{"id":3337,"date":"2021-10-06T12:18:03","date_gmt":"2021-10-06T15:18:03","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=3337"},"modified":"2021-10-06T12:18:03","modified_gmt":"2021-10-06T15:18:03","slug":"rebotalhos-nove","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/rebotalhos-nove\/","title":{"rendered":"REBOTALHOS NOVE"},"content":{"rendered":"<h6>C\u00e9lia Ferreira Carta Winter (EBP\/AMP)<\/h6>\n<p>O t\u00edtulo e sua provoca\u00e7\u00e3o significante: Mist\u00e9rio do corpo falante&#8230;&#8230; por que mist\u00e9rio? Esse mist\u00e9rio estaria correlacionado ao Real? Esse realque Lacan descreve como imposs\u00edvel?\u00a0Real a ser definido em rela\u00e7\u00e3o ao Simb\u00f3lico e, ao Imagin\u00e1rio, mas que n\u00e3o pode ser simbolizado totalmente na palavra e na escrita e, por consequ\u00eancia, n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever? Corpo? Quest\u00e3o cara\u00e0psican\u00e1lise desde Freud e as hist\u00e9ricas, \u00e9 abordado por Lacan em toda sua obra. No Semin\u00e1rio 20Encore,joga com o equ\u00edvoco da l\u00edngua, um corps, ao falar do corpo. Apoiadono ensino de Freud, que introduzo corpo na psican\u00e1lise pelo sintoma, Lacan, em 1975,atualiza a quest\u00e3o do sintoma quando o definecomo acontecimento de corpo (un\u00e9venement de corps).Nisto temos o contingente e o mist\u00e9rio?<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao falante Lacan \u00e9 incisivo, o fato de ser falante n\u00e3o deixa o animal humanoileso.O um da marca n\u00e3o vem do corpo, vem\u00a0do\u00a0significante, da\u00a0linguagem.Dizer &#8220;H\u00e1 Um&#8221;, &#8220;Il y a de l&#8217;Un&#8221;, \u00e9 uma maneira simples de evoc\u00e1-lo, de colocar que h\u00e1 um dizer. Imerso em lal\u00edngua, em um banho de sons e palavras, e da musicalidade que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, para al\u00e9m do sentido e da significa\u00e7\u00e3o, em seu aspecto de gozo e materialidade sonora,um significante contingente, introduz o inconsciente no corpo do ser falante.Nesta mesma leitura, Laureci Nunes no seu trabalho \u201cO falaser e o papagaiuo\u201d, aponta que sem a frustra\u00e7\u00e3o da demanda de amor n\u00e3o falar\u00edamos, isto \u00e9, existiria a rela\u00e7\u00e3o sexual.O Outro n\u00e3o se institui para o papagaio, ele fala mas n\u00e3o habita o simb\u00f3lico. Na perspectiva biol\u00f3gica, poder\u00edamos dizer que h\u00e1 um ser humano, mas n\u00e3o o falasser. Na medida em que h\u00e1 a funda\u00e7\u00e3o l\u00f3gica do falasser, h\u00e1 uma perda real e o que h\u00e1 de ser, e s\u00f3 no campo do Outro que ser\u00e1 buscado e ilusoriamente encontrado.<\/p>\n<p>A partir disso, Elisa Alvarenga lan\u00e7a sua hip\u00f3tese no seu trabalho \u201cO mist\u00e9rio do corpo falante\u201d: esse dizer do qual se trata no &#8220;H\u00e1 Um\u201d, circunscreve e convoca a exist\u00eancia, n\u00e3o do verdadeiro, mas do real, imposs\u00edvel de apreender, uma marca de gozo, distinto da fala, como gozo do sentido, ou gozo dobl\u00e1bl\u00e1bl\u00e1. O sujeito do inconsciente \u00e9 aquele que a experi\u00eancia da psican\u00e1lise engaja a dizer besteiras e, a partir da\u00ed, um certo real pode ser atingido, que tem a ver com o gozo, a subst\u00e2ncia gozante.<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise nos ensina que como sujeito do significante, se \u00e9 disjunto do corpo, de tal maneira que dele se fala antes mesmo que se tenha um corpo ou que se o habite, antes do nascimento ou depois da morte.\u00a0\u00c9 por isso que a linguagem assegura esta margem no al\u00e9m da vida, que \u00e9 a antecipa\u00e7\u00e3o dosujeito ou a sua pereniza\u00e7\u00e3o namem\u00f3ria. Este \u00e9 o mist\u00e9rio do corpo falante que nos permiteevocar o corpo como distinto, separado do ser do sujeito. \u201cSe o sentido j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 puro significado, mas gozo-sentido, e sentido gozado &#8211; tradu\u00e7\u00f5es do equ\u00edvoco que Lacan promove com jouissens &#8211; \u00e9 preciso transformar esse Outro em lugar de gozo do sujeito, pois ali onde isso fala, isso goza.\u201d<\/p>\n<p>Essa \u00e9 resposta de Elisa Alvarenga, \u00e0 quest\u00e3o que nos re\u00fane nesta 2\u00b0 jornada da EBPSUL: o estatuto do que faz falar \u00e9 \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual.\u201d H\u00e1 Um, gozo sinthom\u00e1tico e h\u00e1 a outra satisfa\u00e7\u00e3o, da fala. O amor de transfer\u00eancia pode fazer supl\u00eancia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o h\u00e1, tornando-se o instrumento que faz falar para que o falasser encontre o Outro como alteridade do gozo Um, singular, que lhe \u00e9 pr\u00f3prio, para al\u00e9m do ser propiciado por suas fantasias e identifica\u00e7\u00f5es que recobrem a marca de gozo que lhe \u00e9 peculiar.\u201d<\/p>\n<p>Isso que pude ouvir do trabalho maravilhoso de Elisa e Laureci&#8230;. que o mist\u00e9rio do corpo falante \u00e9 o mist\u00e9rio do inconsciente!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00e9lia Ferreira Carta Winter (EBP\/AMP) O t\u00edtulo e sua provoca\u00e7\u00e3o significante: Mist\u00e9rio do corpo falante&#8230;&#8230; por que mist\u00e9rio? Esse mist\u00e9rio estaria correlacionado ao Real? 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