{"id":5504,"date":"2025-07-12T08:45:20","date_gmt":"2025-07-12T11:45:20","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?page_id=5504"},"modified":"2025-07-17T17:51:37","modified_gmt":"2025-07-17T20:51:37","slug":"6a-jornada-da-ebp-secao-sul-cade-o-gozo-o-que-diz-a-epoca-e-a-clinica-eixo-1-o-gozo-e-a-epoca","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/6a-jornada-da-ebp-secao-sul-cade-o-gozo-o-que-diz-a-epoca-e-a-clinica\/6a-jornada-da-ebp-secao-sul-cade-o-gozo-o-que-diz-a-epoca-e-a-clinica-eixo-1-o-gozo-e-a-epoca\/","title":{"rendered":"6\u00aa Jornada da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sul &#8211; Cad\u00ea o gozo? O que diz a \u00e9poca e a cl\u00ednica &#8211; Eixo 1: O gozo e a \u00e9poca"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;5398&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<p><strong>VI Jornada da Se\u00e7\u00e3o Sul. \u201cCad\u00ea o gozo? O que diz a \u00e9poca e a cl\u00ednica.&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Eixo 1: O gozo e a \u00e9poca.<\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 13px;\">Oscar Reymundo (EBP-AMP)<\/span><\/em><\/p>\n<p>O que seria a \u00e9poca na perspectiva anal\u00edtica? No caso da pr\u00f3xima Jornada da Se\u00e7\u00e3o Sul a \u00e9poca seria a atualidade? Em Anorexia e bulimia. Sintomas atuais do feminino, Fabi\u00e1n Schejman diz que poder\u00edamos entender que uma \u00e9poca estaria marcada pelo modo predominante, dat\u00e1vel, de gozar, de viver a puls\u00e3o segundo um contexto de discurso<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Destaco \u201csegundo um contexto de discurso\u201d, uma vez que os la\u00e7os sociais s\u00e3o la\u00e7os discursivos e, enquanto tais, as rela\u00e7\u00f5es de linguagem entre os seres falantes definem diferentes maneiras de se lidar com o corpo e com o gozo.<\/p>\n<p>Assim, os discursos que regem os la\u00e7os sociais situam as poss\u00edveis rela\u00e7\u00f5es entre falasseres agindo como um freio sobre o gozo, como se fosse um dique que det\u00e9m o curso d\u2019\u00e1gua, mas tamb\u00e9m regula sua passagem. Seria poss\u00edvel dizer, ent\u00e3o, que uma \u00e9poca estaria determinada pelo discurso dominante, num per\u00edodo, e pelo modo de gozo que esse discurso regula&#8230;ou n\u00e3o mais regula?<\/p>\n<p>Hoje o discurso que vemos avan\u00e7ar pelo\u00a0\u00a0 mundo afora \u00e9 o discurso capitalista que, paradoxalmente, debilita e empobrece o la\u00e7o social. Com a formula\u00e7\u00e3o deste discurso Lacan fez jus ao seu princ\u00edpio que diz \u201cQue renuncie o analista que n\u00e3o estiver \u00e0 altura do seu tempo\u201d. Ou da sua \u00e9poca.<\/p>\n<p>Em 1970 o inconsciente \u00e9 definido por Lacan como o Discurso do Mestre, e em 1972, em Mil\u00e3o, Lacan avan\u00e7a no conceito de inconsciente e o homologa ao Discurso Capitalista. Assim, o inconsciente \u00e9 um saber que trabalha sem mestre e \u00e9 um trabalhador ideal, uma vez que n\u00e3o pensa, n\u00e3o julga, n\u00e3o calcula, n\u00e3o faz greve. O inconsciente trabalha para a produ\u00e7\u00e3o de gozo, tornando-se, ent\u00e3o, o pilar da economia capitalista que tomou o lugar do mestre tradicional.<\/p>\n<p>Sabemos que para haver la\u00e7o \u00e9 necess\u00e1rio renunciar a algo de gozo, e o Discurso Capitalista rejeita a castra\u00e7\u00e3o tornando invi\u00e1vel o estabelecimento do la\u00e7o social, deixando de fora as coisas do amor. Daria, ent\u00e3o, para seguir chamando de Discurso o Capitalista? At\u00e9 podemos pensar que seria um discurso muito particular, uma vez que produz como efeito a ruptura dos la\u00e7os sociais.<\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio \u201cA \u00e9tica da psican\u00e1lise\u201d Lacan nos diz que \u201cO gozo, t\u00e3o caro ao sujeito, \u00e9 um mal no sentido de que, seja l\u00e1 o que se queira, o gozo comporta o mal do pr\u00f3ximo\u201d. N\u00e3o \u00e9 por acaso que tal afirma\u00e7\u00e3o perten\u00e7a ao Semin\u00e1rio VII, e podemos acrescentar que se existe tal \u00e9tica \u00e9 porque a psican\u00e1lise, desde suas origens, contribui com a civiliza\u00e7\u00e3o com uma quest\u00e3o que Lacan colocou como \u201cmedida da nossa a\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.