{"id":4881,"date":"2024-05-17T06:50:08","date_gmt":"2024-05-17T09:50:08","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=4881"},"modified":"2024-05-20T05:50:46","modified_gmt":"2024-05-20T08:50:46","slug":"a-jornada-da-formacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/a-jornada-da-formacao\/","title":{"rendered":"A jornada da forma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h6>Gresiela Nunes da Rosa<br \/>\nMembro da EBP\/AMP &#8211; <em>Coordenadora da 5\u00aa Jornada da EBP-Sul<\/em><\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4900 size-medium\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/02.-Gresiela-01.1-300x290.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/02.-Gresiela-01.1-300x290.png 300w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/02.-Gresiela-01.1.png 556w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>O trabalho do psicanalista \u00e9 solit\u00e1rio. Estando ele no seu consult\u00f3rio privado ou mesmo trabalhando em institui\u00e7\u00f5es multiprofissionais, ao fim e ao cabo, seu fazer, seu ato, ser\u00e1 sempre o ato de Um sozinho.<\/p>\n<p>Esta solid\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 presente apenas no ato (no fazer pr\u00e1tico do psicanalista), ela est\u00e1 em toda parte, inclusive na forma\u00e7\u00e3o do psicanalista, pois tem algo de imposs\u00edvel de se ensinar nesta fun\u00e7\u00e3o. No texto \u201cA forma\u00e7\u00e3o do analista\u201d, Miller (2003, p. 29) nos diz:<\/p>\n<p>\u201cTrata-se ent\u00e3o de considerar bem mais os analistas um a um, j\u00e1 que cada um est\u00e1 sozinho, \u00e0s voltas com a experi\u00eancia e com a psican\u00e1lise, que se trata para cada um de reinventar. Em seu \u00faltimo ensino, Lacan chegou at\u00e9 a\u00ed. Ele surpreendeu todo um Congresso que se realizava sobre a transmiss\u00e3o fechando com a considera\u00e7\u00e3o de que a psican\u00e1lise n\u00e3o se transmitia, que ela s\u00f3 se transmitia desde que cada um a reinventasse.\u201d<\/p>\n<p>Lacan colocou esta quest\u00e3o da solid\u00e3o de muitas outras maneiras: quando disse que um analista se autoriza por si mesmo (2003, p. 314), quando no ato de funda\u00e7\u00e3o da Escola disse \u201cfundo, t\u00e3o\u00a0sozinho como sempre estive\u00a0na minha\u00a0rela\u00e7\u00e3o com a causa\u00a0psicanal\u00edtica\u201d, ou tamb\u00e9m quando disse sobre seu orgulho do poder de ileitura que soube manter intacto em seus textos (2003, p. 379). Mesmo a\u00ed, nas leituras dos textos, nos estudos, \u00e9 preciso colocar algo de si que n\u00e3o seja a ilus\u00e3o de que se compartilha os sentidos. Tanto em sua pr\u00e1tica, como em sua forma\u00e7\u00e3o, h\u00e1 algo intranspon\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Junto com isso, com o an\u00fancio do car\u00e1ter solit\u00e1rio da pr\u00e1tica e da forma\u00e7\u00e3o, Lacan tamb\u00e9m nos disse: \u201cdeve renunciar \u00e0 pr\u00e1tica da psican\u00e1lise todo analista que n\u00e3o conseguir alcan\u00e7ar em seu horizonte a subjetividade de sua \u00e9poca\u201d (1998, p. 321). Neste sentido, como se trata de um horizonte, sabemos que se trata de um lugar ao qual n\u00e3o se chega jamais. Isso sustenta o fato de que a forma\u00e7\u00e3o do psicanalista \u00e9 infinita. N\u00e3o s\u00f3 porque em rela\u00e7\u00e3o ao inconsciente ningu\u00e9m nunca est\u00e1 em dia, como porque a subjetividade de uma \u00e9poca \u00e9 algo que n\u00e3o cessa nunca de se alterar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o temos por um lado essa solid\u00e3o e por outro a necessidade de estarmos \u00e0 altura da subjetividade de nossa \u00e9poca. Podemos concordar que estas duas coisas parecem complexas. \u00c9 a\u00ed que a Escola, uma comunidade de analistas que se sustenta como um conjunto de uns sozinhos, apresenta-se como sa\u00edda. A Escola nos p\u00f5e a trabalhar. E juntos! Aqui estamos n\u00f3s! Trabalhando em torno de uma Jornada, evento proposto por uma se\u00e7\u00e3o regional da Escola, no nosso caso, a Se\u00e7\u00e3o Sul. A Jornada \u00e9 ent\u00e3o uma forma de fazermos la\u00e7o, entre n\u00f3s, tendo a psican\u00e1lise como causa.