{"id":4961,"date":"2024-06-24T18:14:15","date_gmt":"2024-06-24T21:14:15","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=4961"},"modified":"2024-06-26T06:47:41","modified_gmt":"2024-06-26T09:47:41","slug":"o-corpo-na-interpretacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/o-corpo-na-interpretacao\/","title":{"rendered":"O corpo na interpreta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h6><em>Paula Nocquet<\/em><\/h6>\n<figure id=\"attachment_4962\" aria-describedby=\"caption-attachment-4962\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4962\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-006-768x694.jpg\" alt=\"\" width=\"346\" height=\"500\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4962\" class=\"wp-caption-text\">Kandinsky, Improvisation 26 (rowing) (1912)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O t\u00edtulo do eixo <em>O interpretador \u00e9 o analisante<\/em> t\u00e3o logo me remete ao inconsciente int\u00e9rprete que prop\u00f5e J-A Miller<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. O inconsciente \u00e9 o nosso primeiro int\u00e9rprete e se oferece \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o, como vemos nos sonhos. \u00c9 o inconsciente que bem conhecemos, um grande trabalhador de ciframentos do qual Freud nos deu tantas provas. Ainda que em partes uma an\u00e1lise possa consistir em uma interpreta\u00e7\u00e3o com efeito de sentido, aportando S2, \u00e9 preciso em algum momento que, ao inv\u00e9s de favorecer a produ\u00e7\u00e3o de sentido, isso se esvazie, isolando os S1. Assim, temos a primeira e segunda cl\u00ednica que n\u00e3o se excluem, mas, se referem a formas diferentes para pensar o inconsciente e, talvez, formas diferentes de pensar o corpo.<\/p>\n<p>Todos temos palavras que aprisionam o corpo de alguma maneira, como uma marca ou um trauma que se imp\u00f4s em algum momento sem raz\u00e3o de ser. A interpreta\u00e7\u00e3o, do lado do analista, caberia ser uma esp\u00e9cie de m\u00edssil<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> de linguagem para essas palavras que aprisionavam. De todo modo, os efeitos s\u00e3o apenas verificados em um efeito retroativo. Mas, como nos orientamos para essa interpreta\u00e7\u00e3o? Para isso, interessa-me recortar uma pergunta que Li\u00e8ge nos faz em seu texto, <em>como o discurso anal\u00edtico permitiria liberar o corpo aprisionado pelo discurso e ent\u00e3o produzir um outro corpo?<\/em> Existiria um corpo que n\u00e3o esteja aprisionado pelo discurso? De que <em>outro corpo<\/em> se trata?<\/p>\n<p>Precisamos do corpo para falar, no consult\u00f3rio se traz o corpo e se fala dele, do pr\u00f3prio e do corpo do Outro. Na cl\u00ednica das neuroses, enquanto as hist\u00e9ricas padecem do corpo, os obsessivos trabalham para mortific\u00e1-lo. A experi\u00eancia anal\u00edtica coloca de manifesto que o corpo n\u00e3o responde ali onde esper\u00e1vamos, seja na sexualidade, no riso ou no espelho. Ou seja, temos um corpo do qual se goza, que nunca parece nos pertencer totalmente, pois experimentamos um certo <em>estranhamento<\/em>. Voltando ao fio da tens\u00e3o entre a primeira e segunda cl\u00ednica, se tomarmos o imagin\u00e1rio do ultim\u00edssimo ensino, um imagin\u00e1rio n\u00e3o mais reduzido \u00e0 sua imagem especular, mas a partir do enodamento de R.S.I., e que \u201cpassa a ter como marco essencial sua equival\u00eancia com o corpo\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, me pergunto se podemos nos orientar em nossa cl\u00ednica atual, pelas solu\u00e7\u00f5es que o sujeito inventa para habitar seu corpo, quando o simb\u00f3lico \u00e9 insuficiente para regular o gozo, fazendo da interpreta\u00e7\u00e3o uma caixa de resson\u00e2ncia desse gozo?<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> MILLER, J-A. El inconsciente int\u00e9rprete (1995). Em: Introducci\u00f3n a la cl\u00ednica lacaniana. Conferencias en Espa\u00f1a, 2006.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> MILLER, J-A. \u00bfHa dicho raro?. En: EOL. Secci\u00f3n C\u00f3rdoba. <em>Revista Mediodicho<\/em>, n.42, Septiembre de 2016.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> LACAN, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, livro 23<\/em>: O sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007. (Trabalho original proferido em 1975-76), p. 135.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paula Nocquet O t\u00edtulo do eixo O interpretador \u00e9 o analisante t\u00e3o logo me remete ao inconsciente int\u00e9rprete que prop\u00f5e J-A Miller[1]. 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