{"id":3090,"date":"2021-07-20T10:15:20","date_gmt":"2021-07-20T13:15:20","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?p=3090"},"modified":"2021-07-20T10:15:20","modified_gmt":"2021-07-20T13:15:20","slug":"o-lugar-do-mais-um-o-que-faz-do-cartel-um-grupo-especial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/o-lugar-do-mais-um-o-que-faz-do-cartel-um-grupo-especial\/","title":{"rendered":"O lugar do Mais-Um: o que faz do cartel um grupo especial?"},"content":{"rendered":"<h6>Cleyton Andrade<\/h6>\n<p>O que faz de um cartel um grupo especial? Esta \u00e9 a pergunta que nos \u00e9 dirigida. Logo o que me vem, a despeito dela, s\u00e3o in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es em que, ao contr\u00e1rio, o cartel pode deixar de ser aquilo a que ele se prop\u00f5e. Antes daquilo que tem de especial, me ocorrem algumas dificuldades bem banais, corriqueiras, nada relevantes do ponto de vista te\u00f3rico. Nada, portanto, que convoque grandes elabora\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas sobre o cartel e o Mais-Um.<\/p>\n<p>Com isso, quero dizer que \u00e9 muito f\u00e1cil para um cartel n\u00e3o funcionar como um cartel. Ali\u00e1s, apesar de nossos interesses, dar nome de cartel a um grupo, inscrev\u00ea-lo na Escola, nem mesmo ser composto por analistas praticantes, implica que seja o dispositivo que esperamos. Se \u00e9 f\u00e1cil n\u00e3o funcionar, pode ser mais f\u00e1cil ainda se dissolver. Incompatibilidades de agenda, excesso de atividades dos participantes, isso para me ater apenas nas quest\u00f5es mais cotidianas. \u00c9 f\u00e1cil n\u00e3o funcionar se o Mais-Um for um l\u00edder. E pode ser ainda pior se n\u00e3o for.<\/p>\n<p>Da\u00ed me parece interessante recorrer a uma passagem do texto de Oscar (2021) quando chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o Mais-Um \u00e9 \u201cnem sempre\u201d. \u00c9 uma fun\u00e7\u00e3o de conting\u00eancia, uma quest\u00e3o de <em>oportunidade<\/em>.<\/p>\n<p>Tendo isso em vista, gostaria de isolar uma situa\u00e7\u00e3o bem espec\u00edfica que me ajuda a pensar. Irei tomar um cartel em particular como objeto de reflex\u00e3o a respeito do lugar do cartel e do Mais-Um. Menos em rela\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios internos e institucionais, mas, sobretudo, recorrendo \u00e0 imagem de que \u00e9 tamb\u00e9m uma porta de entrada para a Escola de Lacan, independentemente de quanto tempo j\u00e1 se esteja ou n\u00e3o nela.<\/p>\n<p>Se temos um cartel cl\u00ednico, por exemplo, a experi\u00eancia cl\u00ednica \u00e9 seu ponto em comum, que pode ter uma fun\u00e7\u00e3o de n\u00f3. Se temos um cartel epist\u00eamico, o texto de Lacan faz essa fun\u00e7\u00e3o. Nestes exemplos, tanto a cl\u00ednica quanto o texto lacaniano podem fazer parte de uma experi\u00eancia que toca a cada um. Aqui preciso voltar ao texto de Oscar (2021) para dizer que pode ocorrer o retorno da particularidade de alguns significantes da hist\u00f3ria do sujeito. Acrescento, por minha conta, que \u00e9 preciso um certo tratamento, um distanciamento, uma subjetiva\u00e7\u00e3o, para um trabalho que seja mobilizado por estes significantes da hist\u00f3ria do sujeito, para que seja de fato produtivo, sob pena de funcionar como um entrave ou dificultador. Uma viv\u00eancia pode tanto paralisar num lugar sem trabalho, quanto ser uma experi\u00eancia que mobiliza e faz diferen\u00e7a no produto que poder\u00e1 vir.