{"id":3421,"date":"2021-11-01T19:24:18","date_gmt":"2021-11-01T22:24:18","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=3421"},"modified":"2021-11-01T19:24:18","modified_gmt":"2021-11-01T22:24:18","slug":"o-mais-um-e-a-elaboracao-provocada-no-cartel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/o-mais-um-e-a-elaboracao-provocada-no-cartel\/","title":{"rendered":"O mais-um e a elabora\u00e7\u00e3o provocada no cartel"},"content":{"rendered":"<h6><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-3422\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/NOITE-DE-CARTEIS-setembro-21-cartaz.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" \/>Maria do Ros\u00e1rio Collier do R\u00eago Barros<\/h6>\n<p>Agrade\u00e7o a Oscar o convite para fazer parte desta Noite de cart\u00e9is, \u00e0 qual foi dado o t\u00edtulo \u201c<strong>O mais-um, um provocador provocado<\/strong>\u201d, o que indica de sa\u00edda a fun\u00e7\u00e3o do mais-um no trabalho que se faz em cartel, destacando que ele s\u00f3 provocar\u00e1 um trabalho de pesquisa e elabora\u00e7\u00e3o se ele mesmo se deixar provocar.<\/p>\n<p>O texto de Jacques-Alain Miller indicado para nossa conversa hoje, <strong>\u201cCinco varia\u00e7\u00f5es sobre o tema da elabora\u00e7\u00e3o provocada<\/strong>\u201d, foi muito bem escolhido para pensarmos como pode acontecer no cartel a provoca\u00e7\u00e3o e a elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Elabora\u00e7\u00e3o provocada<\/strong>\u201d foi uma express\u00e3o forjada por Pierre Th\u00e8ves que se aplica a v\u00e1rios dispositivos de trabalho na Escola e no Campo Freudiano, como tamb\u00e9m na an\u00e1lise de cada um<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> e no trabalho de AE (Analista da Escola). Esse texto de J-A Miller nos leva a pensar e debater sobre a forma bem particular que a elabora\u00e7\u00e3o provocada opera no cartel. O cartel encontra em seu trajeto impasses e obst\u00e1culos, e devemos sempre nos perguntar como trat\u00e1-los para seguir adiante e n\u00e3o sucumbir \u00e0 impot\u00eancia e \u00e0 in\u00e9rcia.<\/p>\n<p>O texto de J-A Miller privilegia o aspecto produ\u00e7\u00e3o de saber dentre as fun\u00e7\u00f5es do cartel. O cartel tem uma fun\u00e7\u00e3o epist\u00eamica importante, que \u00e9, talvez, priorizada por aqueles que procuram cart\u00e9is. Mas n\u00e3o podemos esquecer que o cartel tamb\u00e9m tem uma fun\u00e7\u00e3o cl\u00ednica e pol\u00edtica que se entrela\u00e7a \u00e0 fun\u00e7\u00e3o epist\u00eamica e que s\u00e3o necess\u00e1rias ao funcionamento da Escola de Psican\u00e1lise proposta por Lacan.<\/p>\n<p>Vamos abordar hoje a fun\u00e7\u00e3o epist\u00eamica do cartel, sua fun\u00e7\u00e3o para uma elabora\u00e7\u00e3o de saber que possa ser subjetivado por cada um a partir das surpresas que encontra na leitura e na conversa sobre os textos. Este \u00e9 um desafio para nossa Escola para que o saber que nela se produz tenha efeito de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O texto de J-A Miller indicado pela diretoria de cart\u00e9is nos convida a pensar sobre a escolha do mais-um pelos cartelizantes e as diversas formas como ele poder\u00e1 responder por esse lugar. O tipo de trabalho que ser\u00e1 feito e seus efeitos v\u00e3o depender daquilo que vai ocupar o lugar de agente da provoca\u00e7\u00e3o e de como o mais-um vai se situar em rela\u00e7\u00e3o a isso. O que podemos extrair do texto de Miller e de nossa pr\u00e1tica como mais-um \u00e9 que o convite ao mais-um pode ser feito na l\u00f3gica dos v\u00e1rios discursos, do mestre, do universit\u00e1rio, do analista e da hist\u00e9rica, e o trabalho permanente do mais-um ser\u00e1 o de produzir tor\u00e7\u00f5es no lugar em que \u00e9 colocado para que uma elabora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de saber possa acontecer. Pensar desta forma evita a idealiza\u00e7\u00e3o do cartel, de um modelo de cartel.