{"id":4954,"date":"2024-06-24T18:06:44","date_gmt":"2024-06-24T21:06:44","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=4954"},"modified":"2024-06-26T06:20:44","modified_gmt":"2024-06-26T09:20:44","slug":"a-crianca-e-o-seu-dizer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/a-crianca-e-o-seu-dizer\/","title":{"rendered":"A crian\u00e7a e o seu dizer"},"content":{"rendered":"<h6><em><strong>Soledad Torres<\/strong><\/em><\/h6>\n<figure id=\"attachment_4956\" aria-describedby=\"caption-attachment-4956\" style=\"width: 333px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4956\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-008-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"333\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-008-200x300.jpg 200w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-008-681x1024.jpg 681w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-008-768x1155.jpg 768w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-008-1021x1536.jpg 1021w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/corpografias002-008.jpg 1197w\" sizes=\"auto, (max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4956\" class=\"wp-caption-text\">Henry L. Sa\u00ffen, \u201cDaugther in a rocker\u201d (1918)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para o discurso anal\u00edtico a crian\u00e7a \u00e9 quem \u00e9 \u201csujeito suposto saber\u201d, igual \u00e9 o adulto.\u00a0 Lembremos que desde a descoberta freudiana da sexualidade infantil perversa-polimorfa, a crian\u00e7a passou a ser escutada como um sujeito em pleno exerc\u00edcio em rela\u00e7\u00e3o ao inconsciente, o desejo e o gozo que a habita.<\/p>\n<p>Daniel Roy (2023), no seu texto <em>Sonhos e fantasmas na crian\u00e7a<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup><strong>[1]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>, nos diz:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">\u00c9 nossa oportunidade e a oportunidade de dar \u00e0s crian\u00e7as que encontramos. A oportunidade de se deslocar nos discursos de domina\u00e7\u00e3o que buscam assujeit\u00e1-las e a ocasi\u00e3o de encontrar um lugar para os objetos <em>gadgets <\/em>que nossa civiliza\u00e7\u00e3o lhes oferece aos montes. Como? Pois bem, explorando com cada crian\u00e7a os significantes-mestres que fazem dela sujeito, e o sonho permanece aqui a &#8220;via r\u00e9gia&#8221;, na medida em que lhe damos lugar &#8220;nessa parte reservada do corpo em que o gozo pode se refugiar&#8221;, que se chama objeto <em>a<\/em>. (s\/n)<\/p>\n<p>As crian\u00e7as que chegam ao consult\u00f3rio s\u00e3o trazidas e faladas desde diferentes discursos, faladas pelos Outros que n\u00e3o s\u00e3o apenas os pais sen\u00e3o v\u00e1rios outros (fam\u00edlia, escola, m\u00e9dico, juiz, outros profissionais). \u00c9 o Outro que diz a\u00ed ou \u00e9 dessa crian\u00e7a o dizer? A crian\u00e7a \u00e9 um sujeito que est\u00e1 se constituindo no entrecruzamento de discursos que buscam assujeit\u00e1-la, um sujeito que tem de se haver com aquilo que lhe vem do Outro. Segundo Miller, a crian\u00e7a \u00e9 por excel\u00eancia o sujeito entregue ao discurso do Mestre pelo vi\u00e9s do saber e nos confronta com uma quest\u00e3o pol\u00edtica na qual trata-se sempre de reduzir, de comprimir, de dominar, de manipular o gozo daquele que chamamos uma crian\u00e7a: um sujeito \u00b4assujeitado\u00b4<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O que uma an\u00e1lise pode oferecer? Restituir o saber \u00e0 crian\u00e7a, esse saber aut\u00eantico, apontar ao saber-fazer com o gozo que \u00e9 vivido no corpo. O discurso anal\u00edtico n\u00e3o visa a domina\u00e7\u00e3o ou domestica\u00e7\u00e3o do gozo sen\u00e3o que se orienta a seguir as marcas de gozo na fala dessa crian\u00e7a que chega na consulta, oferecendo o espa\u00e7o para que possa elucubrar um saber a seu alcance e que possa lhe servir. A crian\u00e7a \u00e9 um digno analisando interpretador e o analista que a segue precisa explorar os significantes-mestres que fazem dela Um sujeito, trata-se de n\u00e3o apenas explorar a hist\u00f3ria sen\u00e3o tamb\u00e9m da maneira pela qual lhe foram oferecidos o saber, o gozo e o objeto <em>a<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup><strong>[3]<\/strong><\/sup><\/a>, <\/em>as cartas que lhe foram distribu\u00eddas. Trata-se de possibilitar-lhe o tempo que ela precisa, sem responder rapidamente \u00e0s demandas que somos convocados. \u00c9 algo disto que posso contornar, a partir do que observo na cl\u00ednica e estudo nos espa\u00e7os que participo, causada pelo tema da 5\u00aa Jornada da Se\u00e7\u00e3o Sul da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise. \u00c9 um precioso convite que nos p\u00f5e a trabalho e ao estudo, a tentar que cada um possa elaborar e dar lugar a um dizer singular.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Roy, D. (2023) <em>Sonhos em fantasmas na crian\u00e7a<\/em>, Rayuela Publicaci\u00f3n Virtual de la Nueva Red Cereda Am\u00e9rica, nro 10. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.revistarayuela.com\/pt\/010\/template.php?file=notas\/suenos-y-fantasmas-en-el-nino.html\">https:\/\/www.revistarayuela.com\/pt\/010\/template.php?file=notas\/suenos-y-fantasmas-en-el-nino.html<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Miller, J.-A. (2012) <em>A crian\u00e7a e o saber<\/em>, CIEN-Digital, nro 11, p. 6. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/CIEN-Digital11.pdf\">https:\/\/ciendigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/CIEN-Digital11.pdf<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Lacan, J. (2008) <em>O Semin\u00e1rio, livro 16: de um Outro ao outro<\/em>, p. 321.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Soledad Torres Para o discurso anal\u00edtico a crian\u00e7a \u00e9 quem \u00e9 \u201csujeito suposto saber\u201d, igual \u00e9 o adulto.\u00a0 Lembremos que desde a descoberta freudiana da sexualidade infantil perversa-polimorfa, a crian\u00e7a passou a ser escutada como um sujeito em pleno exerc\u00edcio em rela\u00e7\u00e3o ao inconsciente, o desejo e o gozo que a habita. 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