<\/p>\n<p>No mesmo livro (2021), editado e organizado por Nohem\u00ed, em seu texto, ela cita Agamben a respeito do contempor\u00e2neo. A extra\u00e7\u00e3o feita por ela destaca a necessidade de n\u00e3o se ter um olhar fixo sobre uma \u00e9poca. \u00c9 preciso \u201csaber ler de um modo in\u00e9dito o que se apresenta\u201d (2021, p.147). Outra grande dificuldade. At\u00e9 aqui os problemas deste cartel, que ainda n\u00e3o mencionei a especificidade, j\u00e1 me pareciam suficientemente dif\u00edceis antes de considerar o hibridismo deste convite provoca\u00e7\u00e3o de Nohem\u00ed. Afinal, para falar do contempor\u00e2neo \u00e9 quase autom\u00e1tico o anacronismo, a utopia, ou a melancolia dist\u00f3pica. \u00c9 mais f\u00e1cil ser uma figura liter\u00e1ria, cinematogr\u00e1fica ou folcl\u00f3rica diante do contempor\u00e2neo, do que estar, de fato, \u00e0 sua altura. Interpretar o contempor\u00e2neo sentado sobre ele, \u00e9 arte, ou desastre, para comentaristas de futebol. Comentam e fazem previs\u00f5es sobre um jogo que \u00e9 simult\u00e2neo ao coment\u00e1rio. Pr\u00e1tica de alto risco ou riso. Todo aquele que j\u00e1 assistiu um jogo de futebol j\u00e1 experimentou a sensa\u00e7\u00e3o de suspens\u00e3o da cr\u00edtica para levar \u00e0 s\u00e9rio os cr\u00edticos esportivos. Eles se tornaram h\u00e1beis em, ao serem desmentidos pelo lance seguinte, contornarem de imediato o texto e afirmarem o contr\u00e1rio do que disseram segundos antes de um gol. O risco e o riso \u00e9 porque, na maioria das vezes, estamos no contempor\u00e2neo como comentaristas esportivos, atrasados, apressados ou fora do contexto.<\/p>\n<p>O meu problema, que pode ser nosso, \u00e9 uma esp\u00e9cie de c\u00e9rbero: 1) um tema que funcione como n\u00f3; 2) a possibilidade de retorno de significantes da hist\u00f3ria de cada um; 3) ler de modo in\u00e9dito, ou pelo menos n\u00e3o estereotipada, a nossa falta de sincronia com nosso tempo.<\/p>\n<p>J\u00e1 devem ter se perguntando sobre que cartel \u00e9 esse. \u00c9 um cartel sobre Racismo Negro. Vale insistir que n\u00e3o \u00e9 sobre segrega\u00e7\u00e3o, afinal, \u00e9 preciso dizer com todos as letras que \u00e9 sobre racismo, n\u00e3o qualquer um, mas o racismo negro. Sem diluir na ass\u00e9ptica \u201csegrega\u00e7\u00e3o\u201d, o mal-estar que o racismo negro produz na racionalidade, na sociedade e na hist\u00f3ria do Brasil. Caf\u00e9 extra-forte&#8230;n\u00e3o \u00e9 caf\u00e9 sem cafe\u00edna, brigadeiro sem a\u00e7\u00facar sem cacau e sem chocolate, vinho sem \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Esse cartel ainda tem uma dificuldade a mais: \u00e9 composto s\u00f3 por mulheres, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de mim, o Mais-Um, e em boa parte, por mulheres negras. Talvez alguns se perguntem sobre qual seria o problema disso, arriscando a dizer que seria um falso problema, meramente imagin\u00e1rio. O fato de ser o \u00fanico homem, Mais-Um, num cartel de mulheres e majoritariamente negras a respeito de racismo negro, pode ser entendido como uma quest\u00e3o prec\u00e1ria, n\u00e3o anal\u00edtica, e irrelevante.<\/p>\n<p>Contudo, tais observa\u00e7\u00f5es j\u00e1 testemunhariam suficientemente de onde l\u00ea o contempor\u00e2neo. J\u00e1 \u00e9 um modo de interpreta\u00e7\u00e3o. Afinal, se voc\u00ea fizer parte de outro universo sem\u00e2ntico, tiver outra hist\u00f3ria, compartilhar de outras formas de la\u00e7os sociais e frequentar outras institui\u00e7\u00f5es, isso pode ser sim, um problema. A depender da gram\u00e1tica da qual partimos, teremos uma ou outra leitura.<\/p>\n<p>Se num cartel cl\u00ednico, a experi\u00eancia comum pode ser a cl\u00ednica, num cartel sobre racismo negro, este pode ser a experi\u00eancia da qual seus integrantes partem. E isso n\u00e3o \u00e9, de modo algum, pouca coisa. Afinal, a rigor, racismo negro n\u00e3o \u00e9 impress\u00e3o que se tem, conceito que se compartilha, \u00e9 viol\u00eancia que se sofre sobre a carne, pesco\u00e7o, peito, cabe\u00e7a, seja com joelho, bala, significantes, pol\u00edticas genocid\u00e1rias, ou inacessibilidade \u00e0s universidades, por exemplo. Como teremos cada vez mais colegas negros e negras sem uma pol\u00edtica de acesso n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 universidade, mas tamb\u00e9m acesso \u00e0 sa\u00fade e acesso a diversas formas de assist\u00eancia? Algumas universidades p\u00fablicas, por exemplo, promovem n\u00e3o s\u00f3 pol\u00edticas de cota, mas tamb\u00e9m pol\u00edticas de perman\u00eancia nas universidades, que envolvem diversos acessos inclusive \u00e0 renda. Para que quest\u00f5es anal\u00edticas sejam pensadas por analistas negros e negras, ind\u00edgenas, etc, na Escola, \u00e9 preciso que eles cheguem \u00e0s universidades antes.