<\/p>\n<p>Quando o provocador \u00e9 colocado no lugar de mestre do saber produzir\u00e1 impot\u00eancia. Nada mais a dizer, tudo j\u00e1 foi dito ou pode ser dito por aquele que sabe. Esta \u00e9 a armadilha em que caem v\u00e1rios cart\u00e9is quando buscam o mais-um nesse lugar da mestria e ele n\u00e3o consegue fazer uma tor\u00e7\u00e3o para mudar de posi\u00e7\u00e3o. Essa mudan\u00e7a s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se, como provocador, ele est\u00e1 tamb\u00e9m provocado, como voc\u00eas bem dizem no cartaz da atividade. Provocado pelas quest\u00f5es que trazem os cartelizantes e que surgem dos textos estudados. Uma tor\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para tirar da in\u00e9rcia, da pregui\u00e7a de pensar, que leva muitas vezes a apenas repetir o que foi lido e escutado. Tirar da in\u00e9rcia \u00e9 de alguma maneira convocar a pensar. Sair da pregui\u00e7a para \u201crevelar e criar o que est\u00e1 latente no texto\u201d <a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> na leitura que cada um faz dele. Gostei do que diz Miller sobre revelar e criar o que est\u00e1 latente, ou seja, o que o texto n\u00e3o diz de forma expl\u00edcita, mas que posso ousar pensar e criar a partir dai. Uma leitura que pode ousar localizar no texto os paradoxos, as contradi\u00e7\u00f5es, os furos que funcionaram como mola das elabora\u00e7\u00f5es do autor e continuam a funcionar assim para o leitor. O cartel permite e incentiva essa posi\u00e7\u00e3o de leitura. No cartel se pode colocar na conversa o que se pensou e contar com o que isso provocou nos colegas, o que puderam pensar a partir do que escutaram sem que isso vire uma associa\u00e7\u00e3o livre, o que pode acontecer se o mais-um se confunde com o lugar do analista. A\u00ed tamb\u00e9m se requer uma tor\u00e7\u00e3o na posi\u00e7\u00e3o do mais-um para n\u00e3o ser seduzido por uma posi\u00e7\u00e3o de interpreta\u00e7\u00e3o. A tor\u00e7\u00e3o vai lhe permitir extrair os significantes mestres em jogo para faz\u00ea-los trabalhar, e n\u00e3o para interpretar a partir deles.<\/p>\n<p>Ser solicitado como mestre ou como analista leva a impasses que bloqueiam a elabora\u00e7\u00e3o. A tor\u00e7\u00e3o nessas posi\u00e7\u00f5es se dar\u00e1 pela passagem pelo discurso da hist\u00e9rica, que tem como agente o sujeito. Bem sabemos que a hist\u00e9rica provoca o mestre, provoca os significantes mestres para faz\u00ea-los trabalhar. Isso conv\u00e9m ao trabalho de cartel. Mas n\u00e3o podemos esquecer que esse trabalho deixa um resto, o objeto <em>a<\/em>, um gozo desconhecido do sujeito quando ele est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o de agente. Quando o cartel funciona no discurso da hist\u00e9rica, o mais-um na posi\u00e7\u00e3o de sujeito dividido, de analisante, n\u00e3o est\u00e1 dispensado de tamb\u00e9m fazer uma tor\u00e7\u00e3o para que o resto escondido, funcionando como agalma, possa vir a ter a fun\u00e7\u00e3o provocadora de causa de desejo e n\u00e3o de sustenta\u00e7\u00e3o da insatisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A aposta \u00e9 de que o cartel n\u00e3o se instale em um discurso, cristalizando um tipo de posi\u00e7\u00e3o provocadora do mais-um, mas possa contar com o mais-um para operar as tor\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias nos discursos e abrir a uma elabora\u00e7\u00e3o em andamento que possa levar a uma produ\u00e7\u00e3o de saber.