{"id":5596,"date":"2025-09-19T17:57:55","date_gmt":"2025-09-19T20:57:55","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?page_id=5596"},"modified":"2025-11-28T09:24:37","modified_gmt":"2025-11-28T12:24:37","slug":"jornada-de-carteis-2025","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/carteis-e-intercambio\/atividades\/jornada-de-carteis-2025\/","title":{"rendered":"Jornada de Cart\u00e9is 2025"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\">Jornada de Cart\u00e9is 2025<\/span><\/h3>\n<p>Data:\u00a0<strong>5 e 6 de dezembro de 2025<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cartel e transfer\u00eancia de trabalho: amor, dizer e acontecimento<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Convidados<\/strong>: S\u00e9rgio Laia (AME EBP\/AMP) e Laura Rubi\u00e3o (Diretora de Cart\u00e9is da EBP)<\/li>\n<li><strong>Prazo do envio de trabalhos<\/strong>: 03\/11\/25<\/li>\n<\/ul>\n<h3><span style=\"color: #993300;\">Argumento<\/span><\/h3>\n<p>CARTEL E TRANSFER\u00caNCIA DE TRABALHO: AMOR, DIZER E ACONTECIMENTO<\/p>\n<p>No ato de funda\u00e7\u00e3o de sua Escola<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, em 1964, o cartel \u00e9 proposto por Lacan como \u00f3rg\u00e3o de base para o trabalho a ser nela executado e tamb\u00e9m, nos diz Miller, como uma m\u00e1quina de guerra contra os didatas. Foi com o intuito de operar sobre os efeitos do grupo (de cola e in\u00e9rcia), para que um trabalho pudesse se dar, que ele o criou \u2014 e do qual esperava que\u00a0fizesse\u00a0a psican\u00e1lise avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Miller prop\u00f5e, no curso\u00a0<em>O banquete dos analistas<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/em>, de 1990, a tese de que a raz\u00e3o que guiou Lacan na funda\u00e7\u00e3o de sua Escola foi a transfer\u00eancia de trabalho, que ela concerne ao ensino da psican\u00e1lise, \u00e0 sua transmiss\u00e3o e, inclusive, ao modo de transmiss\u00e3o deste ensino. Est\u00e1 na base da Escola como conceito. Trata-se do psicanalista n\u00e3o em sua fun\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, esclarece, mas em sua rela\u00e7\u00e3o com a Escola enquanto trabalhador.<\/p>\n<p>A\u00ed vemos se entrela\u00e7ar a rela\u00e7\u00e3o entre cartel e transfer\u00eancia de trabalho, de modo que podemos tom\u00e1-lo como um dispositivo privilegiado em rela\u00e7\u00e3o a ela.<\/p>\n<p>Dito isto, podemos pensar que falar de cartel \u00e9 falar de transfer\u00eancia de trabalho. E aqui surge uma pergunta: que ponto \u00e9 este em que o cartel incide e que lhe permite ocupar tal lugar?<\/p>\n<p>Talvez a fun\u00e7\u00e3o do mais-um possa nos dar uma pista, pois o mais-um tem como fun\u00e7\u00e3o, justamente, ao ser designado para este papel, n\u00e3o ocupar a posi\u00e7\u00e3o esperada do l\u00edder e da suposi\u00e7\u00e3o de saber. Isto \u00e9, para que cada componente do cartel realize um trabalho pessoal e n\u00e3o se deite no conforto de fazer o que o mestre mandar ou de aprender o que o mestre ensinar.<\/p>\n<p>O mais-um \u00e9, portanto, aquele que aponta para o furo da fun\u00e7\u00e3o do l\u00edder, que p\u00f5e a circular o saber, fazendo de cada um <em>um<\/em> mestre. A elabora\u00e7\u00e3o de saber de cada um \u00e9 provocada pelo mais-um.\u00a0 Ent\u00e3o, talvez, a pr\u00f3pria estrutura do cartel possa ser pensada a partir da fun\u00e7\u00e3o do mais-um, como o que promove a transfer\u00eancia de trabalho, o que convida ao trabalho.