<\/p>\n<p>No <em>modus operandi<\/em> da forma\u00e7\u00e3o proposta pela Escola temos, entre outras coisas, um tema que orienta nossos estudos ao longo de um tempo. Este tema, que se transforma no t\u00edtulo de um Congresso, de um Encontro, de uma Jornada, \u00e9, em geral, gerado pelo que concerne \u00e0 nossa pr\u00e1tica tendo como horizonte a subjetividade de nossa \u00e9poca. Quer dizer ent\u00e3o que nosso trabalho na prepara\u00e7\u00e3o e efetua\u00e7\u00e3o de uma Jornada, como por exemplo essa que aqui estamos lan\u00e7ando hoje, \u00e9 nossa maneira de fazer la\u00e7os em torno do que nos concerne como analistas, de n\u00e3o estarmos sempre sozinhos e tamb\u00e9m trabalharmos para alcan\u00e7ar em nosso horizonte a subjetividade de nossa \u00e9poca.<\/p>\n<p>O evento ent\u00e3o \u00e9 um chamado. Um chamado para o trabalho que \u00e9 sempre ativo e pode se dar de muitas maneiras. Temos como pol\u00edtica de trabalho que uma Jornada n\u00e3o \u00e9 apenas um evento, mas \u00e9 uma jornada mesmo, um caminho, que mesmo que queiramos chegar aos dias do evento principal, e os preparamos como se prepara uma grande festa, sabemos que uma jornada se faz ao caminhar. Por isso, de hoje at\u00e9 o dia 04 de outubro teremos muito com o que trabalhar. Do nosso lado tamb\u00e9m para preparar essa grande festa, mas convocamos a todos para deixar que o tema da Jornada os ponha a trabalho, ao estudo.<\/p>\n<p>Uma jornada n\u00e3o se faz sozinho e posso dizer que j\u00e1 temos pelo menos 40 pessoas envolvidas diretamente com a prepara\u00e7\u00e3o desta. Mas chamamos todos para o trabalho e nossa sugest\u00e3o \u00e9 que se re\u00fanam em cart\u00e9is (esse tipo de grupo de estudos criado por Lacan) e que a partir da\u00ed possam trazer suas ideias, escritos. Submeter trabalhos para a apresenta\u00e7\u00e3o no grande evento, ou talvez antes, em algum momento que ainda podemos inventar. Fazer desta Jornada uma parte da jornada da nossa forma\u00e7\u00e3o que \u00e9 infinita.<\/p>\n<p>O convite que recebi para exercer a fun\u00e7\u00e3o de coordenar a 5\u00aa Jornada da Se\u00e7\u00e3o Sul da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise foi uma grande surpresa, ao que agrade\u00e7o com uma imensa alegria \u00e0 Diretoria da Se\u00e7\u00e3o por esta oportunidade. E desde meu primeiro movimento para come\u00e7ar a construir esse evento eu tenho recebido Sim. Muitos sins. O primeiro sim que recebi foi ao convidar Graciela Brodsky para ser a conferencista principal da Jornada. Quem j\u00e1 a conhece sabe que maravilha \u00e9 a oportunidade de poder escut\u00e1-la, quem ainda n\u00e3o a conhece, n\u00e3o perde por esperar. Organizar tudo isso tem sido ao mesmo tempo f\u00e1cil e trabalhoso. Trabalhoso, porque para produzir todas estas coisas \u00e9 preciso movimentar o corpo e fazer la\u00e7os e f\u00e1cil porque estou trabalhando com gente magn\u00edfica &#8211; disposta, criativa e inteligente.