<\/p>\n<p>Aqui est\u00e1 presente a dimens\u00e3o solit\u00e1ria e coletiva no cartel que gostaria de interrogar tamb\u00e9m para extrair a fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do cartel, no qual se faz a experi\u00eancia sempre renovada da passagem da l\u00f3gica do grupo, que alimenta a segrega\u00e7\u00e3o a uma outra l\u00f3gica que leva a uma forma de la\u00e7o que considera a marca pr\u00f3pria de cada um a partir da qual ele contribui com a elabora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de saber.<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>Para desenvolver seu prop\u00f3sito sobre a fun\u00e7\u00e3o epist\u00eamica do cartel a partir dos discursos, Miller renomeia os 4 lugares em jogo: provoca\u00e7\u00e3o, elabora\u00e7\u00e3o no andar de cima e produ\u00e7\u00e3o, evoca\u00e7\u00e3o no andar de baixo.<\/p>\n<p>1-Miller situa no discurso do mestre o matema da elabora\u00e7\u00e3o provocada. No andar de cima (S1__S2), um chamado ao trabalho. Um chamado ao trabalho que leva em conta o tra\u00e7o particular de cada um, como os significantes mestres que se extraem dos textos estudados. Mas n\u00e3o sem considerar o andar de baixo, onde se situam o sujeito e o resto. No discurso do mestre o mais-um como provocador se situa n\u00e3o como saber, o que bloquearia a elabora\u00e7\u00e3o, mas como aquele que extrai os significantes que fazem quest\u00e3o para cada um.<\/p>\n<p>2- No discurso universit\u00e1rio, o lugar do provocador, ao ser ocupado pelo saber revoga, adia a elabora\u00e7\u00e3o e em seu lugar faz surgir provocadores. O efeito \u00e9 a ang\u00fastia, a paraliza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma elabora\u00e7\u00e3o de saber genu\u00edno que implique cada um na sua elabora\u00e7\u00e3o. Quando a provoca\u00e7\u00e3o se desloca do saber para o sujeito dividido, como vemos no discurso da hist\u00e9rica, o trabalho se move, mas pode se cristalizar na insatisfa\u00e7\u00e3o. O discurso anal\u00edtico far\u00e1 surgir nesse lugar um provocador provocado, que ter\u00e1 uma fun\u00e7\u00e3o de causa de desejo. Como bem diz o texto de J-A Miller \u201c<em>O discurso anal\u00edtico desloca esse sujeito, fazendo dele um provocador provocado\u201d.<\/em> Uma maneira bem particular de causar o desejo que conv\u00e9m ao cartel. Pode-se ent\u00e3o circular pelos discursos, o que parece inevit\u00e1vel, mas sem se cristalizar neles.<\/p>\n<p>O mais-um \u00e9 trabalhador de tipo bem particular, que n\u00e3o se deixa esgotar pela exig\u00eancia superegoica. Ele trabalha e faz trabalhar n\u00e3o no registro do supereu, mas da causa do desejo, onde cada um s\u00f3 pode entrar a partir de seus significantes mestres, e n\u00e3o como s\u00e1bios ou Sujeitos Supostos Saber.<\/p>\n<p>Chegamos aqui no ponto em que podemos interrogar o que seria uma elabora\u00e7\u00e3o coletiva. Experimentamos isso no cartel quando temos a feliz descoberta de um achado fruto de uma elabora\u00e7\u00e3o que implica mais de um: aquele que disse, aquele que fez dizer e aquele que se apercebeu que era importante? E com isso continuar a preservar uma diferen\u00e7a entre uma elabora\u00e7\u00e3o coletiva e uma produ\u00e7\u00e3o que trar\u00e1 sempre a marca pr\u00f3pria de cada um.