\u00a0 Nesse mesmo semin\u00e1rio Lacan se pergunta se temos \u201cpassado a linha\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> sob a forma de ultraje, de afronta. \u00a0Ele acrescenta que no mundo de hoje prolifera um ru\u00eddo, um mal-estar que, como psicanalistas, n\u00e3o temos motivos para n\u00e3o escut\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Mal-estar, ru\u00eddo&#8230;Como n\u00e3o escutar o clamor dos exclu\u00eddos e dos segregados, que se alastra pelo mundo afora, como efeito do Discurso Capitalista e sua sociedade com o discurso da ci\u00eancia?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, escutar o ru\u00eddo&#8230;Hoje, o atravessamento sem retorno de um limite torna-se um experi\u00eancia cotidiana: o aumento de casos de viol\u00eancia contra as mulheres, de femic\u00eddio; os assassinatos de sujeitos trans e travestis; os crimes de racismo com requinte de crueldade; as invas\u00f5es descontroladas das terras das comunidades origin\u00e1rias com mortes de ind\u00edgenas que a\u00ed fazem suas vidas; as manifesta\u00e7\u00f5es de negacionismo que podem levar, por exemplo, a boicotar campanhas de vacina\u00e7\u00e3o contra doen\u00e7as graves; a viol\u00eancia contra as crian\u00e7as tornadas objetos sexuais, objeto de consumo, ou objetos privilegiados das Terapias Cognitivas Comportamentais e da ind\u00fastria da avalia\u00e7\u00e3o; a contamina\u00e7\u00e3o sem limites do meio ambiente; as guerras de exterm\u00ednio de povos segregados de tempos imemor\u00e1veis; o uso desregulado das novas tecnologias na difus\u00e3o de not\u00edcias falsas e de discursos antidemocr\u00e1ticos; a naturaliza\u00e7\u00e3o das nossas prefer\u00eancias serem moldadas por algoritmos; o tratamento dado aos discursos de \u00f3dio como sendo liberdade de express\u00e3o, os casos de lawfare expl\u00edcita ao servi\u00e7o do capitalismo; a decad\u00eancia do debate pol\u00edtico tornado pr\u00e1ticas difamat\u00f3rias, mentiras, insultos, obscenidade e o consequente avan\u00e7o da barb\u00e1rie; a precariedade laboral&#8230;<\/p>\n<p>Enfim, os exemplos s\u00e3o m\u00faltiplos e podem ser um bom disparador de trabalhos para nossa Jornada, considerando que estamos numa \u00e9poca na qual j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio situar o prolet\u00e1rio na f\u00e1brica para lhe extrair um mais de gozo. Hoje basta deslumbrar o falasser com investimentos e promessas de ganho r\u00e1pido de capital, quer dizer, de r\u00e1pida recupera\u00e7\u00e3o de gozo para, na primeira crise de confian\u00e7a, deix\u00e1-lo na rua. A solid\u00e3o e sua satisfa\u00e7\u00e3o autista \u2013 ou seria melhor dizer isolamento? \u2013 d\u00e1 uma ideia da expans\u00e3o da crise de confian\u00e7a no mundo e, concomitantemente, a crise de autoridade que implica no recha\u00e7o dos S1 que vem do Outro e a sua fun\u00e7\u00e3o de mortificar gozo. Quando o S1 \u00e9 recha\u00e7ado a mortifica\u00e7\u00e3o de gozo, a castra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o opera.<\/p>\n<p>Seria poss\u00edvel situar estes fen\u00f4menos como sintoma desta \u00e9poca, ou melhor como sintoma atual? Atual no sentido freudiano, quer dizer, sintomas que pulam a rela\u00e7\u00e3o ao inconsciente, que s\u00e3o refrat\u00e1rios ao inconsciente. E, neste ponto, nos encontramos com uma quest\u00e3o \u00e9tica e pol\u00edtica da psican\u00e1lise que muito vale a pena pesquisar: como ofertar aos sujeitos que est\u00e3o nessa posi\u00e7\u00e3o refrat\u00e1ria ao inconsciente, que se eles quiserem, podem fazer uso de um analista?<\/p>\n<p>Bom trabalho para todos!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> SCHEJTMAN, F.\u201d Variaciones sobre lo actual\u201d, <em>in Anorexia e Bulimia, Sintomas atuais do feminino,<\/em> Buenos Aires, Ed Serie del Bucle, 2003. P. 13.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> LACAN, J. \u201cOs paradoxos da \u00e9tica\u201d in <em>O Semin\u00e1rio, livro 7, A \u00e9tica da psican\u00e1lise<\/em>, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed. 1988. P. 374<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Ibid, p.<\/span><\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;5398&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] VI Jornada da Se\u00e7\u00e3o Sul. \u201cCad\u00ea o gozo? O que diz a \u00e9poca e a cl\u00ednica.&#8221; Eixo 1: O gozo e a \u00e9poca. Oscar Reymundo (EBP-AMP) O que seria a \u00e9poca na perspectiva anal\u00edtica? No caso da pr\u00f3xima Jornada da Se\u00e7\u00e3o Sul a \u00e9poca seria a atualidade? Em Anorexia e bulimia. 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