<\/p>\n<p>Miller diz que o mais-um \u00e9 um provocador provocado<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Em <em>D\u2018Ecolage<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/em>, Lacan nos adverte que, se o mais-um \u00e9 qualquer um, ent\u00e3o deve ser algu\u00e9m. Podemos dizer, ainda: algu\u00e9m que encarne o furo, que preserve no cartel o furo no saber. Esta n\u00e3o seria tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o do analista com a Escola, enquanto trabalhador \u2013 a de encarnar no seio mesmo da Escola o S de A barrado, o furo no saber?<\/p>\n<p>Trata-se de n\u00e3o dar consist\u00eancia ao saber, n\u00e3o h\u00e1 Outro do Outro que saiba. \u00c9 um saber a ser constru\u00eddo. N\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o haja um saber a ser alcan\u00e7ado, apenas ele n\u00e3o \u00e9 consistente. \u00c9 um saber furado. Isto est\u00e1 para quem se aproxima da Escola, para quem dela participa, para membros, n\u00e3o membros, iniciantes, mais experientes, porque n\u00e3o h\u00e1 um saber pronto e acabado. Todos est\u00e3o convidados a fazer avan\u00e7ar a psican\u00e1lise e, justamente, a partir de que trabalhem e com isto convidem ao trabalho.<\/p>\n<p>\u00c9 neste ponto que o cartel incide e que d\u00e1 a ele um lugar privilegiado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 transfer\u00eancia de trabalho. A elabora\u00e7\u00e3o provocada pelo mais-um no cartel \u00e9 um dizer de cada cartelizante em nome pr\u00f3prio, sem o efeito de cola nem a autoprote\u00e7\u00e3o que a identifica\u00e7\u00e3o oferecia aos grupos anal\u00edticos e \u00e0 qual Lacan se op\u00f4s. Um dizer que \u00e9 um acontecimento, que a an\u00e1lise propriamente extrai, mas que a fun\u00e7\u00e3o do mais-um no cartel tamb\u00e9m pode provocar, neste outro lugar que \u00e9 a transfer\u00eancia de trabalho \u00e0 Escola.<\/p>\n<p>Este dizer \u00e9 o amor ao qual Lacan se refere no Semin\u00e1rio 21, <em>Os n\u00e3o tolos erram<\/em>, \u201co amor \u00e9 um dizer enquanto acontecimento\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Ele \u00e9 contingente, toca o corpo. Da\u00ed a import\u00e2ncia deste dispositivo para que, na Escola, reine o vivo da psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>\u00c9 este vivo que esperamos recolher nesta jornada!<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>Maria Teresa Wendhausen<\/strong><br \/>\n<\/span><span style=\"font-size: 13px;\">Diretora de Cart\u00e9is da EBP-Se\u00e7\u00e3o Sul<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> LACAN, J. Ato de funda\u00e7\u00e3o. In: <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> MILLER, J.A. <em>O banquete dos analistas<\/em>. Paid\u00f3s: Buenos Aires, 2011. p. 174.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> MILLER, J.A. <em>Cinco varia\u00e7\u00f5es sobre o tema da elabora\u00e7\u00e3o provocada<\/em>. 1986. Traduzido e disponibilizado em: <a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/22Cinco-Variacoes-sobre-o-tema-da-elaboracao-provocada22-Jacques-Alain-Miller.pdf\">https:\/\/ebp.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/22Cinco-Variacoes-sobre-o-tema-da-elaboracao-provocada22-Jacques-Alain-Miller.pdf<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> LACAN, J. <em>D\u2019Ecolage<\/em>. 1980. Traduzido e disponibilizado em: <a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/22DEcolage22-Jacques-Lacan.pdf\">https:\/\/ebp.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/22DEcolage22-Jacques-Lacan.pdf<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> LACAN, J. O S<em>emin\u00e1rio Livro 21<\/em>: Os n\u00e3o-tolos erram\/Os nomes do pai. 1973-1974. In\u00e9dito. Aula 4, p. 69.