{"id":5557,"date":"2025-08-13T06:42:44","date_gmt":"2025-08-13T09:42:44","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?page_id=5557"},"modified":"2025-09-20T08:49:27","modified_gmt":"2025-09-20T11:49:27","slug":"6a-jornada-da-ebp-secao-sul-cade-o-gozo-o-que-diz-a-epoca-e-a-clinica-eixo-2-o-gozo-desde-o-inicio-da-analise","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/6a-jornada-da-ebp-secao-sul-cade-o-gozo-o-que-diz-a-epoca-e-a-clinica\/6a-jornada-da-ebp-secao-sul-cade-o-gozo-o-que-diz-a-epoca-e-a-clinica-eixo-2-o-gozo-desde-o-inicio-da-analise\/","title":{"rendered":"6\u00aa Jornada da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sul &#8211; Cad\u00ea o gozo? O que diz a \u00e9poca e a cl\u00ednica &#8211; Eixo 2: O Gozo desde o In\u00edcio da An\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;5398&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<p><strong>VI Jornada da Se\u00e7\u00e3o Sul. \u201cCad\u00ea o gozo? O que diz a \u00e9poca e a cl\u00ednica<\/strong><\/p>\n<h3><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Eixo 2: O gozo desde o in\u00edcio da an\u00e1lise<\/strong><\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em><strong>C\u00e9lia Ferreira Carta Winter (EBP\/AMP)<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Quando algu\u00e9m procura an\u00e1lise, na maioria das vezes, o que busca \u00e9 al\u00edvio. O dito t\u00e3o difundido de que &#8220;falar faz bem&#8221; propicia in\u00edcios com falas angustiadas, queixas, insatisfa\u00e7\u00f5es, recrimina\u00e7\u00f5es dirigidas ao Outro: &#8220;o parceiro que n\u00e3o escuta, o chefe insuport\u00e1vel, a fam\u00edlia que sufoca, o mundo injusto&#8221;. O sujeitodemanda, muitas vezes, implicitamente: &#8220;escute meu sofrimento, confirme minha dor, d\u00ea sentido ao meu caos, alivie-me&#8221;. Ele busca, no analista, um Outro supostamente saber, capaz de decifrar e sanar.<\/p>\n<p>H\u00e1 um gozo nesses enunciadosdesconhecido pelo sujeito. De que gozo se trata? O sujeito est\u00e1 capturado na cadeia significante de sua queixa, gozando do sentido que ela produz. Paradoxo: esse sentido o mant\u00e9m preso \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de objeto de um Outro mau, ou de um destino cruel. A pr\u00f3pria estrutura da fala \u2013 sua repeti\u00e7\u00e3o e a busca por reconhecimento no olhar do analista \u2013 carrega consigo essa satisfa\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca. O gozo, enquanto prazer no desprazer, \u00e9 essa satisfa\u00e7\u00e3o que se descola da demanda e do desejo, inscrevendo-se no corpo e na rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o Outro.<\/p>\n<p>Acolher quem procura atendimento, dar-lhe as boas-vindas, n\u00e3o \u00e9 validar a queixa, mas encaminhar a passagem da queixa \u00e0 quest\u00e3o. &#8220;N\u00e3o d\u00e1 para ser diferente? Precisa continuar sofrendo assim?&#8221; Essas modaliza\u00e7\u00f5es do dito e a interven\u00e7\u00e3o do analista tentam implicar o sujeito em suas queixas. Essa passagem, que torna a psican\u00e1lise uma pr\u00e1tica al\u00e9m da terap\u00eautica, cabe ao analista encaminhar e, nesse sentido, &#8220;cad\u00ea o gozo&#8221;? \u00c9 um orientador cl\u00ednico fundamental, para que este dirija o tratamento, e n\u00e3o a consci\u00eancia do analisando.<\/p>\n<p>A entrada em an\u00e1lise, ponto crucial na <em>pr\u00e1xis<\/em> lacaniana, marca uma transforma\u00e7\u00e3o significativa, um limiar que distingue um antes e um depois, na experi\u00eancia do sujeito. Este momento \u00e9 caracterizado pelo entrela\u00e7amento de tempos l\u00f3gicos: o momento de concluir as entrevistas preliminares, que \u00e9 um ponto de inflex\u00e3o; e o instante de ver, que denota a implica\u00e7\u00e3o subjetiva do analisando e coincide com a abertura de um tempo de compreender mais al\u00e9m. Esse \u00e9 o ponto da abertura do discurso do mestre para o discurso da hist\u00e9rica, em que o sujeito emerge em sua divis\u00e3o subjetiva. De v\u00edtima das queixas&#8230; \u00e0 qual minha parte nisso? Perguntas fundamentais do eixo: em sua cl\u00ednica, nos casos que acompanha, como foi essa passagem: de queixar-se do outro para implicar-se em seu sofrimento? Como acolher o sujeito em suas queixas atordoantes sem passar a &#8220;m\u00e3o na cabe\u00e7a&#8221;? Como fazer emergir a demanda que cabe ser acolhida, a demanda de an\u00e1lise?