\u00a0 N\u00e3o se preocupe, esse desvio foi mais em nome da pergunta do \u201cque \u00e9 o contempor\u00e2neo\u201d e de onde o lemos. Voltemos.<\/p>\n<p>Assim como a negritude, o ser negro, mulher negra, ou ter-se tornado, ter-se descoberto negra, pode ser o pr\u00f3prio efeito do significante na hist\u00f3ria daquele sujeito. Mas com uma diferen\u00e7a fundamental: pode ser que o processo, aqui, n\u00e3o seja s\u00f3 de uma subjetiva\u00e7\u00e3o, se entendido como modo de produzir algum distanciamento para poder tratar a coisa. Na verdade, pode ser o contr\u00e1rio. Tornar-se negro ou negra \u2013 afinal, trata-se disto, n\u00e3o de nascimento \u2013 implica um acontecimento de corpo. Tornar-se negro\/a n\u00e3o exclui o corpo, a quest\u00e3o \u00e9 oposta: passa por um acontecimento de corpo.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 um trajeto que passa de uma experi\u00eancia \u00e0 possibilidade de uma subjetiva\u00e7\u00e3o, talvez haja, nestes casos, mais uma etapa. Talvez isso exija de alguns sujeitos uma nova modalidade de experi\u00eancia. N\u00e3o necessariamente in\u00e9dita. Apenas outra, mais uma. O circuito seria: experi\u00eancia \u2013 subjetiva\u00e7\u00e3o \u2013 experi\u00eancia. Quero dizer com isso que tornar-se negro, mulher negra, n\u00e3o \u00e9 uma aventura s\u00f3 significante. \u00c9 sobretudo de um corpo pulsional.<\/p>\n<p>Concei\u00e7\u00e3o Evaristo diz que se trata de escrever a partir da viv\u00eancia e da experi\u00eancia de mulher negra. Portanto, escrever, publicar, ler, s\u00e3o atos pol\u00edticos. Tal como tamb\u00e9m o \u00e9, fazer a palavra de arte virar ci\u00eancia. Contrapelo do trajeto freudiano de uma epistemologia cient\u00edfico naturalista a uma est\u00e9tica liter\u00e1ria necess\u00e1ria para tratar daquilo que a ci\u00eancia n\u00e3o lhe conferiu.<\/p>\n<p>Fazer da escrita, da leitura, da experi\u00eancia, uma produ\u00e7\u00e3o que seja objeto cient\u00edfico, seria uma ci\u00eancia que passa pela experi\u00eancia e n\u00e3o meramente como algo falado pelo outro. Vem da\u00ed o valor do coletivo numa pol\u00edtica de cita\u00e7\u00f5es, que ali\u00e1s, demorei a compreender. Escutar essas pessoas que apostam nas cita\u00e7\u00f5es de autores e autoras negras e negros, antes me parecia um excesso ou preciosismo. Demorei a entender que \u00e9 uma pol\u00edtica. Uma pol\u00edtica epist\u00eamica, hist\u00f3rica, epistemol\u00f3gica, uma pol\u00edtica que passa pelo corpo, ou pelos corpos. \u00c9 uma das formas de fazer um <em>ato<\/em>. Com isso buscam novos significados, desconstru\u00e7\u00e3o de imagin\u00e1rios, que, de outro ponto de vista nem parecem ser imagin\u00e1rios, tamanha a efic\u00e1cia que t\u00eam de colonizar nossos pensamentos e epistemologias.<\/p>\n<p>Mantendo-me no mesmo livro (2021), lembro-me de Tarrab destacando o que \u00e9 a pol\u00edtica lacaniana. Em resumo, \u00e9 tratar o real pelo coletivo, tratar o real do la\u00e7o social pelo coletivo. Pois bem, lendo estas autoras negras comecei a entender que a negritude, ser negra ou mulher negra, passa necessariamente por uma coletividade. H\u00e1 um lugar de destaque para esse coletivo que precisa ser levado \u00e0 s\u00e9rio. Temos o h\u00e1bito de pensar que o coletivo \u00e9 necessariamente um obst\u00e1culo ao singular. Ao mesmo tempo, podemos dizer que a pol\u00edtica lacaniana \u00e9 uma pol\u00edtica da enuncia\u00e7\u00e3o. Neste caso, o valor do cartel \u00e9 de preservar uma enuncia\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 coletiva. Parece que ca\u00ed numa contradi\u00e7\u00e3o. Entre uma coletividade e uma enuncia\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja coletiva.