{"id":4767,"date":"2024-03-18T11:04:20","date_gmt":"2024-03-18T14:04:20","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=4767"},"modified":"2024-03-18T16:42:34","modified_gmt":"2024-03-18T19:42:34","slug":"editorial-modos-de-usar-05","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/editorial-modos-de-usar-05\/","title":{"rendered":"EDITORIAL MODOS DE USAR #05"},"content":{"rendered":"<h6>Teresa Pavone<br \/>\nDiretora de Biblioteca da EBP- Se\u00e7\u00e3o Sul<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4746\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/modos_de_usar_005_001.jpg\" alt=\"\" width=\"304\" height=\"396\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/modos_de_usar_005_001.jpg 304w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/modos_de_usar_005_001-230x300.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 304px) 100vw, 304px\" \/><\/p>\n<p>Na Escola de Lacan, procede-se pela imers\u00e3o do sujeito em um meio que agita a falta de saber, e \u00e9 o que mais importa. (Miller, 2001)<\/p>\n<p>Modos de Usar \u00e9 um Boletim que tem a pretens\u00e3o de ser n\u00e3o apenas um registro da variedade de temas, trabalhos e atividades realizados no \u00e2mbito da Se\u00e7\u00e3o Sul, como marca do estilo de cada um de seus membros e participantes. Mas pretende tamb\u00e9m retratar e destacar elabora\u00e7\u00f5es epist\u00eamicas cruciais como restos, como produ\u00e7\u00f5es que representam o vivo da forma\u00e7\u00e3o permanente em psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana que circula em nossa comunidade. Comunidade que tem estreitado, cada vez mais, os la\u00e7os de trabalho entre seus membros.\u00a0 La\u00e7os sustentados pelo rigor epist\u00eamico-cl\u00ednico e pelo desejo de cada um de n\u00f3s em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 causa anal\u00edtica. Esse Boletim apresenta uma amostra da continuidade dos trabalhos da Se\u00e7\u00e3o Sul nos \u00faltimos meses, revelando momentos e conte\u00fados importantes dos trabalhos e atividades\u00a0 desenvolvidos, sempre orientados pelos temas atuais do Campo Freudiano, de seus Congressos e Encontros.\u00a0 Este quinto boletim ainda traz uma perspectiva das atividades programadas para 2024, alinhadas com os temas do XXV Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, em novembro pr\u00f3ximo, e do tema do XV Congresso de Membros em 2026 que ocorrer\u00e1 em Paris.<\/p>\n<p>O primeiro texto, o de C\u00e9lia Carter Winter, retoma a fala final de Christiane Alberti no Congresso da AMP, \u201cTodo mundo \u00e9 louco\u201d, para tratar da refer\u00eancia que Alberti faz \u00e0 estrutura tripartite dos conceitos que serve de orienta\u00e7\u00e3o para a escolha do tema do pr\u00f3ximo Congresso em 2026. Aponta os aforismos de Lacan que nos convocam ao trabalho: em 2022, \u201cA Mulher n\u00e3o existe\u201d; seguido, em 2024, por \u201cTodo mundo \u00e9 louco\u201d.\u00a0 E na sequ\u00eancia para o pr\u00f3ximo Congresso anunciado, o tema mote ser\u00e1 em torno do aforismo de que \u201cN\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual.\u201d\u00a0 Celia toma o tema do pr\u00f3ximo Congresso \u201cA Rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o existe\u201d para tecer algumas considera\u00e7\u00f5es e relacion\u00e1-las ao tema proposto pelo XXV Encontro Brasileiro do Campo Freudiano: Os corpos aprisionados pelos discursos&#8230; e seus restos! Na sequ\u00eancia C\u00e9lia comenta sobre o tema que abriu as atividades da Se\u00e7\u00e3o Sul: O \u201cMal-entendido\u201d, proposto por Patr\u00edcia Badari e que aponta para esse \u201cn\u00e3o h\u00e1\u201d indicado por Lacan. C\u00e9lia discorre sobre o mal-entendido como a m\u00e1 compreens\u00e3o do corpo a partir de um evento corporal resultante do encontro do significante com a carne, que fixa um gozo refrat\u00e1rio ao sentido e estabelece o campo do humano e do falasser.