[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_single_image image=&#8221;5671&#8243; lightbox_custom_img=&#8221;5671&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space]<div class=\"vcex-module vcex-divider vcex-divider-solid vcex-divider-center wpex-mx-auto wpex-block wpex-h-0 wpex-border-b wpex-border-solid wpex-border-main\" style=\"border-color:var(--wpex-accent);\"><\/div>[vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<strong>Crit\u00e9rios para o envio dos trabalhos:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>O trabalho deve ser fruto da experi\u00eancia do cartel. Recomenda-se que o trabalho tenha sido lido e discutido no cartel e revisado, antes do envio;<\/li>\n<li>Os trabalhos que pretendem abordar casos cl\u00ednicos devem privilegiar a vinheta cl\u00ednica, com aten\u00e7\u00e3o para informa\u00e7\u00f5es sigilosas;<\/li>\n<li>Para que seja dado lugar \u00e0 discuss\u00e3o, o limite m\u00e1ximo de caracteres \u00e9 5000, com espa\u00e7o. Fonte Times New Roman 12, espa\u00e7amento de linhas 1,5;<\/li>\n<li>Os trabalhos devem ser enviados pelo mais-um;<\/li>\n<li>Colocar no campo do assunto do e-mail: Jornada de Cart\u00e9is da Se\u00e7\u00e3o Sul;<\/li>\n<li>Incluir no corpo do e-mail: tema do cartel, nome dos cartelizantes e do +1;<\/li>\n<li>No texto: t\u00edtulo e autor<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Comiss\u00e3o da diretoria de cart\u00e9is:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Diego Cervelin (EBP\/AMP)<\/li>\n<li>M\u00e1rcia Stival (EBP\/AMP)<\/li>\n<li>Maria Teresa Wendhausen (Diretora de Cart\u00e9is da Se\u00e7\u00e3o Sul \u2013 EBP\/AMP)<\/li>\n<li>Paula Nocquet<\/li>\n<li>Priscila de S\u00e1 Santos<\/li>\n<li>Val\u00e9ria Beatriz Araujo<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Comiss\u00e3o epist\u00eamica da jornada:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Adriana Rodrigues<\/li>\n<li>Diego Cervelin<\/li>\n<li>Juliana Rego da Silva<\/li>\n<li>Maria Luiza Rovaris Cidade<\/li>\n<li>M\u00e1rcia Stival<\/li>\n<li>Maria Teresa Wendhausen<\/li>\n<li>Mauro Agosti<\/li>\n<li>Paula Nocquet<\/li>\n<li>Priscila de S\u00e1 Santos<\/li>\n<li>Val\u00e9ria Beatriz Ara\u00fajo<\/li>\n<li>Em caso de d\u00favida envie e-mail para: <a href=\"mailto:equipedecarteisebpsul@gmail.com\">equipedecarteisebpsul@gmail.com<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"mailto:equipedecarteisebpsul@gmail.com\">equipedecarteisebpsul@gmail.com<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text] Jornada de Cart\u00e9is 2025 Data:\u00a05 e 6 de dezembro de 2025 Cartel e transfer\u00eancia de trabalho: amor, dizer e acontecimento Convidados: S\u00e9rgio Laia (AME EBP\/AMP) e Laura Rubi\u00e3o (Diretora de Cart\u00e9is da EBP) Prazo do envio de trabalhos: 03\/11\/25 Argumento CARTEL E TRANSFER\u00caNCIA DE TRABALHO: AMOR, DIZER E ACONTECIMENTO No ato de funda\u00e7\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":1587,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-5596","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5596","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5596"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5596\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5676,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5596\/revisions\/5676"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1587"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5596"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}