<\/p>\n<p>O ato anal\u00edtico formaliza a entrada em an\u00e1lise e a leitura preliminar das marcas de gozo fundantes. Tais marcas operam al\u00e9m da esfera do sentido e da simples terap\u00eautica, oferecendo coordenadas essenciais para a condu\u00e7\u00e3o do caso e uma b\u00fassola que orientar\u00e1 o processo anal\u00edtico para localizar o gozo.<\/p>\n<p>Essa perspectiva do gozo, como orientador cl\u00ednico, vai al\u00e9m do consult\u00f3rio. Ela se estende a diferentes dispositivos, como escolas e hospitais, e se torna particularmente relevante em situa\u00e7\u00f5es de urg\u00eancia, onde a demanda pelo atendimento \u00e9 premente. Nesses contextos, muitas vezes, um ou poucos encontros representam a \u00fanica oportunidade para que aquele que sofre encontre uma resposta diferente, diante do seu padecimento, uma resposta que se diferencie daquelas propostas pelo mercado terap\u00eautico.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o central, ent\u00e3o, reside em como operar analiticamente nessas condi\u00e7\u00f5es, em um breve lapso de tempo e, muitas vezes, em condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis? O desafio \u00e9 intervir de modo que, mesmo diante de tais limita\u00e7\u00f5es, a porta para um &#8220;come\u00e7o&#8221; permane\u00e7a aberta, permitindo que a dimens\u00e3o do gozo, em sua singularidade, possa ser apreendida e trabalhada, orientando o analista para al\u00e9m das expectativas do tratamento ou de sentido. Convidamos para que compartilhe sua experi\u00eancia nesses casos t\u00e3o fundamentais.<\/p>\n<p>O ato anal\u00edtico se situa nessa brecha: faz existir o inconsciente transferencial, epor meio das interven\u00e7\u00f5es, aponta para o inconsciente real, isto \u00e9, para o gozo. Patr\u00edcia Moraga cita Lacan e indica que a neutralidade do analista \u00e9 &#8220;justamente essa subvers\u00e3o do sentido, essa esp\u00e9cie de aspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao real, mas pelo real&#8221;. Sem essa opera\u00e7\u00e3o, o gozo permanece fora do campo do desejo, repetindo-se como destino. &#8220;El recorrido de los discursos muestra que el gozo no se elimina, sino que se redistribuye en la estructura&#8221;<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio &#8220;Donc&#8221;, Miller descreve um percurso l\u00f3gico que organiza a experi\u00eancia anal\u00edtica. No in\u00edcio temos o discurso do mestre: &#8220;sou TDAH, sou Bipolar&#8221;. O sujeito chega com um sintoma (S1) que encobre seu gozo (a). O discurso dominante \u00e9 o do &#8220;mestre&#8221; (supereu, ideais sociais). O discurso da hist\u00e9rica (tempo das entrevistas preliminares) o sujeito ($) interroga o significante-mestre (S1). &#8220;Por que isso me acontece?&#8221;. O analista sustenta a pergunta, evitando respostas prematuras, permitindo que o gozo comece a circular como enigma. Discurso do analista (processo anal\u00edtico): o analista ocupa o lugar do objeto a (causa do desejo), descompletando o saber (S2) do sujeito que o mant\u00e9m alienado ao discurso do mestre<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p><strong><em>O impasse da cl\u00ednica contempor\u00e2nea: quando o gozo obstaculiza a divis\u00e3o subjetiva<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na cl\u00ednica contempor\u00e2nea, um dos impasses, \u00e9 a crescente dificuldade de operar com sujeitos que n\u00e3o apresentam uma divis\u00e3o subjetiva. Nesses casos, a aus\u00eancia de um &#8220;espa\u00e7o&#8221; para o desejo, que normalmente \u00e9 articulado pelo fantasma, dificulta a abordagem anal\u00edtica tradicional. O desafio, ent\u00e3o, reside em como o analista pode tocar ou cernir esse gozo que se manifesta sem a interroga\u00e7\u00e3o que impulsionaria uma busca ou uma sa\u00edda sintom\u00e1tica. Esta quest\u00e3o nos convoca a repensar as estrat\u00e9gias, buscando formas de criar as condi\u00e7\u00f5es para que uma divis\u00e3o se instaure, mesmo que minimamente, para que o gozo possa, enfim, se tornar um enigma a ser trabalhado. De gozo se trata? O que foi tocado a\u00ed?