{"id":3477,"date":"2022-05-19T07:20:20","date_gmt":"2022-05-19T10:20:20","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=3477"},"modified":"2022-05-19T07:20:20","modified_gmt":"2022-05-19T10:20:20","slug":"apresentacao-do-boletim-ressonancias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/apresentacao-do-boletim-ressonancias\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o do Boletim RESSON\u00c2NCIAS"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text]\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando falamos de resson\u00e2ncias, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o pensar em m\u00fasica \u2013 e, quem sabe, em m\u00fasicas que tocam mesmo na aus\u00eancia de palavras encadeadas ou de todas aquelas harmonias que, vez e outra, povoam os devaneios de cada um. De fato, uma experi\u00eancia de escuta, seja ela anal\u00edtica ou n\u00e3o, implica resson\u00e2ncias, ou seja, uma sorte de transmiss\u00e3o das ondas atrav\u00e9s de um ou mais corpos. Mas veja-se que esse prolongamento de sons e ru\u00eddos tamb\u00e9m comporta uma boa dose de dist\u00e2ncia, contato e at\u00e9 mesmo de&#8230; atrito: afinal, as cordas n\u00e3o ressoam se n\u00e3o forem dedilhadas, beliscadas, marteladas, friccionadas, assim como as membranas dos tambores tampouco ressoam se n\u00e3o forem percutidas. E isso de tal modo que as resultantes das for\u00e7as em jogo possam vibrar pelo ar, ganhando corpo e volume.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este boletim, <em>Resson\u00e2ncias<\/em>, deseja mobilizar algo parecido: dist\u00e2ncias, contatos e vibra\u00e7\u00f5es. Ele vem como uma caixa de resson\u00e2ncias para as quest\u00f5es que animam a 3<sup>a<\/sup> Jornada da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sul, cujo tema, em 2022, \u00e9 <em>a escuta anal\u00edtica<\/em>. Trata-se, ent\u00e3o, de fazer eco \u00e0s produ\u00e7\u00f5es de nossa comunidade, desdobrando-as em um espa\u00e7o de abertura para os sujeitos, j\u00e1 que escuta, leitura e escrita se entrela\u00e7am inclusive nos percursos da pr\u00f3pria an\u00e1lise. Em torno disso, Lacan nos mostrava uma dire\u00e7\u00e3o e, claro, sem desconsiderar os ru\u00eddos da vida, aqueles que aparecem tanto no consult\u00f3rio quanto nas ruas: \u201cN\u00e3o se pode ilustrar melhor [&#8230;] o efeito de resson\u00e2ncia que \u00e9 simplesmente algu\u00e9m sacar de que se trata\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, se \u201co psicanalista \u00e9 a presen\u00e7a do sofista em nossa \u00e9poca, mas com outro estatuto\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a>, talvez caiba n\u00e3o esquecer que, no cerne dessa aproxima\u00e7\u00e3o, est\u00e3o \u201co discurso em sua rela\u00e7\u00e3o rebelde com o sentido, que passa pelo significante e pela performance, e a sua dist\u00e2ncia para com a verdade da filosofia\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>. \u00a0Isso significa, por exemplo, que uma escuta sof\u00edstico-anal\u00edtica se singulariza na medida em que os ouvidos fazem as vezes de olhos. Essa escuta, no entanto, n\u00e3o se confunde com um recurso meramente formal, pois, \u201ccom esse ouvido obstinado e sem concess\u00e3o, [&#8230;] mergulhamos no que Lacan chama de \u2018furo soprador\u2019 (<em>le trou du souffleur<\/em>)\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a>. \u00c9 nesse furo que se agitam as resson\u00e2ncias comportadas por uma l\u00edngua, aquela que, tal como encontramos em \u201cO Aturdito\u201d, \u201cn\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m da integral dos equ\u00edvocos que sua hist\u00f3ria deixou persistirem nela\u201d<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a>. Da\u00ed que, por meio da escuta, se possa perceber que as conson\u00e2ncias e disson\u00e2ncias entre ser e exist\u00eancia se manifestam enquanto efeitos do dizer. A arte est\u00e1 em saber fazer com os restos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abrindo os trabalhos, este primeiro n\u00famero de <em>Resson\u00e2ncias<\/em> traz dois textos especialmente importantes para come\u00e7armos uma conversa em torno da escuta anal\u00edtica. Assim, primeiramente, temos a apresenta\u00e7\u00e3o proposta por Louise Lhullier, diretora da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sul, sobre o tema de trabalho escolhido para o ano de 2022. Em seguida, encontramos o argumento da 3<sup>a<\/sup> Jornada da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sul, elaborado por Mariana Zelis, coordenadora da 3<sup>a<\/sup> Jornada. Em suas abordagens, ambas as autoras apresentam um questionamento que recai sobre aquilo que um analista escuta quando ouve \u2013 aspecto esse que inclui tanto as resson\u00e2ncias do choque da linguagem no corpo quanto os desdobramentos das novas formas de presen\u00e7a no viver junto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Last but not least<\/em>, lembramos que, no dia 25 de maio, \u00e0s 20h, atrav\u00e9s da plataforma Zoom, ocorrer\u00e1 o lan\u00e7amento da 3<sup>a<\/sup> Jornada da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sul, <em>A escuta anal\u00edtica<\/em>. Al\u00e9m da presen\u00e7a de Louise Lhullier e de Mariana Zelis nessa atividade, tamb\u00e9m contaremos com os coment\u00e1rios da convidada Marcela Antelo e a coordena\u00e7\u00e3o de Maria Teresa Wendhausen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa leitura e at\u00e9 logo!<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Diego Cervelin \u2013 Licene Garcia \u2013 Val\u00e9ria Beatriz Ara\u00fajo<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Equipe editorial do boletim <em>Resson\u00e2ncias<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> LACAN, Jacques. <em>O semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> LACAN, Jacques. <em>Problemas cruciais da psican\u00e1lise<\/em>. Li\u00e7\u00e3o de 12 de maio de 1965. In\u00e9dito.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> CASSIN, Barbara. <em>Jacques, o Sofista: Lacan, logos e psican\u00e1lise.<\/em> Belo Horizonte: Aut\u00eantica Editora, 2017, p. 51.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> Ibid, p. 58-59.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> LACAN, Jacques. O Aturdito, <em>in<\/em> Outros Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 2003, p. 492.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_video link=&#8221;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=h0Y56-4rxAg&#8221;][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text] Quando falamos de resson\u00e2ncias, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o pensar em m\u00fasica \u2013 e, quem sabe, em m\u00fasicas que tocam mesmo na aus\u00eancia de palavras encadeadas ou de todas aquelas harmonias que, vez e outra, povoam os devaneios de cada um. 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