<\/p>\n<p>Na Comiss\u00e3o epist\u00eamica temos a coordena\u00e7\u00e3o de Nohem\u00ed Brown que trabalha com Cinthia Busato, Fl\u00e1via Cera e Li\u00e8ge Goulart para nos trazer a argumenta\u00e7\u00e3o e os eixos de pesquisas desta Jornada. O que dirigir\u00e1 nossos estudos para que possamos sustentar nossa pr\u00e1tica \u00e0 altura do horizonte de nossa \u00e9poca. Na Comiss\u00e3o de divulga\u00e7\u00e3o temos a coordena\u00e7\u00e3o de Diego Cervelin que trabalha com Licene Garcia, Luciana Romagnolli, Priscila de S\u00e1 Santos e Val\u00e9ria Beatriz Araujo. Toda essa beleza que voc\u00eas est\u00e3o vendo, o cartaz, o teaser, o marcador de p\u00e1ginas e muitas outras coisas que ainda vir\u00e3o, \u00e9 fruto destas cabe\u00e7as absolutamente magn\u00edficas. Na comiss\u00e3o de acolhimento temos Juliana do Rego Silva trabalhando com Andrea Tochetto, Cauana Mestre, Maria Luiza Rovaris e Mariana Queiroz. Elas est\u00e3o preparando toda uma log\u00edstica para o evento que far\u00e1 com que ele seja a grande festa. Desde j\u00e1 elas j\u00e1 nos anunciam a beleza do que vir\u00e1 com a apresenta\u00e7\u00e3o da playlist da Jornada que voc\u00eas podem encontrar no Spotify e se deixarem dan\u00e7ar muito. Na Comiss\u00e3o de refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas temos a coordena\u00e7\u00e3o de V\u00earonica Montenegro, trabalhando com Mauro Agosti, Leonardo Mendon\u00e7a, Priscila de S\u00e1 Santos, Rafaela Maester e Soledad Torres. Eles nos trar\u00e3o as refer\u00eancias que poderemos utilizar para encontrar um ponto de ancoragem para nossas pesquisas durante todo esse ano, e os ajudar\u00e3o no importante trabalho de garimpar nos textos aquilo que nos orienta. Na Comiss\u00e3o de Boletim, esse importante material que recolher\u00e1 textos e toda a produ\u00e7\u00e3o que se decanta do nosso trabalho, esse importante material que recolher\u00e1 textos e toda a produ\u00e7\u00e3o que se decanta do nosso trabalho temos a coordena\u00e7\u00e3o de Juan C. Galigniana que trabalha com Andrea Tochetto, Luciana Romagnoll, Paula Nocquet e Silvia Lazarini.<\/p>\n<p>Este ano contamos ainda com outra equipe que me alegra particularmente, que s\u00e3o os coordenadores de retransmiss\u00e3o. Eles s\u00e3o os respons\u00e1veis por organizar este evento em outras cidades que n\u00e3o apenas as capitais, Florian\u00f3polis e Curitiba, como est\u00e1vamos at\u00e9 h\u00e1 pouco habituados: Rafael Marques Longo e Paula Nocquet em Joinville, Sandra Regina de Souza Cruz em Tubar\u00e3o, Paula Goulart e Marli\u00a0Machado em Londrina, Priscila de S\u00e1 Santos e Silvia Lazarini em Ponta Grossa. Sabemos que o som e imagem n\u00e3o saem perfeitamente, que alguma coisa se perde. Mas estou aqui apostando nos ganhos, apostando que se \u00e9 poss\u00edvel uma transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise, ela se d\u00e1 no ato de fazer, no estar em torno, no colocar os corpos presentes como \u00e9 poss\u00edvel. E nosso trabalho, esse trabalho imposs\u00edvel de transmiss\u00e3o, consiste permanentemente em espalhar a peste. Hoje estou feliz porque essa peste est\u00e1 entre n\u00f3s, na regi\u00e3o Sul, mais espalhada do que nunca. Que a peste se transmita e que voc\u00eas, e ainda outros, sejam contaminados.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>Refer\u00eancias<br \/>\nLACAN, Jacques. Fun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem. <em>In\u00a0<\/em>Escritos, 1998, p. 321.<br \/>\nLACAN. Jacques. O ato psicanal\u00edtico. Resumo do semin\u00e1rio. <em>In <\/em>Outros Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2003.<br \/>\nLACAN. Jacques. Nota italiana. <em>In<\/em> Outros Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2003.<br \/>\nMILLER, Jacques-Alain. A forma\u00e7\u00e3o do analista. <em>In<\/em>: Op\u00e7\u00e3o lacaniana, n.37. Set., 2003.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gresiela Nunes da Rosa Membro da EBP\/AMP &#8211; Coordenadora da 5\u00aa Jornada da EBP-Sul O trabalho do psicanalista \u00e9 solit\u00e1rio. Estando ele no seu consult\u00f3rio privado ou mesmo trabalhando em institui\u00e7\u00f5es multiprofissionais, ao fim e ao cabo, seu fazer, seu ato, ser\u00e1 sempre o ato de Um sozinho. 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