<\/p>\n<p><strong><em>Convite \u00e0 escrita<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O convite \u00e0 escrita de recortes cl\u00ednicos, a partir da pr\u00e1tica de cada um, \u00e9 fazer emergir o singular de cada caso, ou os tempos dos giros discursivos da trajet\u00f3ria anal\u00edtica. Em que ponto se pode demonstrar que o gozo, que fala na l\u00edngua do sintoma, pode ser ouvido em sua gram\u00e1tica, criando condi\u00e7\u00f5es para que ele se inscreva como quest\u00e3o? Como o analista se coloca como guardi\u00e3o do vazio, que permite ao sujeito reencontrar sua divis\u00e3o? Como o analista torna sua &#8220;douta ignor\u00e2ncia&#8221; num processo efetivo de busca do sujeito? Como o analista se posiciona no primeiro encontro com sujeitos cada vez mais reativos ao inconsciente e mais perturbados pelo gozo do corpo? A populariza\u00e7\u00e3o das consultas virtuais e da tecnologia tamb\u00e9m teve sua incid\u00eancia na decis\u00e3o de buscar um analista pela primeira vez<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>?<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o algumas das perguntas que convidam a colocar nossa cl\u00ednica \u00e0 altura da civiliza\u00e7\u00e3o, sem perder de vista que o gozo, em suas m\u00faltiplas facetas, continua sendo uma b\u00fassola essencial para o analista, desde o primeiro encontro. \u00c9 na escuta atenta e na capacidade de cernir o gozo, que reside a possibilidade de um come\u00e7o anal\u00edtico, que v\u00e1 al\u00e9m da demanda inicial terap\u00eautica, permitindo a emerg\u00eancia de um sujeito dividido e desejante.<\/p>\n<p><strong>Pontos de investiga\u00e7\u00e3o \u2013 Eixo 2<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Como recolher as manifesta\u00e7\u00f5es do gozo na queixa inicial, nos sintomas expressos por quem procura uma an\u00e1lise e nas forma\u00e7\u00f5es do inconsciente?<\/li>\n<li>Quais seriam as modaliza\u00e7\u00f5es do dito, demonstrando implica\u00e7\u00e3o do falasser na queixa com a qual goza?<\/li>\n<li>Como fazer emergir uma demanda de an\u00e1lise, quando h\u00e1 descren\u00e7a no inconsciente?<\/li>\n<li>A respeito do la\u00e7o transferencial e da acolhida da demanda de an\u00e1lise, o que se manifesta do gozo?<\/li>\n<li>Como se apresenta a rela\u00e7\u00e3o entre o gozo e a \u00e9tica da psican\u00e1lise no momento da entrada em an\u00e1lise?<\/li>\n<li>Como se apresenta a fun\u00e7\u00e3o do analista em identificar e manejar o gozo para al\u00e9m da terap\u00eautica?<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Moraga, Patricia. <em>El goce y eltratamiento de lasatisfacci\u00f3n.<\/em> Olivos: Gramma Ediciones, 2015, p. 68-69.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Miller, Jacques-Alain. <em>Donc: la l\u00f3gica de la cura.<\/em> Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2020, p. 100.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Dispon\u00edvel em: https:\/\/enapol.com\/xi\/pt\/argumento-e-eixos-tematicos\/<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;5398&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] VI Jornada da Se\u00e7\u00e3o Sul. \u201cCad\u00ea o gozo? O que diz a \u00e9poca e a cl\u00ednica Eixo 2: O gozo desde o in\u00edcio da an\u00e1lise C\u00e9lia Ferreira Carta Winter (EBP\/AMP) Quando algu\u00e9m procura an\u00e1lise, na maioria das vezes, o que busca \u00e9 al\u00edvio. 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