{"id":4763,"date":"2024-03-18T11:00:17","date_gmt":"2024-03-18T14:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=4763"},"modified":"2024-03-18T11:00:17","modified_gmt":"2024-03-18T14:00:17","slug":"o-que-se-traduz-em-psicanalise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/o-que-se-traduz-em-psicanalise\/","title":{"rendered":"O que se traduz em psican\u00e1lise?"},"content":{"rendered":"<h5>\u00a0Paula Lermen<\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4744\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/modos_de_usar_005_003.jpg\" alt=\"\" width=\"396\" height=\"291\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/modos_de_usar_005_003.jpg 396w, https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/modos_de_usar_005_003-300x220.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 396px) 100vw, 396px\" \/><\/p>\n<p>\u201cO que est\u00e1 em jogo no ato da\u00a0tradu\u00e7\u00e3o?\u201d e \u201cDe onde se traduz?\u201d s\u00e3o perguntas que Teresinha do Prado (EBP\/AMP), tradutora de Lacan, nos traz na Noite de Biblioteca e que ficam conosco, abrindo outras perguntas. A quest\u00e3o da primazia da forma ou do conte\u00fado, que \u00e9 uma quest\u00e3o sempre presente na\u00a0tradu\u00e7\u00e3o, especialmente na po\u00e9tica, se manifesta em termos lacanianos como a distin\u00e7\u00e3o entre o sentido e a materialidade da palavra (como coloca Miller, entre o significante-sentido e o significante-gozo). Para o formalismo russo, corrente lingu\u00edstica com a qual Lacan dialogava, a forma\u00a0\u00e9\u00a0o conte\u00fado: o artif\u00edcio operado pelo autor sobre a palavra \u00e9 a parte mais fundamental do que o leitor vai ler.<\/p>\n<p>O tradutor orientado por um desejo de transmiss\u00e3o da causa psicanal\u00edtica se\u00a0orienta tamb\u00e9m por um ideal\u00a0de destitui\u00e7\u00e3o de si,\u00a0j\u00e1 que n\u00e3o caberia a ele colocar ali nada de seu (PRADO, 2021). Mas ao mesmo tempo, Teresinha nos mostra que o desejo do tradutor tamb\u00e9m tem a ver com a transmiss\u00e3o de algo que \u201co toca como leitor\u201d e quando dizemos algo que o toca, estamos falando da materialidade da palavra, do acontecimento de gozo.<\/p>\n<p>Como poder\u00edamos pensar essa destitui\u00e7\u00e3o do tradutor? Que lugar \u00e9 esse de onde se traduz? Ele tem algo da posi\u00e7\u00e3o discursiva universit\u00e1ria, ao orientar-se pela rever\u00eancia ao original? Podemos pensar que tem algo do ato, como na posi\u00e7\u00e3o do analista?<\/p>\n<p>Em seus escritos, Lacan\u00a0escreveu: &#8220;Uma l\u00edngua, entre outras, n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m da integral dos equ\u00edvocos que sua hist\u00f3ria deixou persistir nela&#8221; (LACAN, 1973\/2003, p. 492). Mas em seus semin\u00e1rios, Lacan\u00a0n\u00e3o escrevia, ele <em>vociferava<\/em>\u00a0(MILLER, 2023). Uma enuncia\u00e7\u00e3o combativa, ir\u00f4nica, permeada de interlocu\u00e7\u00f5es, po\u00e9tica, enigm\u00e1tica. Essa enuncia\u00e7\u00e3o \u00e9 objeto\u00a0perdido, mas tamb\u00e9m \u00e9 objeto<em> a<\/em>. Talvez por isso a tradutora nos fale de\u00a0fracasso quando nos fala do recurso \u00e0s notas explicativas como uma &#8220;deposi\u00e7\u00e3o de armas&#8221;.<\/p>\n<p>Entre as vocifera\u00e7\u00f5es de Lacan, as transcri\u00e7\u00f5es, o estabelecimento do texto, a tradu\u00e7\u00e3o e a leitura de cada um, h\u00e1 um longo caminho pontilhado de imposs\u00edvel, de perdas e equ\u00edvocos. \u00c9 o caminho de toda linguagem, \u00e9 o caminho em que seguimos.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>LACAN, J.\u00a0(1973). O aturdito. In:___.\u00a0Outros escritos. Trad. de Vera Ribeiro. RJ: Jorge Zahar, 2003.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.A. Todo el mundo es loco. B.A.: Paid\u00f3s, 2023.<\/h6>\n<h6>PRADO, T. O que se traduz? In:\u00a0Op\u00e7\u00e3o Lacaniana. SP: E\u00f3lia, n. 83, 2021.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Paula Lermen \u201cO que est\u00e1 em jogo no ato da\u00a0tradu\u00e7\u00e3o?\u201d e \u201cDe onde se traduz?\u201d s\u00e3o perguntas que Teresinha do Prado (EBP\/AMP), tradutora de Lacan, nos traz na Noite de Biblioteca e que ficam conosco, abrindo outras perguntas. 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