<\/p>\n<p>No final de seu texto Miller coloca um tom de ironia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o coletiva, ao se referir ao trabalho do enxame de abelhas e \u00e0s equipes de escoteiros.\u00a0 Ironia bem-vinda para n\u00e3o cairmos no equ\u00edvoco de pensarmos que um cartel produz slogans coletivizantes, pois o trabalho que a\u00ed se faz traz uma dimens\u00e3o nova ao pr\u00f3prio funcionamento de uma equipe. Para n\u00e3o fazer essa confus\u00e3o, ser\u00e1 preciso levar em conta o que funciona no cartel como transfer\u00eancia de trabalho, que traz algo novo ao \u201cenxame de abelhas\u201d trabalhadoras no Campo Freudiano.<\/p>\n<p>H\u00e1 algo novo na experi\u00eancia de cartel como pequeno grupo sem chefe, sem a identifica\u00e7\u00e3o vertical ao l\u00edder, como localizado por Freud em psicologia coletiva e an\u00e1lise do eu\u201d. O grande desafio do cartel \u00e9 de pensar como a quebra da identifica\u00e7\u00e3o vertical, que leva \u00e0 horizontalidade, poder\u00e1 dar lugar \u00e0 diferen\u00e7a entre os participantes do grupo, para que a horizontalidade n\u00e3o vire homogeneidade.<\/p>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> J-A Miller: \u201cA an\u00e1lise \u00e9 uma elabora\u00e7\u00e3o provocada pelo significante da transfer6encia\u201d.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Miller, J-A : Cinco varia\u00e7\u00f5es sobre o tema da elabora\u00e7\u00e3o provocada\u201d.<\/h6>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>Coment\u00e1rio ao texto de Maria do Ros\u00e1rio Collier do R\u00eago Barros: \u201cO mais-um e a elabora\u00e7\u00e3o provocada no cartel\u201d<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6>Por Adriana Rodrigues<\/h6>\n<p>Me chamou muita aten\u00e7\u00e3o a forma como Maria do Ros\u00e1rio foi compondo seu texto, pois mesmo depois de j\u00e1 ter trabalhado esse artigo do Miller<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> algumas outras vezes, eu ainda n\u00e3o tinha alcan\u00e7ado a sensa\u00e7\u00e3o de movimento e de circula\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o do <em>mais-um<\/em> de um modo t\u00e3o claro como Ros\u00e1rio nos transmitiu essa noite.<\/p>\n<p>Miller coloca num tom at\u00e9 divertido o fato de que se uma elabora\u00e7\u00e3o precisa ser provocada \u00e9 porque ela n\u00e3o se d\u00e1 de forma espont\u00e2nea. O que existe de espont\u00e2neo \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 pregui\u00e7a. A voca\u00e7\u00e3o ao trabalho \u00e9 preciso ser provocada. E a\u00ed se arma toda a quest\u00e3o: como provocar uma elabora\u00e7\u00e3o que passe por um coletivo, mas que se fa\u00e7a a partir do que h\u00e1 de mais singular no que inquieta cada um, e que o ocorra o mais distante poss\u00edvel do imperativo superegoico? Ou seja, n\u00e3o s\u00e3o poucas as vari\u00e1veis para equilibrar na equa\u00e7\u00e3o que comporta essa fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembrei que Freud afirma em v\u00e1rios momentos, em outras palavras, sobre essa necessidade de que uma elabora\u00e7\u00e3o seja provocada. E aprofunda essa ideia especialmente l\u00e1 no Mal-estar na cultura, quando evoca Eros e Ananke, o amor e a necessidade, num enla\u00e7amento provocado como condi\u00e7\u00e3o para fundar a civiliza\u00e7\u00e3o. Mas, no nosso campo, para que isso funcione \u00e9 preciso fazer emergir o que \u00e9 causa de desejo em cada um para produzir um enla\u00e7amento na via da transfer\u00eancia de trabalho.