como um a um, poetas, performers, dan\u00e7arinos podem nos transmitir os usos e tor\u00e7\u00f5es da l\u00edngua e da linguagem e acolhem inventivamente <em>isso<\/em> que perturba um corpo?<\/li>\n<li>Retalhos de escrita: \u201cj\u00e1 costurei este corpo tantas vezes. se anuncia da ponta da esc\u00e1pula o voo. fa\u00e7o colchas de retalhos como a minha v\u00f3. ela juntava os abismos dos dias com a m\u00e1quina. eu junto os abismos dos dias com o poema. j\u00e1 costurei este corpo tantas vezes. mulheres me atravessam a retina e invadem as cenas mudas que me engasgam. fios soltos se espalham pelo tecidopelecorpoema. sempre resta algo descosturado\u2026 j\u00e1 costurei este corpo muitas vezes. \u00e9 um espantalho. um texto. tento passar a agulho pelos cacos de vidro. estilha\u00e7o. nem tudo se costura.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u201d A escrita \u00e9 um ato. Marguerite Duras<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>,\u201d diz \u201cposso dizer o que quiser, mas jamais vou saber por que escrevemos e como n\u00e3o escrevemos.\u00a0 Gloria Anzald\u00faa<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> tamb\u00e9m toca algo desse limiar da convoca\u00e7\u00e3o \u00e0 escrita \u201cE por fim, eu escrevo porque tenho medo de escrever, mas tenho mais medo ainda de n\u00e3o escrever\u201d. Como um corpo se enla\u00e7a \u00e0 causa da escrita?<\/li>\n<li>Fl\u00e1via Cera<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> aproxima arte e psican\u00e1lise como discursos que n\u00e3o servem ao poder, mas que \u201cquestionam a l\u00edngua do poder e, assim, inventam a vida, inventam l\u00ednguas, se enla\u00e7am com o mundo e s\u00e3o, fundamentalmente, subversivas.\u201d Segundo a psicanalista, a arte \u201cfigura como uma m\u00e1quina de guerra\u201d. Arte em suas diferentes linguagens funciona, por vezes como antenas, como m\u00e1quina de guerra e de leitura dos nossos tempos e da tecitura do nosso la\u00e7o social, inclusive incidindo nele, como acontecimento. Como arte e psican\u00e1lise podem vir a acolher e tratar o mal-estar na cultura e, de algum modo dar outro destino aos restos pulsionais que o discurso neoliberal tenta eliminar ?<\/li>\n<li>Este texto \u00e9 efeito de trabalho junto \u00e0 Comiss\u00e3o de Acolhimento da 5\u00aa Jornada da Se\u00e7\u00e3o Sul, Discursos e Corpos: a causa do dizer, coordenada por Juliana Rego Silva e composta tamb\u00e9m pelas colegas Andrea Tochetto, Maria Luiza Rovaris Cidade e Cauana Mestre.<\/li>\n<li>Para acolher os corpos na nossa Jornada, indicamos nesta lista\u00a0 sugest\u00f5es de hospedagem: <a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/5a-jornada-da-ebp-secao-sul-discursos-e-corpos-a-causa-do-dizer\/5a-jornada-da-ebp-secao-sul-discursos-e-corpos-a-causa-do-dizer-acolhimento\/5a-jornada-da-ebp-secao-sul-discursos-e-corpos-a-causa-do-dizer-hospedagem\/\">https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/5a-jornada-da-ebp-secao-sul-discursos-e-corpos-a-causa-do-dizer\/5a-jornada-da-ebp-secao-sul-discursos-e-corpos-a-causa-do-dizer-acolhimento\/5a-jornada-da-ebp-secao-sul-discursos-e-corpos-a-causa-do-dizer-hospedagem\/<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<hr \/>\n<h5><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> ALEIXO, Ricardo.\u00a0<strong>: Pesado demais para ventania<\/strong>: antologia po\u00e9tica. S\u00e3o Paulo: Todavia, 2018.<\/h5>\n<h5><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u00a0 POEMANTO &amp; LABIRINTO. Dire\u00e7\u00e3o de Chico de Paula. Int\u00e9rpretes: Ricardo Aleixo. [S.I]: Arquip\u00e9lago Audivisual, 2020. P&amp;B. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_BgsZuz_6_Q. Acesso em: 22 mar. 2024.<\/h5>\n<h5><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u00a0 ESCUTAR a letra, escrever a voz. Realiza\u00e7\u00e3o de Ricardo Aleixo. [S.I]: Motir\u00f5 &#8211; Escola de Cria\u00e7\u00e3o Liter\u00e1ria, 2022. Color. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=72CcXD0mKO0. Acesso em: 20 jul. 2024.<\/h5>\n<h5><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> QUEIROZ, Mariana.\u00a0<strong>AVOA<\/strong>. Bragan\u00e7a Paulista: Urutau, 2021.<\/h5>\n<h5><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> DURAS, Marguerite.\u00a0<strong>Escrever<\/strong>. Belo Horizonte: Rel\u00edcario, 2021. Tradu\u00e7\u00e3o Luciene de Oliveira.<\/h5>\n<h5><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> ANZALD\u00daA, Gloria. Falando em L\u00ednguas: uma carta para mulheres escritoras do terceiro mundo. In: Anzald\u00faa, Gloria.\u00a0<strong>A vulva \u00e9 uma ferida aberta &amp; outros ensaios<\/strong>. Rio de Janeiro: A Bolha Editora, 2021. p. 43-62. Tradu\u00e7\u00e3o Tatiana Nascimento.<\/h5>\n<h5><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> NECHI, Vitor.\u00a0<strong>Entrevista com Fl\u00e1via Cera<\/strong>: a l\u00f3gica de exterm\u00ednio perde o v\u00e9u, est\u00e1 em pra\u00e7a p\u00fablica. A l\u00f3gica de exterm\u00ednio perde o v\u00e9u, est\u00e1 em pra\u00e7a p\u00fablica. 2018. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/artigo\/7305-a-logica-de-exterminio-perde-o-veu-esta-em-praca-publica. Acesso em: 20 jul. 2024.<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariana Queiroz Tropecei em um poema\/ensaio de Ricardo Aleixo[1] no qual ele destrincha seu trabalho perform\u00e1tico Poemanto[2], produzido com um pano (preto), sobre seu corpo (negro), escrito com tinta (branca). Fazendo refer\u00eancia aos parangol\u00e9s de Oiticica, aos mantos de Bispo do Ros\u00e1rio, Aleixo denomina corpografia, seu ato perform\u00e1tico, sendo esta uma forma de escrita. Desfazer-se&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-5053","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-boletim-corpografias","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5053","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5053"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5053\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5056,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5053\/revisions\/5056"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5053"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5053"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5053"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=5053"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}