{"id":3765,"date":"2022-10-17T07:00:24","date_gmt":"2022-10-17T10:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=3765"},"modified":"2022-10-17T07:00:24","modified_gmt":"2022-10-17T10:00:24","slug":"que-se-escucha-en-la-escucha-analitica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/que-se-escucha-en-la-escucha-analitica\/","title":{"rendered":"\u00ab \u00bfQu\u00e9 se escucha en la escucha anal\u00edtica? \u00bb"},"content":{"rendered":"<h6>Carlos Sapelli<br \/>\nParticipante das atividades da EBP-Sul<\/h6>\n<blockquote><p>\u201cA entrada do <em>falasser<\/em> na linguagem inaugura um momento que a psican\u00e1lise concebe como traum\u00e1tico: encontro contingente de <em>lal\u00edngua <\/em>com o corpo que constitui um real fora de sentido. Esse encontro marca o <em>falasser <\/em>produzindo um modo de gozo singular. Marca, peda\u00e7o de real, que \u00e9 poss\u00edvel se desvelar em um percurso de an\u00e1lise. Nessa dire\u00e7\u00e3o, a orienta\u00e7\u00e3o maior do tratamento anal\u00edtico consiste em servir-se do equ\u00edvoco para recorrer \u00e0 pura sonoridade dos significantes, de <em>lal\u00edngua<\/em>, a fim de ter a possibilidade de tocar o real.\u201d (BAPTISTA; FONTE, 2014, p. 75)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Para que o ressoar prolongue o seu alcance, nada como produzir sons mais al\u00e9m dos ecos. Este breve escrito, assim, repercute alguns ru\u00eddos do que se ouviu em torno da escuta que se pretende anal\u00edtica, isto \u00e9, fazer dela, ou melhor, cham\u00e1-la efetivamente de escuta anal\u00edtica. Lacan, no Semin\u00e1rio 18<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, ao falar da dimens\u00e3o do sintoma (pois \u00e9 dele que se sofre), a meu ver, trouxe uma considera\u00e7\u00e3o que contempla, ao mesmo tempo, a fala e os ouvidos abertos de quem participa da experi\u00eancia anal\u00edtica: \u201cA dimens\u00e3o do sintoma \u00e9 que <strong>isso fala<\/strong>. Fala inclusive com os que n\u00e3o sabem ouvir. E n\u00e3o diz tudo, nem mesmo aos que o sabem.\u201d (p. 23, grifo meu).\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O sintoma, ent\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 descolado do sofrimento daquele que procura uma an\u00e1lise, e, para transmut\u00e1-lo, o ser falante recorre \u00e0 palavra, \u00fanico meio pelo qual disp\u00f5e para seguir analisante diante do sem sentido do mundo. Para tanto, percorrer\u00e1 suas constru\u00e7\u00f5es fantasm\u00e1ticas em articula\u00e7\u00f5es significantes, portanto, passar\u00e1 pelo sentido, mesmo que no horizonte esteja um esvaziamento, uma opacidade, a partir do que foi decantado no simb\u00f3lico. Levando em conta tanto o primeiro quanto o \u00faltimo ensino lacaniano, trago isso com o intuito de formular que a escuta de um psicanalista se d\u00e1 pela via da interpreta\u00e7\u00e3o, desde as leis da cadeia significante que pedem no m\u00ednimo S1-S2 \u00e0 primazia posta no real como produto do que est\u00e1 fora do sentido, porque se dist\u00e2ncia da sem\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Miller<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, na escolha pela express\u00e3o <em>da escuta do sentido \u00e0 leitura do fora de sentido<\/em>, desenvolve alguns argumentos interessantes, dentre eles, daquilo que se trata com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 psican\u00e1lise (no qual \u00e9 preciso estar de acordo) \u00e9 o caso de diz\u00ea-la pela quest\u00e3o de escuta. Se a escuta n\u00e3o a define enquanto pr\u00e1tica, a escuta, por sua vez, renova-se nos movimentos de equivoca\u00e7\u00e3o e descontinuidade, ou seja, o que est\u00e1 para ser lido precisa ser escutado.<\/p>\n<p>Nesse ponto de viragem da primeira \u00e0 segunda cl\u00ednica lacaniana, h\u00e1 uma precis\u00e3o para o: \u201c<em>Que se diga fica esquecido detr\u00e1s do que se diz no que se ouve<\/em>. No entanto, \u00e9 pelas consequ\u00eancias do dito que se julga o dizer. Mas o que se faz do dito resta aberto [&#8230;]\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> (p. 22). Parece-me que nessa abertura, tal como uma porta que se abre em sua dobradi\u00e7a, resta o inesperado da palavra, mas de um corpo afetado pela palavra, ou, ainda, da palavra afetada pelo gozo. Na escuta, desse modo, remete-se \u00e0 exig\u00eancia pulsional, ao regime ou modo de gozar, ao real do qual se faz hi\u00e2ncia, efeito de corte, acontecimento, imprevisibilidade, escritura.<\/p>\n<p>A todo tempo, h\u00e1 que distinguir a popularidade do que se propaga pelo nome de escuta, de um lado, da especificidade de uma escuta anal\u00edtica propriamente dita, de outro. Para mant\u00ea-la viva, \u00e9 necess\u00e1rio sustentar por meio da linguagem (elucubra\u00e7\u00e3o sobre <em>lal\u00edngua<\/em>) uma leitura das letras de gozo, \u201cdas letras que ex-sistem nos ditos\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> a seguinte pergunta-t\u00edtulo: o que se escuta na escuta anal\u00edtica? Pergunta essa que continua a fazer barulho e, assim como a resson\u00e2ncia desta escrita, pertence \u00e0 confer\u00eancia <em>Ler anal\u00edticamente: absten\u00e7\u00e3o do sentido<\/em>, realizada pela convidada Clara Holgu\u00edn (AME, NEL Bogot\u00e1\/AMP) na noite da IV Preparat\u00f3ria da Jornada que est\u00e1 por vir.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> BAPTISTA, Maria Eliane Neves Baptista; Rosane Vieira da Cunha da Fonte. <em>Um ponto de partida&#8230; A interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica<\/em>. Recife: Da-Dpa, 2014.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 18<\/em>: de um discurso que n\u00e3o fosse semblante (1971). Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <strong>MILLER, Jacques-Alain. <em>Ler um sintoma<\/em>. Trad. de Cristina Maia. Dispon\u00edvel on-line. Sem pagina\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 20<\/em>: mais, ainda (1972-1973). Trad. de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> HOLGU\u00cdN, Clara<em>. Ler anal\u00edticamente<\/em>: absten\u00e7\u00e3o do sentido. Anota\u00e7\u00e3o pessoal da referida confer\u00eancia para a IV Preparat\u00f3ria da 3\u00aa Jornada EBP Se\u00e7\u00e3o Sul: A escuta anal\u00edtica. 2022.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Sapelli Participante das atividades da EBP-Sul \u201cA entrada do falasser na linguagem inaugura um momento que a psican\u00e1lise concebe como traum\u00e1tico: encontro contingente de lal\u00edngua com o corpo que constitui um real fora de sentido. Esse encontro marca o falasser produzindo um modo de gozo singular. 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