{"id":4629,"date":"2023-09-22T16:28:22","date_gmt":"2023-09-22T19:28:22","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=4082"},"modified":"2023-09-22T16:28:22","modified_gmt":"2023-09-22T19:28:22","slug":"seminario-por-conta-e-risco-os-afetos-negativos-na-cultura-odio-violencia-racismo-e-segregacao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/seminario-por-conta-e-risco-os-afetos-negativos-na-cultura-odio-violencia-racismo-e-segregacao-2\/","title":{"rendered":"SEMIN\u00c1RIO POR CONTA E RISCO &#8211; OS AFETOS NEGATIVOS NA CULTURA: \u00d3DIO, VIOL\u00caNCIA, RACISMO E SEGREGA\u00c7\u00c3O.\u00a0"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_4083\" aria-describedby=\"caption-attachment-4083\" style=\"width: 232px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-4083\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/modos_de_usar_004_010-232x300.jpg\" alt=\"\" width=\"232\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4083\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Yayoi Kusama<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Zelma Galesi, A.P., membro da EBP\/AMP, forma\u00e7\u00e3o em Psican\u00e1lise na ECF-Paris.<\/h6>\n<p>O Semin\u00e1rio circunscreve o ponto crucial das conting\u00eancias de nossa cultura, com a qual se confronta a subjetividade do corpo falante. Freud e Lacan sempre se interessaram pelo mal-estar na cultura e pelos sintomas atuais, sob os quais os sujeitos est\u00e3o submetidos. Queremos dimensionar os afetos negativos que na atualidade atingem n\u00e3o apenas os homens e as mulheres, mas principalmente, as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>A decad\u00eancia do pai foi elaborada de diferentes maneiras por Lacan durante seu ensino, inicialmente era o garante da ordem simb\u00f3lica, depois assumiu o estatuto de fic\u00e7\u00e3o, de parecer tapar o buraco do simb\u00f3lico, para finalmente se pluralizar tornando-se uma fun\u00e7\u00e3o l\u00f3gica pura, a da exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dessa maneira, a ordem simb\u00f3lica mudou e houve uma fragiliza\u00e7\u00e3o no ordenamento do simb\u00f3lico, as for\u00e7as do ideal do eu, do Grande Outro, se apagaram progressivamente em favor do supereu.<\/p>\n<p>Lacan predizia que os sombrios poderes do supereu agiriam sobre o psiquismo, de tal forma que o mestre moderno proclama o imperativo superegoico: Goza!!!\u00a0\u00a0 O l\u00edder das massas contempor\u00e2neas \u00e9 muito mais a encarna\u00e7\u00e3o de uma modalidade de gozo do que o representante de um ideal ao qual podemos nos identificar, trazendo em seu bojo a sequ\u00eancia dos afetos negativos que verificamos espalhados pelo mundo, tais como o \u00f3dio, a viol\u00eancia, o medo, o racismo e a segrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ana\u00eblle Lebovits- Quenehen<sup>1<\/sup>, em seu livro, situa o cen\u00e1rio dos afetos negativos: o \u00f3dio e o seu correlato, a viol\u00eancia, apontando que eles fazem retorno percept\u00edvel na atualidade como mal-estar generalizado na cultura, sendo que os racistas e antissemitas hoje se escondem menos que antes.<sup>2<\/sup> O \u00f3dio se mostra, se revela nas v\u00edtimas das ruas, das casas, no seio das fam\u00edlias, das Escolas, se evidencia atrav\u00e9s das m\u00eddias e principalmente das redes sociais. Que o \u00f3dio ganhe terreno n\u00e3o \u00e9 sem consequ\u00eancias desagrad\u00e1veis e terr\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cO \u00f3dio n\u00e3o \u00e9 uma paix\u00e3o nova, ele \u00e9 t\u00e3o velho como o mundo, mas, segundo os tempos e os lugares, essa paix\u00e3o \u00e9 mais ou menos revestida ou ent\u00e3o mais ou menos palp\u00e1vel\u201d.<sup>3<\/sup>\u00a0\u00a0 Essas consequ\u00eancias podem mesmo se tornar desastrosas se por exemplo o \u00f3dio se elevar \u00e0s mais altas Fun\u00e7\u00f5es do Estado, como a guerra entre a R\u00fassia e Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Estamos vivendo uma era do \u201cretorno da besta imunda, que assusta e assombra o mundo com for\u00e7a. Porque por ser imunda, esse afeto n\u00e3o deve ser pensado pelos homens, ou at\u00e9 mesmo tratado\u201d.<\/p>\n<p>Estamos na era de uma \u201cInquietante familiaridade\u201d marcada mesmo por uma sorte de gozo maligno como ascens\u00e3o dos afetos negativos. A partir do texto de Freud <em>O Estranho (1901)<\/em>, apresentado e discutido, vamos localizar essa \u201cinquietante familiaridade\u201d na atualidade. Em seu texto, Freud deixa bem claro que o familiar se transforma em estranho a partir do recalque. Mas para Lacan o que seria este Estranho? Seria o real inassimil\u00e1vel e, portanto, imposs\u00edvel de suportar pelo sujeito falante, ou o Parl\u00eatre, como situou Lacan em seu \u00faltimo ensino (per\u00edodo entre 1970-1981). Temos como refer\u00eancia a revue La cause du d\u00e9sir, <em>Inqui\u00e9tantes \u00e9tranget\u00e9s<\/em>, Navarin Editeur, n.109, 2009.<\/p>\n<p>Convidamos aos que se interessam por essa tem\u00e1tica.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>Notas:<\/h6>\n<h6>1 Quenehen-Lebovits, A. (2020) \u201cActualit\u00e9 de la haine, une perspective psychanalytique\u201d. Paris, Navarin \u00c9diteur, p. 9.<\/h6>\n<h6>2 <em>Ibidem<\/em>, p. 9.<\/h6>\n<h6>3 <em>Ibidem<\/em>, p.7.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Zelma Galesi, A.P., membro da EBP\/AMP, forma\u00e7\u00e3o em Psican\u00e1lise na ECF-Paris. O Semin\u00e1rio circunscreve o ponto crucial das conting\u00eancias de nossa cultura, com a qual se confronta a subjetividade do corpo falante. Freud e Lacan sempre se interessaram pelo mal-estar na cultura e pelos sintomas atuais, sob os quais os sujeitos est\u00e3o submetidos. 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