\u00a0 Esse mal-entendido n\u00e3o se refere a uma falta de compreens\u00e3o que poderia ser esclarecida, mas, sim, a uma complexidade inerente \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre corpo, linguagem e gozo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que C\u00e9lia faz um breve desenvolvimento do tema do Congresso da AMP e do XXV Encontro do Campo Freudiano, abordando o real, a <em>lal\u00edngua<\/em>, o vazio, linguagem e corpo, precisando alguns aspectos de importantes conceitos.\u00a0 Mais ainda&#8230; Ela se interroga sobre o gozo e o corpo na contemporaneidade com a pergunta de como ficam os corpos e seus gozos em tempos de GPTs? \u201c<em>Poder\u00e3o eles capturar o que n\u00e3o tem nome, nem nunca ter\u00e1<\/em>?\u201d\u00a0\u00a0 Pois, como ela prop\u00f5e, este \u00e9 o caminho pelo qual nos orientaremos\u00a0 nas atividades da Se\u00e7\u00e3o Sul em 2024.<\/p>\n<p>Das Noites de Biblioteca escrevem Paula Lermen e Val\u00e9ria Beatriz Ara\u00fajo. Paula comenta a Noite de Biblioteca \u201cO que se traduz em psican\u00e1lise\u201d realizada em 29 de novembro de 2023, quando tivemos como convidada nossa colega Teresinha Prado, membro da AMP, EBP-Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo. Ela \u00e9 uma das tradutoras de Lacan no Brasil.<\/p>\n<p>Dos coment\u00e1rios que faz Paula, destaco o seguinte trecho: \u201c<em>O tradutor orientado por um desejo de transmiss\u00e3o da causa psicanal\u00edtica se orienta tamb\u00e9m por um ideal de destitui\u00e7\u00e3o de si, j\u00e1 que n\u00e3o caberia a ele colocar ali nada de seu (PRADO, 2021). Mas ao mesmo tempo, Teresinha nos mostra que o desejo do tradutor tamb\u00e9m tem a ver com a transmiss\u00e3o de algo que \u201co toca como leitor\u201d e quando dizemos algo que o toca, estamos falando da materialidade da palavra, do acontecimento de gozo\u201d<\/em>. Paula segue sublinhando algumas perguntas que sustentaram uma prof\u00edcua discuss\u00e3o:\u00a0 \u201c<em>Como poder\u00edamos pensar essa destitui\u00e7\u00e3o do tradutor? Que lugar \u00e9 esse de onde se traduz? Ele tem algo da posi\u00e7\u00e3o discursiva universit\u00e1ria, ao orientar-se pela rever\u00eancia ao original? Podemos pensar que tem algo do ato, como na posi\u00e7\u00e3o do analista?<\/em>\u201d Vale a pena ler os coment\u00e1rios que se seguem a essas quest\u00f5es no texto de Paula!<\/p>\n<p>Da atividade da Noite de Biblioteca Conex\u00e3o Psican\u00e1lise e Cinema ocorrida no dia 04 de outubro de 2023 \u00e9 Val\u00e9ria Beatriz Ara\u00fajo que escreve de forma tamb\u00e9m po\u00e9tica a poesia que o filme expressa, ele foi eleito e apresentado pela nossa estimada convidada Marcela Antero, presen\u00e7a \u00edmpar como a ela se refere Val\u00e9ria Beatriz em seu texto. Recorto o in\u00edcio dos coment\u00e1rios de Val\u00e9ria, na certeza que esse recorte estimular\u00e1 a todos a leitura por completo:<\/p>\n<p>\u201c<em>&#8230; um filme inclassific\u00e1vel. Tren de Sombras, El espectro de Le Thuit, filme de Jos\u00e9 Luis\u00a0 Guer\u00edn (1977), dialoga com as imagens do filme de Gerard Fleury (Portrait de Famille), feito num ver\u00e3o nos anos 30, cujas cenas familiares \u201cvem a rememorar a inf\u00e2ncia do cinema\u201d, nas palavras do Guer\u00edn.<\/em><\/p>\n<p><em>Tren de Sombras apresenta um movimento de constru\u00e7\u00e3o e desconstru\u00e7\u00e3o, de forma atonal e n\u00e3o-toda, um esfor\u00e7o de poesia na busca dos espa\u00e7os onde antes habitava o preto, o branco e o desbotado. Entre luz, sombras e cores, o diretor cria algo novo a partir do que resta da obra de Fleury. Cria a partir dos dejetos, transitando no espa\u00e7o-tempo. Entre ato e corte adv\u00e9m um filme experimental, no sentido de n\u00e3o ser para compreender, mas para ser vivenciado no n\u00edvel da experi\u00eancia mesma (onde h\u00e1 que se colocar algo de si)<\/em>\u201d<em>.