{"id":3436,"date":"2021-12-22T16:46:15","date_gmt":"2021-12-22T19:46:15","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=3436"},"modified":"2021-12-22T16:46:15","modified_gmt":"2021-12-22T19:46:15","slug":"editorial-boletim-modos-de-usar-n-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/editorial-boletim-modos-de-usar-n-2\/","title":{"rendered":"Editorial &#8211; Boletim Modos de Usar n.2"},"content":{"rendered":"<h6>Teresa Pavone (EBP\/AMP)<br \/>\nMariana Zelis (EBP\/AMP)<\/h6>\n<figure id=\"attachment_3437\" aria-describedby=\"caption-attachment-3437\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3437 size-medium\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/mdu002_001-300x162.png\" alt=\"Reclining Figure: Circle \u2013 Henry Moore\" width=\"300\" height=\"162\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3437\" class=\"wp-caption-text\">Reclining Figure: Circle \u2013 Henry Moore<\/figcaption><\/figure>\n<p>Esta \u00e9 uma edi\u00e7\u00e3o especial do Boletim Modos de Usar da Se\u00e7\u00e3o Sul por se tratar da publica\u00e7\u00e3o de tr\u00eas excelentes textos discutidos em uma conversa\u00e7\u00e3o preparat\u00f3ria para o X ENAPOL na Noite de Biblioteca <strong><em>O Amor \u00e9 um Seixo Rindo ao Sol<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a><\/em><\/strong> na Se\u00e7\u00e3o Sul. Essa noite de trabalho antecedeu o ENAPOL, ocorrido nos dias 09 e 10 de outubro de 2021 sob o tema: O Novo no Amor \u2013 Modalidades contempor\u00e2neas dos la\u00e7os.<\/p>\n<p>Os textos foram escritos por colegas que fazem parte das equipes de Biblioteca da Se\u00e7\u00e3o Sul: Diego Cervelin, Gustavo Ramos e Licene Garcia que participaram de grupos diferentes de conversa\u00e7\u00e3o do X ENAPOL. Essa noite de Biblioteca teve uma conversa\u00e7\u00e3o animada pela colega Ondina Machado (EBP\/AMP) da Se\u00e7\u00e3o Rio de Janeiro que nos trouxe valiosas contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo dessa Noite, alinhado ao tema do X ENAPOL, foi inspirado por Teresa Pavone (EBP\/AMP), Diretora de Biblioteca da Se\u00e7\u00e3o Sul \u201c<em>esp\u00e9cie de haikai de Lacan, ficou marcado para mim desde a primeira vez em que o li e nunca mais o esqueci. \u201cO amor \u00e9 um seixo rindo ao sol\u201d.<\/em> Lacan diz que a met\u00e1fora \u201c<em>recria o amor numa dimens\u00e3o que pude dizer que me parece sustent\u00e1vel, contrariando seu deslizamento sempre iminente para a miragem de um altru\u00edsmo narc\u00edsico.\u201d <\/em>Ondina Machado, de partida, nos prop\u00f4s pensar o t\u00edtulo da noite de trabalho mais como uma \u201cjaculat\u00f3ria\u201d do que como um haikai, no sentido da interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica. Apesar de ambos os tipos de dizeres se caracterizarem por uma po\u00e9tica e pelo prazer da fona\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de consistirem em uma esp\u00e9cie de um lan\u00e7amento em jato de um dizer. Ondina prop\u00f4s pensarmos o t\u00edtulo como um dizer jaculat\u00f3rio, pela rima que o verso cont\u00e9m e por sua sonoridade. Lembrando que Lacan tinha um apre\u00e7o especial por esse tipo de dizer. Trouxe-nos, assim, a ideia de como podemos tocar o real pelo sem sentido, mas que tem um ponto de amarra\u00e7\u00e3o dos registros, na fona\u00e7\u00e3o. Tem a letra e tem a m\u00e9trica, a melodia e o som. O som e o verso como dizer po\u00e9tico important\u00edssimo para a jaculat\u00f3ria e para a interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica. Um dizer que toca o real.<\/p>\n<p>Os textos que seguem nos trazem Ecos do X ENAPOL. Encontro cujos efeitos e avan\u00e7os epist\u00eamicos colocaram um marco importante no tema sobre o amor e sua atualidade para a psican\u00e1lise lacaniana.