{"id":4970,"date":"2024-06-24T18:23:51","date_gmt":"2024-06-24T21:23:51","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=4970"},"modified":"2024-06-26T06:28:13","modified_gmt":"2024-06-26T09:28:13","slug":"o-interpretador-e-o-analisando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/o-interpretador-e-o-analisando\/","title":{"rendered":"O interpretador \u00e9 o analisando?"},"content":{"rendered":"<h6><em><strong>Gustavo Ramos<\/strong><\/em><em><strong> (EBP\/AMP)<\/strong><\/em><\/h6>\n<figure id=\"attachment_4971\" aria-describedby=\"caption-attachment-4971\" style=\"width: 374px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4971\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-003-766x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"374\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-003-766x1024.jpg 766w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-003-224x300.jpg 224w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-003-768x1027.jpg 768w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-003-1149x1536.jpg 1149w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-003.jpg 1346w\" sizes=\"auto, (max-width: 374px) 100vw, 374px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4971\" class=\"wp-caption-text\">Franz W. Seiwert, \u201cStark Abstrahierte Halbfigur\u201d (1920)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00c0 primeira vista, o t\u00edtulo deste eixo me causou um certo estranhamento. Como assim o interpretador \u00e9 o analisando? Se formos partir desse ponto, qual seria, ent\u00e3o, a fun\u00e7\u00e3o do analista? Qual a fun\u00e7\u00e3o do analista diante de um equ\u00edvoco do analisando? \u00c9 por essa via que minha quest\u00e3o de cartel se delineou.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 todo o equ\u00edvoco que vai servir de material para a interpreta\u00e7\u00e3o e \u00e9 por esse motivo que Lacan vai desmistific\u00e1-lo ao dizer que \u00e9 ele, o equ\u00edvoco, quem faz explodir as fic\u00e7\u00f5es. Estas est\u00e3o contaminadas pelos tra\u00e7os do Outro, &#8220;transformando-os em marcas subjetivas que se tornam restos de gozo desconhecidos&#8221;<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>; s\u00e3o elas que &#8220;nos falam&#8221;<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, como apregoa Lacan ao dizer que n\u00e3o falamos o que realmente queremos, mas o que os outros quiseram de n\u00f3s. Essas marcas instauram a fic\u00e7\u00e3o fantasm\u00e1tica de cada um e \u00e9 com elas que vamos ter um enquadre do real. Por se tratar de um enquadre, a fic\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem como cernir todo o sujeito, h\u00e1 um ponto que sempre ficar\u00e1 de fora, um ponto opaco.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto que o argumento da nossa jornada diz se localizar o dizer, a causa do dizer, o caro\u00e7o do corpo que sempre escapa do real. A fic\u00e7\u00e3o, nesse sentido, \u00e9 impotente para resolver a opacidade do real, e ela \u00e9 substitu\u00edda, agora sim, pela fix\u00e3o: &#8220;um vazio de nomes, de endere\u00e7amento, de la\u00e7o, um buraco no discurso&#8221;<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, ou ainda como nos diz Lacan em <em>O Aturdito<\/em>: &#8220;[&#8230;] ao mostrar a sa\u00edda das fic\u00e7\u00f5es da Mundanidade, produzir uma outra fix\u00e3o [fixion] do real, ou seja, do imposs\u00edvel que o fixa pela estrutura da linguagem.&#8221;<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a><\/p>\n<p><sup>\u00a0<\/sup>Sob essa toada, podemos retomar o equ\u00edvoco como o elemento que pode apontar para esse real opaco e assim nos dar uma pista do que est\u00e1 de fora do enquadre fornecido pelo Outro. Lembro de um analisante que caiu diante do consult\u00f3rio do analista, estatelou no ch\u00e3o e foi hospitalizado com ferimentos. Dias depois, ao retornar ao consult\u00f3rio come\u00e7ou a dar sentido \u00e0 queda e a relacion\u00e1-la com sua an\u00e1lise. O analista interrompe a prolifera\u00e7\u00e3o de sentido ao dizer: &#8220;foi um acidente&#8221;, colocando tal analisante em uma outra posi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a de querer dar sentido a todo e qualquer equ\u00edvoco e a toda e qualquer queda. Um tombo muitas vezes \u00e9 s\u00f3 um tombo e o ato do analista foi o de tirar tal analisante da fic\u00e7\u00e3o fantasm\u00e1tica do sentido para coloc\u00e1-lo em uma outra posi\u00e7\u00e3o. Para isso, a presen\u00e7a do analista foi essencial.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> BROUSSE, Marie-H\u00e9l\u00e8ne. Tra\u00e7os e marcas. In: <em>Curinga<\/em>. Belo Horizonte: EBP Se\u00e7\u00e3o Minas, n. 52, 2021. p. 30.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> LACAN, Jacques. Joyce, o sinthoma. In: <em>O Semin\u00e1rio, livro 23<\/em>: o sinthoma (1975-1976). Trad. de S\u00e9rgio Laia. Rio de Janeiro: Zahar, 2007. p. 158-159.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> <em>Ibid<\/em>., p. 30.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> LACAN, Jacques. O Aturdito. In: <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2003, p. 480.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gustavo Ramos (EBP\/AMP) \u00c0 primeira vista, o t\u00edtulo deste eixo me causou um certo estranhamento. Como assim o interpretador \u00e9 o analisando? Se formos partir desse ponto, qual seria, ent\u00e3o, a fun\u00e7\u00e3o do analista? Qual a fun\u00e7\u00e3o do analista diante de um equ\u00edvoco do analisando? \u00c9 por essa via que minha quest\u00e3o de cartel se&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-4970","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-boletim-corpografias","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4970","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4970"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4970\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5002,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4970\/revisions\/5002"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4970"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4970"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4970"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=4970"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}