{"id":4967,"date":"2024-06-24T18:21:01","date_gmt":"2024-06-24T21:21:01","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=4967"},"modified":"2024-06-26T06:28:19","modified_gmt":"2024-06-26T09:28:19","slug":"a-interpretacao-na-orientacao-pelo-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/a-interpretacao-na-orientacao-pelo-real\/","title":{"rendered":"A interpreta\u00e7\u00e3o na orienta\u00e7\u00e3o pelo real"},"content":{"rendered":"<h6><strong><em>Samyra Assad<\/em><\/strong><em><strong> (EBP\/AMP)<\/strong><\/em><\/h6>\n<figure id=\"attachment_4968\" aria-describedby=\"caption-attachment-4968\" style=\"width: 328px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4968\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-004-671x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"328\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-004-671x1024.jpg 671w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-004-197x300.jpg 197w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-004-768x1173.jpg 768w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-004-1006x1536.jpg 1006w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-004.jpg 1179w\" sizes=\"auto, (max-width: 328px) 100vw, 328px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4968\" class=\"wp-caption-text\">Kandinsky, \u201cIneinander (Intermingling)\u201d (1928)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pergunto-me se o fato de que o \u201cO interpretador \u00e9 o analisando\u201d, tal como Lacan o diz na p\u00e1gina 224 em seu Semin\u00e1rio 19, \u201c&#8230;ou pior\u201d, corresponderia a uma interpreta\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, que se dirige \u00e0 verdade, via uma interpreta\u00e7\u00e3o que se dirige ao ser, \u00e0 fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda que isso fa\u00e7a parte de um percurso anal\u00edtico, essa proposi\u00e7\u00e3o me fez pensar em um passo al\u00e9m, j\u00e1 que o Semin\u00e1rio 19 antecede ao \u00faltimo e ao ultim\u00edssimo ensino de Lacan, a partir do desenvolvimento da no\u00e7\u00e3o do UM, de uma ex-sist\u00eancia que faz parte do corpo como suporte do discurso, terreno primitivo da marca de uma l\u00edngua.<\/p>\n<p>Podemos dizer que uma passagem se coloca no ensino de Lacan, ou seja, da interpreta\u00e7\u00e3o que se dirige \u00e0 verdade para aquela que se dirige ao gozo. H\u00e1 uma trajet\u00f3ria cujo vetor parte da fic\u00e7\u00e3o para chegar \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o dos pontos libidinais, de acordo com o estatuto e o momento de se abranger o que uma interpreta\u00e7\u00e3o visaria atingir.<\/p>\n<p>Se do lado da interpreta\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica situamos uma necessidade ligada ao sintoma, poder\u00edamos dizer que a interpreta\u00e7\u00e3o, por exemplo, pelo equ\u00edvoco, se situa em uma conting\u00eancia que pode atingir o trauma da l\u00edngua ligado de algum modo ao sinthoma? Se essa interpreta\u00e7\u00e3o pelo equ\u00edvoco visa o gozo, quem seria o int\u00e9rprete? Suponho que seja o dizer associado \u00e0 hi\u00e2ncia da estrutura, via uma irrup\u00e7\u00e3o, a partir da qual o lugar do sujeito \u00e9 marcado por uma aus\u00eancia.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, quando Lacan vai tratar a origem de um discurso a partir do discurso anal\u00edtico (o \u00fanico que n\u00e3o \u00e9 comandado pela verdade e sim por um semblante em sua rela\u00e7\u00e3o com o nada), ele ressalta a import\u00e2ncia de se distinguir a \u201chi\u00e2ncia que existe entre o n\u00edvel do corpo, do gozo e do semblante e o discurso\u201d, para enfim, indicar que: \u201cLidamos aqui com outra coisa, que tem nome: a interpreta\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. A interpreta\u00e7\u00e3o, assim, estaria aliada \u00e0 hi\u00e2ncia que constitui uma estrutura de onde se extrai a realidade de um dizer.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente nesse ponto que salto para o Semin\u00e1rio 21, para retomar a equival\u00eancia material de um equ\u00edvoco, a partir da ex-sist\u00eancia de lal\u00edngua: \u201c\u00c9 ela que determina como parasit\u00e1rio no Real o que tem a ver com o saber inconsciente\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Bem, \u00e9 por esse caminho que trabalho no cartel fulgurante para a V Jornada da EBP-Se\u00e7\u00e3o Sul, \u201cDiscursos e Corpos: a causa do dizer\u201d, agradecendo desde j\u00e1 aos colegas por esse convite ao trabalho.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> LACAN, J. \u2013 <em>O Semin\u00e1rio<\/em>, <em>livro 19: &#8230; ou pior.<\/em> (1971-1972). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2012, p. 223.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> LACAN, J. \u2013 <em>O Semin\u00e1rio, livro 21: Os n\u00e3o-tolos erram<\/em> \u2013 li\u00e7\u00e3o de 11 de junho de 1974.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Samyra Assad (EBP\/AMP) Pergunto-me se o fato de que o \u201cO interpretador \u00e9 o analisando\u201d, tal como Lacan o diz na p\u00e1gina 224 em seu Semin\u00e1rio 19, \u201c&#8230;ou pior\u201d, corresponderia a uma interpreta\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, que se dirige \u00e0 verdade, via uma interpreta\u00e7\u00e3o que se dirige ao ser, \u00e0 fic\u00e7\u00e3o. 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