{"id":3212,"date":"2021-08-20T06:46:43","date_gmt":"2021-08-20T09:46:43","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=3212"},"modified":"2021-08-20T06:46:43","modified_gmt":"2021-08-20T09:46:43","slug":"segunda-noite-de-biblioteca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/segunda-noite-de-biblioteca\/","title":{"rendered":"SEGUNDA NOITE DE BIBLIOTECA"},"content":{"rendered":"<h3><strong>Resenha da Segunda Noite de Biblioteca com S\u00e9rgio Laia \u201cO analista, sua an\u00e1lise e o fator feminino\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/strong><\/h3>\n<h6>Por Licene Garcia<\/h6>\n<figure id=\"attachment_3213\" aria-describedby=\"caption-attachment-3213\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3213\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/boletim001_005.jpg\" alt=\"Arte: Robert Irwin\" width=\"450\" height=\"288\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3213\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Robert Irwin<\/figcaption><\/figure>\n<p>No texto \u201cO analista, sua an\u00e1lise e o fator feminino\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, S\u00e9rgio Laia prop\u00f5e uma leitura do texto freudiano \u201cA an\u00e1lise finita e a infinita\u201d de 1937.<\/p>\n<p>Laia com sua refinada e rigorosa leitura, percorre o texto freudiano onde um dos primeiros pontos a ser trabalhado \u00e9 a \u201cobserva\u00e7\u00e3o valiosa\u201d de a an\u00e1lise pessoal \u00e9 parte fundamental da forma\u00e7\u00e3o do analista, visto que as dificuldades em um tratamento anal\u00edtico n\u00e3o deixam de ter alguma rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio analista. <em>\u201co analista, devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es especiais do trabalho anal\u00edtico, realmente poder\u00e1 ser prejudicado por seus pr\u00f3prios defeitos\u201d porque estes \u00faltimos poder\u00e3o implicar-lhe \u201cdificuldades em aprender as condi\u00e7\u00f5es do paciente de forma correta e reagir a elas de modo adequado\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><strong>[3]<\/strong><\/a> <\/em><\/p>\n<p>Dito isso, Laia prop\u00f5e que a normalidade apresentada por Freud em \u201cA an\u00e1lise finita e a infinita\u201d \u00e9 um ideal, que falseia a dimens\u00e3o pulsional humana, mas que por outro lado, n\u00e3o deixa de fora, o imposs\u00edvel ao qual a pr\u00e1tica de an\u00e1lise convoca a cada analista. Assim, aponta o que Lacan sustenta como orienta\u00e7\u00e3o de que a forma\u00e7\u00e3o anal\u00edtica \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o infinita. Cito Laia: <em>\u201ca an\u00e1lise \u00e9 infinita n\u00e3o porque ela n\u00e3o tenha um fim, mas porque, orientado pelo imposs\u00edvel do ato de analisar, um analista responde a essa impossibilidade tomando como infinita sua pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o como analista.\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>Dito isso, o que Laia sustenta \u00e9 que a <em>reformula\u00e7\u00e3o do Eu<\/em> proposta por Freud, n\u00e3o se trata de um fortalecimento do eu, mas que uma an\u00e1lise termina quando n\u00e3o se pode mais negar a exist\u00eancia do inconsciente, ou seja, que o fim de an\u00e1lise para um homem e uma mulher \u00e9 quando a diferen\u00e7a sexual se torna elemento irrefut\u00e1vel. Em outras palavras, significa dizer que a \u201crecusa da feminilidade\u201d \u00e9 um <em>fator<\/em> irredut\u00edvel para todo ser falante e que o \u201cdesejo de masculinidade\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> ser\u00e1 sempre aquilo ao qual o inconsciente n\u00e3o para de resistir.<\/p>\n<p>Assim, para al\u00e9m de todo e qualquer binarismo, o feminino aparecer\u00e1 sempre como alteridade radical para o <em>falasser<\/em>, seja ele homem ou mulher.<\/p>\n<p>O que S\u00e9rgio Laia prop\u00f5e ent\u00e3o, \u00e9 \u201c<em>crer no inconsciente\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><strong>[6]<\/strong><\/a><\/em> na medida em que possa ser sens\u00edvel \u00e0s pe\u00e7as que o inconsciente nos prega. Cito: <em>\u201cPassar por uma an\u00e1lise at\u00e9 chegar a seu fim e, mais ainda, perfazendo todo esse percurso, tornar-se analista, \u00e9 fazer-se sempre dispon\u00edvel para o enfrentamento do grande enigma da sexualidade e, aqui, sublinho que todo \u2018sempre\u2019 \u2013 para ser mesmo sempre \u2013 convoca-nos ao infinito\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><strong>[7]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>O que Laia aponta como <em>fator feminino<\/em>, seria assim, uma mudan\u00e7a de postura, que se mostra quando <em>\u201cum fim de an\u00e1lise nos permite nos deixarmos afetar \u2013 at\u00e9 o infinito \u2013 pelo enigma que o fator feminino demarca nos corpos sexuados.\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><strong>[8]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Resenha da 2\u00aa Noite de Biblioteca da EBP-Sul, realizada em 02\/06\/2021.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> LAIA, S\u00e9rgio. O analista, sua an\u00e1lise e o fator feminino. <strong>Correio<\/strong>, n. 84, 2021.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> FREUD, Sigmund. A an\u00e1lise finita e a infinita. (1937), p. 355, In: LAIA, S\u00e9rgio. O analista, sua an\u00e1lise e o fator feminino. <strong>Correio<\/strong>, n. 84, 2021, p.112.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> LAIA, S\u00e9rgio. O analista, sua an\u00e1lise e o fator feminino. <strong>Correio<\/strong>, n. 84, 2021, p.113.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Ibidem. p.118.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Ibidem. p.119.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Ibidem. p.119.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Ibidem. p.120.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resenha da Segunda Noite de Biblioteca com S\u00e9rgio Laia \u201cO analista, sua an\u00e1lise e o fator feminino\u201d[1] Por Licene Garcia No texto \u201cO analista, sua an\u00e1lise e o fator feminino\u201d[2], S\u00e9rgio Laia prop\u00f5e uma leitura do texto freudiano \u201cA an\u00e1lise finita e a infinita\u201d de 1937. 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