<\/p>\n<p>E a\u00ed vem a fineza do que a Maria do Ros\u00e1rio foi construindo e nos esclarecendo. Partindo da pergunta sobre o lugar do qual, na fun\u00e7\u00e3o de <em>mais-um,<\/em> se pode provocar uma elabora\u00e7\u00e3o, e por onde pode funcionar para que se produza o efeito de forma\u00e7\u00e3o, nossa convidada vai tecendo sua escrita de modo a desenhar a circularidade presente nessa delicada fun\u00e7\u00e3o. O convite para ocupar a fun\u00e7\u00e3o de <em>mais-um<\/em> pode vir tanto na l\u00f3gica do discurso do mestre, do universit\u00e1rio, do analista ou da hist\u00e9rica. Ros\u00e1rio destaca que se trata, portanto, de um trabalho permanente de <em>produzir tor\u00e7\u00f5es no lugar em que \u00e9 colocado<\/em>, para que uma elabora\u00e7\u00e3o de saber possa acontecer.<\/p>\n<p>O <em>mais-um<\/em> circula entre os discursos, inclusive nos menos convenientes ao funcionamento do cartel \u2013 o do mestre e do universit\u00e1rio \u2013 mas, na condi\u00e7\u00e3o de analisante, de sujeito dividido, pode estar advertido desses convites e das tor\u00e7\u00f5es e deslocamentos necess\u00e1rios, para, sobretudo, poder se sentir provocado em sua causa com a psican\u00e1lise e provocar desejo dando lugar para o que \u00e9 de singular em cada cartelizante. Ou seja, \u00e9 implicado no trip\u00e9 freudiano da sua pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o \u2013 o que Ros\u00e1rio traz como a articula\u00e7\u00e3o entre o vi\u00e9s epist\u00eamico, clinico e pol\u00edtico \u2013 que o <em>mais-um<\/em> pode cumprir sua fun\u00e7\u00e3o de provocar para que uma elabora\u00e7\u00e3o com efeito de forma\u00e7\u00e3o possa acontecer.<\/p>\n<p>Para finalizar, essa circularidade presente na fun\u00e7\u00e3o do <em>mais-um<\/em> pela via dos discursos, me lembrou o que o Oscar destacou no programa de trabalho desta gest\u00e3o da Diretoria de Cart\u00e9is e Interc\u00e2mbio, que \u00e9 uma outra forma de circula\u00e7\u00e3o: a da pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o do <em>mais-um<\/em> entre os membros do cartel. Enfim, paro por aqui, agradecendo muito a Ros\u00e1rio por ter sido t\u00e3o generosa em seu texto e nos possibilitado esse debate.<\/p>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Miller, J-A : Cinco varia\u00e7\u00f5es sobre o tema da elabora\u00e7\u00e3o provocada.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria do Ros\u00e1rio Collier do R\u00eago Barros Agrade\u00e7o a Oscar o convite para fazer parte desta Noite de cart\u00e9is, \u00e0 qual foi dado o t\u00edtulo \u201cO mais-um, um provocador provocado\u201d, o que indica de sa\u00edda a fun\u00e7\u00e3o do mais-um no trabalho que se faz em cartel, destacando que ele s\u00f3 provocar\u00e1 um trabalho de pesquisa&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3098,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-3421","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noite-de-carteis","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3421","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3421"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3421\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3421"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3421"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3421"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=3421"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}