<\/em><\/p>\n<p>Mauro Agostin e Adriana Rodrigues nos d\u00e3o not\u00edcias da Diretoria de cart\u00e9is e apresentam as diretrizes de suas propostas de trabalho.\u00a0 Eles comentam o tema escolhido \u201cO cartel como forma de resist\u00eancia ao mal-estar na cultura e a forma\u00e7\u00e3o do analista\u201d. Ressaltam uma das quest\u00f5es surgidas: \u201ca que tipo de mal-estar um cartel pode vir a fazer resist\u00eancia?\u201d, que deu origem a uma animada Noite de Cartel com Iordan Gurgel (EBP-BA) como convidado. O t\u00edtulo dessa Noite foi \u201cO cartel como m\u00e1quina de guerra e a forma\u00e7\u00e3o do analista\u201d. Eles comentam: \u201c<em>Iordan, com uma gentileza e afetividade \u00edmpar com nossa Se\u00e7\u00e3o, ao buscar no texto \u201cA psiquiatria inglesa e a guerra\u201d[1] as bases da proposta do cartel como esse lugar de resist\u00eancia, enfatiza a cr\u00edtica que Lacan faz ao privil\u00e9gio da forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica como condi\u00e7\u00e3o ou favorecimento na forma\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise na \u00e9poca, e o lugar de lideran\u00e7a e de mestria que acabava por se formar nesses contextos. Tratava-se de uma cr\u00edtica nada velada ao funcionamento da IPA e seus didatas. E afirma que a inven\u00e7\u00e3o do cartel foi uma resposta \u201cao autoritarismo, \u00e0 pr\u00e1tica reacion\u00e1ria e \u00e0 fun\u00e7\u00e3o dos didatas da IPA\u201d.\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, o texto delicado e preciso de Paula Nathalie Nocquet \u00e9 de uma resenha do livro de Cleyton de Andrade (EBP\/AMP), Lacan Chin\u00eas. Uma leitura imperd\u00edvel.\u00a0 Paula escreve que o livro \u00e9 um convite a uma imers\u00e3o hist\u00f3rica, cultural e pol\u00edtica da China, elegantemente entramada com as considera\u00e7\u00f5es lacanianas. Com transfundo cl\u00ednico, n\u00e3o se prop\u00f5e a tomar a China como um ideal nem subordin\u00e1-la aos pressupostos psicanal\u00edticos, mas sim, somos convidados a percorrer os caminhos tra\u00e7ados pelo interesse de Lacan pela l\u00edngua e escrita chinesa.<\/p>\n<p>Os semin\u00e1rios por conta e risco, que aconteceram durante o ano passado e que acontecer\u00e3o em 2024, na Se\u00e7\u00e3o Sul, seguem anunciados com coment\u00e1rios cruciais acerca dos temas tratados. Zelma Galesi ter\u00e1 como tema neste ano as Novas Considera\u00e7\u00f5es sobre a Psicose Ordin\u00e1ria.\u00a0 Outro semin\u00e1rio por conta e risco que acontece sob a responsabilidade de Eneida Medeiros, Gustavo Ramos e Liege Goulart leva como t\u00edtulo: Reviramentos Topol\u00f3gicos e Pol\u00edtica do Sintoma na Cl\u00ednica Lacaniana- Leituras dos Semin\u00e1rios 24 e 25 de Lacan.<\/p>\n<p>Por fim, o Boletim traz uma nota sobre a artista Giovanna Lima, cujas imagens ilustram com tanta propriedade cada um dos textos. Essa nota foi feita por Andrea Tochetto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Boa Leitura!<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Comiss\u00e3o de Edi\u00e7\u00e3o<\/strong>:\u00a0 Teresa Pavone (EBP\/AMP-diretora de Biblioteca da Se\u00e7\u00e3o Sul), Gustavo Ramos (EBP\/AMP), Andrea Tochetto, Diego Cervelin, Juan Cruz Galigniana, Licene Garcia,\u00a0 Val\u00e9ria Beatriz Pimentel de Ara\u00fajo e Paula Lermen.<\/p>\n<p><strong>Editora\u00e7\u00e3o do Boletim e Revis\u00e3o dos textos:<\/strong> Juan Cruz Galigniana, Licene Garcia e Paula Lermen.<\/p>\n<p><strong>Design<\/strong>: Bruno Senna<\/p>\n<hr \/>\n<h6>[1] Lacan, J. (1947). A psiquiatria inglesa e a guerra. In: ____. Outros escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teresa Pavone Diretora de Biblioteca da EBP- Se\u00e7\u00e3o Sul Na Escola de Lacan, procede-se pela imers\u00e3o do sujeito em um meio que agita a falta de saber, e \u00e9 o que mais importa. 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