{"id":3885,"date":"2023-05-28T07:21:21","date_gmt":"2023-05-28T10:21:21","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=3885"},"modified":"2023-05-28T07:21:21","modified_gmt":"2023-05-28T10:21:21","slug":"editorial-boletim-fora-de-linha-01","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/editorial-boletim-fora-de-linha-01\/","title":{"rendered":"Editorial Boletim Fora de Linha #01"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;3836&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][vc_column_text]\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><em>Gustavo Ramos da Silva (EBP\/AMP)<\/em><\/h6>\n<blockquote><p>N\u00e3o imagina<br \/>\no que ficou<br \/>\nde fora.<br \/>\n<em>Veronica Stigger<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tem\u00e1tica da loucura nos convoca a embarcar na locomotiva psicanal\u00edtica em dire\u00e7\u00e3o a Curitiba para a IV Jornada da Se\u00e7\u00e3o Sul da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise. Cada um vai buscar seu assento &#8211; o seu lugar a partir de sua loucura singular -, e cada um vai poder colocar seu acento a partir dos efeitos disruptivos da quebra da cadeia significante. O elemento oriundo dessa quebra n\u00e3o recebe uma significa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 o retorno de um saber, denominado S<sub>2<\/sub>, e o significante dito primeiro, o S<sub>1<\/sub>, fica sem um sentido pr\u00e9vio. O que cada um faz com esse elemento desconjuntado \u00e9 a loucura, ou seja, o modo como cada um responde a isso que n\u00e3o se significa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando pensa o est\u00e1dio do espelho e o esquema \u00f3tico, Lacan vai propor o esquema do vaso invertido, ainda no seu primeiro semin\u00e1rio, e l\u00e1 vai postular a teoria do ponto de vista: \u00e9 preciso que o olho esteja ocupando um certo lugar para ver a flores e seus ramalhetes dentro do vaso. A imagem que retorna ao sujeito, representado pelo olho, \u00e9 uma ilus\u00e3o de completude e de coes\u00e3o, pois se est\u00e1 desconjuntado. Essa vis\u00e3o completa e toda nunca \u00e9 vista diretamente pelo sujeito, na medida em que \u00e9 preciso do espelho plano, que \u00e9 o Outro, para se obter esse retorno e, como consequ\u00eancia, obter o ponto de vista. Sabemos que o vaso \u00e9 o corpo e as cinco flores s\u00e3o os objetos. O que acontece quando se v\u00ea os objetos fora do corpo, a flor fora do vaso? Nesse momento, n\u00e3o estamos mais na via do sentido, da fic\u00e7\u00e3o fantasm\u00e1tica, da narrativa do Eu e nem do ponto de vista do espelho. Se anteriormente o real se dava pela rela\u00e7\u00e3o puramente visual do que se via, nesse segundo momento o real se fixa de um outro modo, em um ponto fora de linha, o qual n\u00e3o faz mais parte da linha, mas mant\u00e9m com ela uma rela\u00e7\u00e3o por fora, um exterior mantendo contato com o interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um primeiro momento poder\u00edamos pensar que essa viv\u00eancia seria de uma psicose, mas a partir do aforismo &#8220;Todo mundo \u00e9 louco, isto \u00e9, delirante&#8221;, o del\u00edrio &#8211; a sa\u00edda da lira, da linha &#8211; se generalizou a ponto de ser a maneira como cada um lidou com esse elemento de fora, escapando do ponto de vista e de toda articula\u00e7\u00e3o significante oriunda de um saber. Jacques-Alain Miller toca neste ponto ao nos atravessar dizendo: &#8220;Diante do louco, diante do delirante, n\u00e3o se esque\u00e7a que voc\u00ea tamb\u00e9m \u00e9, ou foi, analisante, e que tamb\u00e9m fala, ou falava, sobre o que n\u00e3o existe.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, a pergunta que fica \u00e9: esse elemento fora de significa\u00e7\u00e3o, e que n\u00e3o existe, pode ser ensinado e transmitido? Essas quest\u00f5es nos convocam neste boletim que denominei &#8220;Fora de Linha&#8221;, pois o que fica fora n\u00e3o significa necessariamente que n\u00e3o tem valor, muito menos operatividade na cl\u00ednica. O que est\u00e1 fora pode muitas vezes provocar ang\u00fastia como pode ser um elemento potencializador de algo novo para o sujeito. O que fica fora do discurso pode, via ato do analista, cernir uma posi\u00e7\u00e3o de gozo importante para o tratamento psicanal\u00edtico, como s\u00e3o os casos contempor\u00e2neos de neuroses sem um sintoma definido. Mesmo o que aparentemente est\u00e1 fora da cl\u00ednica, como o ponto e a linha tamb\u00e9m s\u00e3o significantes socialmente localizados. O lugar onde esperamos o \u00f4nibus, o t\u00e1xi ou o trem chamamos de ponto, com suas diversas linhas que nos transportam a diversas localidades. Esses elementos se fazem presentes em um texto de Lacan denominado de <em>O Aturdito<\/em> no qual ele vai postular uma &#8220;linha sem pontos, disse eu sobre o corte, na medida em que este, por sua vez, \u00e9 a banda de Moebius, no que uma de suas bordas, depois da volta com que ele se fecha, continua na outra borda. Mas isso s\u00f3 pode ser produzido por uma superf\u00edcie j\u00e1 vazada por um ponto, que chamei de fora de linha, por se especificar por um la\u00e7o duplo, mas pass\u00edvel de se estender sobre uma esfera: de modo que \u00e9 numa esfera que ele se recorta, mas \u00e9 por seu la\u00e7o duplo que ele faz da esfera uma asfera ou <em>cross-cap<\/em>.&#8221;<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> Entramos em cheio na topologia do dentro e do fora, do cheio e do vazio e no corte que \u00e9 a banda de Moebius.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para este primeiro n\u00famero contamos com a participa\u00e7\u00e3o de Leonardo Scofield (EBP\/AMP) que escreveu o precioso Argumento de nossa jornada extraindo da estrutura da linguagem e dos discursos os elementos que ficam fora, afinal de contas a loucura de todos \u00e9 a estrutura da linguagem. Inclu\u00edmos tamb\u00e9m o nome de cada trabalhador decidido que com seu desejo est\u00e1 fazendo esta louco-motiva percorrer os trilhos at\u00e9 Solar do Ros\u00e1rio nos dias 13 e 14 de outubro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo assim, cada um est\u00e1 convidado a colocar esse elemento n\u00e3o ensin\u00e1vel, n\u00e3o articul\u00e1vel e fora de linha, a trabalho a partir de hoje at\u00e9 o final de nosso percurso. Enviem suas contribui\u00e7\u00f5es e seus textos, quem sabe eles n\u00e3o fiquem de fora. Fa\u00e7am a inscri\u00e7\u00e3o o quanto antes, pois as vagas presenciais s\u00e3o limitadas!<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> LACAN, Jacques. O Aturdito. In: <em>Outros Escritos<\/em>. Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. p. 483.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;3836&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][vc_column_text] Gustavo Ramos da Silva (EBP\/AMP) N\u00e3o imagina o que ficou de fora. Veronica Stigger A tem\u00e1tica da loucura nos convoca a embarcar na locomotiva psicanal\u00edtica em dire\u00e7\u00e3o a Curitiba para a IV Jornada da Se\u00e7\u00e3o Sul da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise. 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