<\/p>\n<p>Entretanto, queiramos ou n\u00e3o, o cartel, o passe, a Escola, s\u00e3o, a bem da verdade, dispositivos coletivos. O que mostra que, at\u00e9 para haver uma enuncia\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja coletiva, \u00e9 preciso haver uma dada rela\u00e7\u00e3o com o coletivo.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es sobre racismo negro, negritude, feminismo negro, rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, produzem significantes como \u201cancestralidade\u201d. Mas este \u00e9 um tema para outro momento.<\/p>\n<p>Enfim, para concluir, Miller chama a aten\u00e7\u00e3o para um artigo definido a respeito do cartel. Este n\u00e3o \u00e9 um dos meios para trabalhar. O cartel \u00e9 <em>o<\/em> meio para executar <em>o<\/em> trabalho. \u00c9 o princ\u00edpio de elabora\u00e7\u00e3o. Com isso, posso dizer que 1) \u00e9 fundamental que homens e mulheres negras cheguem via cartel, por ser o meio, o princ\u00edpio de elabora\u00e7\u00e3o; 2) diante do contempor\u00e2neo, para n\u00e3o sermos comentaristas esportivos, somos todos analisantes. Por isso, penso que o fundamental de negros e negras chegarem via cartel \u00e9 tamb\u00e9m uma oportunidade, pelo menos para mim, para pensar o Mais-Um realmente como um l\u00edder pobre, empobrecido. Ou seja, \u00e9 uma oportunidade para sermos todos analisantes frente a estas quest\u00f5es contempor\u00e2neas. Creio que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser Mais-Um neste contexto. O que est\u00e1 mais pr\u00f3ximo do cotidiano, frente ao novo, \u00e9 sermos anacr\u00f4nicos ao repetirmos f\u00f3rmulas j\u00e1 suficientemente conhecidas. Afinal, como permitir uma enuncia\u00e7\u00e3o, uma elabora\u00e7\u00e3o sem cometer epistemic\u00eddio? Como n\u00e3o embranquecer cabelo, corpos e palavras?<\/p>\n<p>Permitir que estas figuras do contempor\u00e2neo adentrem pela porta da Escola de Lacan, penso, \u00e9 uma das fun\u00e7\u00f5es do Mais-Um, e ao propiciar isto, seria uma das maneiras de fazer do cartel um grupo especial. Sendo assim, cartelizantes: sejam bem vindos, bem vindas e bem vindes!<\/p>\n<hr \/>\n<h6>Bibliografia:<\/h6>\n<h6>Brown, Nohem\u00ed Ibanez (Org). <em>Cartel, novas leituras<\/em>. S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2021.<\/h6>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #993300;\"><strong>Coment\u00e1rio sobre o texto de Cleyton Andrade (EBP\/AMP)<\/strong><\/span><\/p>\n<h6>Por Val\u00e9ria Beatriz<\/h6>\n<p>Cleyton Andrade trouxe quest\u00f5es importantes para uma discuss\u00e3o entre v\u00e1rios, a partir da proposta por ele trazida, de \u201cconversar sobre as dificuldades do mais-um\u201d, no sentido de que \u201c\u00e9 f\u00e1cil um cartel n\u00e3o funcionar\u201d, como ele pr\u00f3prio coloca, haja vista a presen\u00e7a de impasses que permeiam esta experi\u00eancia que leva em conta a quest\u00e3o da extimidade. Destacando o significante \u201ccontempor\u00e2neo\u201d como referido a uma posi\u00e7\u00e3o, a algu\u00e9m em condi\u00e7\u00f5es de transformar o tempo e coloc\u00e1-lo em rela\u00e7\u00e3o a outros tempos, Cleyton marca a\u00ed a indica\u00e7\u00e3o de uma posi\u00e7\u00e3o capaz de ler de modo in\u00e9dito o saber que se\u00a0 constr\u00f3i. Essa seria uma posi\u00e7\u00e3o do mais-um em um cartel, o qual, como ele nos lembra, \u00e9 um l\u00edder pobre, no sentido da precariedade em rela\u00e7\u00e3o ao saber, atento ao seu lugar de elemento n\u00e3o-homog\u00eaneo no conjunto e que, por isso, o descompleta. No bem dizer do poeta Leminski, \u201cna vida ningu\u00e9m paga meia\u201d&#8230; Portanto, o cartel n\u00e3o \u00e9 um \u201clocus amoenus\u201d e, sim, tribut\u00e1rio da l\u00f3gica n\u00e3o-toda e da enuncia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cleyton Andrade O que faz de um cartel um grupo especial? 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