<\/p>\n<p>Diego Cervelin discorre sobre \u201c<strong><em>As loucuras de amor<\/em><\/strong>\u201d levando em conta as muta\u00e7\u00f5es do la\u00e7o social e do novo nas parcerias. Recorre a um texto de Oscar Ventura para situar o amor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas vicissitudes discursivas, ligadas ao grande Outro, aos arranjos e aos desarranjos entre a falta e o desejo; e, mais ainda, ligado \u00e0s implica\u00e7\u00f5es do amor no gozo <em>\u2013 \u201cgozo do Um \u2013 que, inscrito numa dimens\u00e3o t\u00e3o basilar da vida pulsional, \u00e9 Outro inclusive ao significante, ressoando baixinho, mas com for\u00e7a suficiente para fazer ru\u00eddo entre os ditos e, assim, produzir equ\u00edvocos\u201d. <\/em><\/p>\n<p>Destaca-se, no texto, ainda quest\u00f5es de relevo: o que de novo no amor h\u00e1 em nosso tempo? E ainda, que sa\u00edda poder\u00edamos pensar quando o discurso capitalista foraclui o amor e quando os significantes mestres contempor\u00e2neos proliferam? Abre-se assim, no texto, uma sa\u00edda singular orientada pelo Um do gozo.<\/p>\n<p>No texto \u201c<strong><em>Ex\u00edlio, saber e amor: um la\u00e7o<\/em><\/strong><strong>\u201d<\/strong>, Licene Garcia parte da mudan\u00e7a no estatuto do amor a partir das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Lacan prop\u00f5e que o amor e as parcerias j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o com Outro como pessoa ou como verdade. J\u00e1 n\u00e3o se tratar\u00e1 mais do encontro entre o sujeito e o Outro, mas dos arranjos e desarranjos do falasser com o seu Outro. Ou seja, como o falasser responder\u00e1 frente \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o estrutural de solid\u00e3o, enquanto tra\u00e7o de ex\u00edlio da rela\u00e7\u00e3o sexual.\u201d<\/em> E especifica que o encontro amoroso, a rela\u00e7\u00e3o, \u00e9 sempre mediada pelo sintoma, o parceiro sintoma.<\/p>\n<p>Aborda \u201c<em>esse ponto de ex\u00edlio<\/em>\u201d que deixa marcas, tra\u00e7os, e abre uma pergunta instigante que desenvolver\u00e1 no texto: \u201c<em>qual seria o lugar para o amor quando pensado a partir de sua rela\u00e7\u00e3o com o ex\u00edlio?\u201d<\/em><\/p>\n<p>Gustavo Ramos, em \u201c<strong><em>Circula\u00e7\u00f5es do amor nas escolhas sexuais bin\u00e1rias e n\u00e3o bin\u00e1rias<\/em><\/strong><em>\u201d,<\/em> apresenta este tema indo algo al\u00e9m do denominado por Miller de \u201cAno trans\u201d j\u00e1 que coloca uma pergunta central: \u201c<em>falar de bin\u00e1rio e n\u00e3o bin\u00e1rio \u00e9 falar especificamente da quest\u00e3o trans?\u201d <\/em>Situa que a linguagem n\u00e3o consegue recobrir todo o gozo e \u201cesse al\u00e9m n\u00f3s podemos chamar de gozo do Um, o gozo n\u00e3o organizado pela linguagem, mas que deixa uma marca.\u201d Sempre haver\u00e1 um resto pulsional que resiste \u00e0 representa\u00e7\u00e3o. Pergunta-se, ainda, como seria poss\u00edvel acessar esse gozo? Traz uma orienta\u00e7\u00e3o localizada na \u201c<em>intersec\u00e7\u00e3o vazia, por\u00e9m esse vazio como bem lemos no \u00faltimo livro de Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse, \u00e9 cheio de energia, est\u00e1 pulsando de energia criativa.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em>\u201d Coloca um desafio para sua abordagem que seria \u201c<em>uma outra fix\u00e3o do real. Sob esse prisma, \u00e9 preciso um d\u00e9tour, um desvio&#8230;<\/em>\u201d, desvio que parece nos levar ao novo <em>\u201cno amor\u201d.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> BROUSSE, Marie-H\u00e9l\u00e8ne. <em>Modo de gozar en feminino<\/em>. Trad. de Cinthya Estrada-Plan\u00e7on. Olivos: Grama Ediciones; Paris: Navarin Editores, 2021. p. 20.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teresa Pavone (EBP\/AMP) Mariana Zelis (EBP\/AMP) Esta \u00e9 uma edi\u00e7\u00e3o especial do Boletim Modos de Usar da Se\u00e7\u00e3o Sul por se tratar da publica\u00e7\u00e3o de tr\u00eas excelentes textos discutidos em uma conversa\u00e7\u00e3o preparat\u00f3ria para o X ENAPOL na Noite de Biblioteca O Amor \u00e9 um Seixo Rindo ao Sol[i] na Se\u00e7\u00e3o Sul. 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